Relação entre a qualidade da dieta e o perfil bioquímico em gestantes com sobrepeso

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2022
Autor(a) principal: Carreira, Natália Posses
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/17/17139/tde-20062022-155331/
Resumo: Evidências sugerem que a má qualidade da dieta esteja associada a desfechos indesejáveis na gravidez, tais como alterações no perfil bioquímico. O Índice de Qualidade da Dieta Adaptado para Gestantes (IQDAG) é um instrumento útil para avaliar a qualidade da dieta de gestantes. Porém, nenhum estudo nacional investigou a relação entre este índice dietético e marcadores bioquímicos na gestação. O objetivo do presente estudo foi avaliar a relação entre o IQDAG e o perfil bioquímico de gestantes adultas com sobrepeso. Trata-se de um estudo transversal que empregou os dados da linha de base de um ensaio clínico aleatorizado controlado conduzido entre gestantes adultas com sobrepeso atendidas em Unidades Básicas de Saúde do município de Ribeirão Preto - SP. Foram incluídas 239 gestantes com idade mínima de 18 anos, idade gestacional (IG) de até 15 semanas e 6 dias e com índice de massa corporal pré-gestacional entre 25 kg/m2 e 29,9 kg/m2. Foram excluídas as gestantes com relato de diabetes prévio, ou em uso de hipoglicemiantes orais/insulina, e em uso de medicamentos para perda de peso. O consumo alimentar foi obtido por meio de dois recordatórios de 24 horas e o Multiple Source Method foi empregado para obtenção da dieta usual. A qualidade da dieta foi avaliada por meio do IQDAG, o qual apresenta nove componentes: três grupos de alimentos em densidade energética (frutas totais, hortaliças e leguminosas), cinco nutrientes (cálcio, ferro, folato, ômega 3 e fibras) e um componente moderador (percentual energético proveniente de produtos ultraprocessados). Para avaliação do perfil bioquímico foram realizados exames de insulina e glicemia de jejum, colesterol total (CT), HDL-colesterol (HDL), LDL-colesterol (LDL), triglicérides (TG) e proteína C reativa (PCR). A relação entre o perfil bioquímico materno e a pontuação do IQDAG (em tercis), e seus componentes, foi avaliada por meio do coeficiente de correlação de Spearman, adotando-se um nível de significância de p < 0,05. A média (DP) da idade das mulheres foi de 27,8 (5,8) anos, e a média (DP) de IMC pré-gestacional de 27,3 (1,4) kg/m2. Em relação ao índice dietético, a pontuação média foi de 75,4 pontos, variando entre 37,3 a 99,4 pontos. Melhor qualidade da dieta foi observada entre mulheres com maior média de idade e casadas/amasiadas. Verificou-se uma correlação negativa entre o consumo de leguminosas e níveis séricos de CT e LDL-c, e entre a ingestão de ômega-3 e o marcador LDL-c. Inesperadamente, uma correlação positiva entre o consumo de frutas frescas e CT foi encontrada. Não encontramos relação entre a pontuação total do IQDAG e marcadores bioquímicos. A relação entre componentes do índice (leguminosas e ômega-3) e perfil lipídico materno destacam a importância de intervenções nutricionais ao longo do pré-natal, assegurando uma melhor qualidade da dieta, bem como melhor perfil bioquímico na gestação, enfatizando a importância do consumo de leguminosas e alimentos ricos em ômega 3.
