Caminhos de uma educadora negra : memórias, museu e ação social

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2024
Autor(a) principal: Rosa, Elza Vieira da
Orientador(a): Possamai, Zita Rosane
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Não Informado pela instituição
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Palavras-chave em Inglês:
Link de acesso: http://hdl.handle.net/10183/297234
Resumo: Apresenta o itinerário biográfico de Elza Elza Vieira da Rosa, uma educadora negra que, ao longo de sua vida, confrontou as desigualdades raciais e de gênero em contextos educacionais e sociais em Porto Alegre, RS. Ancorado na linha de pesquisa História, Memória e Educação do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, o texto inspira-se na acepção de escrevivência de Conceição Evaristo, no sentido de que as reminiscências pessoais da autora são atravessadas pelas experiências coletivas da população negra brasileira e sua luta por igualdade social. Suas memórias tangenciam as seguintes questões: racismo, identidade, resistência e representação. A narrativa inicia com a infância de Elza em Passo Fundo, em um ambiente familiar e religioso marcado pela solidariedade comunitária, mas também pelos primeiros contatos com o racismo. Em Porto Alegre, sua trajetória escolar revela as barreiras impostas pela segregação racial e socioeconômica, que se intensificaram com a mudança para escolas privadas. Ainda jovem, Elza se destacou pela liderança em movimentos estudantis e pelo enfrentamento das desigualdades de gênero e raça no mercado de trabalho, evidenciando como as mulheres negras resistiram às múltiplas formas de opressão. A inserção de Elza na educação superior, ainda antes das políticas de ações afirmativas, reforça sua luta por justiça social e acesso igualitário à educação. Como educadora, Elza atuou em escolas públicas e contribuiu para a implementação da Lei 10.639/2003, promovendo a valorização da história e da cultura afro-brasileira no currículo escolar. Sua trajetória é marcada por uma forte militância, inicialmente no âmbito da Assistência Social e, posteriormente, no Movimento Negro Unificado, onde atuou no Grupo Angola Janga. A partir de seu engajamento nas questões da negritude, atuou no Partido dos Trabalhadores e na concepção do Museu de Percurso do Negro em Porto Alegre, projeto que objetiva dar visibilidade e materialidade à presença afrodiásporica no espaço urbano do Centro Histórico da capital gaúcha. A tese de cunho autobiográfico transcende a experiência pessoal e aponta para a crítica de uma história de exclusão, que permanece viva no cotidiano de muitas mulheres negras brasileiras. A obra oferece uma contribuição ao debate sobre representatividade, racismo estrutural e o papel da educação na promoção de mudanças sociais. Elza não apenas narra suas vivências, mas faz um apelo à transformação das estruturas de poder, propondo a educação e a memória como caminhos essenciais para a construção de uma sociedade mais justa e plural.
