Médicos e supostos médicos: quem pode ser médico no Brasil?

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Freitas, João Alfredo Xavier de
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8132/tde-24062025-142042/
Resumo: Historicamente os médicos brasileiros vivem uma relação ambígua com o Estado. Ao mesmo tempo em que participaram da edificação do Estado, recorrem a ele para garantir atributos monopolísticos dentro do mercado de trabalho, mas também o enxergam como um ente hostil a sua própria autonomia. Mais recentemente, o país passou por mudanças dentro da lógica assistencial à saúde e formação educacional da população. A primeira, principalmente através dos marcos jurídicos estabelecidos pela Constituição de 1988, assumindo um papel mais diretivo dentro da formação e, principalmente, da alocação de recursos humanos da saúde, o que tem resultado em uma relação conflituosa com os médicos. A segunda vem do aumento da escolaridade da população e da procura da população pela educação superior, onde o curso de Medicina se destaca pela alta remuneração financeira e social que ele proporciona. No entanto, em vista da alta concorrência para acessar o curso no país, dezenas de milhares de pessoas atualmente optam por realizar a graduação no exterior, mas com o desejo de exercer a profissão no Brasil. Nesta pesquisa, trataremos das disputas acerca do uso de mão de obra médica diplomada no exterior durante a pandemia da covid-19. Esta estratégia, previamente utilizada no Programa Mais Médicos (2013), foi tratada como uma solução por parte de entes dos governos municipais, estaduais e federal durante a pandemia, despertando a repulsa por parte dos médicos diplomados no país. Neste trabalho, os médicos são analisados enquanto um grupo social fechado, uma profissão. Já que os assuntos pertinentes à regulação de credenciais acadêmicas no Brasil é atribuição estatal, a pesquisa se debruçará sobre a ação política dos médicos brasileiros na defesa dos seus interesses, a saber, a exclusão da possibilidade de exercer a Medicina no país para aqueles diplomados no exterior, salvo nos casos de aprovação em prova de revalidação. Com efeito, o trabalho analisa as estratégias de lobby político empreendidas pelos médicos e a relação desenvolvida entre suas entidades e o Estado
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A segunda vem do aumento da escolaridade da população e da procura da população pela educação superior, onde o curso de Medicina se destaca pela alta remuneração financeira e social que ele proporciona. No entanto, em vista da alta concorrência para acessar o curso no país, dezenas de milhares de pessoas atualmente optam por realizar a graduação no exterior, mas com o desejo de exercer a profissão no Brasil. Nesta pesquisa, trataremos das disputas acerca do uso de mão de obra médica diplomada no exterior durante a pandemia da covid-19. Esta estratégia, previamente utilizada no Programa Mais Médicos (2013), foi tratada como uma solução por parte de entes dos governos municipais, estaduais e federal durante a pandemia, despertando a repulsa por parte dos médicos diplomados no país. Neste trabalho, os médicos são analisados enquanto um grupo social fechado, uma profissão. Já que os assuntos pertinentes à regulação de credenciais acadêmicas no Brasil é atribuição estatal, a pesquisa se debruçará sobre a ação política dos médicos brasileiros na defesa dos seus interesses, a saber, a exclusão da possibilidade de exercer a Medicina no país para aqueles diplomados no exterior, salvo nos casos de aprovação em prova de revalidação. Com efeito, o trabalho analisa as estratégias de lobby político empreendidas pelos médicos e a relação desenvolvida entre suas entidades e o EstadoHistorically, Brazilian doctors have had an ambiguous relationship with the state. At the same time as they have participated in the building of the state itself and have relied on it to guarantee monopolistic attributes within the labor market, they see it as hostile to their own autonomy within that market. More recently, the country has undergone changes within the logic of health care and the population\'s education. The first one, mainly through the legal frameworks established by the 1988 Constitution, assuming a more directive role within training and, above all, the allocation of human resources for health, which has resulted in a conflictual relationship with doctors. The second comes from the increase in the population\'s schooling and the population\'s demand for higher education, where the Medicine course stands out for the high financial and social rewards it provides. However, in view of the high level of competition for access to the course in the country, tens of thousands of people are currently opting to study abroad, but with the desire to pursue the profession in Brazil. In this research, we will deal with the disputes over the use of foreign-trained medical labor during the COVID-19 pandemic. This strategy, previously used in the Mais Médicos program (2013), was treated as a solution by municipal, state and federal government entities during the pandemic, arousing repulsion on the part of doctors trained in the country. In this work, they are analyzed as a closed social group, a profession. Since the regulation of academic credentials is a state responsibility in Brazil, the research will focus on the political action of Brazilian doctors in defense of their interests, namely the exclusion of the possibility of practicing medicine in the country for those trained abroad, except in cases where they pass a revalidation test. In effect, the work will analyze the political lobbying strategies undertaken by the doctors and the relationship developed between these entities and the StateBiblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPWaizbort, Leopoldo Garcia PintoFreitas, João Alfredo Xavier de2025-04-01info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8132/tde-24062025-142042/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-06-24T17:24:02Zoai:teses.usp.br:tde-24062025-142042Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-06-24T17:24:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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