Utilização de técnicas ômicas na caracterização da microbiota intestinal para identificação de biomarcadores microbianos e proteicos em pacientes com sepse

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Guerra, Rafaela Ramalho
Orientador(a): Martins, Andreza Francisco
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Não Informado pela instituição
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Palavras-chave em Inglês:
Link de acesso: http://hdl.handle.net/10183/302053
Resumo: A sepse é definida como uma resposta desregulada do hospedeiro à infecção, resultando em disfunção orgânica e potencialmente em morte. Trata-se de um problema de saúde pública devido à elevada taxa de mortalidade global. Durante sua manifestação, a resposta imune descontrolada desencadeia uma cascata de danos celulares, levando ao desequilíbrio fisiológico e comprometendo a homeostase. Fatores associados ao tratamento, como estresse da hospitalização, nutrição artificial e uso prolongado de antimicrobianos, podem intensificar esse quadro, promovendo perturbações progressivas na microbiota intestinal (MI). Essa disrupção microbiana pode causar disbiose e aumento da permeabilidade intestinal, favorecendo a translocação de microrganismos para outros sítios do hospedeiro, o que exacerba a inflamação e agrava a condição clínica. A medicina translacional, apoiada pela bioinformática, permite aplicar dados biológicos à prática clínica. A integração de informações oriundas de diferentes tecnologias ômicas possibilita delinear perfis moleculares mais abrangentes da doença e do paciente, oferecendo uma visão integrada e aprofundada dos processos biológicos envolvidos. Por esse motivo, o objetivo desse trabalho é integrar a metagenômica e a metaproteômica para buscar biomarcadores microbiológicos e proteicos que possam auxiliar no manejo e prognóstico da sepse. Para isso, os seguintes cirtérios de seleção foram utilizados: homens e mulheres maiores de 18 anos admitidos na emergência do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA); que apresentassem sintomas de Síndrome da Resposta Inflamatória Sistêmica (SIRS) ou diagnóstico de sepse, e que haviam iniciado antibioticoterapia nas últimas 24 horas. Os pacientes elegíveis foram convidados a assinar o termo de consentimento livre e esclarecido. Para os incluídos, calculou-se o escore SOFA; aqueles com valores ≥ 2 foram classificados como pacientes com sepse, conforme o SEPSIS-3, e os demais como não sépticos (SIRS). O estudo incluiu duas abordagens: um estudo transversal, com 89 amostras de fezes (38 de pacientes com sepse e 51 com SIRS), e um estudo longitudinal, no qual 24 pacientes forneceram duas amostras em momentos distintos (14 com sepse e 10 com SIRS). O DNA extraído das amostras foi sequenciado na região hipervariável V3–V4 do gene 16S rRNA, utilizando a plataforma Illumina MiSeq®. A diversidade, composição e abundância diferencial da microbiota foram analisadas com ferramentas de bioinformática no ambiente R. Em um subgrupo de pacientes com sepse do estudo longitudinal, proteínas fecais foram analisadas por espectrometria de massa (Orbitrap Exploris 480, Thermo Scientific), com atribuição dos espectros realizada no PatternLab. Pacientes com sepse apresentaram diversidade microbiana significativamente menor em comparação aos com SIRS. Essa diferença foi mais acentuada nos primeiros dias de terapia antimicrobiana (TA), mas diminuiu ao longo do tempo, indicando tendência de convergência durante o tratamento. Anaerobutyricum spp. apresentou redução na abundância, enquanto Holdemania spp. mostrou aumento em pacientes sépticos nos estágios iniciais da TA, possivelmente refletindo o estado basal da microbiota intestinal (MI) e sugerindo seu potencial como biomarcadores prognósticos. Por outro lado, Veillonella spp. foi o táxon mais impactado pela combinação de diferentes classes de antimicrobianos. Pacientes expostos à TA prolongada apresentaram redução na abundância de Turicibacter spp. e aumento de enteropatógenos, como Klebsiella spp., especialmente naqueles tratados com múltiplas classes de antimicrobianos, servindo como um alerta para a definição de esquemas terapêuticos durante o manejo da sepse. O estudo longitudinal também mostrou que a dinâmica da MI em pacientes sépticos difere daquela observada em pacientes com SIRS: estes apresentaram maior plasticidade microbiana, com reorganização de táxons produtores de ácidos graxos de cadeia curta (AGCCs), enquanto pacientes sépticos exibiram menor capacidade de reestruturação da comunidade, caracterizando um estado persistente de disbiose marcado por baixa diversidade e presença de patógenos oportunistas. Apesar das dificuldades inerentes ao estudo da MI, nossas análises exploratórias revelaram perfis e dinâmicas microbianas distintas entre os grupos, mesmo sob tratamentos antimicrobianos semelhantes. Esses resultados destacam a importância de estratégias voltadas à preservação ou restauração da MI em pacientes críticos e indicam que a disbiose deve ser considerada no manejo da sepse para potencialmente melhorar o prognóstico.