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Em Porto Alegre, sua trajetória escolar revela as barreiras impostas pela segregação racial e socioeconômica, que se intensificaram com a mudança para escolas privadas. Ainda jovem, Elza se destacou pela liderança em movimentos estudantis e pelo enfrentamento das desigualdades de gênero e raça no mercado de trabalho, evidenciando como as mulheres negras resistiram às múltiplas formas de opressão. A inserção de Elza na educação superior, ainda antes das políticas de ações afirmativas, reforça sua luta por justiça social e acesso igualitário à educação. Como educadora, Elza atuou em escolas públicas e contribuiu para a implementação da Lei 10.639/2003, promovendo a valorização da história e da cultura afro-brasileira no currículo escolar. Sua trajetória é marcada por uma forte militância, inicialmente no âmbito da Assistência Social e, posteriormente, no Movimento Negro Unificado, onde atuou no Grupo Angola Janga. A partir de seu engajamento nas questões da negritude, atuou no Partido dos Trabalhadores e na concepção do Museu de Percurso do Negro em Porto Alegre, projeto que objetiva dar visibilidade e materialidade à presença afrodiásporica no espaço urbano do Centro Histórico da capital gaúcha. A tese de cunho autobiográfico transcende a experiência pessoal e aponta para a crítica de uma história de exclusão, que permanece viva no cotidiano de muitas mulheres negras brasileiras. A obra oferece uma contribuição ao debate sobre representatividade, racismo estrutural e o papel da educação na promoção de mudanças sociais. Elza não apenas narra suas vivências, mas faz um apelo à transformação das estruturas de poder, propondo a educação e a memória como caminhos essenciais para a construção de uma sociedade mais justa e plural.It presents the biographical itinerary of Elza Elza Vieira da Rosa, a black educator who, throughout her life, confronted racial and gender inequalities in educational and social contexts in Porto Alegre, RS. Anchored in the History, Memory and Education research line of the Postgraduate Program in Education at the Federal University of Rio Grande do Sul, the text is inspired by Conceição Evaristo's sense of writing-living, in the sense that the author's personal reminiscences are crossed by the collective experiences of the black Brazilian population and their struggle for social equality. Her memoirs touch on the following issues: racism, identity, resistance and representation. The narrative begins with Elza's childhood in Passo Fundo, in a family and religious environment marked by community solidarity, but also by her first contacts with racism. In Porto Alegre, her school career reveals the barriers imposed by racial and socio-economic segregation, which intensified when she moved to private schools. At a young age, Elza stood out for her leadership in student movements and for tackling gender and race inequalities in the job market, showing how black women have resisted multiple forms of oppression. Elza's inclusion in higher education, even before affirmative action policies, reinforces her struggle for social justice and equal access to education. As an educator, Elza worked in public schools and contributed to the implementation of Law 10.639/2003, promoting the appreciation of Afro-Brazilian history and culture in the school curriculum. Her career is marked by a strong militancy, initially in the field of Social Assistance and later in the Unified Black Movement, where she worked in the Angola Janga Group. As a result of her commitment to black issues, she was active in the Workers' Party and in the conception of the Museu de Percurso do Negro in Porto Alegre, a project that aims to give visibility and materiality to the Afro-diasporic presence in the urban space of the Historic Center of the capital of Rio Grande do Sul. The autobiographical thesis transcends personal experience and points to the critique of a history of exclusion that remains alive in the daily lives of many black Brazilian women. The work makes a contribution to the debate on representation, structural racism and the role of education in promoting social change. Elza not only recounts her experiences, but also calls for the transformation of power structures, proposing education and memory as essential ways of building a more just and plural society.application/pdfporMemóriaRacismo estruturalMovimento negroRepresentatividadeResistênciaMemoryEducationStructural racismBlack movementMuseum of Black History in Porto AlegreWriting-livingRepresentativenessResistanceCaminhos de uma educadora negra : memórias, museu e ação socialinfo:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisUniversidade Federal do Rio Grande do SulFaculdade de EducaçãoPrograma de Pós-Graduação em EducaçãoPorto Alegre, BR-RS2024doutoradoinfo:eu-repo/semantics/openAccessreponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UFRGSinstname:Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)instacron:UFRGSTEXT001266889.pdf.txt001266889.pdf.txtExtracted Texttext/plain319193http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/10183/297234/2/001266889.pdf.txt924337a138b14cfacc21272f88b70aacMD52ORIGINAL001266889.pdfTexto completoapplication/pdf6600716http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/10183/297234/1/001266889.pdf02d9cd4c3bf3b2448bf036e6c35000a6MD5110183/2972342025-09-25 08:02:42.673053oai:www.lume.ufrgs.br:10183/297234Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttps://lume.ufrgs.br/handle/10183/2PUBhttps://lume.ufrgs.br/oai/requestlume@ufrgs.br || lume@ufrgs.bropendoar:18532025-09-25T11:02:42Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UFRGS - Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)false
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