O papel da sinalização adenosinérgica nos efeitos do tipo antidepressivo do canabidiol e potenciais mecanismos moleculares envolvidos
| Ano de defesa: | 2025 |
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| Tipo de documento: | Dissertação |
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Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
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| Palavras-chave em Português: | |
| Link de acesso: | https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/17/17133/tde-14072025-103735/ |
Resumo: | O Transtorno Depressivo Maior (TDM) é uma condição psiquiátrica prevalente e incapacitante, associada a um grande impacto na saúde global e na economia. Apesar da eficácia dos tratamentos farmacológicos disponíveis, mais de um terço dos pacientes diagnosticados não alcança remissão sustentada dos sintomas, além de apresentarem efeitos colaterais significativos. Diante disso, cresce o interesse por novos alvos terapêuticos. Nesse sentido, o Canabidiol (CBD), principal constituinte não psicotomimético da planta Cannabis sativa, demonstra potencial antidepressivo em modelos animais. Embora diversos alvos moleculares já tenham sido identificados, os mecanismos envolvidos nesses efeitos ainda não foram completamente elucidados. Resultados in vivo e in vitro demonstram que o CBD modula alostericamente receptores adenosinérgicos e inibe o transportador de adenosina ENT-1. O sistema adenosinérgico está implicado na fisiopatologia de transtornos psiquiátricos e representa um potencial alvo terapêutico para o desenvolvimento de novos fármacos. Portanto, o objetivo deste trabalho foi investigar a participação desse sistema no efeito do tipo antidepressivo do CBD, bem como os potenciais mecanismos moleculares associados. Para isso, camundongos machos C57BL/6 com 8 semanas foram submetidos aos testes de campo aberto e nado forçado. O tratamento agudo com CBD (30 mg/kg) promoveu efeito do tipo antidepressivo no teste do nado forçado. No entanto, o pré-tratamento com o antagonista seletivo de receptores A2A, SCH-58261 (1,0 mg/kg), bloqueou esse efeito, enquanto o antagonista A1, CPT (10 mg/kg), não exerceu influência. De maneira similar, o pré-tratamento com o SCH-58261 (1,0 mg/kg) também impediu o efeito do tipo antidepressivo do fármaco inibidor de ENT-1, dipiridamol (10 mg/kg). Em estudos moleculares, células HEK293T transfectadas foram submetidas ao ensaio de NanoBiT e ao imageamento por microscopia confocal. No ensaio de NanoBiT, o CBD (500nM), na presença de CB1R e A1R, potencializou o efeito do agonista CGS (500nM) na ativação do receptor A2A. Ainda, o CBD (500nM e 1µM) reduziu o número de heterômeros A2AR-A1R, A2AR-CB1R e A2AR-D2R de forma variável, dependendo da duração da incubação. Em ensaios de microscopia confocal com o biossensor de adenosina GRABAdo1.3, o CBD (1µM) modulou os níveis extracelulares de adenosina de forma semelhante aos inibidores de ENT-1. Esses resultados sugerem que a ativação do receptor A2A está envolvida no efeito tipo antidepressivo do CBD. Além disso, o CBD interage com o sistema adenosinérgico, modulando a sinalização da adenosina. |
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O papel da sinalização adenosinérgica nos efeitos do tipo antidepressivo do canabidiol e potenciais mecanismos moleculares envolvidosThe role of adenosinergic signaling in the antidepressant-like effects of cannabidiol and potential molecular mechanisms involvedA2AA2AAdenosinaAdenosineAdenosinergic systemCanabidiolCannabidiolENT-1ENT-1Major depressive disorderSistema adenosinérgicoTranstorno depressivo maiorO Transtorno Depressivo Maior (TDM) é uma condição psiquiátrica prevalente e incapacitante, associada a um grande impacto na saúde global e na economia. Apesar da eficácia dos tratamentos farmacológicos disponíveis, mais de um terço dos pacientes diagnosticados não alcança remissão sustentada dos sintomas, além de