Investigação das diferenças sexuais no perfil proteômico e na ativação neuronal da amígdala de camundongos submetidos a extinção ou reinstalação da busca de etanol

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2024
Autor(a) principal: Rodolpho, Ben Tagami [UNIFESP]
Orientador(a): Cruz, Fábio Cardoso [UNIFESP]
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
dARK ID: ark:/48912/001300002vr31
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Federal de São Paulo
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Palavras-chave em Inglês:
Link de acesso: https://hdl.handle.net/11600/73759
Resumo: O transtorno por uso de álcool é um fenômeno complexo e múltiplas variáveis podem interferir no início, manutenção e na recaída ao consumo. Nesse contexto, o estresse parece ser um dos principais fatores indutores de recaída para indivíduos com transtorno por uso de álcool. Evidências apontam que a interação entre estresse, consumo e recaída de etanol parece ser mediado pelos sistemas de neurotransmissões localizados na região da amígdala estendida. Em especial, neurônios localizados nos núcleos da amígdala parecem desempenhar papel importante na mediação dessa região em resposta a um estímulo estressante. Além disso, evidencias apontam que machos e fêmeas parecem diferir nas repostas comportamentais e fisiológicas a exposição ao estresse e a administração de etanol. Assim, o presente projeto teve dois objetivos: investigar na amígdala de camundongos machos e fêmeas alterações proteômicas relacionadas a abstinência ao consumo de etanol, e analisar a ativação neuronal na amígdala durante o processo de reinstalação da busca por etanol induzida pelo estresse. Para isso, no primeiro experimento, camundongos machos e fêmeas foram submetidos a uma semana de consumo forçado de etanol 9% + sacarose 2% ou apenas sacarose 2% durante 8 dias. Logo após, foram submetidos ao protocolo de aquisição da autoadministração operante destas substâncias, que consistiu em 3 sessões overnights de 16 horas e 15 sessões de 1 hora na razão fixa 4. Por fim, foram realizadas 14 sessões de extinção de 1 hora, sem a oferta dos reforços, seguidas da extração dos encéfalos para análise do perfil proteômico da amígdala. No segundo experimento, camundongos machos e fêmeas foram submetidos ao mesmo protocolo para aquisição e extinção da autoadministração operante de etanol. No dia seguinte ao último dia de extinção, os animais foram submetidos ao protocolo de estresse de restrição por 2 horas. Imediatamente após ao término do protocolo de estresse, os animais foram colocados nas caixas de autoadministração por 1h, em uma sessão com os mesmos parâmetros da extinção (teste de reinstalação). Após o teste os animais foram perfundidos e fatia coronais contendo a amígdala foram obtidas com auxílio do criostato. Estes cortes foram utilizados para a realização da técnica de imunofluorescência. No primeiro experimento, foi observado que as fêmeas apresentaram maior consumo de sacarose durante os 8 dias de consumo forçado, e maior consumo de etanol durante o treino para aquisição da autoadministração operante. A análise proteômica quantitativa da amígdala destes animais mostrou que 704 proteínas estavam diferencialmente expressas entre os grupos. Através da análise de enriquecimento, observamos em machos e fêmeas, alterações proteicas relacionadas a vias de sinalização glutamatérgica, GABAérgica e dopaminérgica, bem como de vias pós-sinápticas relacionadas à proteína G. Pudemos observar alterações em processos de plasticidade sináptica, como potenciação e depressão de longo prazo, além de alterações em proteínas relacionadas ao ciclo de vesícula sináptica. Para o teste de reinstalação, observamos que o estresse de restrição não promoveu a reinstalação da busca por etanol, embora tenha promovido aumento na ativação da região da amígdala em fêmeas. Nesse sentido, as fêmeas apresentaram maior número de nosepokes ativos em comparação com os machos. Já os machos do grupo submetido ao estresse, apresentaram menor quantidade de nosepokes ativos em relação aos machos controle. Assim nossos resultados sugerem que a autoadministração operante de etanol seguida pela extinção desse comportamento promove alterações singulares em proteínas da amígdala de camundongos e que o estresse de reinstalação pode afetar de maneira diferente a ativação neuronal da amígdala entre camundongos machos e fêmeas.
