A mudança no perfil dos ingressantes na USP e na UNICAMP: a influência das políticas de ação afirmativa (2010 a 2022)

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Camargo, Guilherme Silva Lamana
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
USP
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/48/48139/tde-18112025-151034/
Resumo: A educação superior no Brasil foi marcada pela entrada predominante das elites, resultando em grupos historicamente excluídos para seu acesso. A partir dos anos 2000, políticas de ação afirmativa foram implementadas como estratégias para promover equidade nas instituições públicas de educação superior. A promulgação da Lei Federal nº 12.711/2012, a Lei de Cotas, constituiu um marco ao reservar vagas em instituições federais para estudantes oriundos de escolas públicas, com critérios adicionais de renda, recortes étnico-raciais e pessoas com deficiência. No contexto estadual, especialmente em São Paulo, as universidades públicas estaduais inicialmente resistiram à adoção de reserva de vagas. A Universidade de São Paulo (USP) somente passou a adotar, a partir do vestibular de 2018, uma política de reserva de vagas com ampliação gradual e a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), por sua vez, estabeleceu, a partir de 2019, uma política híbrida, que combinava bonificação na nota do vestibular com reserva de vagas. O presente estudo tem como objetivo analisar a mudança do perfil dos ingressantes da USP e da Unicamp entre 2010 e 2022, considerando a implementação das políticas de ação afirmativa. A investigação concentra-se tanto no panorama geral das universidades quanto nos cursos de Medicina, Direito e Engenharia, com o intuito de avaliar se essas políticas resultaram em um processo de democratização do acesso e, em caso afirmativo, a qual tipo. Utilizando a metodologia de estudo de casos múltiplos, com base em dados públicos e outros, obtidos via Lei de Acesso à Informação, a pesquisa analisou variáveis como escolaridade no ensino médio e ensino fundamental, raça/cor e renda familiar dos ingressantes. Na USP, os resultados indicam um expressivo avanço na democratização do acesso: a proporção de ingressantes oriundos de escolas públicas aumentou de 26% em 2010 para 50% em 2022, enquanto a de ingressantes pretos, pardos e indígenas (PPI) passou de 12% para 26% no mesmo período. Ao analisar o recorte específico dos ingressantes em Direito, Engenharia e Medicina, as mesmas categorias, de oriundos de escolas públicas e PPI, saem de 16% e 7%, em 2010, para 19% e 25% em 2022, respectivamente. Assim, nestes cursos mais concorridos as reservas de vagas resultaram em maiores crescimentos percentuais e distribuição semelhante diante os diferentes cursos. Na Unicamp, a política resultou em aumento dos ingressantes PPI (de 12% para 27%), mas o crescimento dos ingressantes de escolas públicas no ensino médio foi modesto, com tendência de estagnação, de 25% em 2010 para 39% em 2022. Ao analisar os ingressantes em Medicina se verificou diferença dos efeitos destas políticas ao longo do período. Os ingressantes oriundos de escolas públicas, os quais compunham a política de bonificação na nota, eram 11% em 2010 e em 2022 representaram 23%, abaixo do cenário geral da universidade. Porém, para os ingressantes PPI em Medicina as representações percentuais saem de 8% em 2010 para 37% em 2022. As políticas de ação afirmativa, em especial a reserva de vagas, contribuíram significativamente para a ampliação da diversidade e para o processo de democratização do acesso a estas instituições.
