| Ano de defesa: | 2026 |
|---|---|
| Autor(a) principal: | |
| Orientador(a): | |
| Banca de defesa: | |
| Tipo de documento: | Tese |
| Tipo de acesso: | Acesso aberto |
| Idioma: | por |
| Instituição de defesa: |
Biblioteca Digitais de Teses e Dissertacoes da USP
Universidade de São Paulo Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas |
| Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
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| Departamento: |
Não Informado pela instituição
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| País: |
Não Informado pela instituição
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| Palavras-chave em Português: | |
| Link de acesso: | https://teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8136/tde-15052026-113927/ |
Resumo: | Esta tese interroga os processos sociais que moldam as qualidades particulares de experiência migratória haitiana no contexto urbano da metrópole de São Paulo. Nossa pesquisa empírica se baseou principalmente em entrevistas em profundidade e em outras distintas modalidades de interlocução com homens e mulheres haitianas que chegaram em São Paulo entre 2010 e 2023. Também acessamos bases de dados administrativas sobre a migração haitiana nesta cidade, tanto em bases abertas quanto em bases disponibilizadas via Lei de Acesso à Informação. A pesquisa demonstra que, nos últimos anos, a migração haitiana em São Paulo se organizou em torno de dois padrões espaciais: a periferização contínua daqueles que permanecem na metrópole, por meio de processos de instalação marcados pela autoconstrução em áreas irregulares nas extremidades urbanas, e a reemigração ao longo do corredor sulnorte em direção aos Estados Unidos. Ambas são atravessadas por organizações comunitárias e práticas de apoio mútuo, especialmente mediadas por igrejas evangélicas. Com o objetivo de rastrear os processos sociais que levam a diáspora haitiana a essas duas principais direções, observamos que as trajetórias residenciais de quem permanece são moldadas por projetos familiares e pelas condições impostas pelo mundo de trabalho racializado sob os efeitos do movimento crítico da reprodução social capitalista, bem como pelas atuais dinâmicas do mercado imobiliário periférico, o que conduz a instalação migrante a áreas irregularizadas situadas nas bordas da metrópole. Nesse contexto, a tentativa de estabilização e permanência convive com o adiamento dos projetos migratórios, fazendo da permanência nesta cidade uma particular experiência de espera. As trajetórias de reemigração, por sua vez, são impulsionadas pela idealização do Norte Global e pelo agravamento das condições materiais de vida desde a recessão de 2016, e, principalmente, durante a pandemia, as quais interpretamos como resultantes de um processo ficcionalizado de reprodução da acumulação capitalista. Nesse processo, São Paulo passa a figurar cada vez mais como cidade de trânsito, na qual a ideia de trânsito denota menos uma rota fluída e premeditada em direção a um novo destino, e mais um percurso por uma travessia incerta que pode levar ou não ao destino almejado. Por fim, argumentamos que o caráter contínuo da busca por melhores condições de vida que permeia as experiências migratórias haitianas - bem expresso na ideia de chache lavi - expressa os limites estruturais da reprodução social sob as dinâmicas críticas e raciais do capitalismo |
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A diáspora haitiana em São Paulo: trajetórias de trânsito, espera e permanência entre raça e crise do trabalhoThe Haitian diaspora in São Paulo: trajectories of transit, waiting, and permanence between race and the labor crisisFreire, Thauany Vernacci Brewer PereiraDamiani, Amelia LuisaCrise do trabalhoDiáspora - São PauloMigração haitianaRaçaDiaspora - São PauloHaitian migrationLabor crisisRaceEsta tese interroga os processos sociais que moldam as qualidades particulares de experiência migratória haitiana no contexto urbano da metrópole de São Paulo. Nossa pesquisa empírica se baseou principalmente em entrevistas em profundidade e em outras distintas modalidades de interlocução com homens e mulheres haitianas que chegaram em São Paulo entre 2010 e 2023. Também acessamos bases de dados administrativas sobre a migração haitiana nesta cidade, tanto em bases abertas quanto em bases disponibilizadas via Lei de Acesso à Informação. A pesquisa demonstra que, nos últimos anos, a migração haitiana em São Paulo se organizou em torno de dois padrões espaciais: a periferização contínua daqueles que permanecem na metrópole, por meio de processos de instalação marcados pela autoconstrução em áreas irregulares nas extremidades urbanas, e a reemigração ao longo do corredor sulnorte em direção aos Estados Unidos. Ambas são atravessadas por organizações comunitárias e práticas de apoio mútuo, especialmente mediadas por igrejas evangélicas. Com o objetivo de rastrear os processos sociais que levam a diáspora haitiana a essas duas principais direções, observamos que as trajetórias residenciais de quem permanece são moldadas por projetos familiares e pelas condições impostas pelo mundo de trabalho racializado sob os efeitos do movimento crítico da reprodução social capitalista, bem como pelas atuais dinâmicas do mercado imobiliário periférico, o que conduz a instalação migrante a áreas irregularizadas situadas nas bordas da metrópole. Nesse contexto, a tentativa de estabilização e permanência convive com o adiamento dos projetos migratórios, fazendo da permanência nesta cidade uma particular experiência de espera. As trajetórias de reemigração, por sua vez, são impulsionadas pela idealização do Norte Global e pelo agravamento das condições materiais de vida desde a recessão de 2016, e, principalmente, durante a pandemia, as quais interpretamos como resultantes de um processo ficcionalizado de reprodução da acumulação capitalista. Nesse processo, São Paulo passa a figurar cada vez mais como cidade de trânsito, na qual a ideia de trânsito denota menos uma rota fluída e premeditada em direção a um novo destino, e mais um percurso por uma travessia