Amiloidose renal: análise genética molecular, proteômica glomerular e correlações entre parâmetros clínicos, histológicos e laboratoriais

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Feitosa, Valkercyo Araújo
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5148/tde-26032026-150150/
Resumo: A amiloidose é um grupo de doenças resultantes da deposição extracelular de amiloide, um material fibrilar insolúvel derivado de precursores proteicos que assumem conformação anômala com tendência à autoagregação. Ao se acumularem no espaço extracelular e exercerem toxicidade direta ao tecido adjacente, os depósitos amiloides alteram a estrutura, integridade e função dos tecidos e órgãos acometidos. O rim é um dos principais órgãos afetados e, geralmente, a amiloidose renal (AR) apresenta-se clinicamente como síndrome nefrótica. As fibrilas amiloides se depositam classicamente no glomérulo (mesângio e alças capilares), bem como em vasos e interstício do parênquima renal, levando à disfunção renal progressiva. Tais fibrilas interagem com a matriz extracelular (MEC) glomerular, uma estrutura dinâmica que confere suporte estrutural às células e constitui um compartimento ativo na sinalização celular. Embora alterações de MEC tenham um papel relevante na AR, as modificações em sua composição e as vias de sinalização perturbadas nessa doença permanecem pouco compreendidas. Nosso estudo avaliou 72 pacientes com AR confirmada por biópsia renal. A idade média ao diagnóstico destes pacientes foi de 55,2 ± 13,8 anos, a distribuição dos casos foi similar entre os sexos e os subtipos encontrados compreenderam amiloidose por cadeias leves (AL, 68,4% dos pacientes), amiloidose por amiloide A sérico (AA, 14,5%), amiloidose por cadeia A- do fibrinogênio (AFib, 10,5%) e amiloidose por transtirretina (ATTR, 1,3%); 5,3% dos casos foram classificados como inconclusivos. Observamos uma taxa elevada de evolução para doença renal crônica terminal (DRCT) (65%) e óbito (50%) ao longo do seguimento, assim como menor sobrevida renal e geral em pacientes com AR subtipo AL comparados àqueles com subtipos não-AL. Taxa de filtração glomerular estimada (TFGe) < 30 ml/min/1,73m² foi um fator preditor de maior risco de evolução para DRCT durante o seguimento. Além disso, a etiologia AL associou-se a maior risco de mortalidade quando comparada aos subtipos não-AL. Não identificamos parâmetros histológicos renais capazes de predizer progressão para DRCT. Pacientes com AR AA apresentaram mais frequentemente detecção glomerular de C3. Identificamos 73 indivíduos heterozigotos para a variante p.E545V no gene FGA, assim como uma nova variante [FGA c.1643delG (p.G548Afs*20)] em 2 pacientes. Cerca de 61,3% deles apresentavam manifestações renais no momento da avaliação. A maior parte destes pacientes desenvolveu hipertensão arterial antes do diagnóstico de amiloidose AFib. Idade foi identificada como fator importante para a determinação de penetrância da doença, enquanto 67% dos probandos referiam história familiar de doença renal e/ou amiloidose. Observamos progressão para DRCT em 43,2% dos pacientes com AFib, a uma mediana de tempo de 38,8 (1 148) meses entre o diagnóstico e o início de DRCT. Proteinúria > 3g/24h ao diagnóstico de AR AFib em pacientes com manifestação clínica associou-se a um maior risco de progressão precoce para DRCT. Por meio de análise proteômica, caracterizamos o matrissoma glomerular de pacientes com os subtipos AL, AA e AFib de AR, assim como de tecido renal normal (RN), tendo identificado 340 proteínas de MEC. Destas, 249 já haviam sido previamente descritas como componentes da MEC glomerular e 91 foram classificadas como candidatas a componentes do matrissoma glomerular. Através de análise semiquantitativa, identificamos 66 proteínas de MEC glomerular com diferença de abundância entre os grupos AR e RN. Destacamos o achado de aumento de abundância de proteínas envolvidas na regulação da via do complemento nas amostras de AR. Análises de enriquecimento e interação proteína-proteína sugeriram vias moleculares envolvidas no remodelamento de MEC, vias de estresse oxidativo e regulação do sistema complemento como processos envolvidos na patogênese da AR em sua fase inicial. Análises imunoistoquímicas glomerulares conduzidas em tecido renal de pacientes com as 3 formas de AR analisadas, por sua vez, revelaram marcação para Cd4 e C5b-9, achados não detectados em amostras de rim normal. Tais achados sugerem fortemente a participação da via clássica do complemento na lesão glomerular associada à AR.
