O fetichismo da pena.

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2024
Autor(a) principal: Alemany, Fernando Russano
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/2/2136/tde-11072024-160045/
Resumo: A categoria do fetichismo da mercadoria é a categoria mais importante da teoria marxista do valor. É ela que explica como uma coisa, o produto do trabalho, pode aparecer, em determinadas condições, como possuidora da mística propriedade do valor. É ela que revela, portanto, o segredo da forma-mercadoria dos produtos do trabalho na sociedade burguesa. Igualmente, a categoria do fetichismo da pena é a categoria mais importante da teoria marxista da pena (ou da criminologia marxista, para utilizarmos a nomenclatura mais consagrada, embora imprecisa). É ela que explica como a violência da classe dominante, exercida contra a classe dominada para assegurar a sua dominação de classe, pode aparecer, em determinadas condições, como violência do Estado, exercida contra aqueles que violam a lei penal para assegurar o bem comum. É ela que revela, portanto, o segredo da forma penal da violência da classe dominante, específica da sociedade burguesa. O objeto deste trabalho é a investigação do fetichismo da pena. Para isso, retomarei a análise que Marx faz, especialmente no Capítulo 1 do Livro I de O capital, sobre a mercadoria. A análise da mercadoria permite identificar os nexos sociais fundamentais que constituem a estrutura da sociedade burguesa, portanto, também dos nexos que a articulam, enquanto totalidade complexa, com a sua superestrutura política. Da análise da mercadoria passo, portanto, para a análise do Estado e do direito burguês. O sistema penal é um departamento do Estado burguês, organizado segundo as regras do direito burguês. Consequentemente, a investigação da forma da pena deve partir da investigação da forma do Estado e do direito burguês. Neste ponto, farei uma revisão das principais contribuições da teoria marxista para o estudo do Estado e do direito, exporei as suas limitações e apresentarei a minha proposta de superação de seus equívocos. Apenas então poderemos analisar a pena, não mais como um pressuposto, do qual até hoje a criminologia partiu, mas como um resultado, ao qual, inversamente, chegamos.
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É ela que revela, portanto, o segredo da forma penal da violência da classe dominante, específica da sociedade burguesa. O objeto deste trabalho é a investigação do fetichismo da pena. Para isso, retomarei a análise que Marx faz, especialmente no Capítulo 1 do Livro I de O capital, sobre a mercadoria. A análise da mercadoria permite identificar os nexos sociais fundamentais que constituem a estrutura da sociedade burguesa, portanto, também dos nexos que a articulam, enquanto totalidade complexa, com a sua superestrutura política. Da análise da mercadoria passo, portanto, para a análise do Estado e do direito burguês. O sistema penal é um departamento do Estado burguês, organizado segundo as regras do direito burguês. Consequentemente, a investigação da forma da pena deve partir da investigação da forma do Estado e do direito burguês. Neste ponto, farei uma revisão das principais contribuições da teoria marxista para o estudo do Estado e do direito, exporei as suas limitações e apresentarei a minha proposta de superação de seus equívocos. Apenas então poderemos analisar a pena, não mais como um pressuposto, do qual até hoje a criminologia partiu, mas como um resultado, ao qual, inversamente, chegamos.The category of commodity fetishism is the most important category in the Marxist theory of value. It explains how a thing, the product of labor, can appear, under certain conditions, as possessing the mystical property of value. It reveals, therefore, the secret of the commodity form of labor products in bourgeois society. Similarly, the category of the fetishism of penalty is the most important category in the Marxist theory of penalty (or Marxist criminology, to use the more established albeit imprecise nomenclature). It explains how the violence of the dominant class, exerted against the dominated class to ensure its class domination, can appear, under certain conditions, as the violence of the State, exerted against those who violate criminal law to ensure the common good. It reveals, therefore, the secret of the penal form of violence of the dominant class, specific to bourgeois society. The object of this work is to investigate the fetishism of penalty. To do this, I will revisit the analysis that Marx conducts, especially in Chapter 1 of Book I of Capital, regarding the commodity. The analysis of the commodity allows for the identification of the fundamental social connections that constitute the structure of bourgeois society, and therefore, also the connections that articulate it, as a complex whole, with its political superstructure. From the analysis of the commodity, I thus move on to the analysis of the State and bourgeois law. The penal system is a department of the bourgeois State, organized according to the rules of bourgeois law. Consequently, the investigation of the form of penalty must stem from the investigation of the form of the State and bourgeois law. At this point, I will review the main contributions of Marxist theory to the study of the State and law, outline their limitations, and present my proposal for overcoming their misconceptions. Only then can we analyze penalty, not as a presupposition from which criminology has operated to date, but as a result that we arrive at inversely.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPDieter, Mauricio StegemannAlemany, Fernando Russano2024-04-24info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/2/2136/tde-11072024-160045/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2026-02-03T14:20:02Zoai:teses.usp.br:tde-11072024-160045Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212026-02-03T14:20:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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