incerta que pode levar ou não ao destino almejado. Por fim, argumentamos que o caráter contínuo da busca por melhores condições de vida que permeia as experiências migratórias haitianas - bem expresso na ideia de chache lavi - expressa os limites estruturais da reprodução social sob as dinâmicas críticas e raciais do capitalismoThis dissertation examines the social processes shaping the distinct qualities of Haitian migratory experience in the urban context of the São Paulo metropolis. Our empirical research is based primarily on in-depth interviews, along with other forms of engagement with Haitian men and women who arrived in São Paulo between 2010 and 2023. We also drew on administrative databases on Haitian migration in the city, both from open sources and from data made available through Brazil\'s Access to Information Law. The study shows that, in recent years, Haitian migration in São Paulo has followed two main spatial patterns: a steady move toward the urban periphery among those who stay–often through self-built housing in informal settlements–and re-migration along a south-to-north corridor toward the United States. Both processes are supported by community organizations and mutual aid networks, frequently centered around evangelical churches. In order to trace the social processes that steer the Haitian diaspora in these two main directions, we find that the residential trajectories of those who stay are shaped by family projects and by the constraints imposed by a racialized labor market under the strain of the critical dynamics of capitalist social reproduction, as well as by current trends in the peripheral real estate market. Together, these factors push migrant settlement toward informal areas at the metropolitan edge. In this context, attempts at stabilization and long-term settlement go hand in hand with the postponement of migratory projects, turning permanence in the city into a distinct experience of waiting. Re-migration trajectories, in turn, are driven by the idealization of the Global North and by the worsening of material living conditions since the 2016 recession–especially during the pandemic–which we read as outcomes of a fictionalized process of reproducing capitalist accumulation. Within this process, São Paulo increasingly comes to stand in as a city of transit, where \"transit\" signals less a smooth, premeditated route toward a new destination and more a passage through uncertainty, one that may or may not lead to the desired endpoint. Finally, we argue that the ongoing pursuit of better living conditions that runs through Haitian migratory experiences–captured in the notion of chache lavi–lays bare the structural limits of social reproduction under the critical and racial dynamics of capitalismBiblioteca Digitais de Teses e Dissertacoes da USPUniversidade de São PauloFaculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas2026-05-152026-05-15T22:00:01Z2026-02-13info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8136/tde-15052026-113927/10.11606/T.8.2026.tde-15052026-113927tde-15052026-113927Liberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccessporreponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPDoutoradodoctoralUniversidade de São PauloBiblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212026-05-15T22:00:01Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)falseoai:teses.usp.br:tde-15052026-113927 |
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Esta tese interroga os processos sociais que moldam as qualidades particulares de experiência migratória haitiana no contexto urbano da metrópole de São Paulo. Nossa pesquisa empírica se baseou principalmente em entrevistas em profundidade e em outras distintas modalidades de interlocução com homens e mulheres haitianas que chegaram em São Paulo entre 2010 e 2023. Também acessamos bases de dados administrativas sobre a migração haitiana nesta cidade, tanto em bases abertas quanto em bases disponibilizadas via Lei de Acesso à Informação. A pesquisa demonstra que, nos últimos anos, a migração haitiana em São Paulo se organizou em torno de dois padrões espaciais: a periferização contínua daqueles que permanecem na metrópole, por meio de processos de instalação marcados pela autoconstrução em áreas irregulares nas extremidades urbanas, e a reemigração ao longo do corredor sulnorte em direção aos Estados Unidos. Ambas são atravessadas por organizações comunitárias e práticas de apoio mútuo, especialmente mediadas por igrejas evangélicas. Com o objetivo de rastrear os processos sociais que levam a diáspora haitiana a essas duas principais direções, observamos que as trajetórias residenciais de quem permanece são moldadas por projetos familiares e pelas condições impostas pelo mundo de trabalho racializado sob os efeitos do movimento crítico da reprodução social capitalista, bem como pelas atuais dinâmicas do mercado imobiliário periférico, o que conduz a instalação migrante a áreas irregularizadas situadas nas bordas da metrópole. Nesse contexto, a tentativa de estabilização e permanência convive com o adiamento dos projetos migratórios, fazendo da permanência nesta cidade uma particular experiência de espera. As trajetórias de reemigração, por sua vez, são impulsionadas pela idealização do Norte Global e pelo agravamento das condições materiais de vida desde a recessão de 2016, e, principalmente, durante a pandemia, as quais interpretamos como resultantes de um processo ficcionalizado de reprodução da acumulação capitalista. Nesse processo, São Paulo passa a figurar cada vez mais como cidade de trânsito, na qual a ideia de trânsito denota menos uma rota fluída e premeditada em direção a um novo destino, e mais um percurso por uma travessia incerta que pode levar ou não ao destino almejado. Por fim, argumentamos que o caráter contínuo da busca por melhores condições de vida que permeia as experiências migratórias haitianas - bem expresso na ideia de chache lavi - expressa os limites estruturais da reprodução social sob as dinâmicas críticas e raciais do capitalismo |
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