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spelling Guerra, Rafaela RamalhoMartins, Andreza Francisco2026-03-07T07:59:22Z2025http://hdl.handle.net/10183/302053001301845A sepse é definida como uma resposta desregulada do hospedeiro à infecção, resultando em disfunção orgânica e potencialmente em morte. Trata-se de um problema de saúde pública devido à elevada taxa de mortalidade global. Durante sua manifestação, a resposta imune descontrolada desencadeia uma cascata de danos celulares, levando ao desequilíbrio fisiológico e comprometendo a homeostase. Fatores associados ao tratamento, como estresse da hospitalização, nutrição artificial e uso prolongado de antimicrobianos, podem intensificar esse quadro, promovendo perturbações progressivas na microbiota intestinal (MI). Essa disrupção microbiana pode causar disbiose e aumento da permeabilidade intestinal, favorecendo a translocação de microrganismos para outros sítios do hospedeiro, o que exacerba a inflamação e agrava a condição clínica. A medicina translacional, apoiada pela bioinformática, permite aplicar dados biológicos à prática clínica. A integração de informações oriundas de diferentes tecnologias ômicas possibilita delinear perfis moleculares mais abrangentes da doença e do paciente, oferecendo uma visão integrada e aprofundada dos processos biológicos envolvidos. Por esse motivo, o objetivo desse trabalho é integrar a metagenômica e a metaproteômica para buscar biomarcadores microbiológicos e proteicos que possam auxiliar no manejo e prognóstico da sepse. Para isso, os seguintes cirtérios de seleção foram utilizados: homens e mulheres maiores de 18 anos admitidos na emergência do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA); que apresentassem sintomas de Síndrome da Resposta Inflamatória Sistêmica (SIRS) ou diagnóstico de sepse, e que haviam iniciado antibioticoterapia nas últimas 24 horas. Os pacientes elegíveis foram convidados a assinar o termo de consentimento livre e esclarecido. Para os incluídos, calculou-se o escore SOFA; aqueles com valores ≥ 2 foram classificados como pacientes com sepse, conforme o SEPSIS-3, e os demais como não sépticos (SIRS). O estudo incluiu duas abordagens: um estudo transversal, com 89 amostras de fezes (38 de pacientes com sepse e 51 com SIRS), e um estudo longitudinal, no qual 24 pacientes forneceram duas amostras em momentos distintos (14 com sepse e 10 com SIRS). O DNA extraído das amostras foi sequenciado na região hipervariável V3–V4 do gene 16S rRNA, utilizando a plataforma Illumina MiSeq®. A diversidade, composição e abundância diferencial da microbiota foram analisadas com ferramentas de bioinformática no ambiente R. Em um subgrupo de pacientes com sepse do estudo longitudinal, proteínas fecais foram analisadas por espectrometria de massa (Orbitrap Exploris 480, Thermo Scientific), com atribuição dos espectros realizada no PatternLab. Pacientes com sepse apresentaram diversidade microbiana significativamente menor em comparação aos com SIRS. Essa diferença foi mais acentuada nos primeiros dias de terapia antimicrobiana (TA), mas diminuiu ao longo do tempo, indicando tendência de convergência durante o tratamento. Anaerobutyricum spp. apresentou redução na abundância, enquanto Holdemania spp. mostrou aumento em pacientes sépticos nos estágios iniciais da TA, possivelmente refletindo o estado basal da microbiota intestinal (MI) e sugerindo seu potencial como biomarcadores prognósticos. Por outro lado, Veillonella spp. foi o táxon mais impactado pela combinação de diferentes classes de antimicrobianos. Pacientes expostos à TA prolongada apresentaram redução na abundância de Turicibacter spp. e aumento de enteropatógenos, como Klebsiella spp., especialmente naqueles tratados com múltiplas classes de antimicrobianos, servindo como um alerta para a definição de esquemas terapêuticos durante o manejo da sepse. O estudo longitudinal também mostrou que a dinâmica da MI em pacientes sépticos difere daquela observada em pacientes com SIRS: estes apresentaram maior plasticidade microbiana, com reorganização de táxons produtores de ácidos graxos de cadeia curta (AGCCs), enquanto pacientes sépticos exibiram menor capacidade de reestruturação da comunidade, caracterizando um estado persistente de disbiose marcado por baixa diversidade e presença de patógenos oportunistas. Apesar das dificuldades inerentes ao estudo da MI, nossas análises exploratórias revelaram perfis e dinâmicas microbianas distintas entre os grupos, mesmo sob tratamentos antimicrobianos semelhantes. Esses resultados destacam a importância de estratégias voltadas à preservação ou restauração da MI em pacientes críticos e indicam que a disbiose deve ser considerada no manejo da sepse para potencialmente melhorar o prognóstico.Sepsis is defined as a dysregulated host response to infection, leading to organ dysfunction and potentially death. It represents a major public health concern due to its high global mortality. During its onset, uncontrolled immune activation triggers a cascade of cellular damage, disrupting physiological balance and