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Jovens em conflito com a lei: a violência na vida cotidiana.

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2002
Autor(a) principal: Pereira, Fernanda Renata Paziani
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/59/59137/tde-10032003-171030/
Resumo: A violência urbana faz parte do cotidiano de nossa sociedade e vem incidindo especialmente sobre os adolescentes que praticam atos infracionais. A necessidade de conhecer as multiplas visões de algo tão complexo, que muitas vezes é reduzido a explicações causais, motivou a realização deste estudo, que teve por objetivos investigar os significados relativos: à violência na vida cotidiana; aos riscos que julgam correr em suas vidas, e às perspectivas para o futuro. Participaram deste estudo 45 adolescentes do sexo masculino, com idade entre 15 e 18 anos, internos na FEBEM-RP. Os dados foram coletados através de entrevistas individuais, “Oficinas sobre Risco" e notas de diário de campo. A abordagem adotada foi qualitativa, com enfoque interpretativista que privilegia os pontos de vista dos participantes. A análise dos dados mostra que os participantes começaram a praticar atos infracionais pela condição sócio-econômica; por influência dos amigos; pela violência doméstica, e por aliciamento feito pela família. A violência é concebida por eles como uma maneira de agir quando os meios legais não oferecem mais garantias de sobrevivência e de respeito à condição humana. Ao mesmo tempo em que os adolescentes praticam violência, também são vítimas dela. O maior risco que os participantes consideram correr é o de serem mortos pelos adolescentes rivais e pela polícia. Em relação ao risco de morrer em confrontos com adolescentes rivais, nossa análise mostra que as brigas acontecem entre moradores de bairros que já possuem rivalidades entre si. Os atritos são formados por sentimentos de pertencer a um grupo e ter que por essa razão opor-se a outros grupos. As brigas iniciadas nas ruas podem se estender para a FEBEM quando dois adolescentes ou grupos rivais se encontram durante a internação. Os adolescentes resolvem suas rivalidades perseguindo e trocando tiros com seus inimigos e consideram remota a possibilidade de uma convivência pacífica. O risco de morrer durante a perseguição policial parece ser grande, principalmente quando ela é feita à noite, na ausência de testemunhas. Para prender os adolescentes suspeitos de terem praticado atos infracionais, a polícia parece recorrer a meios legais e ilegais, chegando a perseguir mesmo quem é inocente. Diante do risco de morrer e da possibilidade de um dia irem para a cadeia, os participantes relataram que pretendiam não voltar a infracionar depois que fossem desinternados. Apesar das incertezas em relação ao futuro, eles apontaram o RAP, a mudança de cidade e o trabalho como possíveis caminhos que poderiam ajudá-los a abandonar o crime. Ao conhecermos os motivos que levaram os jovens a praticarem atos infracionais; como são formados os grupos antagônicos entre si e seus modos de funcionamento; como acontece a perseguição policial; e as perspectivas para o futuro desses jovens, poderemos propor ações mais eficazes para a prevenção da violência e para a reinserção social desses jovens.
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A abordagem adotada foi qualitativa, com enfoque interpretativista que privilegia os pontos de vista dos participantes. A análise dos dados mostra que os participantes começaram a praticar atos infracionais pela condição sócio-econômica; por influência dos amigos; pela violência doméstica, e por aliciamento feito pela família. A violência é concebida por eles como uma maneira de agir quando os meios legais não oferecem mais garantias de sobrevivência e de respeito à condição humana. Ao mesmo tempo em que os adolescentes praticam violência, também são vítimas dela. O maior risco que os participantes consideram correr é o de serem mortos pelos adolescentes rivais e pela polícia. Em relação ao risco de morrer em confrontos com adolescentes rivais, nossa análise mostra que as brigas acontecem entre moradores de bairros que já possuem rivalidades entre si. Os atritos são formados por sentimentos de pertencer a um grupo e ter que por essa razão opor-se a outros grupos. As brigas iniciadas nas ruas podem se estender para a FEBEM quando dois adolescentes ou grupos rivais se encontram durante a internação. Os adolescentes resolvem suas rivalidades perseguindo e trocando tiros com seus inimigos e consideram remota a possibilidade de uma convivência pacífica. O risco de morrer durante a perseguição policial parece ser grande, principalmente quando ela é feita à noite, na ausência de testemunhas. Para prender os adolescentes suspeitos de terem praticado atos infracionais, a polícia parece recorrer a meios legais e ilegais, chegando a perseguir mesmo quem é inocente. Diante do risco de morrer e da possibilidade de um dia irem para a cadeia, os participantes relataram que pretendiam não voltar a infracionar depois que fossem desinternados. Apesar das incertezas em relação ao futuro, eles apontaram o RAP, a mudança de cidade e o trabalho como possíveis caminhos que poderiam ajudá-los a abandonar o crime. Ao conhecermos os motivos que levaram os jovens a praticarem atos infracionais; como são formados os grupos antagônicos entre si e seus modos de funcionamento; como acontece a perseguição policial; e as perspectivas para o futuro desses jovens, poderemos propor ações mais eficazes para a prevenção da violência e para a reinserção social desses jovens.The urban violence is part of the quotidian of our society and has occurring specially with the teenagers that practice crimes. The necessity to know the multiples visions of something so complex, that a lot of times is reduced to causative explications, motivated the realization of this research, that had for objectives the investigation of: a) the reasons to practice crimes; b) the conceptions about violence and the perceptions of the "risks" related of her, and c) the perspectives for the future. Participated in this research 45 teenagers of the male sex, with ages between 15 e 18 years, interned at FEBEM-RP. The basis were collected through individuals interview, “Workshop about Risk" and notes of diary of field. The approach used was qualitative, with interpretative focus that favour the viewpoints of the participants. The analysis of the basis show that the participants started to practice crimes for the social and economical condition; for the influence of friends; for the domestic violence, and for the allurement done by family. The violence is understood by them as a way of act when the lawful ways do not offer guaranties of survival and of respect to being condition. In the same time that the teenagers practice violence, they are her victims too. The major risk that the participants consider to run is of to be killed by the rivals teenagers and by the police. With regard to the risk to die in confrontation with rivals teenagers, our analyses show that the strife happened between the residents of blocks that have previous rivalry. The quarrels are formed for feelings of pertain to one group and have for these reason to oppose for another. The fight initiated on the streets can to be extended for the FEBEM when two rivals teenagers or groups to come across during the internment. The teenagers solve their rivalry persecuting and gun fighting with their enemies and consider remote the possibility of a pacific acquaintance. The risk to die during a police persecution seems to be big, mainly when it is done at night, without witness. In order to catch the teenagers suspects of have practiced the crime, the police seems to use the legal and illegal ways, could also persecute who is innocent. In front of the risk of die and of the possibility of one day go to the prison, the participants related that intended do not practice crimes again after they were free. Despite of the uncertainness in relation for the future, they show the RAP, the living in another city and the work as possible ways that could help them to abandon the crime. For knowing the reasons that motivated the young people to practice crimes; how are formed the antagonistic groups and their way if working; how happen the police persecution; and the perspectives for the future of that teenagers, we will be able to suggest actions more efficacious for the prevention of violence and for the social reinsertion of that young people.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPSilva, Rosalina Carvalho daPereira, Fernanda Renata Paziani2002-09-26info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfhttp://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/59/59137/tde-10032003-171030/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2019-04-16T20:48:23Zoai:teses.usp.br:tde-10032003-171030Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212019-04-16T20:48:23Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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