Apart Hate - apartheid: estruturação da política do ódio e práticas socioculturais de enfrentamento narradas em The African Drum, 1940-1950
| Ano de defesa: | 2024 |
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| Tipo de documento: | Tese |
| Tipo de acesso: | Acesso aberto |
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| Instituição de defesa: |
Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
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| Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
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| País: |
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| Palavras-chave em Português: | |
| Link de acesso: | https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8138/tde-11022025-114216/ |
Resumo: | O objetivo dessa tese é discutir sobre os movimentos sociais presentes na sociedade sul-africana durante a primeira metade do século XX, sobretudo nos anos de 1940 e 1950. O recorte temporal escolhido está atrelado ao período de institucionalização do regime do apartheid, enquanto política iniciada em 1948. Mas, como analisado, as práticas de segregação já eram uma realidade no território, intensificadas desde a formação da União Sul-Africana, em 1910. Foram percorridos os principais movimentos por trás da massificação do discurso segregacionista, como um convencimento social da necessidade da implementação e uniformização das ações em torno da apartação. A inventividade do discurso racial, como argumenta Achille Mbembe, foi um tema fundamental para a formação de uma mentalidade e disposição social racializada no território sul-africano - o que pode ser percebido por diversas estratégias políticas. A insistência na demanda em apartar foi analisada diante da conjuntura que apresenta distintos dados entrelaçados na composição desse enredo, como o tema dos brancos pobres, a profusão de discursos e leis que intensificaram a separação entre indivíduos considerados como de diferentes grupos, entremeio ao crescimento do nacionalismo africânder. Essa disposição reforça uma hierarquia que foi cada vez mais acentuada. Marcadores sociais foram mobilizados para construir um espaço para os que eram considerados como outros, e como buscamos demonstrar, essas construções nem sempre foram coerentes e passaram repetidamente por revisões. De um modo geral, essas medidas foram de encontro à desestabilização de percepções subjetivas, no que diz respeito à forma como as pessoas se consideravam e construíam seus referenciais comunitários. Por isso, o trabalho argumenta sobre a mobilização do ódio como prática política, ao instigar o não reconhecimento e enfraquecer possíveis redes de solidariedade, que poderiam ser estrategicamente utilizadas para o confronto a um inimigo em comum. Ainda assim, encontramos ações subversivas, que utilizaram formas de enfrentamento dentro do campo de possibilidades. Representação se tornou um conceito central para entender as disputas discursivas e suas relações com o campo material. A década de 1950 foi regada de ações socioculturais que demonstram entendimentos, que instigavam novas subjetividades e a construção de narrativas combatentes à objetificação imposta pelo apartheid. As comunidades marginalizadas foram sabiamente realocadas para compor um uso consciente desse entre lugar, fomentado pelos processos migratórios e dinâmicas de urbanização. As revistas publicadas naquele período, como Zonk! e, principalmente, The African Drum, são fontes recheadas desses relatos e nos permitem aprofundar sobre histórias pouco conhecidas |
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Apart Hate - apartheid: estruturação da política do ódio e práticas socioculturais de enfrentamento narradas em The African Drum, 1940-1950Apart Hate - apartheid: structuring the politics of hate and sociocultural practices of confrontation narrated in The African Drum, 1940-1950apartheidapartheidrepresentaçãorepresentationsegregaçãosegregationsubversivesubversivoThe African DrumThe African DrumO objetivo dessa tese é discutir sobre os movimentos sociais presentes na sociedade sul-africana durante a primeira metade do século XX, sobretudo nos anos de 1940 e 1950. O recorte temporal escolhido está atrelado ao período de institucionalização do regime do apartheid, enquanto política iniciada em 1948. Mas, como analisado, as práticas de segregação já eram uma realidade no território, intensificadas desde a formação da União Sul-Africana, em 1910. Foram percorridos os principais movimentos por trás da massificação do discurso segregacionista, como um convencimento social da necessidade da implementação e uniformização das ações em torno da apartação. A inventividade do discurso racial, como argumenta Achille Mbembe, foi um tema fundamental para a formação de uma mentalidade e disposição social racializada no território sul-africano - o que pode ser percebido por diversas estratégias políticas. A insistência na demanda