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No contexto estadual, especialmente em São Paulo, as universidades públicas estaduais inicialmente resistiram à adoção de reserva de vagas. A Universidade de São Paulo (USP) somente passou a adotar, a partir do vestibular de 2018, uma política de reserva de vagas com ampliação gradual e a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), por sua vez, estabeleceu, a partir de 2019, uma política híbrida, que combinava bonificação na nota do vestibular com reserva de vagas. O presente estudo tem como objetivo analisar a mudança do perfil dos ingressantes da USP e da Unicamp entre 2010 e 2022, considerando a implementação das políticas de ação afirmativa. A investigação concentra-se tanto no panorama geral das universidades quanto nos cursos de Medicina, Direito e Engenharia, com o intuito de avaliar se essas políticas resultaram em um processo de democratização do acesso e, em caso afirmativo, a qual tipo. Utilizando a metodologia de estudo de casos múltiplos, com base em dados públicos e outros, obtidos via Lei de Acesso à Informação, a pesquisa analisou variáveis como escolaridade no ensino médio e ensino fundamental, raça/cor e renda familiar dos ingressantes. Na USP, os resultados indicam um expressivo avanço na democratização do acesso: a proporção de ingressantes oriundos de escolas públicas aumentou de 26% em 2010 para 50% em 2022, enquanto a de ingressantes pretos, pardos e indígenas (PPI) passou de 12% para 26% no mesmo período. Ao analisar o recorte específico dos ingressantes em Direito, Engenharia e Medicina, as mesmas categorias, de oriundos de escolas públicas e PPI, saem de 16% e 7%, em 2010, para 19% e 25% em 2022, respectivamente. Assim, nestes cursos mais concorridos as reservas de vagas resultaram em maiores crescimentos percentuais e distribuição semelhante diante os diferentes cursos. Na Unicamp, a política resultou em aumento dos ingressantes PPI (de 12% para 27%), mas o crescimento dos ingressantes de escolas públicas no ensino médio foi modesto, com tendência de estagnação, de 25% em 2010 para 39% em 2022. Ao analisar os ingressantes em Medicina se verificou diferença dos efeitos destas políticas ao longo do período. Os ingressantes oriundos de escolas públicas, os quais compunham a política de bonificação na nota, eram 11% em 2010 e em 2022 representaram 23%, abaixo do cenário geral da universidade. Porém, para os ingressantes PPI em Medicina as representações percentuais saem de 8% em 2010 para 37% em 2022. As políticas de ação afirmativa, em especial a reserva de vagas, contribuíram significativamente para a ampliação da diversidade e para o processo de democratização do acesso a estas instituições.Higher education in Brazil has historically been characterized by restricted access for the elite, resulting in significant exclusion of various social groups. Since the 2000s, affirmative action policies have been implemented as key strategies to promote equity in public higher education institutions. The enactment of Federal Law No. 12,711/2012, known as the Quota Law, marked a turning point by reserving 50% of seats in federal institutions for students from public schools, with additional criteria based on income, race/ethnicity, and disability status. At the state level, particularly in São Paulo, public universities initially resisted the adoption of quota-based policies. The University of São Paulo (USP) began implementing a quota policy with gradual expansion starting in the 2018 admissions cycle. The University of Campinas (Unicamp), in turn, adopted a hybrid policy in 2019 that combined bonus points on the entrance exam with seat reservations. This study aims to analyze the changing profile of incoming students at USP and Unicamp between 2010 and 2022, in light of the implementation of affirmative action policies. The analysis focuses both on the universities as a whole and on the specific programs of Medicine, Law, and Engineering, in order to assess whether these policies have led to a democratization of access, and if so, what the nature of that process has been. Using a multiple case study methodology and based on non-public data obtained through the Freedom of Information Act, the research examined variables such as high school and elementary education background, race, and household income of incoming students. At USP, the results indicate significant progress in democratizing access: the proportion of students from public schools increased from 26% in 2010 to 50% in 2022, while the share of Black, Brown, and Indigenous (PPI) students rose from 12% to 26% over the same period. When analyzing the specific group of students entering Law, Engineering, and Medicine programs, the same categoriesstudents from public schools and those who identify as Black, Brown, or Indigenous (PPI)increased from 16% and 7% in 2010 to 19% and 25% in 2022, respectively. Thus, in these highly competitive programs, the implementation of reserved quotas resulted in higher percentage growth and a similar distribution across the different courses. At Unicamp, the hybrid policy led to an increase in PPI students (from 12% to 27%), but the growth in the proportion of students from public high schools was more modest and showed signs of stagnation (from 25% in 2010 to 39% in 2022). When analyzing the incoming students in Medicine, differences in the effects of these policies were observed over time. Students from public schools, who were included in the score bonus policy, accounted for 11% in 2010 and 23% in 2022, remaining below the universitys overall average. However, for Medicine students who identify as Black, Brown, or Indigenous (PPI), the percentages increased from 8% in 2010 to 37% in 2022. Affirmative action policiesparticularly seat reservation measureshave significantly contributed to greater diversity and to the democratization of access to these institutions.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPBarreyro, Gladys BeatrizCamargo, Guilherme Silva Lamana2025-09-12info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/48/48139/tde-18112025-151034/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2026-02-16T09:03:02Zoai:teses.usp.br:tde-18112025-151034Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212026-02-16T09:03:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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