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Além disso, evidencias apontam que machos e fêmeas parecem diferir nas repostas comportamentais e fisiológicas a exposição ao estresse e a administração de etanol. Assim, o presente projeto teve dois objetivos: investigar na amígdala de camundongos machos e fêmeas alterações proteômicas relacionadas a abstinência ao consumo de etanol, e analisar a ativação neuronal na amígdala durante o processo de reinstalação da busca por etanol induzida pelo estresse. Para isso, no primeiro experimento, camundongos machos e fêmeas foram submetidos a uma semana de consumo forçado de etanol 9% + sacarose 2% ou apenas sacarose 2% durante 8 dias. Logo após, foram submetidos ao protocolo de aquisição da autoadministração operante destas substâncias, que consistiu em 3 sessões overnights de 16 horas e 15 sessões de 1 hora na razão fixa 4. Por fim, foram realizadas 14 sessões de extinção de 1 hora, sem a oferta dos reforços, seguidas da extração dos encéfalos para análise do perfil proteômico da amígdala. No segundo experimento, camundongos machos e fêmeas foram submetidos ao mesmo protocolo para aquisição e extinção da autoadministração operante de etanol. No dia seguinte ao último dia de extinção, os animais foram submetidos ao protocolo de estresse de restrição por 2 horas. Imediatamente após ao término do protocolo de estresse, os animais foram colocados nas caixas de autoadministração por 1h, em uma sessão com os mesmos parâmetros da extinção (teste de reinstalação). Após o teste os animais foram perfundidos e fatia coronais contendo a amígdala foram obtidas com auxílio do criostato. Estes cortes foram utilizados para a realização da técnica de imunofluorescência. No primeiro experimento, foi observado que as fêmeas apresentaram maior consumo de sacarose durante os 8 dias de consumo forçado, e maior consumo de etanol durante o treino para aquisição da autoadministração operante. A análise proteômica quantitativa da amígdala destes animais mostrou que 704 proteínas estavam diferencialmente expressas entre os grupos. Através da análise de enriquecimento, observamos em machos e fêmeas, alterações proteicas relacionadas a vias de sinalização glutamatérgica, GABAérgica e dopaminérgica, bem como de vias pós-sinápticas relacionadas à proteína G. Pudemos observar alterações em processos de plasticidade sináptica, como potenciação e depressão de longo prazo, além de alterações em proteínas relacionadas ao ciclo de vesícula sináptica. Para o teste de reinstalação, observamos que o estresse de restrição não promoveu a reinstalação da busca por etanol, embora tenha promovido aumento na ativação da região da amígdala em fêmeas. Nesse sentido, as fêmeas apresentaram maior número de nosepokes ativos em comparação com os machos. Já os machos do grupo submetido ao estresse, apresentaram menor quantidade de nosepokes ativos em relação aos machos controle. Assim nossos resultados sugerem que a autoadministração operante de etanol seguida pela extinção desse comportamento promove alterações singulares em proteínas da amígdala de camundongos e que o estresse de reinstalação pode afetar de maneira diferente a ativação neuronal da amígdala entre camundongos machos e fêmeas. Ethanol use disorder is a complex phenomenon, and multiple variables can interfere with its onset, maintenance, and relapse. In this context, stress appears to be one of the main factors inducing relapse in individuals with ethanol use disorder. Evidence suggests that the interaction between stress, ethanol consumption, and relapse seems to be mediated by neurotransmission systems located in the extended amygdala region. In particular, neurons located in the amygdala nuclei appear to play an important role in mediating the response to a stressful stimulus. Additionally, evidence indicates that males and females seem to differ in their behavioral and physiological responses to stress exposure and ethanol administration. Thus, the present project had two objectives: to investigate proteomic changes in the amygdala of male and female mice related to ethanol withdrawal and to analyze neuronal activation in the amygdala during stress-induced