Evidências de aspiração pulmonar crônica do conteúdo digestivo em pacientes com megaesôfago chagásico

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2013
Autor(a) principal: Alves, Luis Renato
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/17/17138/tde-04092025-103400/
Resumo: INTRODUÇÃO: O diagnóstico de aspiração pulmonar crônica constitui desafio clínico, uma vez que não existe, até o momento, um exame que seja considerado padrão ouro para tal diagnóstico. Além disso, embora se saiba que tal condição possa relacionar-se a diversos distúrbios pulmonares, o estabelecimento de relações causais diretas ainda envolve dificuldades. O presente estudo buscou avaliar uma nova metodologia para diagnóstico de aspiração pulmonar em pacientes com alto risco dessa complicação, indivíduos portadores de megaesôfago chagásico. Além disso, procurou-se investigar a ocorrência de possíveis alterações radiológicas pulmonares, empregando-se tomografia computadorizada de tórax de alta resolução (TCAR), em pacientes com Doença de Chagas. MÉTODOS: Trinta e seis pacientes com megaesôfago chagásico foram incluídos no estudo, sendo 23 não operados e 13 operados previamente (Grupo MEC). Todos foram submetidos a TCAR, manometria e pHmetria esofágica e orientados a ingerir cápsulas contendo um corante natural, a clorofila cúprica de sódio antes da realização de broncoscopias e coleta do lavado broncoalveolar (LBA). Os achados foram comparados com três grupos controles compostos de pacientes com patologias pulmonares diversas sem evidências de aspiração (Grupo C-LBA n=10), chagásicos sem megaesôfago (Grupo DC-MC, n=14) e pacientes portadores de linfomas sem alterações pulmonares (Grupo C-TC, n=10). Foram avaliados o perfil celular do LBA, a presença de clorofila no interior de macrófagos alveolares, a pesquisa de lipídios em macrófagos alveolares utilizando a coloração de Sudan, a presença de pepsina no LBA, assim como a avaliação quantitativa de alterações radiológicas em vias aéreas e intersticiais utilizando o escore de Bhalla modificado, e alterações funcionais pulmonares por meio de espirometria completa com medida da difusão de monóxido de carbono (DLCO). RESULTADOS: O teste da clorofila foi positivo em 28 (77,8%) dos pacientes com megaesôfago chagásico e em nenhum paciente do Grupo C-LBA (p<0,0001). A proporção dos testes de Sudan positivos não diferiu entre esses dois grupos (44,4% x 30%). A composição celular e os níveis de pepsina no LBA foram similares entre os dois grupos (289,2ng/ml x 271,5ng/ml). Não houve diferenças estatisticamente significantes em relação a alterações radiológicas e funcionais entre os grupos MEC e DC-MC. Do mesmo modo não foram detectadas diferenças estatisticamente significantes entre os escores tomográficos dos Grupos MEC, DCMC e C-TC. (4,0, 3,8 e 2,0 respectivamente). Dentro do Grupo DC-MC, os pacientes com cardiopatia chagásica mostraram escore médio significantemente maior para alterações intersticiais do que os pacientes com megacólon (2,5 x 1,0). CONCLUSÃO: O uso do pigmento de clorofila antes da coleta de LBA parece ser um teste útil no diagnóstico de aspiração pulmonar, com sensibilidade e especificidade superiores a da pesquisa de lipídeos em macrófagos. Apesar das evidências de aspiração pulmonar, pacientes com megaesôfago chagásico não exibem alterações radiológicas e funcionais importantes. A Doença de Chagas nos dias atuais não cursa com acometimento de vias aéreas, como havia sido descrito no passado.
