Cinética viral do SARS-CoV-2 em pacientes em unidade de terapia intensiva submetidos a procedimentos odontológicos

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Matias, Elói Félix
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5150/tde-25032026-175201/
Resumo: Introdução: O impacto clínico da viremia por SARS-CoV-2 em pacientes com COVID-19 e internados em Unidade de Terapia Intensiva (UTI), carece de melhor compreensão, especialmente frente à realização de procedimentos odontológicos cruentos. Objetivo: Investigar se procedimentos odontológicos cruentos poderia aumentar a carga viral do SARS-CoV-2 em sangue e saliva de pacientes graves pela COVID-19. Métodos: Realizamos um estudo clínico prospectivo, intervencionista, não randomizado e exploratório, com grupo controle paralelo, conduzido em um hospital público. Dos 66 pacientes avaliados, 41 foram incluídos, compondo o Grupo Estudo (GE, n=30), submetidos a procedimentos cruentos, e o Grupo Controle (GC, n=11) submetidos a não cruentos. Avaliamos índices de condição bucal (CPO-D e IHOS) e realizamos coleta pareada de sangue e saliva nos momentos T0 (15 minutos antes do início do procedimento), T1 (10 minutos após o início) e T2 (10 minutos após o término), para. A quantificação da carga viral foi obtida por RT qPCR para os alvos gênicos N1 e N2, considerando positivas as amostras com Ct<38,0 (Cycle threshold). Resultados: A amostra foi predominantemente masculina (58,5%) e com média etária de 57 anos (±17,1), sendo em GE 60,2 anos e em GC 48,2 anos (p=0,044). O tempo médio dos sintomas da COVID 19 foi de 14 dias (±5,3) e a média de permanência em UTI foi de 24,6 dias (±18,4), com 29,3% de óbitos. O GE apresentou episódios de dessaturação em 56,7% dos pacientes e GC em 9,1% (p=0,011). A média do CPO-D da amostra foi 18,0 e do IHOS, que incluiu somente pacientes dentados, compôs um subgrupo Estudo com IHOS de 2,2±0,9, e no GC de 1,2±0,6 (p=0,001). A extensão da doença periodontal associou-se a escores SAPS3 mais altos (p=0,037) que se correlacionaram com maior probabilidade de óbito (p=0,010). Não houve diferenças significativas para amostras de sangue e saliva na análise comparativa dos valores de Ct em N1 e N2 entre GE e GC em T0, T1 e T2 e também na análise comparativa dos valores de Ct em N1 e N2 entre T0 e T1, T0 e T2 ou T1 e T2 para amostras de sangue e saliva no GE. Houve correlação positiva entre os valores de Ct salivar em N2 no T0 e o tempo total de internação (r=0,518; p=0,048) e correlação negativa entre os valores de Ct sanguíneo em N1 no T1 e o tempo total de internação (r=-0,783; p=0,013); no GE identificou-se correlação positiva salivar em N2 no T0 tanto em relação ao tempo total de internação (r=0,619; p=0,032) quanto no de permanência em UTI (r=0,621; p=0,031). Não houve diferenças significativas entre os valores de Ct em N1 e N2 no T0, T1 e T2 de acordo com alta hospitalar ou óbito no GE. Conclusões: A realização de procedimentos odontológicos cruentos em pacientes com COVID-19 não modulou adversamente a cinética viral do SARS CoV-2. A doença periodontal esteve associada a piores escores SAPS3.
