Impacto do uso de antibióticos na microbiota intestinal de recém-nascidos pré-termo com peso de nascimento igual ou superior a 1500g

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2024
Autor(a) principal: Beozzo, Glenda Priscila Neves dos Santos
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5141/tde-04022025-165854/
Resumo: Introdução: A microbiota intestinal é fundamental para o desenvolvimento funcional do sistema digestivo e imunológico. Sua formação é dinâmica e dependente de fatores pré-natais, gestacionais, neonatais, alimentares e ambientais. Antibióticos são os medicamentos mais prescritos nas Unidades Neonatais, podendo causar disbiose, com consequências para o recém-nascido pré-termo. Objetivo: descrever a microbiota intestinal de prematuros com peso de nascimento 1500g, conforme sua exposicao a antibioticos intraparto e pós-natal e conforme a proporção de leite materno consumido na internação. Métodos: Estudo prospectivo longitudinal, de 20 recém-nascidos prematuros, divididos em grupos, com e sem uso de antibióticos no período pós-natal e intraparto, e que consumiu mais ou menos de 25% de leite materno na internação. Foram coletadas fezes entre dois e sete dias de vida e entre sete e 21 dias de vida, denominadas amostras de entrada e alta, respectivamente. Foram analisados os filos e gêneros de cada amostra. Para extração de DNA utilizou-se o kit QiaAmp Fast DNAStool Mini Kit (Qiagen®) seguido de sequenciamento da microbiota e análise por bioinformática. Resultados: Não houve diferença nas características maternas. A média do tempo de uso de antibióticos foi de quatro dias e a idade gestacional média foi menor (32,7 X 34,9 semanas, p<0,04) no grupo sem antimicrobiano. Dez neonatos e 52,9% das gestantes receberam antibióticos; nestes dois grupos observamos predomínio do filo Firmicutes e Proteobacteria e o quase desaparecimento de Bacteroidetes e Actinobacteria. Recém-nascidos que receberam antibióticos apresentaram redução da riqueza de espécies comparados aos que não receberam (p=0,02) e aumento de Enterobacteriaceae, Escherichia-Shigella e Enterococcus, espécies potencialmente patogênicas. Houve diferença na análise ponderada da beta diversidade, na entrada, entre os neonatos que receberam antibiótico (p=0,012). A ingestão de leite materno foi muito baixa em todos os grupos e não influenciou na presença de bifidobactérias, fato preocupante. O grupo que recebeu maior quantidade de leite materno teve aumento de Clostridium sensu strictu (p=0,042) nas amostras de alta e redução da alfa diversidade (p=0,041). A análise da beta diversidade não ponderada e ponderada revelou diferença entre amostras de entrada e de alta, p=0,006 e p=0,011, respectivamente. Conclusão: Na composição da microbiota intestinal de recém-nascidos pré-termo com peso de nascimento maior ou igual a 1500g, destaca-se a presença dos filos Firmicutes, Proteobacteria e Bacteroidetes, além de uma pequena proporção de outros filos. No momento da alta houve o quase desaparecimento dos filos Actinobacteria e Bacteroidetes. O uso de antibióticos intraparto e pós-natal e o baixo consumo de leite materno foram associados à disbiose
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Objetivo: descrever a microbiota intestinal de prematuros com peso de nascimento 1500g, conforme sua exposicao a antibioticos intraparto e pós-natal e conforme a proporção de leite materno consumido na internação. Métodos: Estudo prospectivo longitudinal, de 20 recém-nascidos prematuros, divididos em grupos, com e sem uso de antibióticos no período pós-natal e intraparto, e que consumiu mais ou menos de 25% de leite materno na internação. Foram coletadas fezes entre dois e sete dias de vida e entre sete e 21 dias de vida, denominadas amostras de entrada e alta, respectivamente. Foram analisados os filos e gêneros de cada amostra. Para extração de DNA utilizou-se o kit QiaAmp Fast DNAStool Mini Kit (Qiagen®) seguido de sequenciamento da microbiota e análise por bioinformática. Resultados: Não houve diferença nas características maternas. A média do tempo de uso de antibióticos foi de quatro dias e a idade gestacional média foi menor (32,7 X 34,9 semanas, p<0,04) no grupo sem antimicrobiano. Dez neonatos e 52,9% das gestantes receberam antibióticos; nestes dois grupos observamos predomínio do filo Firmicutes e Proteobacteria e o quase desaparecimento de Bacteroidetes e Actinobacteria. Recém-nascidos que