Formar e ferir: masculinismos na forja da PMMS

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Lima, Daniel Attianesi de [UNESP]
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Estadual Paulista (Unesp)
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://hdl.handle.net/11449/312076
Resumo: Esta tese investiga como violências e masculinidades são articuladas na formação de policiais militares da PMMS, com foco nas experiências no Centro de Formação e Aperfeiçoamento de Praças (CEFAP) e no Curso de Formação de Oficiais (CFO). O objeto central é a construção institucional das masculinidades durante o processo formativo. A abordagem teórica mobiliza os estudos de gênero, em especial o conceito de masculinidades (Connell, 2005), propondo a noção de masculinismo institucional como expressão da valorização viril, hierárquica e excludente do “homem ideal” na cultura policial. A metodologia combina revisão bibliográfica, análise documental e etnográfica, com atenção à inserção do pesquisador como civil percebido como intruso no ambiente militar. A partir do trabalho de campo, a tese analisa a pedagogia do sofrimento, a produção das categorias paisano e “militar”, e a disputa entre duas formas de masculinidade que, embora em tensão, reforçam o masculinismo vigente e marginalizam mulheres policiais, homossexuais e modelos não-punitivistas de policiamento. Os achados evidenciam a produção de um “nós” mais amplo, do qual a PMMS faz parte, forjado em oposição a um “eles” desumanizado, o que alimenta uma gramática bélica mesmo em tempos de paz. Esse “nós” coloca policiais militares, em tempos de paz, como “guardiões” de uma ordem social e participantes de uma guerra contra os “inimigos” dessa ordem. Esse enquadramento se produz nas relações políticas regionais, na elaboração de uma memória institucional heroica e na aproximação com grupos religiosos, destacando o Programa Universal nas Forças Policiais (UFP). Também se consideram os processos de produção de um suposto “eles” coerente para os PMs, nos quais parte desses sujeitos é desumanizada como forma de naturalização da violência. Esse processo se reflete em concepções mais amplas da necropolítica presente nas policiais brasileiras. Por fim, este trabalho discute os efeitos psíquicos desses processos sobre a saúde mental dos policiais militares. A pesquisa contribui para os debates sobre segurança pública e masculinidades, oferecendo uma leitura crítica das práticas formativas que sustentam as violências institucionais, o masculinismo e o autoritarismo policial no contexto sul-mato-grossense.
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A metodologia combina revisão bibliográfica, análise documental e etnográfica, com atenção à inserção do pesquisador como civil percebido como intruso no ambiente militar. A partir do trabalho de campo, a tese analisa a pedagogia do sofrimento, a produção das categorias paisano e “militar”, e a disputa entre duas formas de masculinidade que, embora em tensão, reforçam o masculinismo vigente e marginalizam mulheres policiais, homossexuais e modelos não-punitivistas de policiamento. Os achados evidenciam a produção de um “nós” mais amplo, do qual a PMMS faz parte, forjado em oposição a um “eles” desumanizado, o que alimenta uma gramática bélica mesmo em tempos de paz. Esse “nós” coloca policiais militares, em tempos de paz, como “guardiões” de uma ordem social e participantes de uma guerra contra os “inimigos” dessa ordem. Esse enquadramento se produz nas relações políticas regionais, na elaboração de uma memória institucional heroica e na aproximação com grupos religiosos, destacando o Programa Universal nas Forças Policiais (UFP). Também se consideram os processos de produção de um suposto “eles” coerente para os PMs, nos quais parte desses sujeitos é desumanizada como forma de naturalização da violência. Esse processo se reflete em concepções mais amplas da necropolítica presente nas policiais brasileiras. Por fim, este trabalho discute os efeitos psíquicos desses processos sobre a saúde mental dos policiais militares. A pesquisa contribui para os debates sobre segurança pública e masculinidades, oferecendo uma leitura crítica das práticas formativas que sustentam as violências institucionais, o masculinismo e o autoritarismo policial no contexto sul-mato-grossense.This dissertation examines how violence and masculinities are intertwined in the training of military police officers in the Mato Grosso do Sul Military Police (PMMS), with a particular focus on experiences at the Center for the Training and Improvement of Enlisted Personnel (CEFAP) and the Officers’ Training Course (CFO). The central object of analysis is the institutional construction of masculinities throughout the formative process. The theoretical framework draws on gender studies, especially Connell’s (2005) concept of masculinities, introducing the notion of institutional masculinism to describe the valorization of a virile, hierarchical, and exclusionary “ideal man” within police culture. The methodology combines bibliographic review, document analysis, and ethnographic fieldwork, with particular attention to the researcher’s position as a civilian perceived as an intruder in the military environment. Based on fieldwork, the dissertation analyzes the pedagogy of suffering, the production of the categories paisano (civilian) and “military,” and the tension between two models of masculinity that, despite their conflict, jointly reinforce prevailing masculinism and marginalize policewomen, homosexual officers, and non-punitive approaches to policing. The findings reveal the construction of a broad “we,” of which the PMMS is part, forged in opposition to a dehumanized “they”, a binary that fuels a warlike grammar even in times of peace. This collective “we” casts military police officers as peacetime “guardians” of social order engaged in a war against its “enemies.” This framing is shaped by regional political dynamics, the production of a heroic institutional memory, and the institution’s alignment with religious groups, most notably through the Universal Program in Police Forces (UFP). The thesis also explores the construction of a coherent “they” for the PMMS, in which certain groups are dehumanized to legitimize the normalization of violence. This process reflects broader conceptions of necropolitics as enacted in Brazilian policing. Finally, the work addresses the psychic toll of these dynamics on the mental health of military police officers. The research contributes to critical debates on public security and masculinities, offering a grounded analysis of how formative practices sustain institutional violence, masculinism, and police authoritarianism in the context of Mato Grosso do Sul.Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES)CAPES: 88887.854358/2023-00Universidade Estadual Paulista (Unesp)Teixeira, Paulo Eduardo [UNESP]Universidade Estadual Paulista (Unesp)Pelúcio, Larissa Maués [UNESP]Lima, Daniel Attianesi de [UNESP]2025-07-15T14:41:03Z2025-05-28info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfATTIANESI, Daniel. Formar e ferir: masculinismos na forja da PMMS. 2025. Tese (Doutorado em Ciências Sociais) – Faculdade de Filosofia e Ciências, Universidade Estadual Paulista (UNESP), Marília, 2025.https://hdl.handle.net/11449/31207633004110042P833004110042P831020613600951100000-0002-9899-3906porinfo:eu-repo/semantics/openAccessreponame:Repositório Institucional da UNESPinstname:Universidade Estadual Paulista (UNESP)instacron:UNESP2025-07-16T04:00:32Zoai:repositorio.unesp.br:11449/312076Repositório InstitucionalPUBhttp://repositorio.unesp.br/oai/requestrepositoriounesp@unesp.bropendoar:29462025-07-16T04:00:32Repositório Institucional da UNESP - Universidade Estadual Paulista (UNESP)false
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