Imagens de luta na produção audiovisual indígena: Coletivo Beture frente à extrema direita
| Ano de defesa: | 2025 |
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| Tipo de documento: | Dissertação |
| Tipo de acesso: | Acesso aberto |
| Idioma: | por |
| Instituição de defesa: |
Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
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| Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
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| Departamento: |
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| País: |
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| Palavras-chave em Português: | |
| Link de acesso: | https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/27/27161/tde-10022026-125742/ |
Resumo: | Esta dissertação investiga os impactos do governo Jair Bolsonaro (2019-2022) sobre a produção audiovisual indígena, a partir da análise da atuação do Coletivo Beture, formado por comunicadores Mebengôkre-Kayapó do sul do Pará. O estudo parte da hipótese de que o avanço da violência institucional, simbólica e política contra os povos originários, intensificado durante esse período, catalisou uma resposta organizada no campo da imagem, em que o audiovisual se constitui como ferramenta de enfrentamento, denúncia e afirmação cultural. A análise concentra-se em 178 postagens publicadas pelo coletivo na plataforma Instagram, entre 2018 e 2023, considerando imagens fixas e vídeos. Para isso, emprega-se a análise de conteúdo de Laurence Bardin e a aplicação parcial do protocolo metodológico de Amanda de Souza Miranda, com foco na instância da produção. Articula-se também a crítica da representação formulada por Ella Shohat e Robert Stam, especialmente quanto à desmontagem de estereótipos e ao questionamento da estética realista como dispositivo ideológico de dominação, bem como os estudos de Rosana de Lima Soares sobre estigma e exclusão simbólica. Renato Ortiz oferece as ferramentas para analisar a construção ideológica de identidade nacional e os usos estratégicos da memória coletiva por projetos políticos excludentes. A essas perspectivas somase a reflexão de Vilém Flusser sobre as imagens técnicas e a valorização da superfície como campo de inscrição estética e política, fundamental para compreender a autonomia enunciativa das imagens produzidas pelo Coletivo Beture. As postagens analisadas revelam uma estética visual que tensiona os estigmas históricos impostos aos povos indígenas, ao mesmo tempo que propõem outras formas de existir na imagem. Ao registrar sua cultura, rituais coletivos, protestos políticos e oficinas de formação, o coletivo constrói uma linguagem visual própria, ancorada na circularidade, na performance e na ancestralidade. Trata-se de uma produção que não apenas documenta, mas ativa um vocabulário imagético de presença. Como afirmou Ailton Krenak, \"a ideia de humanidade única é uma armadilha\". A \"demarcação de telas\", conceito criado por Krenak e que inspira esta pesquisa, inscreve-se justamente na recusa da homogeneização identitária e na afirmação de mundos múltiplos. Ao se apropriar da câmera e das redes sociais, o Coletivo Beture reivindica o direito de existir em seus próprios termos, produzindo um contra-arquivo que marca o tempo com imagens de luta, memória e futuro. |
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Imagens de luta na produção audiovisual indígena: Coletivo Beture frente à extrema direitaImages of struggle in indigenous audiovisual production: Coletivo Beture versus the far rightAudiovisual indígenaColetivo BetureColetivo BetureDemarcação de telasDemarcation of screensEstigmaIndigenous audiovisualRedes sociaisRepresentaçãoRepresentationStigmaTechnical imageEsta dissertação investiga os impactos do governo Jair Bolsonaro (2019-2022) sobre a produção audiovisual indígena, a partir da análise da atuação do Coletivo Beture, formado por comunicadores Mebengôkre-Kayapó do sul do Pará. O estudo parte da hipótese de que o avanço da violência institucional, simbólica e política contra os povos originários, intensificado durante esse período, catalisou uma resposta organizada no campo da imagem, em que o audiovisual se constitui como ferramenta de enfrentamento, denúncia e afirmação cultural. A análise concentra-se em 178 postagens publicadas pelo coletivo na plataforma Instagram, entre 2018 e 2023, considerando imagens fixas e vídeos. Para isso, emprega-se a análise de conteúdo de Laurence Bardin e a aplicação parcial do protocolo metodológico de Amanda de Souza Miranda, com foco na instância da produção. Articula-se também a crítica da representação formulada por Ella Shohat