Estéticas do Abandono: Lugares Abandonados, Ruínas, Memória e Arte

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Gervilla, Lucas Rossi [UNESP]
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Estadual Paulista (Unesp)
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://hdl.handle.net/11449/296613
http://lattes.cnpq.br/4985531457212451
https://orcid.org/0000-0002-4423-0137
Resumo: Esta pesquisa investiga ruínas e lugares abandonados como espaços de memória, experiência estética e produção artística, articulando abordagens da filosofia e das artes visuais. Partindo da estética do abandono, a tese analisa como ruínas aglutinam temporalidades múltiplas, desafiando narrativas lineares da modernidade. Ao mesmo tempo, esses espaços são entendidos como zonas de tensão que superam relações dualistas entre progresso e decadência, lembrança e esquecimento, cultura e natureza. A investigação é desenvolvida por meio de um percurso interdisciplinar que combina pesquisa teórica, visitas de campo e produção artística. Conceitos de espaço, lugar e das ações que ocorrem como formulados por autores como Georg Simmel (1908; 1996; 1998; 2009; 2020), Milton Santos (2006; 2013; 2021), e David Harvey (1990), fornecem um repertório teórico para refletir sobre o papel das ruínas na construção de significados culturais e subjetivos. No campo artístico, referências como Andrei Tarkovsky, Giovanni Battista Piranesi e Caspar David Friedrich ampliam as discussões sobre a relação entre representação visual e experiência estética do abandono. A pesquisa atravessa diferentes paisagens e contextos históricos, com ênfase em casos do Brasil e da Alemanha. A investigação inclui visitas a locais abandonados, como antigas fábricas, hidrelétricas desativadas, edifícios históricos e infraestruturas militares soviéticas, examinando suas camadas materiais e simbólicas. O debate incorpora a prática do “estar lá”, entendendo a imersão nesses espaços como parte do processo artístico e filosófico. O trabalho também dialoga com debates sobre diferentes modernidades e suas interrupções, considerando como projetos de progresso geram espaços obsoletos. A pesquisa se aprofunda em casos específicos, como as ruínas da ex-Alemanha Oriental, analisando seus significados históricos e suas reverberações na paisagem contemporânea. Além disso, discute a relação entre ruínas e nostalgia, partindo do pensamento de Svetlana Boym (2001; 2008; 2010; 2017), abordando como esses espaços ativam memórias individuais e coletivas.A produção artística resultante da pesquisa inclui ensaios visuais, performances audiovisuais e filmes, nos quais a estética do abandono é explorada como linguagem e método. A tese argumenta que as ruínas, longe de serem apenas vestígios do passado, são dispositivos ativos que reconfiguram nossa percepção do tempo e do espaço. Elas não representam apenas ausência ou perda, mas funcionam como zonas de encontro entre tempos distintos, abrindo possibilidades para novas formas de experiência e imaginação.
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Conceitos de espaço, lugar e das ações que ocorrem como formulados por autores como Georg Simmel (1908; 1996; 1998; 2009; 2020), Milton Santos (2006; 2013; 2021), e David Harvey (1990), fornecem um repertório teórico para refletir sobre o papel das ruínas na construção de significados culturais e subjetivos. No campo artístico, referências como Andrei Tarkovsky, Giovanni Battista Piranesi e Caspar David Friedrich ampliam as discussões sobre a relação entre representação visual e experiência estética do abandono. A pesquisa atravessa diferentes paisagens e contextos históricos, com ênfase em casos do Brasil e da Alemanha. A investigação inclui visitas a locais abandonados, como antigas fábricas, hidrelétricas desativadas, edifícios históricos e infraestruturas militares soviéticas, examinando suas camadas materiais e simbólicas. O debate incorpora a prática do “estar lá”, entendendo a imersão nesses espaços como parte do processo artístico e filosófico. O trabalho também dialoga com debates sobre diferentes modernidades e suas interrupções, considerando como projetos de progresso geram espaços obsoletos. A pesquisa se aprofunda em casos específicos, como as ruínas da ex-Alemanha Oriental, analisando seus significados históricos e suas reverberações na paisagem contemporânea. Além disso, discute a relação entre ruínas e nostalgia, partindo do pensamento de Svetlana Boym (2001; 2008; 2010; 2017), abordando como esses espaços ativam memórias