Os paradigmas das concepções hospitalares: um estudo dos hospitais projetados para o programa metropolitano de saúde de São Paulo

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2008
Autor(a) principal: Parucker, Viviane Piola lattes
Orientador(a): Bruna, Gilda Collet lattes
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Presbiteriana Mackenzie
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Palavras-chave em Inglês:
Área do conhecimento CNPq:
Link de acesso: http://dspace.mackenzie.br/handle/10899/26063
Resumo: Paradigmas podem ser entendidos como os sistemas de valores adotados por comunidades científicas para delimitar sua área de estudo. Ao mesmo tempo em que um paradigma permite que essa comunidade científica aprofunde o conhecimento sobre o seu objeto de estudo, um apego demasiado grande ao paradigma pode levar a uma visão estreita e a uma crítica exacerbada a outros paradigmas, limitando a expansão do crescimento científico como um todo. A proliferação de paradigmas pela comparação, elaboração e proposição de novos paradigmas multidisciplinares é, portanto, importante para o enriquecimento do conhecimento científico sobre um objeto de estudo. O novo paradigma de saúde pública no Brasil foi traçado: a consolidação da Constituição Federal de 1988 que universaliza o direito à saúde e a entrada em vigor das Leis n°. 8.080 e n°. 8.142 de 1990 que regulamentam o Sistema Único de Saúde (SUS), estabelecendo novos conceitos no atendimento à população. O processo de rompimento com o modelo existente percorreu um longo caminho em que diversos agentes atuaram para calcar tal ruptura. A política, a economia e a sociedade suscitaram as muitas ações públicas de investigações, estudos e intervenções no sistema de saúde vigente e vários programas, planos e ações foram propostos preliminarmente à Constituição Federal e à implantação do SUS, criando e consolidando a base conceitual do novo sistema de saúde. O Programa Metropolitano de Saúde do Estado de São Paulo (PMS) foi uma das ações de saúde precursoras ao SUS, que propunha fortes mudanças de paradigma da saúde da Região Metropolitana de São Paulo (RMSP). Mais do que uma proposta de uma nova abordagem política, econômica, administrativa e conceitual, o PMS foi um dos poucos programas que gerou a implantação de um grande número de unidades para o atendimento à saúde. A experiência do PMS é única na área de construção de edifícios hospitalares, no que tange à possibilidade de análise comparativa. A avaliação comparativa entre concepções para o mesmo final é muito enriquecedora. Ao se comparar os paradigmas que direcionaram essas construções, cria-se a oportunidade de se confrontar soluções e enriquecer o conhecimento, aumentando o repertório. A avaliação comparativa entre concepções de projetos de hospitais não é muito simples, pois cada concepção de hospital parte de um programa físico-funcional específico para aquele edifício, assim como qualquer outra concepção arquitetônica. No entanto, o grande diferencial se dá nos demais delineamentos da concepção em que são informados a função específica de serviços prestados, o público alvo (público, privado, outros), sua demanda social e epidemiológica, a abrangência regional previamente delimitada, o modelo de gestão administrativa estabelecido e outras características intrínsecas a cada unidade. Os hospitais construídos pelo PMS constituem-se em uma rica possibilidade comparativa, pois todos foram elaborados para o mesmo fim, com um único programa físico-funcional, designados para regiões com características epidemiológicas similares, densidades populacionais equivalentes, prestações de serviços semelhantes entre outras características importantes na concepção de hospitais. A grande importância desse Programa é devida ao fato de que esses edifícios foram elaborados, construídos e re-estudados em momentos ímpares de nossa história, momentos estes de mudança de paradigma político, econômico e social. Nota-se que os Hospitais Gerais de São Mateus, Vila Nova Cachoeirinha, Vila Penteado e Guaianases foram concluídos anteriormente à entrada em vigor da Constituição Federal de 1988. Desse cenário, decorrem três panoramas: 1. a concepção construída anterior ao SUS; 2. a reformulação das unidades para adequarem-se ao SUS; e 3. a apresentação atual desses edifícios em função das contínuas modificações de paradigmas ocorridas com o passar do tempo. Esse quadro abre uma oportunidade muito rica de análise de como uma mesma concepção arquitetônica construída em várias localidades distintas se apresenta frente aos novos paradigmas e como cada paradigma a influenciou.
