Cotidiano de cuidados à pessoa com depressão na pós-modernidade: uma cartografia

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2009
Autor(a) principal: Gonçales, Cintia Adriana Vieira
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/7/7136/tde-11012010-123208/
Resumo: O ser humano vive uma época de transição nominada por alguns autores de pós-modernidade, com vários paradigmas convivendo concomitantemente. Neste panorama mundial, o campo da saúde mental vem passando por transformações e com ele o processo de trabalho em seu cotidiano também. O objetivo desta tese foi descrever e analisar o cotidiano de cuidados à pessoa com depressão. O cuidado dentro de seu aspecto molar, o instituído, está presente representado pelas políticas públicas. Mas e o cuidado como força instituinte tem se manifestado ou não? É uma pesquisa cartográfica que buscou com os trabalhadores de um CAPS do município de São José dos Campos mapear o cotidiano de cuidados de uma pessoa com depressão, incluindo o estudo de seu caso, análise documental, observação participante e entrevistas com o usuário, com os membros da equipe de saúde mental e com as demais pessoas que participaram ativamente de seu cotidiano. Como ferramenta de coleta e análise de dados, utilizou-se o fluxograma analisador do modelo de atenção de um serviço de saúde descrito por Merhy. A análise teve como norte a produção da autoanálise e da autogestão, os trabalhadores produzindo análises a respeito de seu trabalho, gerindo seus próprios processos e construindo suas respostas. Na perspectiva do cotidiano de cuidados, foram construídos três territórios de análise: o fazer, o pensar o fazer e as capturas. No território do fazer, são apresentadas as ações dos trabalhadores, desde o primeiro dia do usuário no CAPS, incluindo a construção do primeiro projeto terapêutico, as alterações que foram realizadas e seu porquê. O território do pensar o fazer apresenta os momentos em que os trabalhadores discutem os casos (reuniões formais e informais). São momentos em que fazem uma reflexão sobre seu trabalho, suas técnicas, suas metodologias, suas personalidades, suas dificuldades e facilidades, o que deu certo e o que não deu e como poderão entrar em ressonância com o usuário. São momentos tensos, mas também descontraídos. Nestes momentos, o usuário está ausente, a equipe inteira pode estar reunida ou apenas duas pessoas conversando. No último território, são trabalhados os momentos de captura do instituinte pelo instituído, do trabalho vivo em ato pelo trabalho morto, as desterritorializações, mas também as reterritorializações e as linhas de fuga. O método foi assertivo e cuidadoso por acompanhar a equipe por um semestre, fornecendo um resultado mais abrangente, evitando interpretações rápidas e consequentes rotulações. Os trabalhadores usaram o fluxograma com coragem, percorreram todo o processo, desde o início, pensando, analisando, tendo insights. Perceberam como é importante o parar e o pensar sobre o fazer. O cotidiano de cuidados prestado pela equipe de saúde mental deste CAPS mostrou-se direcionado às necessidades e singularidades do usuário. O projeto terapêutico singularizado foi sendo construído aos poucos, adequando-se à sua história de vida, seu contexto familiar, seus pontos fortes, suas dificuldades e limitações. Não ficou totalmente capturado por questões instituídas
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É uma pesquisa cartográfica que buscou com os trabalhadores de um CAPS do município de São José dos Campos mapear o cotidiano de cuidados de uma pessoa com depressão, incluindo o estudo de seu caso, análise documental, observação participante e entrevistas com o usuário, com os membros da equipe de saúde mental e com as demais pessoas que participaram ativamente de seu cotidiano. Como ferramenta de coleta e análise de dados, utilizou-se o fluxograma analisador do modelo de atenção de um serviço de saúde descrito por Merhy. A análise teve como norte a produção da autoanálise e da autogestão, os trabalhadores produzindo análises a respeito de seu trabalho, gerindo seus próprios processos e construindo suas respostas. Na perspectiva do cotidiano de cuidados, foram construídos três territórios de análise: o fazer, o pensar o fazer e as capturas. No território do fazer, são apresentadas as ações dos trabalhadores, desde o primeiro dia do usuário no CAPS, incluindo a construção do primeiro projeto terapêutico, as alterações que foram realizadas e seu porquê. O território do pensar o fazer apresenta os momentos em que os trabalhadores discutem os casos (reuniões formais e informais). São momentos em que fazem uma reflexão sobre seu trabalho, suas técnicas, suas metodologias, suas personalidades, suas dificuldades e facilidades, o que deu certo e o que não deu