receberam antibióticos apresentaram redução da riqueza de espécies comparados aos que não receberam (p=0,02) e aumento de Enterobacteriaceae, Escherichia-Shigella e Enterococcus, espécies potencialmente patogênicas. Houve diferença na análise ponderada da beta diversidade, na entrada, entre os neonatos que receberam antibiótico (p=0,012). A ingestão de leite materno foi muito baixa em todos os grupos e não influenciou na presença de bifidobactérias, fato preocupante. O grupo que recebeu maior quantidade de leite materno teve aumento de Clostridium sensu strictu (p=0,042) nas amostras de alta e redução da alfa diversidade (p=0,041). A análise da beta diversidade não ponderada e ponderada revelou diferença entre amostras de entrada e de alta, p=0,006 e p=0,011, respectivamente. Conclusão: Na composição da microbiota intestinal de recém-nascidos pré-termo com peso de nascimento maior ou igual a 1500g, destaca-se a presença dos filos Firmicutes, Proteobacteria e Bacteroidetes, além de uma pequena proporção de outros filos. No momento da alta houve o quase desaparecimento dos filos Actinobacteria e Bacteroidetes. O uso de antibióticos intraparto e pós-natal e o baixo consumo de leite materno foram associados à disbioseIntroduction: The intestinal microbiota is crucial for the functional development of the digestive and immune systems. Its formation is dynamic and dependent on prenatal, gestational, neonatal, dietary, and environmental factors. Antibiotics are the most commonly prescribed drugs in Neonatal Units, potentially causing dysbiosis with consequences for preterm newborns. Objective: To describe the intestinal microbiota of premature infants with birth weights 1500g based on their exposure to intrapartum and postnatal antibiotics and the percentage of maternal milk consumed during hospitalization. Methods: A prospective longitudinal study involving 20 premature infants divided into groups based on antibiotic exposure and receiving more or less than 25% maternal milk. Stool samples were collected between days two and seven of life, termed as entry samples, and between days 7 and 21 of life, termed as discharge samples. Phyla and genera present in each sample were analyzed. DNA extraction used the QiaAmp Fast DNAStool Mini Kit (Qiagen®), followed by microbiota sequencing and bioinformatics analysis. Results: There were no differences in maternal characteristics. The mean antibiotic use was four days, and the mean gestational age was lower (32.7 vs. 34.9 weeks, p<0.04) in the non-antibiotic group. Ten neonates and 52.9% of mothers received antibiotics; these groups showed predominance of the Firmicutes and Proteobacteria phyla and nearly disappearance of Bacteroidetes and Actinobacteria. Neonates who received antibiotics had reduced species richness compared to those who did not (p=0.02) and an increase in potentially pathogenic species such as Enterobacteriaceae, Escherichia-Shigella, and Enterococcus. There was a difference in weighted beta diversity analysis at entry between neonates who received antibiotics (p=0.012). Maternal milk intake was very low across all groups and did not influence the presence of bifidobacteria, which is concerning. The group with higher maternal milk intake had increased Clostridium sensu strictu (p=0.042) in discharge samples and reduced alpha diversity (p=0.041). Unweighted and weighted beta diversity analysis revealed differences between entry and discharge samples (p=0.006 and p=0.011, respectively). Conclusion: In the composition of the intestinal microbiota of preterm newborns with a birth weight greater than or equal to 1500g, the presence of the phyla Firmicutes, Proteobacteria and Bacteroidetes stands out, as well as a small proportion of other phyla. At the time of discharge, the Actinobacteria and Bacteroidetes phyla almost disappeared. Intrapartum and postnatal antibiotic use and low breast milk consumption have been associated with dysbiosisBiblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPKrebs, Vera Lúcia JornadaBeozzo, Glenda Priscila Neves dos Santos2024-09-17info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5141/tde-04022025-165854/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-02-17T14:41:02Zoai:teses.usp.br:tde-04022025-165854Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-02-17T14:41:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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