A fundamentação da decisão de pronúncia no tribunal do júri: o conflito entre os princípios in dubio pro societate e presunção de inocência ou um conflito democrático?

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Morais, Rafael Matos de Freitas
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Não Informado pela instituição
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://biblioteca.sophia.com.br/terminalri/9575/acervo/detalhe/593325
Resumo: O presente estudo propõe-se a realizar uma análise crítica da decisão de pronúncia no procedimento do Tribunal do Júri, sob a perspectiva da tensão entre os princípios da presunção de inocência e o in dubio pro societate. Partindo da premissa de que a decisão de pronúncia não se limita a um juízo técnico de admissibilidade, mas acarreta significativos efeitos simbólicos e materiais, investiga-se em que medida tal ato jurisdicional respeita as garantias constitucionais fundamentais, notadamente o devido processo legal, a motivação das decisões judiciais (art. 93, IX, CF) e a presunção de inocência (art. 5º, LVII, CF). A pesquisa se ancora em uma abordagem teórico-dogmática e histórico-constitucional, reconstituindo a evolução do Tribunal do Júri e contextualizando sua ambivalente função democrática no sistema penal brasileiro. Examina-se, ainda, a legitimidade democrática da decisão de pronúncia, considerando os postulados da estabilidade, integridade e coerência decisional (art. 926, CPC), e se questiona se o in dubio pro societate pode ser interpretado como técnica de alocação de poder participativo compatível com o Estado Democrático de Direito. Argumenta-se que o in dubio pro societate, desprovido de densidade normativa e frequentemente invocado de forma retórica, opera como instrumento de erosão do modelo acusatório e da função garantidora do juiz. Em contraposição, sustenta-se que, apenas mediante uma ponderação estrita e fundamentada, conforme os critérios de proporcionalidade, correção e racionalidade delineados por Alexy e Ávila, seria possível harmonizar o juízo de admissibilidade com os princípios constitucionais. Ao final, defende-se que a legitimação da pronúncia exige fundamentação epistêmica rigorosa, sob pena de converter o júri em espaço de punição simbólica, desconectado do ideal deliberativo que informa a jurisdição democrática. Palavras-chave: Tribunal do Júri. Decisão de Pronúncia. In dubio pro societate. Presunção de inocência. Democracia.
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A pesquisa se ancora em uma abordagem teórico-dogmática e histórico-constitucional, reconstituindo a evolução do Tribunal do Júri e contextualizando sua ambivalente função democrática no sistema penal brasileiro. Examina-se, ainda, a legitimidade democrática da decisão de pronúncia, considerando os postulados da estabilidade, integridade e coerência decisional (art. 926, CPC), e se questiona se o in dubio pro societate pode ser interpretado como técnica de alocação de poder participativo compatível com o Estado Democrático de Direito. Argumenta-se que o in dubio pro societate, desprovido de densidade normativa e frequentemente invocado de forma retórica, opera como instrumento de erosão do modelo acusatório e da função garantidora do juiz. Em contraposição, sustenta-se que, apenas mediante uma ponderação estrita e fundamentada, conforme os critérios de proporcionalidade, correção e racionalidade delineados por Alexy e Ávila, seria possível harmonizar o juízo de admissibilidade com os princípios constitucionais. Ao final, defende-se que a legitimação da pronúncia exige fundamentação epistêmica rigorosa, sob pena de converter o júri em espaço de punição simbólica, desconectado do ideal deliberativo que informa a jurisdição democrática. Palavras-chave: Tribunal do Júri. Decisão de Pronúncia. In dubio pro societate. Presunção de inocência. Democracia.The purpose of this study is to critically analyze the indictment decision in jury trial proceedings, from the perspective of the tension between the principles of presumed innocence and in dubio pro societate. On the premise that the decision to indict is not limited to a technical judgment of admissibility, but it has significant symbolic and material effects, this study investigates the extent to which such a jurisdictional act upholds fundamental constitutional guarantees, notably due process of law, the requirement for reasoned judicial decisions (Article 93, item IX, of the Federal Constitution), and the presumption of innocence (Article 5, item LVII, of the Federal Constitution). The research is grounded in a theoretical-dogmatic and historical-constitutional approach, reconstructing the evolution of the Jury Court and contextualizing its ambivalent democratic role within the Brazilian criminal justice system. Furthermore, the study examines the democratic legitimacy of the indictment decision (decisão de pronúncia), in light of the principles of stability, integrity, and coherence in judicial reasoning (Article 926 of the Code of Civil Procedure), and questions whether the in dubio pro societate doctrine may be interpreted as a technique of allocating participatory power that aligns with the Democratic Rule of Law. It is argued that in dubio pro societate, lacking normative substance and often used rhetorically, functions as a tool that undermines the accusatorial model and the judge’s guarantor role. By contrast, the study contends that only through strict and reasoned balancing—based on the principles of proportionality, correctness, and rationality as outlined by Alexy and Ávila—can the admissibility decision be reconciled with constitutional principles. In the conclusion, it is argued that the legitimacy of the indictment requires rigorous epistemic reasoning, otherwise the jury will become a space for symbolic punishment, disconnected from the deliberative ideal that informs democratic jurisdiction. Keywords: Jury Court. Indictment Decision. In dubio pro societate. Presumption of innocence. DemocracyA Dissertação foi enviada com autorização e certificação via CI 37556/25 em 25/06/2025.Pompeu, Victor MarcilioPompeu, Gina Vidal MarcilioMontezuma, Talita de Fátima Pereira FurtadoUniversidade de Fortaleza. Programa de Pós-Graduação em Direito ConstitucionalMorais, Rafael Matos de Freitas2025info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdf109f.https://biblioteca.sophia.com.br/terminalri/9575/acervo/detalhe/593325https://uol.unifor.br/auth-sophia/exibicao/43306porreponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UNIFORinstname:Universidade de Fortaleza (UNIFOR)instacron:UNIFORinfo:eu-repo/semantics/openAccess2025-06-26T15:08:08Zoai::593325Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttps://www.unifor.br/bdtdONGhttp://dspace.unifor.br/oai/requestbib@unifor.br||bib@unifor.bropendoar:2025-06-26T15:08:08Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UNIFOR - Universidade de Fortaleza (UNIFOR)false
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