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Dos 66 pacientes avaliados, 41 foram incluídos, compondo o Grupo Estudo (GE, n=30), submetidos a procedimentos cruentos, e o Grupo Controle (GC, n=11) submetidos a não cruentos. Avaliamos índices de condição bucal (CPO-D e IHOS) e realizamos coleta pareada de sangue e saliva nos momentos T0 (15 minutos antes do início do procedimento), T1 (10 minutos após o início) e T2 (10 minutos após o término), para. A quantificação da carga viral foi obtida por RT qPCR para os alvos gênicos N1 e N2, considerando positivas as amostras com Ct<38,0 (Cycle threshold). Resultados: A amostra foi predominantemente masculina (58,5%) e com média etária de 57 anos (±17,1), sendo em GE 60,2 anos e em GC 48,2 anos (p=0,044). O tempo médio dos sintomas da COVID 19 foi de 14 dias (±5,3) e a média de permanência em UTI foi de 24,6 dias (±18,4), com 29,3% de óbitos. O GE apresentou episódios de dessaturação em 56,7% dos pacientes e GC em 9,1% (p=0,011). A média do CPO-D da amostra foi 18,0 e do IHOS, que incluiu somente pacientes dentados, compôs um subgrupo Estudo com IHOS de 2,2±0,9, e no GC de 1,2±0,6 (p=0,001). A extensão da doença periodontal associou-se a escores SAPS3 mais altos (p=0,037) que se correlacionaram com maior probabilidade de óbito (p=0,010). Não houve diferenças significativas para amostras de sangue e saliva na análise comparativa dos valores de Ct em N1 e N2 entre GE e GC em T0, T1 e T2 e também na análise comparativa dos valores de Ct em N1 e N2 entre T0 e T1, T0 e T2 ou T1 e T2 para amostras de sangue e saliva no GE. Houve correlação positiva entre os valores de Ct salivar em N2 no T0 e o tempo total de internação (r=0,518; p=0,048) e correlação negativa entre os valores de Ct sanguíneo em N1 no T1 e o tempo total de internação (r=-0,783; p=0,013); no GE identificou-se correlação positiva salivar em N2 no T0 tanto em relação ao tempo total de internação (r=0,619; p=0,032) quanto no de permanência em UTI (r=0,621; p=0,031). Não houve diferenças significativas entre os valores de Ct em N1 e N2 no T0, T1 e T2 de acordo com alta hospitalar ou óbito no GE. Conclusões: A realização de procedimentos odontológicos cruentos em pacientes com COVID-19 não modulou adversamente a cinética viral do SARS CoV-2. A doença periodontal esteve associada a piores escores SAPS3.Introduction: The clinical impact of SARS-CoV-2 viremia in patients with COVID-19 admitted to Intensive Care Units (ICUs) remains poorly understood, particularly regarding the performance of invasive dental procedures. Objective: To investigate whether invasive dental procedures could increase the viral load of SARS-CoV-2 in the blood and saliva of critically ill COVID-19 patients. Methods: This was a prospective, interventional, non-randomized, exploratory clinical study with a parallel control group, conducted in a public hospital. Of 66 patients evaluated, 41 were included: 30 in the Study Group (SG), who underwent invasive procedures, and 11 in the Control Group (CG), who underwent non invasive procedures. Oral health indices (DMFT and OHI-S) were assessed, and paired blood and saliva samples were collected at three time pointsT0 (15 min before the procedure), T1 (10 min after starting), and T2 (10 min after finishing). Viral load quantification was performed by RT-qPCR for N1 and N2 gene targets, with samples considered positive at Ct<38.0 (Cycle threshold). Results: The sample was predominantly male (58.5%) with a mean age of 57 ± 17.1 years (60.2 years in SG and 48.2 years in CG; p=0.044). The mean duration of COVID 19 symptoms was 14±5.3 days, ICU stay averaged 24.6±18.4 days, and mortality was 29.3%. Desaturation episodes occurred in 56.7% of SG and 9.1% of CG patients (p=0.011). The mean DMFT was 18.0, and among dentate patients, OHI-S averaged 2.2 ± 0.9 in SG and 1.2 ± 0.6 in CG (p=0.001). Periodontal disease extension was associated with higher SAPS3 scores (p=0.037), which correlated with an increased probability of death (p=0.010). No significant differences were found in blood or saliva Ct values (N1/N2) between groups or time points. A positive correlation was observed between salivary Ct values for N2 at T0 and total hospitalization time (r=0.518; p=0.048), and a negative correlation between blood Ct values for N1 at T1 and total hospitalization time (r= 0.783; p=0.013). In SG, salivary Ct values for N2 at T0 correlated positively with both total hospitalization (r=0.619; p=0.032) and ICU stay (r=0.621; p=0.031). There were no significant differences in Ct values (N1/N2) across time points according to clinical outcome (discharge or death). Conclusions: Performing invasive dental procedures in patients with COVID-19 did not adversely modulate the viral kinetics of SARS-CoV-2. Periodontal disease was associated with higher SAPS3 scores, suggesting a link between poor oral conditions and worse clinical severity.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPAmato, Marcelo Britto PassosMatias, Elói Félix2025-12-01info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5150/tde-25032026-175201/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2026-03-26T09:02:02Zoai:teses.usp.br:tde-25032026-175201Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212026-03-26T09:02:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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