Processos microrregulatórios em uma unidade básica de saúde e a produção do cuidado

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2015
Autor(a) principal: Oliveira, Lissandra Andion de [UNIFESP]
Orientador(a): Cecílio, Luiz Carlos de Oliveira [UNIFESP]
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
dARK ID: ark:/48912/001300001wf25
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Palavras-chave em Inglês:
Link de acesso: http://repositorio.unifesp.br/handle/11600/47694
https://sucupira.capes.gov.br/sucupira/public/consultas/coleta/trabalhoConclusao/viewTrabalhoConclusao.jsf?popup=true&id_trabalho=2882713
Resumo: Introdução: A Atenção Básica tem sido crescentemente demandada a ser a coordenadora do cuidado e o centro de comunicação da rede de serviços (Starfield, 2002) como estabelecido na Política Nacional de Atenção Básica aprovada em 2011 (Brasil, 2011). Objetivo: Caracterizar os processos microrregulatórios desenvolvidos por uma unidade básica de saúde visando garantir a integralidade do cuidado de seus usuários. Metodologia: O estudo está vinculado à pesquisa A Atenção Primária à Saúde como estratégia para (re)configuração das Políticas Nacionais de Saúde, financiada por CNPQ, FAPESP e MS. Trata-se de um estudo de caso de abordagem qualitativa realizado em uma UBS da região metropolitana de São Paulo. Utilizou-se o método etnográfico desenvolvido através de três técnicas: a análise documental, a observação participante e entrevistas semiestruturadas. A observação participante foi realizada através de visitas à UBS ao longo de 10 meses. Foram realizadas 6 entrevistas com os envolvidos na regulação. Na análise dos dados, as cenas do cotidiano observadas e registradas, e as descrições e julgamentos dos trabalhadores entrevistados foram agrupados de modo a compor dois grandes blocos temáticos: a microrregulação interna e a microrregulação externa. Resultados: A microrregulação praticada pela equipe, qual seja, os atos realizados para garantir o acesso dos usuários aos serviços em busca do cuidado adequado às suas necessidades, apresenta duas dimensões. Uma microrregulação interna que trata do acesso dos usuários às várias ofertas de cuidado da própria unidade (os vários modos de entrada na unidade; a gestão da agenda; o acesso do paciente às várias ofertas depois que entrou na unidade; o matriciamento). A outra, a microrregulação externa, trata do acesso aos demais serviços da rede, tendo-se evidenciado: a) quando o paciente é classificado como Prioridade Zero (P0) há uma significativa mobilização de atores buscando garantir o encaminhamento mais ágil, quase sempre bem sucedida; b) os demais níveis de prioridade entram em uma fila de espera organizada por ordem de chegada, e não por uma discriminação clínica mais fina; c) a equipe, em particular os médicos, fazem uso de contatos pessoais em outras instâncias do sistema para agilizar os encaminhamentos prioritários (regulação profissional); d) outros atores influenciam fortemente o processo como os ACS e o próprio usuário. Conclusão: A microrregulação funciona como um sistema de filtros, e é preciso compreender os elementos que influenciam sua porosidade. Embora a UBS consiga uma boa articulação interna da equipe para obter encaminhamentos em tempo ágil nos casos considerados críticos, o estudo aponta a impossibilidade de a atenção básica ser a coordenadora do cuidado, como estabelecido nos documentos do Ministério da Saúde, tarefa que precisa ser assumida por múltiplos pontos de atenção. Isso requer o engajamento da gestão no desenvolvimento de arranjos que possibilitem a comunicação e a troca de informações entre os serviços. O estudo conclui apontando alguns elementos que deverão ser considerados pela gestão municipal para cumprir sua responsabilidade de garantir o acesso e a continuidade da atenção aos usuários do SUS.
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Utilizou-se o método etnográfico desenvolvido através de três técnicas: a análise documental, a observação participante e entrevistas semiestruturadas. A observação participante foi realizada através de visitas à UBS ao longo de 10 meses. Foram realizadas 6 entrevistas com os envolvidos na regulação. Na análise dos dados, as cenas do cotidiano observadas e registradas, e as descrições e julgamentos dos trabalhadores entrevistados foram agrupados de modo a compor dois grandes blocos temáticos: a microrregulação interna e a microrregulação externa. Resultados: A microrregulação praticada pela equipe, qual seja, os atos realizados para garantir o acesso dos usuários aos serviços em busca do cuidado adequado às suas necessidades, apresenta duas dimensões. Uma microrregulação interna que trata do acesso dos usuários às várias ofertas de cuidado da própria unidade (os vários modos de entrada na unidade; a gestão da agenda; o acesso do paciente às várias ofertas depois que entrou na unidade; o matriciamento). A outra, a microrregulação externa, trata do acesso aos demais serviços da rede, tendo-se evidenciado: a) quando o paciente é classificado como Prioridade Zero (P0) há uma significativa mobilização de atores buscando garantir o encaminhamento mais ágil, quase sempre bem sucedida; b) os demais níveis de prioridade entram em uma fila de espera organizada por ordem de chegada, e não por uma discriminação clínica mais fina; c) a equipe, em particular os médicos, fazem uso de contatos pessoais em outras instâncias do sistema para agilizar os encaminhamentos prioritários (regulação profissional); d) outros atores influenciam fortemente o processo como os ACS e o próprio usuário. Conclusão: A microrregulação funciona como um sistema de filtros, e é preciso compreender os elementos que influenciam sua porosidade. Embora a UBS consiga uma boa articulação interna da equipe para obter encaminhamentos em tempo ágil nos casos considerados críticos, o estudo aponta a