e Robert Stam, especialmente quanto à desmontagem de estereótipos e ao questionamento da estética realista como dispositivo ideológico de dominação, bem como os estudos de Rosana de Lima Soares sobre estigma e exclusão simbólica. Renato Ortiz oferece as ferramentas para analisar a construção ideológica de identidade nacional e os usos estratégicos da memória coletiva por projetos políticos excludentes. A essas perspectivas somase a reflexão de Vilém Flusser sobre as imagens técnicas e a valorização da superfície como campo de inscrição estética e política, fundamental para compreender a autonomia enunciativa das imagens produzidas pelo Coletivo Beture. As postagens analisadas revelam uma estética visual que tensiona os estigmas históricos impostos aos povos indígenas, ao mesmo tempo que propõem outras formas de existir na imagem. Ao registrar sua cultura, rituais coletivos, protestos políticos e oficinas de formação, o coletivo constrói uma linguagem visual própria, ancorada na circularidade, na performance e na ancestralidade. Trata-se de uma produção que não apenas documenta, mas ativa um vocabulário imagético de presença. Como afirmou Ailton Krenak, \"a ideia de humanidade única é uma armadilha\". A \"demarcação de telas\", conceito criado por Krenak e que inspira esta pesquisa, inscreve-se justamente na recusa da homogeneização identitária e na afirmação de mundos múltiplos. Ao se apropriar da câmera e das redes sociais, o Coletivo Beture reivindica o direito de existir em seus próprios termos, produzindo um contra-arquivo que marca o tempo com imagens de luta, memória e futuro.This dissertation investigates the impacts of the Bolsonaro government (2019-022) on Indigenous audiovisual production, based on the analysis of the activities of the Coletivo Beture, formed by Mbengôkre-Kayapó communicators from the south of Pará. The study departs from the hypothesis that the advance of institutional, symbolic, and political violence against Indigenous peoples, intensified during this period, catalyzed an organized response in the field of image, in which audiovisual becomes a tool of resistance, denunciation, and cultural affirmation. The analysis focuses on 178 posts published by the collective on the Instagram platform, between 2018 and 2023, considering both still images and videos. To that end, Laurence Bardin\'s content analysis and the partial application of Amanda de Souza Mirandas methodological protocol are employed, focusing on the production instance. It also articulates the critique of representation formulated by Ella Shohat and Robert Stam, especially regarding the deconstruction of stereotypes and the questioning of realist aesthetics as an ideological device of domination, as well as the studies of Rosana de Lima Soares on stigma and symbolic exclusion. Renato Ortiz provides the tools to analyze the ideological construction of national identity and the strategic uses of collective memory by exclusionary political projects. To these perspectives is added Vilém Flussers reflection on technical images and the valorization of the surface as a field of aesthetic and political inscription, fundamental to understanding the enunciative autonomy of the images produced by Coletivo Beture. The analyzed posts reveal a visual aesthetic that challenges the historical stigmas imposed on Indigenous peoples, while simultaneously proposing other ways of existing in the image. By recording their culture, collective rituals, political protests, and training workshops, the collective builds a visual language of its own, anchored in circularity, performance, and ancestry. It is a production that not only documents but activates an imagetic vocabulary of presence. As Ailton Krenak stated, \"the idea of a single humanity is a trap\". The \"demarcation of screens\", a concept created by Krenak and which inspires this research, is inscribed precisely in the refusal of identity homogenization and in the affirmation of multiple worlds. By appropriating the camera and social media, Coletivo Beture claims the right to exist on its own terms, producing a counterarchive that marks time with images of struggle, memory, and future.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPSoares, Rosana de LimaSantos, Adriana Alves dos2025-10-23info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/27/27161/tde-10022026-125742/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2026-02-10T16:25:02Zoai:teses.usp.br:tde-10022026-125742Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212026-02-10T16:25:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false |
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