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spelling Amiloidose renal: análise genética molecular, proteômica glomerular e correlações entre parâmetros clínicos, histológicos e laboratoriaisRenal amyloidosis: molecular genetic analysis, glomerular proteomics, and correlations between clinical, histological, and laboratory parametersAmiloidose hereditáriaAmiloidose renalComplement pathwayExtracellular matrixGlomerular proteomicsHereditary amyloidosisMatriz extracelularPrognóstico renalProteômica glomerularRenal amyloidosisRenal prognosisVia do complementoA amiloidose é um grupo de doenças resultantes da deposição extracelular de amiloide, um material fibrilar insolúvel derivado de precursores proteicos que assumem conformação anômala com tendência à autoagregação. Ao se acumularem no espaço extracelular e exercerem toxicidade direta ao tecido adjacente, os depósitos amiloides alteram a estrutura, integridade e função dos tecidos e órgãos acometidos. O rim é um dos principais órgãos afetados e, geralmente, a amiloidose renal (AR) apresenta-se clinicamente como síndrome nefrótica. As fibrilas amiloides se depositam classicamente no glomérulo (mesângio e alças capilares), bem como em vasos e interstício do parênquima renal, levando à disfunção renal progressiva. Tais fibrilas interagem com a matriz extracelular (MEC) glomerular, uma estrutura dinâmica que confere suporte estrutural às células e constitui um compartimento ativo na sinalização celular. Embora alterações de MEC tenham um papel relevante na AR, as modificações em sua composição e as vias de sinalização perturbadas nessa doença permanecem pouco compreendidas. Nosso estudo avaliou 72 pacientes com AR confirmada por biópsia renal. A idade média ao diagnóstico destes pacientes foi de 55,2 ± 13,8 anos, a distribuição dos casos foi similar entre os sexos e os subtipos encontrados compreenderam amiloidose por cadeias leves (AL, 68,4% dos pacientes), amiloidose por amiloide A sérico (AA, 14,5%), amiloidose por cadeia A- do fibrinogênio (AFib, 10,5%) e amiloidose por transtirretina (ATTR, 1,3%); 5,3% dos casos foram classificados como inconclusivos. Observamos uma taxa elevada de evolução para doença renal crônica terminal (DRCT) (65%) e óbito (50%) ao longo do seguimento, assim como menor sobrevida renal e geral em pacientes com AR subtipo AL comparados àqueles com subtipos não-AL. Taxa de filtração glomerular estimada (TFGe) < 30 ml/min/1,73m² foi um fator preditor de maior risco de evolução para DRCT durante o seguimento. Além disso, a etiologia AL associou-se a maior risco de mortalidade quando comparada aos subtipos não-AL. Não identificamos parâmetros histológicos renais capazes de predizer progressão para DRCT. Pacientes com AR AA apresentaram mais frequentemente detecção glomerular de C3. Identificamos 73 indivíduos heterozigotos para a variante p.E545V no gene FGA, assim como uma nova variante [FGA c.1643delG (p.G548Afs*20)] em 2 pacientes. Cerca de 61,3% deles apresentavam manifestações renais no momento da avaliação. A maior parte destes pacientes desenvolveu hipertensão arterial antes do diagnóstico de amiloidose AFib. Idade foi identificada como fator importante para a determinação de penetrância da doença, enquanto 67% dos probandos referiam história familiar de doença renal e/ou amiloidose. Observamos progressão para DRCT em 43,2% dos pacientes com AFib, a uma mediana de tempo de 38,8 (1 148) meses entre o diagnóstico e o início de DRCT. Proteinúria > 3g/24h ao diagnóstico de AR AFib em pacientes com manifestação clínica associou-se a um maior risco de progressão precoce para DRCT. Por meio de análise proteômica, caracterizamos o matrissoma glomerular de pacientes com os subtipos AL, AA e AFib de AR, assim como de tecido renal normal (RN), tendo identificado 340 proteínas de MEC. Destas, 249 já haviam sido previamente descritas como componentes da MEC glomerular e 91 foram classificadas como candidatas a componentes do matrissoma glomerular. Através de análise semiquantitativa, identificamos 66 proteínas de MEC glomerular com diferença de abundância entre os grupos AR e RN. Destacamos o achado de aumento de abundância de proteínas envolvidas na regulação da via do complemento nas amostras de AR. Análises de enriquecimento e interação proteína-proteína sugeriram vias moleculares envolvidas no remodelamento de MEC, vias de estresse oxidativo e regulação do sistema complemento como processos envolvidos na patogênese da AR em sua fase inicial. Análises imunoistoquímicas glomerulares