Entre o cuidado e o risco: análise crítica do conceito da regressão à dependência na obra de D.W. Winnicott
| Ano de defesa: | 2025 |
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| Tipo de documento: | Dissertação |
| Tipo de acesso: | Acesso aberto |
| Idioma: | por |
| Instituição de defesa: |
Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
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| Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
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| Departamento: |
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| País: |
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| Palavras-chave em Português: | |
| Link de acesso: | https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/47/47131/tde-01042026-132659/ |
Resumo: | A dependência relacional é um fator determinante na progressão ou regressão das conquistas do desenvolvimento emocional, e proporcionalmente fundamental, quanto mais precoce for a fase do desenvolvimento, manifestando-se em todas as esferas sociais e faixas etárias. Frente a certas circunstâncias, mesmo naqueles indivíduos considerados emocionalmente estruturados, profundas e primitivas necessidades emocionais podem emergir, demandando uma intensa e específica dependência relacional ou ambiental, tendo como fim único a restauração de processos maturacionais em seu desenvolvimento emocional a partir desta vivência de dependência. Objeto de estudo deste trabalho, este fenômeno foi conceituado por D. W. Winnicott como regressão à dependência. Esta pesquisa apresenta, discute e analisa criticamente o conceito, a partir do levantamento sistemático no índex da obra original completa do autor. Identificamos 35 textos em que o termo é mencionado e/ou articulado teoricamente. Ademais, foram analisados textos complementares que contribuíram para a compreensão abrangente do conceito. A partir desta análise, constatamos que o fenômeno, como proposto pelo autor, só pode ser manejado de forma adequada em ambientes terapêuticos se há um embasamento nos fundamentos de sua teoria do desenvolvimento emocional; a função de ambiente que o clínico/terapeuta assume deve ser repensada num contexto ampliado, em que outros agentes de cuidado podem ser mobilizados, eventualmente, durante o período regressivo; assim como a experiência de uma dependência relacional regressiva carrega em si potencialidades integradoras do desenvolvimento, a indisponibilidade relacional-ambiental diante de demandas regressivas acarreta riscos iminentes à continuidade dos processos maturativos do desenvolvimento emocional, com consequências para a qualidade de sua sociabilidade. Portanto, mesmo ainda emergindo determinados pontos cegos no estudo das regressões à dependência a direção do tratamento quando há a demanda por toque físico em alguns casos, por exemplo , conclui-se que ainda são necessários muitos estudos sobre esse tema, tão fundamental na teoria winnicottiana, sobre o qual, porém, o próprio Winnicott deixou pontas soltas, como a não contextualização da regressão quando ocorrida num ambiente institucional; pela sua relevância clínica, em ambientes e relações diversos; e, principalmente, utilizando-se o embasamento teórico winnicottiano a partir de marcadores socioculturais, atualizando a leitura do fenômeno na contemporaneidade. |
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Entre o cuidado e o risco: análise crítica do conceito da regressão à dependência na obra de D.W. WinnicottBetween care and risk: a critical analysis of the concept of regression to dependence in the work of D. W. Winnicottdesenvolvimento emocionalemotional developmentregressão à dependênciaregression to dependenceWinnicottWinnicottA dependência relacional é um fator determinante na progressão ou regressão das conquistas do desenvolvimento emocional, e proporcionalmente fundamental, quanto mais precoce for a fase do desenvolvimento, manifestando-se em todas as esferas sociais e faixas etárias. Frente a certas circunstâncias, mesmo naqueles indivíduos considerados emocionalmente estruturados, profundas e primitivas necessidades emocionais podem emergir, demandando uma intensa e específica dependência relacional ou ambiental, tendo como fim único a restauração de processos maturacionais em seu desenvolvimento emocional a partir desta vivência de dependência. Objeto de estudo deste trabalho, este fenômeno foi conceituado por D. W. Winnicott como regressão à dependência. Esta pesquisa apresenta, discute e analisa criticamente o conceito, a partir do levantamento sistemático no índex da obra original completa do autor. Identificamos 35 textos em que o termo é mencionado e/ou articulado teoricamente. Ademais, foram analisados textos complementares que contribuíram para a compreensão abrangente do conceito. A partir desta análise, constatamos que o fenômeno, como proposto pelo autor, só pode ser manejado de forma adequada em ambientes terapêuticos se há um embasamento nos fundamentos de sua teoria do desenvolvimento emocional; a função de ambiente que o clínico/terapeuta assume deve ser repensada num contexto ampliado, em que outros agentes de cuidado podem ser mobilizados, eventualmente, durante o período regressivo; assim como a experiência de uma dependência relacional regressiva carrega em si potencialidades integradoras do desenvolvimento, a indisponibilidade relacional-ambiental diante de demandas regressivas acarreta riscos iminentes à continuidade dos processos maturativos do desenvolvimento emocional, com consequências para a qualidade de sua sociabilidade. Portanto, mesmo ainda emergindo determinados pontos cegos no estudo das regressões à dependência a direção do tratamento quando há a demanda por toque físico em alguns casos, por exemplo , conclui-se que ainda são necessários muitos estudos sobre esse tema, tão fundamental na teoria winnicottiana, sobre o qual, porém, o próprio Winnicott deixou pontas soltas, como a não contextualização da regressão quando ocorrida num ambiente institucional; pela sua relevância clínica, em ambientes e relações diversos; e, principalmente, utilizando-se o embasamento teórico winnicottiano a partir de marcadores socioculturais, atualizando a leitura do fenômeno na contemporaneidade.Relational dependence is a determining factor in the progression or regression of the achievements of emotional development, and proportionally fundamental the earlier is the stage of development, becoming manifest in all social spheres and age groups. Faced with certain circumstances, even in those individuals considered to be emotionally structured, deep and primitive emotional needs can emerge, demanding intense and specific relational or environmental dependence, with the sole aim of restoring maturational processes in their emotional development based on this experience of dependence. The subject of this study, this phenomenon was conceptualised by D. W. Winnicott as regression to dependence. This research presents, discusses and critically analyses the concept, based on a systematic survey of the index of the authors complete original work. We identified 35 texts that mention and/or theoretically articulate the term. In addition, we analysed complementary texts that contributed to a comprehensive understanding of the concept. Based on this analysis, we have observed that the phenomenon, as proposed by the author, can only be handled adequately in therapeutic environments if it is based on the foundations of his theory of emotional development; the role of the environment that the clinician/therapist assumes must be rethought in an expanded context, in which other care agents can be mobilised, if necessary, during the regressive period; just as the experience of regressive relational dependence carries within it the potential to integrate development, the unavailability of a relational-environment in the face of regressive demands carries imminent risks to the continuity of the maturative processes of emotional development, with consequences for the quality of their sociability. Therefore, even though certain blind spots still emerge in the study of regressions to dependency the direction of treatment when there is a demand for physical touch in some cases, for example it can be concluded that there is still a need for many studies on this topic, which is so fundamental to Winnicottian theory, but on which Winnicott himself left loose ends, such as the failure to contextualise regression when it occurs in an institutional environment; due to its clinical relevance, in different environments and relationships; and, above all, using Winnicotts theoretical foundation based on sociocultural markers, updating the reading of the phenomenon in contemporary times.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPFulgencio Junior, Leopoldo PereiraVilalta, Raquele Aparecida da Costa2025-10-08info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/47/47131/tde-01042026-132659/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2026-04-01T18:02:02Zoai:teses.usp.br:tde-01042026-132659Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212026-04-01T18:02:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false |
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