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O novo paradigma de saúde pública no Brasil foi traçado: a consolidação da Constituição Federal de 1988 que universaliza o direito à saúde e a entrada em vigor das Leis n°. 8.080 e n°. 8.142 de 1990 que regulamentam o Sistema Único de Saúde (SUS), estabelecendo novos conceitos no atendimento à população. O processo de rompimento com o modelo existente percorreu um longo caminho em que diversos agentes atuaram para calcar tal ruptura. A política, a economia e a sociedade suscitaram as muitas ações públicas de investigações, estudos e intervenções no sistema de saúde vigente e vários programas, planos e ações foram propostos preliminarmente à Constituição Federal e à implantação do SUS, criando e consolidando a base conceitual do novo sistema de saúde. O Programa Metropolitano de Saúde do Estado de São Paulo (PMS) foi uma das ações de saúde precursoras ao SUS, que propunha fortes mudanças de paradigma da saúde da Região Metropolitana de São Paulo (RMSP). Mais do que uma proposta de uma nova abordagem política, econômica, administrativa e conceitual, o PMS foi um dos poucos programas que gerou a implantação de um grande número de unidades para o atendimento à saúde. A experiência do PMS é única na área de construção de edifícios hospitalares, no que tange à possibilidade de análise comparativa. A avaliação comparativa entre concepções para o mesmo final é muito enriquecedora. Ao se comparar os paradigmas que direcionaram essas construções, cria-se a oportunidade de se confrontar soluções e enriquecer o conhecimento, aumentando o repertório. A avaliação comparativa entre concepções de projetos de hospitais não é muito simples, pois cada concepção de hospital parte de um programa físico-funcional específico para aquele edifício, assim como qualquer outra concepção arquitetônica. No entanto, o grande diferencial se dá nos demais delineamentos da concepção em que são informados a função específica de serviços prestados, o público alvo (público, privado, outros), sua demanda social e epidemiológica, a abrangência regional previamente delimitada, o modelo de gestão administrativa estabelecido e outras características intrínsecas a cada unidade. Os hospitais construídos pelo PMS constituem-se em uma rica possibilidade comparativa, pois todos foram elaborados para o mesmo fim, com um único programa físico-funcional, designados para regiões com características epidemiológicas similares, densidades populacionais equivalentes, prestações de serviços semelhantes entre outras características importantes na concepção de hospitais. A grande importância desse Programa é devida ao fato de que esses edifícios foram elaborados, construídos e re-estudados em momentos ímpares de nossa história, momentos estes de mudança de paradigma político, econômico e social. Nota-se que os Hospitais Gerais de São Mateus, Vila Nova Cachoeirinha, Vila Penteado e Guaianases foram concluídos anteriormente à entrada em vigor da Constituição Federal de 1988. Desse cenário, decorrem três panoramas: 1. a concepção construída anterior ao SUS; 2. a reformulação das unidades para adequarem-se ao SUS; e 3. a apresentação atual desses edifícios em função das contínuas modificações de paradigmas ocorridas com o passar do tempo. Esse quadro abre uma oportunidade muito rica de análise de como uma mesma concepção arquitetônica construída em várias localidades distintas se apresenta frente aos novos paradigmas e como cada paradigma a influenciou.Paradigms may be understood as the systems of values adopted by scientific communities to define their area of study. On one hand a paradigm allows the scientific community to deepen knowledge about its subject of study, on the other hand, an excessive commitment to the paradigm may lead to a narrow view and to a exacerbated criticism about other paradigms, limiting the expansion of scientific growth as a whole. The proliferation of paradigms by comparison, developing and proposing new multidisciplinary paradigms is therefore important for the enrichment of scientific knowledge on a subject of study. The new paradigm of public health in Brazil has been outlined: the consolidation of the Federal Constitution of 1988 that universalized the right to health and the entry into force of Laws Nr. 8,080 and Nr. 8,142 in 1990 governing the Health Single System (SUS), established new concepts in health services to the population. Breaking the process with the existing model come a long way in which various agents acted to support such collapse. Politics, economy and society attracted several shares of investigations, studies and interventions in the health system and existing programs, plans and actions have been