apresentarem efeitos colaterais significativos. Diante disso, cresce o interesse por novos alvos terapêuticos. Nesse sentido, o Canabidiol (CBD), principal constituinte não psicotomimético da planta Cannabis sativa, demonstra potencial antidepressivo em modelos animais. Embora diversos alvos moleculares já tenham sido identificados, os mecanismos envolvidos nesses efeitos ainda não foram completamente elucidados. Resultados in vivo e in vitro demonstram que o CBD modula alostericamente receptores adenosinérgicos e inibe o transportador de adenosina ENT-1. O sistema adenosinérgico está implicado na fisiopatologia de transtornos psiquiátricos e representa um potencial alvo terapêutico para o desenvolvimento de novos fármacos. Portanto, o objetivo deste trabalho foi investigar a participação desse sistema no efeito do tipo antidepressivo do CBD, bem como os potenciais mecanismos moleculares associados. Para isso, camundongos machos C57BL/6 com 8 semanas foram submetidos aos testes de campo aberto e nado forçado. O tratamento agudo com CBD (30 mg/kg) promoveu efeito do tipo antidepressivo no teste do nado forçado. No entanto, o pré-tratamento com o antagonista seletivo de receptores A2A, SCH-58261 (1,0 mg/kg), bloqueou esse efeito, enquanto o antagonista A1, CPT (10 mg/kg), não exerceu influência. De maneira similar, o pré-tratamento com o SCH-58261 (1,0 mg/kg) também impediu o efeito do tipo antidepressivo do fármaco inibidor de ENT-1, dipiridamol (10 mg/kg). Em estudos moleculares, células HEK293T transfectadas foram submetidas ao ensaio de NanoBiT e ao imageamento por microscopia confocal. No ensaio de NanoBiT, o CBD (500nM), na presença de CB1R e A1R, potencializou o efeito do agonista CGS (500nM) na ativação do receptor A2A. Ainda, o CBD (500nM e 1µM) reduziu o número de heterômeros A2AR-A1R, A2AR-CB1R e A2AR-D2R de forma variável, dependendo da duração da incubação. Em ensaios de microscopia confocal com o biossensor de adenosina GRABAdo1.3, o CBD (1µM) modulou os níveis extracelulares de adenosina de forma semelhante aos inibidores de ENT-1. Esses resultados sugerem que a ativação do receptor A2A está envolvida no efeito tipo antidepressivo do CBD. Além disso, o CBD interage com o sistema adenosinérgico, modulando a sinalização da adenosina.Major Depressive Disorder (MDD) is a prevalent and disabling psychiatric condition, associated with significant global health and economic impact. Despite the effectiveness of available pharmacological treatments, more than one-third of diagnosed patients do not achieve sustained symptom remission and experience significant side effects. This has led to increasing interest in new therapeutic targets. In this context, Cannabidiol (CBD), the main non-psychotomimetic constituent of the Cannabis sativa plant, shows antidepressant potential in animal models. Although several molecular targets have been identified, the mechanisms underlying these effects are not fully elucidated. In vivo and in vitro results demonstrate that CBD allosterically modulates adenosinergic receptors and inhibits the adenosine transporter ENT-1. The adenosinergic system is implicated in the pathophysiology of psychiatric disorders and represents a potential therapeutic target for the development of new drugs. Therefore, the aim of this study was to investigate the involvement of this system in the antidepressant-like effect of CBD, as well as the potential molecular mechanisms associated with it. Male C57BL/6 mice at 8 weeks of age were exposed to the open field and forced swim tests. Acute treatment with CBD (30 mg/kg) promoted an antidepressant-like effect in the forced swim test. However, pre-treatment with the selective A2A receptor antagonist SCH-58261 (1.0 mg/kg) blocked this effect, while the A1 antagonist CPT (10 mg/kg) had no influence. Similarly, pre-treatment with SCH-58261 (1.0 mg/kg) also prevented the antidepressant-like effect of the ENT-1 inhibitor drug, dipyridamole (10 mg/kg). In molecular studies, transfected HEK293T cells underwent the NanoBiT assay and confocal microscopy imaging. In the NanoBiT assay, CBD (500nM), in the presence of CB1R and A1R, potentiated the effect of the CGS agonist (500nM) on A2A receptor activation. Furthermore, CBD (500nM and 1µM) reduced the number of A2AR-A1R, A2AR-CB1R, and A2AR-D2R heteromers in a variable manner, depending on the incubation time. In confocal microscopy assays with the adenosine biosensor GRABAdo1.3, CBD (1µM) modulated extracellular adenosine levels similarly to ENT-1 inhibitors. These results suggest that A2A receptor activation is involved in the antidepressant-like effect of CBD in the forced swim test. Moreover, CBD interacts with the adenosinergic system, modulating adenosine signaling.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPGuimarães, Francisco SilveiraSilveira, João Raphael Campos Alves da2025-04-25info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/17/17133/tde-14072025-103735/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-08-08T16:43:02Zoai:teses.usp.br:tde-14072025-103735Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-08-08T16:43:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false |
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O Transtorno Depressivo Maior (TDM) é uma condição psiquiátrica prevalente e incapacitante, associada a um grande impacto na saúde global e na economia. Apesar da eficácia dos tratamentos farmacológicos disponíveis, mais de um terço dos pacientes diagnosticados não alcança remissão sustentada dos sintomas, além de apresentarem efeitos colaterais significativos. Diante disso, cresce o interesse por novos alvos terapêuticos. Nesse sentido, o Canabidiol (CBD), principal constituinte não psicotomimético da planta Cannabis sativa, demonstra potencial antidepressivo em modelos animais. Embora diversos alvos moleculares já tenham sido identificados, os mecanismos envolvidos nesses efeitos ainda não foram completamente elucidados. Resultados in vivo e in vitro demonstram que o CBD modula alostericamente receptores adenosinérgicos e inibe o transportador de adenosina ENT-1. O sistema adenosinérgico está implicado na fisiopatologia de transtornos psiquiátricos e representa um potencial alvo terapêutico para o desenvolvimento de novos fármacos. Portanto, o objetivo deste trabalho foi investigar a participação desse sistema no efeito do tipo antidepressivo do CBD, bem como os potenciais mecanismos moleculares associados. Para isso, camundongos machos C57BL/6 com 8 semanas foram submetidos aos testes de campo aberto e nado forçado. O tratamento agudo com CBD (30 mg/kg) promoveu efeito do tipo antidepressivo no teste do nado forçado. No entanto, o pré-tratamento com o antagonista seletivo de receptores A2A, SCH-58261 (1,0 mg/kg), bloqueou esse efeito, enquanto o antagonista A1, CPT (10 mg/kg), não exerceu influência. De maneira similar, o pré-tratamento com o SCH-58261 (1,0 mg/kg) também impediu o efeito do tipo antidepressivo do fármaco inibidor de ENT-1, dipiridamol (10 mg/kg). Em estudos moleculares, células HEK293T transfectadas foram submetidas ao ensaio de NanoBiT e ao imageamento por microscopia confocal. No ensaio de NanoBiT, o CBD (500nM), na presença de CB1R e A1R, potencializou o efeito do agonista CGS (500nM) na ativação do receptor A2A. Ainda, o CBD (500nM e 1µM) reduziu o número de heterômeros A2AR-A1R, A2AR-CB1R e A2AR-D2R de forma variável, dependendo da duração da incubação. Em ensaios de microscopia confocal com o biossensor de adenosina GRABAdo1.3, o CBD (1µM) modulou os níveis extracelulares de adenosina de forma semelhante aos inibidores de ENT-1. Esses resultados sugerem que a ativação do receptor A2A está envolvida no efeito tipo antidepressivo do CBD. Além disso, o CBD interage com o sistema adenosinérgico, modulando a sinalização da adenosina. |
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