A estética desantropomorfizada e não-relacional de Samuel Beckett: das reflexões críticas a Molloy (1951)

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Nogueira, Gustavo de Almeida
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8151/tde-09122025-184646/
Resumo: Esta tese investiga as articulações dos princípios formais de desantropomorfização e não relação no pensamento estético de Samuel Beckett ao longo das décadas de 1930 e 1940. À monografia Proust (1930) e aos ensaios críticos reunidos no volume Disjecta (1984), vieram somar-se recentemente as publicações de novos materiais que revelam o desenvolvimento, tão sinuoso quanto persistente, de suas reflexões: a correspondência, as anotações de aulas ministradas, os diários de viagem e os manuscritos que documentam o processo de escrita e revisão dos romances do pós-guerra. As etapas dessas reflexões sobre as artes e a literatura testemunham um diagnóstico da crise da representação moderna e os esforços de Beckett em buscar e forjar estratégias estéticas que não se apresentem como esquivas ou soluções, mas como incorporações tensionadas na obra. A tese visa articular as etapas desse percurso ressaltando a singularidade de cada uma de suas formulações, as quais podem ser dispostas cronologicamente nos seguintes termos: a dessincronização entre percepção do sujeito e a mobilidade do objeto em Proust; a terra de ninguém, espaço da ruptura das linhas de comunicação entre sujeito e objeto, como único terreno restante a ser trabalhado pelo poeta e artista modernos; a desantropomorfização no tratamento da paisagem e do autorretrato de Cézanne; as imbricações entre certas convenções romanescas, a unidade de sujeito, e a clarificação da história nos Diários alemães. Já nos pós-guerra, as questões encontram formulações mais acabadas, como o duplo impedimento, do olho e do objeto, enquanto constitutivos da pintura dos irmãos van Velde e, por fim, a tentativa e fracasso em estabelecer relações com o objeto nas cartas e nos \"Três diálogos\" (1949), último ensaio de Beckett. Defendemos que a famosa \"estética do fracasso\" opera como uma estratégia de tensionamento de não-relações que a um só tempo convida e nega a relacionar os elementos internos de uma obra, as referencialidades, a intertextualidade, o enunciador e o enunciado. Buscamos evidenciar esse programa pelas marcas da intencionalidade em tensionar e desestabilizar tais relações no manuscrito de Molloy. Contextualizando o lugar de Beckett no pós-guerra a partir do debate das primeiras resenhas de seu romance e da revisitação das aproximações do irlandês a Sartre, visamos colocar em relevo a singularidade de sua estética desantropomorfizada e não-relacional no horizonte artístico e literário de sua época
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spelling A estética desantropomorfizada e não-relacional de Samuel Beckett: das reflexões críticas a Molloy (1951)The deanthropomorphized and non-relational aesthetic of Samuel Beckett: from the critical writings to Molloy (1951)DeanthropomorphizationDesantropomorfizaçãoModernismModernismoMolloyMolloyNão-relaçãoNon-relationSamuel BeckettSamuel BeckettEsta tese investiga as articulações dos princípios formais de desantropomorfização e não relação no pensamento estético de Samuel Beckett ao longo das décadas de 1930 e 1940. À monografia Proust (1930) e aos ensaios críticos reunidos no volume Disjecta (1984), vieram somar-se recentemente as publicações de novos materiais que revelam o desenvolvimento, tão sinuoso quanto persistente, de suas reflexões: a correspondência, as anotações de aulas ministradas, os diários de viagem e os manuscritos que documentam o processo de escrita e revisão dos romances do pós-guerra. As etapas dessas reflexões sobre as artes e a literatura testemunham um diagnóstico da crise da representação moderna e os esforços de Beckett em buscar e forjar estratégias estéticas que não se apresentem como esquivas ou soluções, mas como incorporações tensionadas na obra. A tese visa articular as etapas desse percurso ressaltando a singularidade de cada uma de suas formulações, as quais podem ser dispostas cronologicamente nos seguintes termos: a dessincronização entre percepção do sujeito e a mobilidade do objeto em Proust; a terra de ninguém, espaço da ruptura das linhas de comunicação entre sujeito e objeto, como único terreno restante a ser trabalhado pelo poeta e artista modernos; a desantropomorfização no tratamento da paisagem e do autorretrato de Cézanne; as imbricações entre certas convenções romanescas, a unidade de sujeito, e a clarificação da história nos Diários alemães. Já nos pós-guerra, as questões encontram formulações mais acabadas, como o duplo impedimento, do olho e do objeto, enquanto constitutivos da pintura dos irmãos van Velde e, por fim, a tentativa e fracasso em estabelecer relações com o objeto nas cartas e nos \"Três diálogos\" (1949), último ensaio de Beckett. Defendemos que a famosa \"estética do fracasso\" opera como uma estratégia de tensionamento de não-relações que a um só tempo convida e nega a relacionar os elementos internos de uma obra, as referencialidades, a intertextualidade, o enunciador e o enunciado. Buscamos evidenciar esse programa pelas marcas da intencionalidade em tensionar e desestabilizar tais relações no manuscrito de Molloy. Contextualizando o lugar de Beckett no pós-guerra a partir do debate das primeiras resenhas de seu romance e da revisitação das aproximações do irlandês a Sartre, visamos colocar em relevo a singularidade de sua estética desantropomorfizada e não-relacional no horizonte artístico e literário de sua épocaThis dissertation investigates how the formal principles of deanthropomorphization and non-relation take shape in Samuel Beckett\'s aesthetic thought throughout the 1930s and 1940s. Alongside the monograph Proust (1930) and the critical essays gathered in Disjecta (1984), recently published materials -- such as letters, lecture notes, travel diaries, and manuscripts documenting the writing and revision of the post-war novels -- now shed new light on the development of his reflections. Each stage of Beckett\'s thinking on art and literature bears witness to his diagnosis of the modern crisis of representation and to his effort to forge aesthetic strategies that present themselves not as evasions or solutions but as tensions internalized by the work itself. The thesis traces these stages while underscoring the singularity of each formulation, which can be arranged chronologically as follows: (1) the desynchronization between the subject\'s perception and the object\'s mobility in Proust; (2) the \"no-man\'s-land,\" an image of the rupture of communication lines between subject and object, as the only remaining ground to be worked by the modern poet and artist; (3) the deanthropomorphization in Cézanne\'s treatment of landscape and self-portrait; and (4) the interweaving of novelistic conventions, the unity of the subject, and the clarification of history in the German Diaries. In the post-war period these questions receive more consolidated formulations: the double impediment -- of eye and object -- structuring the painting of the van Velde brothers, and, finally, the attempt and failure to establish relations with the object in Beckett\'s correspondence and in \"Three Dialogues\" (1949), his last published essay. The dissertation argues that Beckett\'s celebrated aesthetics of failure operates as a strategy that strains non-relations, simultaneously inviting and refusing the linkage between the work\'s internal elements, referential frames, intertextualities, enunciator and enunciation. This program is explored through what we take to be marks of intentionality in the tensioning and destabilization of such relations in the manuscript of Molloy. By contextualizing Beckett\'s post-war position through an analysis of the novel\'s first reviews and a re-examination of his points of contact with Sartre, the study foregrounds the singularity of Beckett\'s deanthropomorphized, non-relational aesthetics within the artistic and literary horizon of his timeBiblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPAndrade, Fabio Rigatto de SouzaNogueira, Gustavo de Almeida2025-09-26info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8151/tde-09122025-184646/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-12-09T20:54:02Zoai:teses.usp.br:tde-09122025-184646Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-12-09T20:54:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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