preliminarily proposed to the Federal Constitution and the deployment of SUS, creating and consolidating the conceptual basis of the new health system. The Metropolitan Health Program of the State of São Paulo (PMS) was a program antecedent to SUS, which proposed major changes in the paradigm of the health of the metropolitan region of Sao Paulo (RMSP). More than a proposal for new political, economic, administrative and conceptual approaches, the PMS was one of the few programs that generated the building of a large number of hospitals for the health care. The experience of PMS is unique in the area of construction of hospital buildings, in terms of the possibility of benchmarking. The benchmarking between concepts for the same end is very enriching. When one compares the paradigms that directed these buildings, creates an opportunity to compare solutions and enrich the knowledge, increasing the repertoire. The benchmarking amongst conceptions of projects for hospitals is not very simple, because each hospital design is a function of a physical-functional program specific to that building as well as in any other architectural design. However, the great difference is that there are other significant definitions such as the function of specific services, the target audience (public, private, others), the social and epidemiological demand, previously limited regional coverage which established model of administrative management and other features intrinsic to each unit. Hospitals built by PMS are in a rich comparative possibility, because they aimed the same purpose, with a single physical-functional program, designated for regions with similar epidemiological characteristics, equivalent population densities, and provision of similar services amongst other important characteristics in hospital design. The great importance of this program is due to the fact that these buildings were designed, constructed and re-studied in odd moments of our history, during which some political, economic and social paradigms have changed. One can notice that the building of the General Hospitals São Mateus, Vila Nova Cachoeirinha, Vila Penteado and Guaianases have been finished before the Constitution of 1988. In this scenario, one can point out three resulting panoramas: 1. the design built prior to the SUS; 2. the adaptation of the units to adjust to the SUS, and 3. the actual presentation of such buildings according to the continuous changes of paradigms that occurred over time. It opens a very rich opportunity for the analysis of how the same architectural design built in several different locations presents itself to new paradigms and how each paradigm has influenced the conception.Fundo Mackenzie de Pesquisaapplication/pdfporUniversidade Presbiteriana Mackenziearquitetura de hospitaisconcepção projetualparadigmasaúde públicaprograma metropolitano de saúdehospital architectureproject conceptionparadigmpublic healthmetropolitan health programCNPQ::CIENCIAS SOCIAIS APLICADAS::ARQUITETURA E URBANISMOOs paradigmas das concepções hospitalares: um estudo dos hospitais projetados para o programa metropolitano de saúde de São Pauloinfo:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisinfo:eu-repo/semantics/openAccessreponame:Repositório Digital do Mackenzieinstname:Universidade Presbiteriana Mackenzie (MACKENZIE)instacron:MACKENZIECaldana Junior, Valter Luishttp://lattes.cnpq.br/3507929561841039Malheiros, Tadeu Fabriciohttp://lattes.cnpq.br/4422237568128846BRArquitetura e UrbanismoUPMArquitetura e UrbanismoORIGINALViviane Piola Parucker....pdfViviane Piola Parucker....pdfViviane Paruckerapplication/pdf11758922https://dspace.mackenzie.br/bitstreams/ac203a15-125f-43a2-98c0-96ad99e4399f/download26b997b877da6a218c4d7cf674334147MD51trueAnonymousREADTEXTViviane Piola Parucker....pdf.txtViviane Piola Parucker....pdf.txtExtracted texttext/plain532979https://dspace.mackenzie.br/bitstreams/a8d906fa-2967-44ca-9bb2-985b0b8213a9/download927f6df7ff28c94f5b2a5e0fda5fcf5aMD54falseAnonymousREADTHUMBNAILViviane Piola Parucker....pdf.jpgViviane Piola Parucker....pdf.jpgGenerated Thumbnailimage/jpeg1166https://dspace.mackenzie.br/bitstreams/7e55de9e-baf3-4e2e-ab95-4660d53fe34c/downloadca599b4d43d67d89790d444b789c5889MD55falseAnonymousREAD10899/260632022-03-14T23:11:45.789Zopen.accessoai:dspace.mackenzie.br:10899/26063https://dspace.mackenzie.brBiblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://tede.mackenzie.br/jspui/PRIhttps://adelpha-api.mackenzie.br/server/oai/repositorio@mackenzie.br||paola.damato@mackenzie.bropendoar:102772022-03-14T23:11:45Repositório Digital do Mackenzie - Universidade Presbiteriana Mackenzie (MACKENZIE)false
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