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MÉTODOS: Trinta e seis pacientes com megaesôfago chagásico foram incluídos no estudo, sendo 23 não operados e 13 operados previamente (Grupo MEC). Todos foram submetidos a TCAR, manometria e pHmetria esofágica e orientados a ingerir cápsulas contendo um corante natural, a clorofila cúprica de sódio antes da realização de broncoscopias e coleta do lavado broncoalveolar (LBA). Os achados foram comparados com três grupos controles compostos de pacientes com patologias pulmonares diversas sem evidências de aspiração (Grupo C-LBA n=10), chagásicos sem megaesôfago (Grupo DC-MC, n=14) e pacientes portadores de linfomas sem alterações pulmonares (Grupo C-TC, n=10). 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Do mesmo modo não foram detectadas diferenças estatisticamente significantes entre os escores tomográficos dos Grupos MEC, DCMC e C-TC. (4,0, 3,8 e 2,0 respectivamente). Dentro do Grupo DC-MC, os pacientes com cardiopatia chagásica mostraram escore médio significantemente maior para alterações intersticiais do que os pacientes com megacólon (2,5 x 1,0). CONCLUSÃO: O uso do pigmento de clorofila antes da coleta de LBA parece ser um teste útil no diagnóstico de aspiração pulmonar, com sensibilidade e especificidade superiores a da pesquisa de lipídeos em macrófagos. Apesar das evidências de aspiração pulmonar, pacientes com megaesôfago chagásico não exibem alterações radiológicas e funcionais importantes. A Doença de Chagas nos dias atuais não cursa com acometimento de vias aéreas, como havia sido descrito no passado.INTRODUCTION: The diagnosis of chronic pulmonary aspiration is clinical challenge, because there is not, until now, a exam that is considered the gold standard for this diagnosis. Furthermore, although it is known that such condition can relate to various pulmonary disorders, establishing direct causal relationship still involves difficulties. The present study aimed to evaluate a new methodology for diagnosis of pulmonary aspiration in patients at high risk of this complication, individuals with chagasic megaesophagus. ln addition, we sought to investigate the possible occurrence of pulmonary radiological findings, using computed tomography, high-resolution (HRCT) in patients with Chagas disease. METHODS: Thirty-six patients with chagasic megaesophagus were enrolled in the study, 23 had not been operated and 13 operated previously (MEC group). AII patients performed a HRCT, esophageal manometry and esophageal pH monitoring and were instructed to ingest capsules containing a natural pigment, chlorophyll cupric sodium before bronchoscopy and bronchoalveolar lavage (BAL). The findings were compared with three control groups consisted of patients with different lung diseases without evidence of aspiration (Group C-LBA n = 10), Chagas disease without megaesophagus (Group DC-MC, n = 14) and patients with lymphomas without pulmonary disease (Group C CT, n = 10). We evaluated the celularity of BAL, the presence of chlorophyll within alveolar macrophages, lipids in alveolar macrophages using Sudan stain, the presence of pepsin in BAL as well as quantitative assessment of radiological changes in airway and interstitial using a modified Bhalla score and pulmonary function changes using the complete spirometry with measuring the diffusion of carbon monoxide (DLCO). RESULTS: The chlorophyll test was positive in 28 (77.8%) of patients with chagasic megaesophagus and in no patient in Group C-BAL (p<0.0001). The proportion of positive Sudan test did not differ between both groups (44.4% vs. 30%). The cellular composition and levels of pepsin in BAL were similar between the two groups (289.2 ng / ml x 271.5 ng / ml). There were no statistically significant differences in relation to radiological and functional groups between the MEC and DC-MC group. Similarly there were no statistically significant differences between the scores of Groups MEC CT, DC-MC-C and TC. (4.0, 3.8, 2.0 respectively). Within the Group DC-MC, patients with Chagas heart disease showed significantly higher mean score for interstitial changes than patients with megacolon (2.5 x 1.0). CONCLUSION: The use of chlorophyll pigment showed a useful test in the diagnosis of pulmonary aspiration, with sensitivity and specificity greater than the survey of lipids in macrophages by Sudan stain. Despite evidence of pulmonary aspiration in patients with chagasic megaesophagus, they are not associated with radiological findings and functional importance. There were no radiological changes and important functional secondary to Chagas disease.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPMartinez, Jose Antonio BaddiniAlves, Luis Renato2013-09-23info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/17/17138/tde-04092025-103400/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-09-04T13:46:03Zoai:teses.usp.br:tde-04092025-103400Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-09-04T13:46:03Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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