Soroprevalência de anticorpos anti- SARS-CoV-2 em gestantes admitidas em centro obstétrico: oportunidade para sorovigilância de infecções emergentes?

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Miyadahira, Mariana Yumi
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5139/tde-06102025-142016/
Resumo: OBJETIVOS: Descrever a variação da soroprevalência de anticorpos anti-SARS-CoV-2, ao longo do tempo, em gestantes admitidas no Centro Obstétrico do Hospital Universitário da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo; avaliar a adequação dessa população como sentinela para infecções emergentes e examinar os fatores associados à soropositividade em grávidas. MÉTODOS: Foram incluídas todas as gestantes admitidas no Centro Obstétrico do HU-FMUSP para parto ou curetagem, que assinaram o termo de consentimento livre e esclarecido, de 20 de junho de 2020 a 21 de fevereiro de 2021. Aplicou-se questionário (dados sociodemográficos, clínicos, história obstétrica, história da gestação atual, COVID-19: sintomas, diagnóstico durante a gestação) e, em seguida, realizou-se coleta de amostras de sangue, nas quais foi pesquisada a presença de anticorpos anti-SARS-CoV-2, inicialmente, pelo teste rápido de Wondfo. Posteriormente, analisaram-se as amostras armazenadas pelos ensaios sorológicos de Roche e Abbott. Foram confrontadas as soroprevalências dessas gestantes, ao longo do tempo, com as de dois inquéritos sorológicos domiciliares realizados concomitantemente, na cidade de São Paulo, um executado pelo Grupo Fleury (laboratório privado) e, o outro, pela prefeitura da cidade. Avaliou-se a relação das variáveis coletadas (características maternas e relacionadas à gestação) com as sorologias das gestantes. Para as variáveis qualitativas, foram calculadas as frequências absolutas e relativas; para as quantitativas, medianas e intervalos interquartis. RESULTADOS: Foi possível testar 763 amostras pelos 3 ensaios. A soroprevalência global foi de 17,9% pelo Wondfo, 28,9% pelo Roche e 10,7% pelo Abbott. Pelo ensaio de Roche, houve maior estabilidade de anticorpos e sensibilidade superior para detectar infecções tanto sintomáticas quanto assintomáticas. No início do período (junho de 2020), a soroprevalência nas gestantes mostrou-se robusta e superior às dos inquéritos sorológicos domiciliares, por qualquer dos 3 ensaios. A soropositividade das grávidas aproximou-se às dos inquéritos em outubro de 2020, refletindo o curso da pandemia na cidade. A menor altura e o maior IMC revelaram-se significativamente relacionados à soropositividade. CONCLUSÃO: Demonstrou-se que a inserção do vírus SARS-CoV-2 ocorreu, mais precocemente, nas gestantes admitidas no centro obstétrico, que representam um grupo obrigatoriamente exposto e acessível, em relação à população geral, comprovando que constituem uma população adequada como sentinela para sorovigilância de infecções emergentes. O ensaio de Roche apresentou sensibilidade superior aos demais testes utilizados, e é potencialmente apropriado para estudos de soroprevalência. A subnutrição (menor estatura e maior IMC) parece estar relacionada à soropositividade para SARS-CoV-2.
