A branquitude ao sul de Santa Catarina e as memórias do cotidiano de uma fofocadora mestiça estraga-prazeres
| Ano de defesa: | 2025 |
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| Tipo de documento: | Dissertação |
| Tipo de acesso: | Acesso aberto |
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| Programa de Pós-Graduação: |
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| Palavras-chave em Português: | |
| Palavras-chave em Inglês: | |
| Link de acesso: | http://hdl.handle.net/10183/298897 |
Resumo: | Esta dissertação, situada no campo da Psicologia Social, investiga os efeitos subjetivos da branquitude – enquanto projeto político, ideológico e de poder – no cotidiano, a partir da posição situada da pesquisadora enquanto mulher mestiça do sul de Santa Catarina. A análise é centrada nas memórias e experiências familiares inter-raciais, compreendidas como espaço no qual reforça a pedagogia da branquitude. Metodologicamente, o trabalho é construído a partir da figura da “fofocadora estraga-prazeres”, uma proposta que articula a ética feminista estraga-prazeres de Sara Ahmed (2022) com uma reapropriação da fofoca como estratégia contra-hegemônica de pesquisa. Esta abordagem permite tensionar pactos de silêncio, questionar processos naturalizados e mobilizar a memória como arquivo político de enfrentamento e comunicação. O arcabouço teórico dialoga fundamentalmente com o pensamento de bell hooks (2019, 2020), que recusa a cisão entre experiência e rigor acadêmico; com Abdias Nascimento (2016) para evidenciar o projeto histórico de embranquecimento da população brasileira; Kabengele Munanga (2024) para apontar discussões quanto a miscigenação; e com Maria Aparecida Silva Bento (2014, 2022), para analisar o pacto da branquitude e seus atravessamentos subjetivos. A pesquisa demonstra como gestos aparentemente banais do cotidiano reproduzem, em escala micropolítica, as engrenagens de um sistema de dominação patriarcal, supremacista branco e capitalista. Conclui-se que esta escrita, enquanto exercício político e epistemológico de desidentificação com a branquitude, constitui uma ferramenta potente para desnaturalizar processos de subjetivação que atravessam e consolidam relações sociais estruturadas por sistemas de dominação, ao mesmo tempo em que aponta caminhos de enfrentamento como pistas possíveis. |
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Borges, Jéssica LopesRodrigues, Luciana2025-11-20T07:58:18Z2025http://hdl.handle.net/10183/298897001296204Esta dissertação, situada no campo da Psicologia Social, investiga os efeitos subjetivos da branquitude – enquanto projeto político, ideológico e de poder – no cotidiano, a partir da posição situada da pesquisadora enquanto mulher mestiça do sul de Santa Catarina. A análise é centrada nas memórias e experiências familiares inter-raciais, compreendidas como espaço no qual reforça a pedagogia da branquitude. Metodologicamente, o trabalho é construído a partir da figura da “fofocadora estraga-prazeres”, uma proposta que articula a ética feminista estraga-prazeres de Sara Ahmed (2022) com uma reapropriação da fofoca como estratégia contra-hegemônica de pesquisa. Esta abordagem permite tensionar pactos de silêncio, questionar processos naturalizados e mobilizar a memória como arquivo político de enfrentamento e comunicação. O arcabouço teórico dialoga fundamentalmente com o pensamento de bell hooks (2019, 2020), que recusa a cisão entre experiência e rigor acadêmico; com Abdias Nascimento (2016) para evidenciar o projeto histórico de embranquecimento da população brasileira; Kabengele Munanga (2024) para apontar discussões quanto a miscigenação; e com Maria Aparecida Silva Bento (2014, 2022), para analisar o pacto da branquitude e seus atravessamentos subjetivos. A pesquisa demonstra como gestos aparentemente banais do cotidiano reproduzem, em escala micropolítica, as engrenagens de um sistema de dominação patriarcal, supremacista branco e capitalista. Conclui-se que esta escrita, enquanto exercício político e epistemológico de desidentificação com a branquitude, constitui uma ferramenta potente para desnaturalizar processos de subjetivação que atravessam e consolidam relações sociais estruturadas por sistemas de dominação, ao mesmo tempo em que aponta caminhos de enfrentamento como pistas possíveis.This dissertation, situated within the field of Social Psychology, investigates the subjective effects of whiteness—as a political, ideological, and power project—on everyday life, from the researcher’s situated position as a mixed-race woman from southern Santa Catarina. The analysis focuses on inter-racial family memories and experiences, understood as spaces that reinforce the pedagogy of Whiteness. Methodologically, the study is built around the figure of the “fofocadora” killjoy (gossip and researcher), a proposal that combines Sara Ahmed’s (2022) feminist killjoy ethics with a reappropriation of gossip as a counter-hegemonic research strategy. This approach allows for challenging pacts of silence, questioning naturalized processes, and mobilizing memory as a political archive for resistance and communication. The theoretical framework primarily engages with bell hooks (2019, 2020), who refuses the split between lived experience and academic rigor; Abdias Nascimento (2016), to highlight the historical project of whitening the Brazilian population; Kabengele Munanga (2024), to discuss issues of miscegenation; and Maria Aparecida Silva Bento (2014, 2022), to analyze the whiteness’ pact and its subjective ramifications. The research demonstrates how seemingly banal everyday gestures reproduce, on a micropolitical scale, the mechanisms of a patriarchal, white supremacist, and capitalist system. It is concluded that this writing, as a political and epistemological exercise of disidentification with whiteness, constitutes a powerful tool to denaturalize subjectivation processes that traverse and consolidate social relations structured by systems of domination, while simultaneously indicating potential paths for resistance.application/pdfporBranquitudeFamíliaMemóriaSubjetivaçãoPsicologia socialRelações raciaisSocial PsychologyWhitenessInter-Racial FamilyFeminist KilljoyGossipMixed-RaceA branquitude ao sul de Santa Catarina e as memórias do cotidiano de uma fofocadora mestiça estraga-prazeresinfo:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisUniversidade Federal do Rio Grande do SulInstituto de Psicologia, Serviço Social, Saúde e Comunicação HumanaPrograma de Pós-Graduação em Psicologia Social e InstitucionalPorto Alegre, BR-RS2025mestradoinfo:eu-repo/semantics/openAccessreponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UFRGSinstname:Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)instacron:UFRGSTEXT001296204.pdf.txt001296204.pdf.txtExtracted Texttext/plain155006http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/10183/298897/2/001296204.pdf.txtfed95766b27c9e76878698e89e2ccd9cMD52ORIGINAL001296204.pdfTexto parcialapplication/pdf342201http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/10183/298897/1/001296204.pdfeec94eab72a93c9bc052503f9ebc123bMD5110183/2988972025-12-17 07:57:46.407022oai:www.lume.ufrgs.br:10183/298897Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttps://lume.ufrgs.br/handle/10183/2PUBhttps://lume.ufrgs.br/oai/requestlume@ufrgs.br || lume@ufrgs.bropendoar:18532025-12-17T09:57:46Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UFRGS - Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)false |
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