O Cuidado da violência doméstica por parceiro íntimo na Atenção Primária à Saúde: as perspectivas das mulheres
| Ano de defesa: | 2025 |
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| Tipo de documento: | Tese |
| Tipo de acesso: | Acesso aberto |
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| Instituição de defesa: |
Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
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| Programa de Pós-Graduação: |
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| Departamento: |
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| País: |
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| Palavras-chave em Português: | |
| Link de acesso: | https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5137/tde-18032026-143602/ |
Resumo: | Este estudo teve como objetivo compreender as potencialidades e desafios do cuidado à violência doméstica na Atenção Primária à Saúde (APS), a partir das perspectivas das mulheres atendidas nesses serviços. Para tanto, utilizamos duas abordagens metodológicas complementares. A primeira foi uma revisão sistemática da literatura (PROSPERO CRD42024526369), que buscou sintetizar e analisar as expectativas e experiências de mulheres em situação de violência em contextos de APS ao redor do mundo, bem como as possibilidades de mudança na saúde e na situação de violência a partir do cuidado recebido nesse nível de atenção em saúde. Seguindo as etapas do modelo PRISMA, foram analisados 36 artigos provenientes de diferentes bases de dados. Diante da alta heterogeneidade metodológica dos estudos, optamos por uma abordagem de síntese de métodos mistos, permitindo uma análise temática integrada e abrangente das evidências disponíveis. A segunda abordagem consistiu em um estudo longitudinal qualitativo, realizado na cidade de São Paulo, que acompanhou, em tempo real, o percurso de quatro mulheres identificadas em serviços de APS após a implementação da intervenção HERA (Healthcare Responding to Violence and Abuse), um conjunto de estratégias para fortalecer o cuidado de casos de violência. As participantes foram selecionadas intencionalmente e acompanhadas por meio de 15 entrevistas semiestruturadas, realizadas ao longo de um período de 6 a 18 meses. A partir de uma análise hermenêutico-dialética, reconstruímos suas trajetórias individuais, identificando mudanças na percepção do problema, no uso dos serviços e nos aspectos cotidianos de suas vidas; seguindo para uma análise do conjunto, analisando suas semelhanças e diferenças em relação às principais categorias de análise, a partir do nosso referencial teórico de gênero, subjetividade, agência e integralidade. Os resultados da revisão sistemática evidenciaram que a percepção das mulheres sobre suas experiências de Cuidado na APS estão interligadas às suas expectativas, que carregam elementos de um cuidado integral, sensível às suas especificidades, e às possibilidades contextualizadas de enfrentamento à violência. Quando a violência é reconhecida como objeto do cuidado, as práticas na APS demonstram potencial de transformação, podendo melhorar sintomas, ampliar o acesso a ações intersetoriais, aumentar a sensação de segurança e, em alguns casos, contribuir para a redução da violência. A análise hermenêutico-dialética possibilitou compreender as trajetórias subjetivas das mulheres ao longo do tempo e sua relação com a APS, revelando processos não lineares de reconstrução dos seus cotidianos. Suas possibilidades de agência e capacidade de resistência se movimentam nas intersecções das experiências subjetivas e contextos sociais mais amplos de desigualdade social e de gênero. Apesar do potencial de atuação transformadora, obstáculos estruturais de organização dos serviços limitam a efetivação de um APS verdadeiramente integral. O cuidado da violência na APS revela, em síntese, uma arena política em disputa, tensionando dimensões técnicas, sociais e políticas do processo de trabalho em saúde. |
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O Cuidado da violência doméstica por parceiro íntimo na Atenção Primária à Saúde: as perspectivas das mulheresIntimate partner violence Care in Primary Health Care services: women\'s perspectivesAtenção Primária à SaúdeDomestic ViolenceIntegralidade em SaúdeIntegrality in HealthPesquisa QualitativaPrimary Health CareQualitative ResearchRevisão SistemáticaSystematic ReviewViolence Against WomenViolência contra a mulherViolência DomésticaEste estudo teve como objetivo compreender as potencialidades e desafios do cuidado à violência doméstica na Atenção Primária à Saúde (APS), a partir das perspectivas das mulheres atendidas nesses serviços. Para tanto, utilizamos duas abordagens metodológicas complementares. A primeira foi uma revisão sistemática da literatura (PROSPERO CRD42024526369), que buscou sintetizar e analisar as expectativas e experiências de mulheres em situação de violência em contextos de APS ao redor do mundo, bem como as possibilidades de mudança na saúde e na situação de violência a partir do cuidado recebido nesse nível de atenção em saúde. Seguindo as etapas do modelo PRISMA, foram analisados 36 artigos provenientes de diferentes bases de dados. Diante da alta heterogeneidade metodológica dos estudos, optamos por uma abordagem de síntese de métodos mistos, permitindo uma análise temática integrada e abrangente das evidências disponíveis. A segunda abordagem consistiu em um estudo longitudinal qualitativo, realizado na cidade de São Paulo, que acompanhou, em tempo real, o percurso de quatro mulheres identificadas em serviços de APS após