ethanol-seeking reinstatement. For this, in the first experiment, male and female mice were subjected to one week of forced consumption of 9% ethanol + 2% sucrose or only 2% sucrose for eight days. Following this, they underwent the protocol for acquiring operant self-administration of these substances, consisting of three 16-hour overnight sessions and 15 one-hour sessions on a fixed ratio 4 schedule. Finally, 14 one-hour extinction sessions were conducted without reinforcement, followed by brain extraction for proteomic profile analysis of the amygdala. In the second experiment, male and female mice underwent the same protocol for acquiring and extinguishing operant ethanol self-administration. On the day following the last extinction session, the animals were subjected to a 2-hour restraint stress protocol. Immediately after completing the stress protocol, the animals were placed in the self-administration chambers for one hour in a session with the same parameters as the extinction sessions (reinstatement test). After the test, the animals were perfused, and coronal slices containing the amygdala were obtained using a cryostat. These sections were used to perform immunofluorescence techniques. In the first experiment, it was observed that females exhibited greater sucrose consumption during the eight days of involuntary consumption and higher ethanol intake during the operant self-administration acquisition training. The quantitative proteomic analysis of these animals' amygdalae revealed that 704 proteins were differentially expressed between the groups. Through enrichment analysis, we observed, in both males and females, changes in proteins related to glutamatergic, GABAergic, and dopaminergic signaling pathways and postsynaptic pathways related to G-proteins. We also observed changes in synaptic plasticity processes, such as long-term potentiation and depression, along with alterations in proteins associated with the synaptic vesicle cycle. For the reinstatement test, it was observed that restraint stress did not promote reinstatement of ethanol-seeking behavior, although it increased amygdala activation in females. In this regard, females showed a higher number of active nosepokes compared to males. Meanwhile, males in the stress-exposed group showed fewer active nosepokes in contrast to control males. Therefore, our results suggest that operant ethanol self-administration followed by the extinction of this behavior induces unique protein alterations in the amygdala of mice and that reinstatement stress may differently affect neuronal activation in the amygdala between male and female mice.Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP)FAPESP - 2022/09953-0f.cruz@unifesp.br187 f.RODOLPHO, Ben Tagami. Investigação das diferenças sexuais no perfil proteômico e na ativação neuronal da amígdala de camundongos submetidos a extinção ou reinstalação da busca de etanol. 2024. 187 f. Dissertação (Mestrado em Farmacologia) - Escola Paulista de Medicina, Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). São Paulo, 2024.https://hdl.handle.net/11600/73759ark:/48912/001300002vr31porUniversidade Federal de São Pauloinfo:eu-repo/semantics/openAccess3. Saúde e bem-estarEtanolReinstalaçãoAutoadministração operanteCamundongosDiferenças sexuaisProteomaEthanolReinstatementOperant self-administrationMiceSexual differencesProteomeInvestigação das diferenças sexuais no perfil proteômico e na ativação neuronal da amígdala de camundongos submetidos a extinção ou reinstalação da busca de etanolInvestigation of sex differences in the proteomic profile and neuronal activation in the amygdala of mice subjected to extinction or reinstatement of ethanol seekinginfo:eu-repo/semantics/masterThesisinfo:eu-repo/semantics/publishedVersionreponame:Repositório Institucional da UNIFESPinstname:Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)instacron:UNIFESPEscola Paulista de Medicina (EPM)FarmacologiaLICENSElicense.txtlicense.txttext/plain; charset=utf-86456https://repositorio.unifesp.br/bitstreams/9174d696-bf2d-4d40-afb6-b8bc2b71bec4/download79881d6dea480587c66312d1102a8942MD52ORIGINALDissertação_Ben Tagami Rodolpho.pdfDissertação_Ben Tagami 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Rodolpho, Ben Tagami [UNIFESP]