individuais e coletivas.A produção artística resultante da pesquisa inclui ensaios visuais, performances audiovisuais e filmes, nos quais a estética do abandono é explorada como linguagem e método. A tese argumenta que as ruínas, longe de serem apenas vestígios do passado, são dispositivos ativos que reconfiguram nossa percepção do tempo e do espaço. Elas não representam apenas ausência ou perda, mas funcionam como zonas de encontro entre tempos distintos, abrindo possibilidades para novas formas de experiência e imaginação.This research investigates ruins and abandoned places as spaces of memory, aesthetic experience, and artistic production, bridging approaches from philosophy and visual arts. Drawing from the aesthetics of abandonment, the thesis analyses how ruins aggregate multiple temporalities, challenging linear narratives of modernity. At the same time, these spaces are understood as zones of tension that transcend dualistic relations between progress and decay, remembrance and oblivion, culture and nature. The investigation follows an interdisciplinary path that combines theoretical research, field visits, and artistic production. Concepts of space, place, and the actions that occur within them, as formulated by authors such as Georg Simmel (1908; 1996; 1998; 2009; 2020), Milton Santos (2006; 2013; 2021), and David Harvey (1990), provide a theoretical repertoire for reflecting on the role of ruins in the construction of cultural and subjective meanings. In the artistic field, references such as Andrei Tarkovsky, Giovanni Battista Piranesi, and Caspar David Friedrich expand discussions on the relationship between visual representation and the aesthetic experience of abandonment.The research traverses different landscapes and historical contexts, with an emphasis on cases from Brazil and Germany. The investigation includes visits to abandoned sites such as former factories, deactivated hydroelectric plants, historic buildings, and Soviet military infrastructures, examining their material and symbolic layers. The debate incorporates the practice of “being there”, understanding immersion in these spaces as part of the artistic and philosophical process.The study also dialogues with debates on different modernities and their interruptions, considering how projects of progress generate obsolete spaces. The research delves into specific cases, such as the ruins of the former East Germany, analysing their historical significance and their reverberations in the contemporary landscape. Furthermore, it explores the relationship between ruins and nostalgia, drawing from the thought of Svetlana Boym (2001; 2008; 2010; 2017), and discussing how these spaces activate individual and collective memories.The artistic production resulting from the research includes visual essays, audiovisual performances, and films, in which the aesthetics of abandonment is explored as both language and method. The thesis argues that ruins, far from being mere remnants of the past, are active devices that reconfigure our perception of time and space. They do not merely represent absence or loss; rather, they function as zones of encounter between distinct temporalities, opening possibilities for new forms of experience and imagination.Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES)Deutscher Akademischer Austauschdienst (DAAD)CAPES: 001Universidade Estadual Paulista (Unesp)Spaniol, José Paiani [UNESP]Universidade Estadual Paulista (Unesp)Schlitte, Annika (Universität Greifswald)Gervilla, Lucas Rossi [UNESP]2025-04-22T19:06:29Z2025-03-21info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfapplication/pdfGERVILLA, Lucas Rossi. Estéticas do abandono: lugares abandonados, ruínas, memória e arte. Orientador: José Paiani Spaniol. Coorientadora: Prof.ª Dr.ª Annika Schlitte. 2025. 352 f. Tese (Doutorado em Artes) – Instituto de Artes, Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”, São Paulo, 2025.https://hdl.handle.net/11449/29661333004013063P4http://lattes.cnpq.br/4985531457212451https://orcid.org/0000-0002-4423-0137porinfo:eu-repo/semantics/openAccessreponame:Repositório Institucional da UNESPinstname:Universidade Estadual Paulista (UNESP)instacron:UNESP2025-06-02T18:42:33Zoai:repositorio.unesp.br:11449/296613Repositório InstitucionalPUBhttp://repositorio.unesp.br/oai/requestrepositoriounesp@unesp.bropendoar:29462025-06-02T18:42:33Repositório Institucional da UNESP - Universidade Estadual Paulista (UNESP)false
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