a implementação da intervenção HERA (Healthcare Responding to Violence and Abuse), um conjunto de estratégias para fortalecer o cuidado de casos de violência. As participantes foram selecionadas intencionalmente e acompanhadas por meio de 15 entrevistas semiestruturadas, realizadas ao longo de um período de 6 a 18 meses. A partir de uma análise hermenêutico-dialética, reconstruímos suas trajetórias individuais, identificando mudanças na percepção do problema, no uso dos serviços e nos aspectos cotidianos de suas vidas; seguindo para uma análise do conjunto, analisando suas semelhanças e diferenças em relação às principais categorias de análise, a partir do nosso referencial teórico de gênero, subjetividade, agência e integralidade. Os resultados da revisão sistemática evidenciaram que a percepção das mulheres sobre suas experiências de Cuidado na APS estão interligadas às suas expectativas, que carregam elementos de um cuidado integral, sensível às suas especificidades, e às possibilidades contextualizadas de enfrentamento à violência. Quando a violência é reconhecida como objeto do cuidado, as práticas na APS demonstram potencial de transformação, podendo melhorar sintomas, ampliar o acesso a ações intersetoriais, aumentar a sensação de segurança e, em alguns casos, contribuir para a redução da violência. A análise hermenêutico-dialética possibilitou compreender as trajetórias subjetivas das mulheres ao longo do tempo e sua relação com a APS, revelando processos não lineares de reconstrução dos seus cotidianos. Suas possibilidades de agência e capacidade de resistência se movimentam nas intersecções das experiências subjetivas e contextos sociais mais amplos de desigualdade social e de gênero. Apesar do potencial de atuação transformadora, obstáculos estruturais de organização dos serviços limitam a efetivação de um APS verdadeiramente integral. O cuidado da violência na APS revela, em síntese, uma arena política em disputa, tensionando dimensões técnicas, sociais e políticas do processo de trabalho em saúde.This study aimed to understand the potentials and challenges of providing intimate partner violence (IPV) care within Primary Health Care (PHC) from the perspectives of women utilizing these services. To this end, we employed two complementary methodological approaches. The first was a systematic literature review (registered in PROSPERO under CRD42024526369), which sought to synthesize and analyze the expectations and experiences of women experiencing violence in PHC contexts worldwide, as well as the potential for transformative change in their health status and violence situations following care at this primary health care level. Following the PRISMA model, 36 articles from different databases were analyzed. Given the high methodological heterogeneity of the studies, we opted for a mixed-methods synthesis approach, enabling an integrated and comprehensive thematic analysis of the available evidence. The second approach consisted of a qualitative longitudinal study conducted in the city of São Paulo, which tracked in real-time the trajectories of four women identified in PHC services after the implementation of the HERA intervention (Healthcare Responding to Violence and Abuse) a set of strategies to strengthen care for violence cases. Participants were intentionally selected and followed through 15 semi-structured interviews conducted over a period of 6 to 18 months. Using a hermeneutic-dialectical analysis, we reconstructed their individual trajectories, identifying changes in their perception of the problem, their use of services, and aspects of their daily lives. We then conducted a cross-case analysis of the dataset, examining their similarities and differences in relation to the main analytical categories based on our theoretical framework of gender, subjectivity, agency, and comprehensiveness care. The results from the systematic review revealed that women\'s perceptions of their care experiences in PHC are intertwined with their expectations, which incorporate elements of comprehensive care, sensitive to their specificities, and contextualized possibilities for addressing violence. When violence is recognized as a legitimate focus of care, PHC practices demonstrate transformative potential, capable of improving symptoms, expanding access to intersectoral actions, increasing feelings of safety, and, in some cases, contributing to the reduction of violence. The hermeneutic-dialectical analysis enabled an understanding of the women\'s subjective trajectories over time and their relationship with PHC, revealing non-linear processes of rebuilding their daily lives. Their possibilities for agency and resistance operate at the intersection of subjective experiences and broader social contexts of social and gender inequality. Despite this potential for transformative action, structural obstacles inherent to the organization of services limit the implementation of truly comprehensive PHC. In summary, IPV care in PHC reveals a contested political arena, straining the technical, social, and political dimensions of the health work process.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPOliveira, Ana Flavia Pires Lucas DPereira, Stephanie2025-10-30info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5137/tde-18032026-143602/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2026-03-18T20:26:02Zoai:teses.usp.br:tde-18032026-143602Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212026-03-18T20:26:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false |
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