em apartar foi analisada diante da conjuntura que apresenta distintos dados entrelaçados na composição desse enredo, como o tema dos brancos pobres, a profusão de discursos e leis que intensificaram a separação entre indivíduos considerados como de diferentes grupos, entremeio ao crescimento do nacionalismo africânder. Essa disposição reforça uma hierarquia que foi cada vez mais acentuada. Marcadores sociais foram mobilizados para construir um espaço para os que eram considerados como outros, e como buscamos demonstrar, essas construções nem sempre foram coerentes e passaram repetidamente por revisões. De um modo geral, essas medidas foram de encontro à desestabilização de percepções subjetivas, no que diz respeito à forma como as pessoas se consideravam e construíam seus referenciais comunitários. Por isso, o trabalho argumenta sobre a mobilização do ódio como prática política, ao instigar o não reconhecimento e enfraquecer possíveis redes de solidariedade, que poderiam ser estrategicamente utilizadas para o confronto a um inimigo em comum. Ainda assim, encontramos ações subversivas, que utilizaram formas de enfrentamento dentro do campo de possibilidades. Representação se tornou um conceito central para entender as disputas discursivas e suas relações com o campo material. A década de 1950 foi regada de ações socioculturais que demonstram entendimentos, que instigavam novas subjetividades e a construção de narrativas combatentes à objetificação imposta pelo apartheid. As comunidades marginalizadas foram sabiamente realocadas para compor um uso consciente desse entre lugar, fomentado pelos processos migratórios e dinâmicas de urbanização. As revistas publicadas naquele período, como Zonk! e, principalmente, The African Drum, são fontes recheadas desses relatos e nos permitem aprofundar sobre histórias pouco conhecidasThe objective of this thesis is to discuss the social movements that characterize South African society in the first half of the 20th century, particularly during the 1940s and 1950s. The chosen timeframe is linked to the period of institutionalization of the apartheid regime, which was officially implemented in 1948. However, as analyzed, segregation practices were already a reality in the territory, having intensified since the formation of the Union of South Africa in 1910. The main movements driving the massification of segregationist discourse were examined, highlighting a social persuasion of the necessity for the implementation and standardization of actions surrounding this measure. The inventiveness of racial discourse, as argued by Achille Mbembe, was a fundamental theme in the formation of a racialized social mentality in South Africa, evident in various political strategies. The insistence on the demand for separation was analyzed in light of a context presenting intertwined data within this narrative, such as the issue of poor whites and the proliferation of discourses and laws that intensified separation among individuals considered to belong to different groups, amid the rise of Afrikaner nationalism. This disposition reinforced an increasingly pronounced hierarchy. Social markers were mobilized to construct a space for those deemed \"others,\" and as discussed, these constructions were not always coherent and underwent repeated revisions. Overall, these measures countered the destabilization of subjective perceptions regarding how people viewed themselves and constructed their community references. Therefore, the work argues about the mobilization of hatred as a political practice, instigating non-recognition and weakening potential networks of solidarity that could be strategically used to confront a common enemy. Nevertheless, subversive practices emerged, utilizing forms of resistance within the realm of possibilities. Representation became a central concept for understanding discursive disputes and their relations to the material field. The 1950s were marked by sociocultural actions demonstrating understandings that sparked new subjectivities and the construction of narratives resisting the objectification imposed by apartheid. Marginalized communities were strategically relocated to consciously utilize this \"in-between space,\" fueled by migration processes and urbanization dynamics. The magazines published during that period, such as Zonk! and, notably, The African Drum, are rich sources of these accounts, allowing for a deeper exploration of lesser-known historiesBiblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPWissenbach, Maria Cristina CortezAguilar, Núbia 2024-10-24info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8138/tde-11022025-114216/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-02-12T11:59:14Zoai:teses.usp.br:tde-11022025-114216Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-02-12T11:59:14Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false |
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