Etanol
Reinstalação
Autoadministração operante
Camundongos
Diferenças sexuais
Proteoma
Ethanol
Reinstatement
Operant self-administration
Mice
Sexual differences
Proteome
3. Saúde e bem-estar
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description O transtorno por uso de álcool é um fenômeno complexo e múltiplas variáveis podem interferir no início, manutenção e na recaída ao consumo. Nesse contexto, o estresse parece ser um dos principais fatores indutores de recaída para indivíduos com transtorno por uso de álcool. Evidências apontam que a interação entre estresse, consumo e recaída de etanol parece ser mediado pelos sistemas de neurotransmissões localizados na região da amígdala estendida. Em especial, neurônios localizados nos núcleos da amígdala parecem desempenhar papel importante na mediação dessa região em resposta a um estímulo estressante. Além disso, evidencias apontam que machos e fêmeas parecem diferir nas repostas comportamentais e fisiológicas a exposição ao estresse e a administração de etanol. Assim, o presente projeto teve dois objetivos: investigar na amígdala de camundongos machos e fêmeas alterações proteômicas relacionadas a abstinência ao consumo de etanol, e analisar a ativação neuronal na amígdala durante o processo de reinstalação da busca por etanol induzida pelo estresse. Para isso, no primeiro experimento, camundongos machos e fêmeas foram submetidos a uma semana de consumo forçado de etanol 9% + sacarose 2% ou apenas sacarose 2% durante 8 dias. Logo após, foram submetidos ao protocolo de aquisição da autoadministração operante destas substâncias, que consistiu em 3 sessões overnights de 16 horas e 15 sessões de 1 hora na razão fixa 4. Por fim, foram realizadas 14 sessões de extinção de 1 hora, sem a oferta dos reforços, seguidas da extração dos encéfalos para análise do perfil proteômico da amígdala. No segundo experimento, camundongos machos e fêmeas foram submetidos ao mesmo protocolo para aquisição e extinção da autoadministração operante de etanol. No dia seguinte ao último dia de extinção, os animais foram submetidos ao protocolo de estresse de restrição por 2 horas. Imediatamente após ao término do protocolo de estresse, os animais foram colocados nas caixas de autoadministração por 1h, em uma sessão com os mesmos parâmetros da extinção (teste de reinstalação). Após o teste os animais foram perfundidos e fatia coronais contendo a amígdala foram obtidas com auxílio do criostato. Estes cortes foram utilizados para a realização da técnica de imunofluorescência. No primeiro experimento, foi observado que as fêmeas apresentaram maior consumo de sacarose durante os 8 dias de consumo forçado, e maior consumo de etanol durante o treino para aquisição da autoadministração operante. A análise proteômica quantitativa da amígdala destes animais mostrou que 704 proteínas estavam diferencialmente expressas entre os grupos. Através da análise de enriquecimento, observamos em machos e fêmeas, alterações proteicas relacionadas a vias de sinalização glutamatérgica, GABAérgica e dopaminérgica, bem como de vias pós-sinápticas relacionadas à proteína G. Pudemos observar alterações em processos de plasticidade sináptica, como potenciação e depressão de longo prazo, além de alterações em proteínas relacionadas ao ciclo de vesícula sináptica. Para o teste de reinstalação, observamos que o estresse de restrição não promoveu a reinstalação da busca por etanol, embora tenha promovido aumento na ativação da região da amígdala em fêmeas. Nesse sentido, as fêmeas apresentaram maior número de nosepokes ativos em comparação com os machos. Já os machos do grupo submetido ao estresse, apresentaram menor quantidade de nosepokes ativos em relação aos machos controle. Assim nossos resultados sugerem que a autoadministração operante de etanol seguida pela extinção desse comportamento promove alterações singulares em proteínas da amígdala de camundongos e que o estresse de reinstalação pode afetar de maneira diferente a ativação neuronal da amígdala entre camundongos machos e fêmeas.
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