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MÉTODOS: Foram incluídas todas as gestantes admitidas no Centro Obstétrico do HU-FMUSP para parto ou curetagem, que assinaram o termo de consentimento livre e esclarecido, de 20 de junho de 2020 a 21 de fevereiro de 2021. Aplicou-se questionário (dados sociodemográficos, clínicos, história obstétrica, história da gestação atual, COVID-19: sintomas, diagnóstico durante a gestação) e, em seguida, realizou-se coleta de amostras de sangue, nas quais foi pesquisada a presença de anticorpos anti-SARS-CoV-2, inicialmente, pelo teste rápido de Wondfo. Posteriormente, analisaram-se as amostras armazenadas pelos ensaios sorológicos de Roche e Abbott. Foram confrontadas as soroprevalências dessas gestantes, ao longo do tempo, com as de dois inquéritos sorológicos domiciliares realizados concomitantemente, na cidade de São Paulo, um executado pelo Grupo Fleury (laboratório privado) e, o outro, pela prefeitura da cidade. Avaliou-se a relação das variáveis coletadas (características maternas e relacionadas à gestação) com as sorologias das gestantes. Para as variáveis qualitativas, foram calculadas as frequências absolutas e relativas; para as quantitativas, medianas e intervalos interquartis. RESULTADOS: Foi possível testar 763 amostras pelos 3 ensaios. A soroprevalência global foi de 17,9% pelo Wondfo, 28,9% pelo Roche e 10,7% pelo Abbott. Pelo ensaio de Roche, houve maior estabilidade de anticorpos e sensibilidade superior para detectar infecções tanto sintomáticas quanto assintomáticas. No início do período (junho de 2020), a soroprevalência nas gestantes mostrou-se robusta e superior às dos inquéritos sorológicos domiciliares, por qualquer dos 3 ensaios. A soropositividade das grávidas aproximou-se às dos inquéritos em outubro de 2020, refletindo o curso da pandemia na cidade. A menor altura e o maior IMC revelaram-se significativamente relacionados à soropositividade. CONCLUSÃO: Demonstrou-se que a inserção do vírus SARS-CoV-2 ocorreu, mais precocemente, nas gestantes admitidas no centro obstétrico, que representam um grupo obrigatoriamente exposto e acessível, em relação à população geral, comprovando que constituem uma população adequada como sentinela para sorovigilância de infecções emergentes. O ensaio de Roche apresentou sensibilidade superior aos demais testes utilizados, e é potencialmente apropriado para estudos de soroprevalência. A subnutrição (menor estatura e maior IMC) parece estar relacionada à soropositividade para SARS-CoV-2.OBJECTIVES: To describe anti-SARS-CoV-2 seroprevalence variation over time, in pregnant women admitted to the Hospital Universitários (São Paulos Universitys Medical Faculty) delivery unit; to assess the suitability of this population as sentinel for emerging infections; and to examine factors associated with seropositivity in pregnant women. METHODS: All pregnant women admitted to HU-FMUSPs delivery unit for curettage or delivery, who signed the written informed consent, from June 20th, 2020, until February 21st, 2021, were included. At admission, a questionnaire (data on: socio-demographics, obstetrical and clinical history, current pregnancy, COVID-19: symptoms, diagnostic during pregnancy) was applied, and then, a serological sample was obtained, in which the Wondfo test was initially performed to search for the presence of anti-SARS-CoV-2 antibodies. Subsequently, the stored samples were retested with a Roche and an Abbott serological assays. The pregnant womens seroprevalences over time were confronted with two household surveys conducted concomitantly in São Paulos city, one of them carried out by Fleurys group (private laboratory) and the other one by São Paulos city hall. The relationship between the variables collected (maternal characteristics and related to pregnancy) and pregnant womens serologies was evaluated. For the qualitative variables, the absolute and relative frequencies were calculated; for the quantitative variables, medians and interquartile ranges. RESULTS: It was possible to test 763 samples with the 3 assays. Overall seroprevalence was 17,9% by Wondfo, 28,9% by Roche and 10,7% by Abbott. Roche assay showed greater stability of antibody levels and superior sensibility to detect symptomatic as well as asymptomatic infections. At the beginning of the study period (June 2020), pregnant womens seroprevalence was robust and superior to those of the household surveys, by any of the 3 tests. In October 2020, pregnant womens seropositivity was close to that of the surveys, reflecting the pandemic trajectory in the city. Shorter height and higher BMI were both significantly associated with seropositivity. CONCLUSION: It was demonstrated that the insertion of SARS-CoV-2 virus occurred earlier in pregnant women admitted to the delivery unit, who represent a group that is obligatorily exposed and accessible, in relation to the general population, providing that they constitute a suitable population as a sentinel for serosurveillance of emerging infections. The Roche assay showed higher sensitivity than the other tests used and is potentially appropriate for seroprevalence studies. Malnutrition (shorter height and higher BMI) appears to be related to seropositivity for SARS-CoV-2.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPBrizot, Maria de LourdesMiyadahira, Mariana Yumi2025-04-23info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5139/tde-06102025-142016/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-10-06T18:00:02Zoai:teses.usp.br:tde-06102025-142016Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-10-06T18:00:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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