Expressão e caracterização da trealase neutra recombinante de Neurospora crassa
| Ano de defesa: | 2003 |
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| Tipo de documento: | Tese |
| Tipo de acesso: | Acesso aberto |
| Idioma: | por |
| Instituição de defesa: |
Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
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| Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
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| Departamento: |
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| País: |
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| Palavras-chave em Português: | |
| Link de acesso: | https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/17/17131/tde-17122024-131225/ |
Resumo: | A porção codificadora do gene da trealase neutra de Neurospora crassa (Genbank AF 044218) foi clonada no vetor de expressão pET21b em uma fusão carboxiterminal com uma seqüência que codifica para seis resíduos de histidina (cauda de histidina ou His tag). A construção resultante pET21b-NcTreB foi utilizada para transformação de Escherichia coli BL21(DE3) para obtenção da proteína recombinante pela indução das culturas com IPTG (isopropil β-D-galactopiranosídeo) 1mM a 25ºC. Após 3 horas, observamos significativo acúmulo de um polipeptídeo de ~84kDa, tamanho esperado para a trealase neutra de N. crassa. As bactérias de culturas induzidas com IPTG foram lisadas e os extratos separados em fração solúvel e insolúvel por centrifugação. A proteína recombinante distribui-se em ambas as frações, sendo que a fração solúvel foi utilizada na determinação da atividade. A trealase recombinante exibiu comportamento distinto da trealase endógena de E. coli, sendo estimulada por cálcio 10mM e inibida por EDTA. A proteína recombinante foi também utilizada na imunização de coelhos para obtenção de anticorpos policlonais. Os anticorpos produzidos foram utilizados para análise dos níveis de trealase em extratos de micélio em crescimento de N crassa através de immunoblotting. Observamos que ocorre um acúmulo da proteína na fase exponencial e um decréscimo na fase estacionária, sugerindo que a mobilização da trealose, verificada no início da germinação, se deve a ativação de uma enzima pré-existente. A trealase recombinante purificada através de cromatografia de afinidade em Ni-NTA agarose exibiu atividade específica de 80-140mU/mg de proteína, sendo que a máxima atividade foi obtida em pH 7,0 a 30ºC. A massa molecular da enzima recombinante, determinada por filtração em gel, foi estimada em ~81 kDa. A enzima recombinante é específica para a degradação de trealose. A sua meia-vida, a 40ºC, foi de 2 min e 30 s, sendo que a adição de cálcio ao ensaio protegeu parcialmente a enzima da inativação térmica. A enzima recombinante foi ativada por cálcio e manganês e inibida por ATP, cobre, prata, zinco, alumínio e cobalto. A KM, determinado para a trealose, foi de 42mM e a Vmax foi de 30,6nmol de glicose liberada por minuto. O efeito da fosforilação sobre a atividade da trealase recombinante foi testado por incubação com proteína quinase dependente de AMP cíclico (PKAc). Nas condições de ensaio utilizadas, apenas 0,13% das moléculas foram fosforiladas, resultando em uma ativação de 30%. Os resultados desse trabalho demonstram que a trealase neutra de N. crassa, expressa em E. coli, exibe parâmetros cinéticos e bioquímicos semelhantes às outras trealases neutras descritas em fungos. A análise da expressão da trealase em N. crassa sugere que, provavelmente, a enzima seja regulada por modificação pós-traducional, onde a via do AMP cíclico parece estar envolvida. Nossos resultados, aliados com os dados descritos na literatura, sugerem que a ativação in vivo da trealase neutra de N. crassa é um fenômeno complexo, onde uma provável interação entre a trealase e outros componentes protéicos, bem como a fosforilação por outras quinases, possam ser necessárias para a sua completa ativação. |
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Expressão e caracterização da trealase neutra recombinante de Neurospora crassaExpression and characterization of the recombinant neutral of Neurospora crassaEnzymatic regulationProteína recombinanteRecombinant proteinRegulação enzimáticaTrealoseTrehaloseA porção codificadora do gene da trealase neutra de Neurospora crassa (Genbank AF 044218) foi clonada no vetor de expressão pET21b em uma fusão carboxiterminal com uma seqüência que codifica para seis resíduos de histidina (cauda de histidina ou His tag). A construção resultante pET21b-NcTreB foi utilizada para transformação de Escherichia coli BL21(DE3) para obtenção da proteína recombinante pela indução das culturas com IPTG (isopropil β-D-galactopiranosídeo) 1mM a 25ºC. Após 3 horas, observamos significativo acúmulo de um polipeptídeo de ~84kDa, tamanho esperado para a trealase neutra de N. crassa. As bactérias de culturas induzidas com IPTG foram lisadas e os extratos separados em fração solúvel e insolúvel por centrifugação. A proteína recombinante distribui-se em ambas as frações, sendo que a fração solúvel foi utilizada na determinação da atividade. A trealase recombinante exibiu comportamento distinto da trealase endógena de E. coli, sendo estimulada por cálcio 10mM e inibida por EDTA. A proteína recombinante foi também utilizada na imunização de coelhos para obtenção de anticorpos policlonais. Os anticorpos produzidos foram utilizados para análise dos níveis de trealase em extratos de micélio em crescimento de N crassa através de immunoblotting. Observamos que