e como poderão entrar em ressonância com o usuário. São momentos tensos, mas também descontraídos. Nestes momentos, o usuário está ausente, a equipe inteira pode estar reunida ou apenas duas pessoas conversando. No último território, são trabalhados os momentos de captura do instituinte pelo instituído, do trabalho vivo em ato pelo trabalho morto, as desterritorializações, mas também as reterritorializações e as linhas de fuga. O método foi assertivo e cuidadoso por acompanhar a equipe por um semestre, fornecendo um resultado mais abrangente, evitando interpretações rápidas e consequentes rotulações. Os trabalhadores usaram o fluxograma com coragem, percorreram todo o processo, desde o início, pensando, analisando, tendo insights. Perceberam como é importante o parar e o pensar sobre o fazer. O cotidiano de cuidados prestado pela equipe de saúde mental deste CAPS mostrou-se direcionado às necessidades e singularidades do usuário. O projeto terapêutico singularizado foi sendo construído aos poucos, adequando-se à sua história de vida, seu contexto familiar, seus pontos fortes, suas dificuldades e limitações. Não ficou totalmente capturado por questões instituídasThe human being is living a transition period called by some authors postmodernity, in which several paradigms coexist concomitantly. In this world scenario, the mental health field has been undergoing changes, which in turn have brought about changes to work routine process as well. This dissertation aimed at describing and analyzing the routine care provided to the individual suffering from depression. Care within its molar aspect, that is, the institutionalized individual, is represented by the public policies. But has care as an instituting force been manifest or not? This is a cartographic research work, carried out with workers from a CAPS (Center of Psychosocial Attention) from São José dos Campos County. It attempted to map the routine care provided to an individual suffering from depression, including his/her case study, document analysis, observant participation and interviews with the users, the mental health care team and all the other individuals who took an active role in his/her care. For data collection, the analytic flowchart of the attention model of a health service described by Merhy was used. Analysis aimed at producing self-analysis and self-management in other words, the workers producing analyses about their work and managing their own processes and building their answers. In the routine care perspective three analysis territories were built: doing, thinking about doing and captures. In the doing territory, the workers actions are presented since the users first day at CAPS, including the construction of the first therapeutic project, changes made and the reasons for that. The thinking about doing territory presents the moments when the workers discuss cases (formal and informal meetings). This is the time when they critically reflect on their work, their techniques, their methodologies, their personalities, their difficulties and facilities, what worked out and what did not and how they can resonate with the user. These are tense but at the same time relaxed moments. In such moments, the user is absent and the whole team or just two members may be talking. In the last territory, the moment the institutionalized is captured by the instituting is approached. It also encompasses the live work in the act for defunct work, deterritorializations, but reterritorializations and escape lines as well. The method was assertive and careful as the team was followed for a semester, thus providing a more comprehensive outcome and avoiding quick interpretations and consequent labeling. Workers used the flowchart courageously, going through the whole process since the beginning, thinking, analyzing and having insights. They realized how important it is to stop to think about doing. The routine care provided by the mental health team from this CAPS was guided by the users needs and singularities. The customized therapeutic project was gradually built, adapting itself to the individuals life history, his/her family context, his/her fortes, his/her difficulties and limitations. It was not captured by instituted questionsBiblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPMachado, Ana LúciaGonçales, Cintia Adriana Vieira2009-12-02info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttp://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/7/7136/tde-11012010-123208/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2016-07-28T16:10:01Zoai:teses.usp.br:tde-11012010-123208Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212016-07-28T16:10:01Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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