compromising homeostasis. Hospitalization-related factors, such as stress, artificial nutrition, and prolonged antimicrobial therapy, may exacerbate this disruption, promoting alterations in the gut microbiota (GM). Dysbiosis and increased intestinal permeability can facilitate microbial translocation to other host sites, amplifying inflammation and worsening clinical outcomes. Translational medicine, supported by bioinformatics, enables the integration of biological data into clinical practice. Combining information from multiple omics technologies allows for comprehensive molecular profiling of both disease and patient, providing an integrated understanding of the underlying biological processes. Accordingly, this study aimed to integrate metagenomics and metaproteomics to identify microbial and protein biomarkers that could inform sepsis management and prognosis. Participants were adults (>18 years) admitted to the emergency department of the Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA) presenting with symptoms of Systemic Inflammatory Response Syndrome (SIRS) or a diagnosis of sepsis, who had initiated antibiotic therapy within the previous 24 hours. Eligible patients provided informed consent. SOFA scores were calculated, with values ≥2 classifying patients as septic according to SEPSIS-3, and lower scores indicating non septic (SIRS) status. The study included a cross-sectional analysis of 89 fecal samples (38 septic, 51 SIRS) and a longitudinal component with 24 patients providing two samples at different time points (14 septic, 10 SIRS). DNA was extracted and sequenced targeting the V3–V4 region of the 16S rRNA gene using the Illumina MiSeq® platform. Microbiota diversity, composition, and differential abundance were analyzed in R. In a subset of septic patients from the longitudinal study, fecal proteins were profiled by mass spectrometry (Orbitrap Exploris 480, Thermo Scientific) with spectral assignment performed in PatternLab. Septic patients exhibited significantly lower microbial diversity than SIRS patients. This difference was most pronounced during early antimicrobial therapy (AT) but diminished over time, suggesting convergence during treatment. Anaerobutyricum spp. decreased in abundance, while Holdemania spp. increased in early AT, reflecting baseline microbiota states and highlighting their potential as prognostic biomarkers. Veillonella spp. was the taxon most impacted by combined antimicrobial classes. Prolonged AT was associated with reduced Turicibacter spp. and increased enteropathogens such as Klebsiella spp., particularly in patients receiving multiple antibiotic classes, emphasizing the need for careful therapeutic planning in sepsis. Longitudinal analyses showed that gut microbiota dynamics differ between septic and SIRS patients: SIRS patients exhibited greater microbial plasticity with reorganization of short-chain fatty acid (SCFA)-producing taxa, whereas septic patients displayed limited community restructuring, consistent with persistent dysbiosis marked by low diversity and opportunistic pathogens. Despite challenges inherent to microbiota research, our analyses revealed distinct microbial profiles and dynamics between groups, even under similar antimicrobial regimens. These findings underscore the importance of strategies to preserve or restore gut microbiota in critically ill patients and suggest that dysbiosis should be considered in sepsis management to potentially improve prognosis.application/pdfporDisbioseMetagenômicaMicrobioma gastrointestinalSepseDysbiosisGut microbiotaMetagenomicsMetaproteomicsSIRSUtilização de técnicas ômicas na caracterização da microbiota intestinal para identificação de biomarcadores microbianos e proteicos em pacientes com sepseUse of omics techniques in the characterization of the gut microbiota for the identification of microbial and protein biomarkers in patients with sepsis info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisUniversidade Federal do Rio Grande do SulFaculdade de FarmáciaPrograma de Pós-Graduação em Ciências FarmacêuticasPorto Alegre, BR-RS2025doutoradoinfo:eu-repo/semantics/openAccessreponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UFRGSinstname:Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)instacron:UFRGSTEXT001301845.pdf.txt001301845.pdf.txtExtracted Texttext/plain187058http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/10183/302053/2/001301845.pdf.txt93a52d80f687b3ffa6206da09adfa2f6MD52ORIGINAL001301845.pdfTexto parcialapplication/pdf2416072http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/10183/302053/1/001301845.pdfe531d41a24e8576b590120a3fbfacc86MD5110183/3020532026-03-08 08:00:39.915814oai:www.lume.ufrgs.br:10183/302053Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttps://lume.ufrgs.br/handle/10183/2PUBhttps://lume.ufrgs.br/oai/requestlume@ufrgs.br || lume@ufrgs.bropendoar:18532026-03-08T11:00:39Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UFRGS - Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)false
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