conduzidas em tecido renal de pacientes com as 3 formas de AR analisadas, por sua vez, revelaram marcação para Cd4 e C5b-9, achados não detectados em amostras de rim normal. Tais achados sugerem fortemente a participação da via clássica do complemento na lesão glomerular associada à AR.Amyloidosis comprises a group of disorders resulting from the extracellular deposition of amyloid, an insoluble fibrillar material derived from protein precursors that adopt abnormal conformations with a propensity for self-aggregation. Once deposited in the extracellular space, amyloid fibrils exert direct cytotoxic effects and disrupt tissue structure, integrity, and function. The kidneys are among the most commonly affected organs, with renal amyloidosis (RA) typically presenting as nephrotic syndrome. Amyloid fibrils classically accumulate in glomerular structures (mesangium and capillary loops), as well as in renal vessels and interstitial compartments, leading to progressive renal dysfunction. These fibrils interact with the glomerular extracellular matrix (ECM), a dynamic structure that provides mechanical support and participates actively in cell signaling. Although ECM alterations play an important role in RA pathogenesis, changes in its composition and associated signaling pathways remain poorly understood. In this study, we evaluated 72 patients with biopsy-proven RA. The mean age at diagnosis was 55.2 ± 13.8 years, with an even sex distribution. The identified subtypes included light chain amyloidosis (AL, 68.4%), serum amyloid A amyloidosis (AA, 14.5%), fibrinogen A-chain amyloidosis (AFib, 10.5%), and transthyretin amyloidosis (ATTR, 1.3%); 5.3% of cases were classified as inconclusive. A high rate of progression to end-stage kidney disease (ESKD) (65%) and mortality (50%) was observed during follow-up. Patients with AL amyloidosis exhibited lower overall and renal survival when compared to non-AL subtypes. An estimated glomerular filtration rate (eGFR) < 30 ml/min/1.73 m² at diagnosis was a significant predictor of progression to ESKD, while the AL subtype was associated with higher mortality risk. No specific renal histopathological features were identified as predictors of ESKD progression. Patients with AA amyloidosis more frequently demonstrated glomerular C3 deposition. We identified 73 individuals heterozygous for the FGA p.E545V variant and a novel pathogenic variant [FGA c.1643delG (p.G548Afs*20)] in two patients. Approximately 61.3% of these individuals presented renal manifestations at the time of evaluation. The majority had a prior history of hypertension before AFib diagnosis. Age was an important determinant of disease penetrance, and 67% of probands reported a family history of renal disease and/or amyloidosis. ESKD progression was observed in 43.2% of AFib patients, with a median time of 38.8 months (range: 1148) from diagnosis to ESKD onset. Proteinuria > 3 g/24h at AFib RA diagnosis was associated with an increased risk of early ESKD progression. Through proteomic analysis, we characterized the glomerular matrisome in patients with AL, AA, and AFib RA subtypes, as well as in normal renal (NR) tissue, identifying 340 ECM proteins. Among these, 249 had been previously described as components of the glomerular ECM, and 91 were newly proposed as candidate matrisome components. Semiquantitative analysis revealed 66 ECM proteins with differential abundance between RA and NR groups. Notably, increased abundance of proteins involved in complement pathway regulation was observed in RA samples. Enrichment and proteinprotein interaction analyses suggested molecular pathways related to ECM remodeling, oxidative stress responses, and complement activation as central to early RA pathogenesis. Glomerular immunohistochemical analyses in patients with all three RA subtypes revealed consistent C4d and C5b-9 staining, findings not observed in NR samples. These results strongly support the involvement of the classical complement pathway in glomerular injury associated with renal amyloidosis.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPOnuchic, Luiz FernandoFeitosa, Valkercyo Araújo2025-12-01info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5148/tde-26032026-150150/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2026-03-26T19:33:01Zoai:teses.usp.br:tde-26032026-150150Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212026-03-26T19:33:01Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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