impossibilidade de a atenção básica ser a coordenadora do cuidado, como estabelecido nos documentos do Ministério da Saúde, tarefa que precisa ser assumida por múltiplos pontos de atenção. Isso requer o engajamento da gestão no desenvolvimento de arranjos que possibilitem a comunicação e a troca de informações entre os serviços. O estudo conclui apontando alguns elementos que deverão ser considerados pela gestão municipal para cumprir sua responsabilidade de garantir o acesso e a continuidade da atenção aos usuários do SUS. Introduction: The Basic Attention has been increasingly demanded to be the care's coordinator and the communication center of the services network (Starfield, 2002) as established in Primary Care National Policy approved in 2011 (Brasil, 2011). Objective: Caracterize the microregulation process developed by a basic health unit focusing on guarantee the integrality of the care of its users. Metodology: The study is related to the research Primary Health Care as strategy to the (re)configuration of National Policies of health, sponsored by CNPQ, FAPESP and MS. This is a case study of qualitative approach conducted in a UBS in São Paulo's metropolitan area. The etnographic method developed on 3 techniques: document analysis, observation of the participant and semi-structured interviews, has been used. The observation of the participant was realized in 10 months with visits to the UBS. Six interviews were realized with people engaged in regulation. In the data analysis, the observed and recorded daily scenes, and the interviewed workers' description and judgement were grouped in order to compose two big thematic blocks: the internal microregulation and the external microregulation. Results: The microregulation practiced by the team, and that can be anyone, the realized actions to guarantee user access to the services in attention to the right care of his needs, presents two dimensions. An internal microregulation which treats the user acess to many offers of care on its own health unit (the many ways to access the unit; the management schedule; the pacient access to many offers after entering the unit; the matrix support). On the other side, the external microregulation, treats the access to other services in the network, having contrasted: a) when the pacient is selected as Zero Priority (P0) there is a significant mobilization and articulation of actors searching for the guarantees for the fastest routing, mostly successful; b) other priority levels are queued by arrival, and not for a clinical discrimination; c) the team, and particularly the doctors, make use of personal contacts in high instances to speed up the prioritary routes (professional regulation); d) other actors strongly influence the process like the community health agent and the end users. Conclusion: The microregulation works as a system of filters, and it is necessary to understand the elements that influence its porosity. Tough the UBS get people engaged to conduct to routes quickly and effectively in critical situations, the study points to weaknesses of basic attention to be the care's coordinator as established by the Health Ministery, that task must be understood from several points, and that requires commitment of the managers in developments that allow the agents to communicate and the information exchange among the services. The study ends pointing a few elements which must be considered by the municipal management in order to fulfill your responsability for the access guaranteed and continuity of attention to SUS users.122 f.OLIVEIRA, Lissandra Andion de. Processos microrregulatórios em uma unidade básica de saúde e a produção do cuidado. 2015. 122 f. Dissertação (Mestrado em Saúde coletiva) - Escola Paulista de Medicina, Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), São Paulo, 2015.http://repositorio.unifesp.br/handle/11600/47694https://sucupira.capes.gov.br/sucupira/public/consultas/coleta/trabalhoConclusao/viewTrabalhoConclusao.jsf?popup=true&id_trabalho=2882713ark:/48912/001300001wf25porUniversidade Federal de São Paulo (UNIFESP)info:eu-repo/semantics/openAccessRegulação em saúdeCoordenação de redes de atenção à saúdeAcesso aos serviços de saúdeRede de atenção básica em saúdeRegulation in healthCoordination of networks of attention to healthAccess to health servicesBasic attention network in healthProcessos microrregulatórios em uma unidade básica de saúde e a produção do cuidadoMicro regulatory process in a basic health unit and the production of careinfo:eu-repo/semantics/masterThesisinfo:eu-repo/semantics/publishedVersionreponame:Repositório Institucional da UNIFESPinstname:Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)instacron:UNIFESPSão Paulo, Escola Paulista de Medicina (EPM)Saúde ColetivaCiências da saúdeSaúde coletivaORIGINALLissandra Andion de Oliveira.pdfapplication/pdf1019586https://repositorio.unifesp.br/bitstreams/209b922b-2b66-4ddb-81a9-f689301b1699/download38340ac4ce0e9595f1fc6cb1529b403cMD54TEXTDissertação_Lissandra Andion de Oliveira.pdf.txtDissertação_Lissandra Andion de Oliveira.pdf.txtExtracted texttext/plain103968https://repositorio.unifesp.br/bitstreams/8c61911d-e02d-4125-b861-87116edd99c7/downloadc521ab5b3f02c6234a3c5ca23e3fbdb4MD52THUMBNAILDissertação_Lissandra Andion de Oliveira.pdf.jpgDissertação_Lissandra Andion de Oliveira.pdf.jpgGenerated Thumbnailimage/jpeg2486https://repositorio.unifesp.br/bitstreams/ba2fa3af-83fc-4bbe-83cf-1edff3030d5a/downloadbceac3a6811ffae48bc2b16de917c537MD5311600/476942025-03-25 11:19:30.688oai:repositorio.unifesp.br:11600/47694https://repositorio.unifesp.brRepositório InstitucionalPUBhttp://www.repositorio.unifesp.br/oai/requestbiblioteca.csp@unifesp.bropendoar:34652025-03-25T11:19:30Repositório Institucional da UNIFESP - Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)false
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