ocorre um acúmulo da proteína na fase exponencial e um decréscimo na fase estacionária, sugerindo que a mobilização da trealose, verificada no início da germinação, se deve a ativação de uma enzima pré-existente. A trealase recombinante purificada através de cromatografia de afinidade em Ni-NTA agarose exibiu atividade específica de 80-140mU/mg de proteína, sendo que a máxima atividade foi obtida em pH 7,0 a 30ºC. A massa molecular da enzima recombinante, determinada por filtração em gel, foi estimada em ~81 kDa. A enzima recombinante é específica para a degradação de trealose. A sua meia-vida, a 40ºC, foi de 2 min e 30 s, sendo que a adição de cálcio ao ensaio protegeu parcialmente a enzima da inativação térmica. A enzima recombinante foi ativada por cálcio e manganês e inibida por ATP, cobre, prata, zinco, alumínio e cobalto. A KM, determinado para a trealose, foi de 42mM e a Vmax foi de 30,6nmol de glicose liberada por minuto. O efeito da fosforilação sobre a atividade da trealase recombinante foi testado por incubação com proteína quinase dependente de AMP cíclico (PKAc). Nas condições de ensaio utilizadas, apenas 0,13% das moléculas foram fosforiladas, resultando em uma ativação de 30%. Os resultados desse trabalho demonstram que a trealase neutra de N. crassa, expressa em E. coli, exibe parâmetros cinéticos e bioquímicos semelhantes às outras trealases neutras descritas em fungos. A análise da expressão da trealase em N. crassa sugere que, provavelmente, a enzima seja regulada por modificação pós-traducional, onde a via do AMP cíclico parece estar envolvida. Nossos resultados, aliados com os dados descritos na literatura, sugerem que a ativação in vivo da trealase neutra de N. crassa é um fenômeno complexo, onde uma provável interação entre a trealase e outros componentes protéicos, bem como a fosforilação por outras quinases, possam ser necessárias para a sua completa ativação.The coding sequence of the neutral trehalase gene of Neurospora crassa (Genbank AF 044218) was cloned in the expression vector pET21b in fusion with a sequence encoding six histidine residues (histidine tail or His tag) at the carboxy terminus. The construct pET21b-NcTreB was then used to transform Escherichia coli BL21(DE3) and the recombinant protein was obtained upon induction with 1mM IPTG at 25ºC. After three hours, a significative induction a polypeptide of the expected size for the neutral trehalase of N. crassa (~84kDa) was observed. Cells from the induced cultures were submitted to lysis and the resulting extracts divided into soluble and insoluble fractions by centrifugation. The soluble fraction of IPTG (Isopropyl-β-D-thiogalactopyranoside) induced cultures was used for measurements of the activity of the recombinant protein. The recombinant neutral trehalase exhibited a distinct behavior of the endogenous E. coli trehalase, being stimulated by 10mM calcium and inhibited by EDTA. The recombinant protein was also used for immunizing rabbits, in order to obtain polyclonal antibodies. These antibodies were then used in to follow neutral trehalase protein levels along the life cycle of N. crassa by immunoblotting. We observed that neutral trehalase levels increased during exponential growth and dropped at the stationary phase. The results suggested that the mobilization of trehalose observed at the onset of germination was due to a pre-existent enzyme. The recombinant trehalase, purified by affinity chromatography on Ni-NTA agarose, exhibited a specific activity of about 80-140mU/mg protein. Maximum of activity was observed at pH 7.0, and at 30ºC. Molecular mass of the recombinant enzyme, estimated by gel filtration, was approximately 81kDa. The enzyme was absolutely specific for trehalose, and exhibited a half-life of 2.5 min at 40ºC. The presence of calcium partially protected the enzyme from thermal inactivation. The recombinant enzyme was activated by calcium and manganese, and inhibited by ATP, copper, silver, aluminum and cobalt. The observed KM was of 42mM, with a Vmax of 30.6nmol of glucose per min. The effect of phosphorylation on the recombinant trehalase was tested by incubating with recombinant cyclic AMP-dependent kinase (PKA). ln these conditions only 0.13% of the protein molecules were phosphorylated, resulting in about 30% of activation. The results from this study demonstrated that the neutral trehalase from N. crassa, expressed in E. coli, exhibited kinetic and biochemical characteristics typical of other described fungal neutral trehalases. The analysis of the expression of the N. crassa neutral trehalase suggested that the enzyme appears to be regulated by post-translational modification, with the possible involvement of the cAMP signaling pathway. Taken together our results and data from literature suggest that the in vivo activation of the neutral trehalase is a complex phenomenon, which may involve interactions between the enzyme and other proteins. Perhaps a sequential phosphorylation with the participation of other protein kinases may be required for full activation of the enzyme.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPTerenzi, Hector FranciscoAlmeida, Fabiana Maria de2003-04-22info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/17/17131/tde-17122024-131225/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2024-12-17T15:35:02Zoai:teses.usp.br:tde-17122024-131225Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212024-12-17T15:35:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false |
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