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Trata-se de um estudo transversal que empregou os dados da linha de base de um ensaio clínico aleatorizado controlado conduzido entre gestantes adultas com sobrepeso atendidas em Unidades Básicas de Saúde do município de Ribeirão Preto - SP. Foram incluídas 239 gestantes com idade mínima de 18 anos, idade gestacional (IG) de até 15 semanas e 6 dias e com índice de massa corporal pré-gestacional entre 25 kg/m2 e 29,9 kg/m2. Foram excluídas as gestantes com relato de diabetes prévio, ou em uso de hipoglicemiantes orais/insulina, e em uso de medicamentos para perda de peso. O consumo alimentar foi obtido por meio de dois recordatórios de 24 horas e o Multiple Source Method foi empregado para obtenção da dieta usual. A qualidade da dieta foi avaliada por meio do IQDAG, o qual apresenta nove componentes: três grupos de alimentos em densidade energética (frutas totais, hortaliças e leguminosas), cinco nutrientes (cálcio, ferro, folato, ômega 3 e fibras) e um componente moderador (percentual energético proveniente de produtos ultraprocessados). Para avaliação do perfil bioquímico foram realizados exames de insulina e glicemia de jejum, colesterol total (CT), HDL-colesterol (HDL), LDL-colesterol (LDL), triglicérides (TG) e proteína C reativa (PCR). A relação entre o perfil bioquímico materno e a pontuação do IQDAG (em tercis), e seus componentes, foi avaliada por meio do coeficiente de correlação de Spearman, adotando-se um nível de significância de p < 0,05. A média (DP) da idade das mulheres foi de 27,8 (5,8) anos, e a média (DP) de IMC pré-gestacional de 27,3 (1,4) kg/m2. Em relação ao índice dietético, a pontuação média foi de 75,4 pontos, variando entre 37,3 a 99,4 pontos. Melhor qualidade da dieta foi observada entre mulheres com maior média de idade e casadas/amasiadas. Verificou-se uma correlação negativa entre o consumo de leguminosas e níveis séricos de CT e LDL-c, e entre a ingestão de ômega-3 e o marcador LDL-c. Inesperadamente, uma correlação positiva entre o consumo de frutas frescas e CT foi encontrada. Não encontramos relação entre a pontuação total do IQDAG e marcadores bioquímicos. A relação entre componentes do índice (leguminosas e ômega-3) e perfil lipídico materno destacam a importância de intervenções nutricionais ao longo do pré-natal, assegurando uma melhor qualidade da dieta, bem como melhor perfil bioquímico na gestação, enfatizando a importância do consumo de leguminosas e alimentos ricos em ômega 3.Evidence suggests that poor diet quality is associated with undesirable outcomes in pregnancy, such as changes in biochemical profile. The Adapted Diet Quality Index for Pregnant Women (IQDAG) is a useful tool to evaluate the quality of the diet of pregnant women. However, no national study investigated the relationship between this dietary index and biochemical markers during pregnancy. The aim of this study was to evaluate the relationship between IQDAG and the biochemical profile of overweight adult pregnant women. This is a cross-sectional study that used baseline data from a randomized controlled clinical trial conducted among overweight adult pregnant women assisted in Basic Health Units in the city of Ribeirão Preto - SP. We included 239 pregnant women with a minimum age of 18 years, gestational age (GA) of up to 15 weeks and 6 days, and with pre-gestational body mass index between 25 kg/m2 and 29.9 kg/m2. Pregnant women with previous diabetes, or using oral hypoglycemic agents/insulin, and using weight loss medications were excluded. Food intake was obtained through two 24-hour recalls and the Multiple Source Method was used to obtain the usual diet. The quality of the diet was evaluated using the IQDAG, which has nine components: three groups of foods in energy density (total fruits, vegetables and legumes), five nutrients (calcium, iron, folate, omega 3 and fibers) and a moderating component (energy percentage from ultra-processed products). To evaluate the biochemical profile, insulin and fasting glucose, total cholesterol (CT), HDL-cholesterol (HDL), LDL-cholesterol (LDL), triglycerides (TG) and C-reactive protein (CRP) were performed to evaluate the biochemical profile. The relationship between the maternal biochemical profile and the IQDAG score (in tertiles) and its components was evaluated using the Spearman correlation coefficient, adopting a significance level of p < 0.05. The mean (SD) of the age of the women was 27.8 (5.8) years, and the mean (SD) of pre-gestational BMI was 27.3 (1.4) kg/m2. Regarding the dietary index, the mean score was 75.4 points, ranging from 37.3 to 99.4 points. Better diet quality was observed among women with higher mean age and married/amasiadas. There was a negative correlation between legume intake and serum levels of TC and LDL-c, and between omega-3 intake and LDL-c marker. Unexpectedly, a positive correlation between fresh fruit consumption and TC was found. We found no relationship between the total IQDAG score and biochemical markers. The relationship between index components (legumes and omega-3) and maternal lipid profile highlight the importance of nutritional interventions throughout prenatal care, ensuring a better quality of diet, as well as better biochemical profile during pregnancy, emphasizing the importance of consumption of legumes and foods rich in omega 3.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPCrivellenti, Lívia CastroSartorelli, Daniela SaesCarreira, Natália Posses2022-03-14info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/17/17139/tde-20062022-155331/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2024-08-05T14:32:02Zoai:teses.usp.br:tde-20062022-155331Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212024-08-05T14:32:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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