Iniciativas e desafios da Atenção Primária à Saúde ao enfrentamento da covid-19 em municípios rurais e remotos do Brasil

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2024
Autor(a) principal: Siqueira, Renata Elisie Barbalho de
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/6/6143/tde-23012025-141725/
Resumo: Introdução - A atuação da Atenção Primária à Saúde (APS) no contexto rural e remoto foi pouco estudada no primeiro ano da pandemia de covid-19. Populações destas localidades têm riscos de saúde diferenciados, como desvantagens socioeconômicas, dificuldades de acesso aos serviços de saúde e competências culturais próprias. A APS, detentora de estratégias e ações potentes em territorialização, prevenção e longitudinalidade deveria ter um papel crucial na resposta à pandemia. Portanto, é essencial discutir o papel e as iniciativas da APS no enfrentamento da covid-19 no contexto rural remoto. Objetivo - Identificar os desafios, as iniciativas e inovações da APS em resposta à covid-19 em áreas rurais remotas e propor recomendações para crises futuras. Métodos - Revisão de escopo internacional, tendo como base referencial teórico e bibliográfico que contemplou iniciativas - sistêmicas, organizacionais, coletivas e individuais - e inovações da APS ao enfrentamento da pandemia de covid-19 em áreas rurais remotas. Um estudo qualitativo exploratório, descritivo e multimétodo, cujo foco de análise abrange 16 municípios rurais remotos do Brasil, utilizando entrevistas semiestruturadas. Foram entrevistados 34 sujeitos (Coordenadores da Atenção Básica, da Vigilância em Saúde e profissionais da Estratégia de Saúde da Família-ESF). A interpretação do material coletado foi realizada mediante análise temática. Resultados - Os 54 estudos selecionados na revisão de escopo apresentaram iniciativas relacionadas ao acesso, ao papel dos Agentes Comunitários de Saúde-ACS, da Vigilância à Saúde e da fixação e valorização dos recursos humanos, atravessados pela equidade, interculturalidade, vulnerabilidade e distâncias geográficas. As principais inovações remetem à telessaúde e comunicação customizada. A análise temática das entrevistas confirma estes achados, bem como a plasticidade da APS no enfrentamento da pandemia, com reforço dos atributos comunitários, de reinvenção na organização dos serviços e das práticas assistenciais. As inovações tecnológicas e de comunicação foram adaptadas, como o acompanhamento remoto e peridomiciliar, ainda que com barreiras estruturais relevantes, traduzidas no uso de celulares próprios e na dificuldade de transferências para a rede locorregional. Destacam-se, ainda, o papel dos ACS nas inovações sociais e interculturais, superando as barreiras e conectando os usuários aos novos fluxos estabelecidos. Ressaltam-se as dificuldades em definir planos para crises sanitárias, suplantadas pela participação social em comitês e do apoio social e intersetorial. Conclusão - Em áreas rurais remotas, em que o conceito de ruralidade é impreciso e as políticas voltadas à saúde são frágeis, a APS torna-se crucial no combate às iniquidades. A revisão de escopo ofereceu uma compreensão global das estratégias desenvolvidas no contexto pandêmico em regiões rurais remotas. Os entrevistados nas localidades brasileiras relataram que o enfrentamento da pandemia demandou muita criatividade e integração entre as equipes e setores. As recomendações propostas incluem: planejamento para futuras crises sanitárias, a integração sustentável entre profissionais e ações intersetoriais, a ampliação do escopo das ações de ACS e ESF, a articulação entre diferentes níveis de governo, a disponibilidade de serviços diagnósticos e terapêuticos e de transporte sanitário, em conjunto com a implementação de telessaúde e o prontuário eletrônico.
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Portanto, é essencial discutir o papel e as iniciativas da APS no enfrentamento da covid-19 no contexto rural remoto. Objetivo - Identificar os desafios, as iniciativas e inovações da APS em resposta à covid-19 em áreas rurais remotas e propor recomendações para crises futuras. Métodos - Revisão de escopo internacional, tendo como base referencial teórico e bibliográfico que contemplou iniciativas - sistêmicas, organizacionais, coletivas e individuais - e inovações da APS ao enfrentamento da pandemia de covid-19 em áreas rurais remotas. Um estudo qualitativo exploratório, descritivo e multimétodo, cujo foco de análise abrange 16 municípios rurais remotos do Brasil, utilizando entrevistas semiestruturadas. Foram entrevistados 34 sujeitos (Coordenadores da Atenção Básica, da Vigilância em Saúde e profissionais da Estratégia de Saúde da Família-ESF). A interpretação do material coletado foi realizada mediante análise temática. Resultados - Os 54 estudos selecionados na revisão de escopo apresentaram iniciativas relacionadas ao acesso, ao papel dos Agentes Comunitários de Saúde-ACS, da Vigilância à Saúde e da fixação e valorização dos recursos humanos, atravessados pela equidade, interculturalidade, vulnerabilidade e distâncias geográficas. As principais inovações remetem à telessaúde e comunicação customizada. A análise temática das entrevistas confirma estes achados, bem como a plasticidade da APS no enfrentamento da pandemia, com reforço dos atributos comunitários, de reinvenção na organização dos serviços e das práticas assistenciais. As inovações tecnológicas e de comunicação foram adaptadas, como o acompanhamento remoto e peridomiciliar, ainda que com barreiras estruturais relevantes, traduzidas no uso de celulares próprios e na dificuldade de transferências para a rede locorregional. Destacam-se, ainda, o papel dos ACS nas inovações sociais e interculturais, superando as barreiras e conectando os usuários aos novos fluxos estabelecidos. Ressaltam-se as dificuldades em definir planos para crises sanitárias, suplantadas pela participação social em comitês e do apoio social e intersetorial. Conclusão - Em áreas rurais remotas, em que o conceito de ruralidade é impreciso e as políticas voltadas à saúde são frágeis, a APS torna-se crucial no combate às iniquidades. A revisão de escopo ofereceu uma compreensão global das estratégias desenvolvidas no contexto pandêmico em regiões rurais remotas. Os entrevistados nas localidades brasileiras relataram que o enfrentamento da pandemia demandou muita criatividade e integração entre as equipes e setores. As recomendações propostas incluem: planejamento para futuras crises sanitárias, a integração sustentável entre profissionais e ações intersetoriais, a ampliação do escopo das ações de ACS e ESF, a articulação entre diferentes níveis de governo, a disponibilidade de serviços diagnósticos e terapêuticos e de transporte sanitário, em conjunto com a implementação de telessaúde e o prontuário eletrônico.Introduction - The role of Primary Health Care (PHC) in rural and remote settings hasnt been thoroughly studied in the first year of the COVID-19 pandemic. Populations in these locations have different health risks, such as socioeconomic disadvantages, difficulties in accessing health services and their own cultural competencies. PHC, which has powerful strategies and actions in terms of territorialization, prevention and longitudinality, should have played a crucial role in the response to the pandemic. It is therefore essential to discuss the role and initiatives of PHC in tackling COVID-19 in the remote rural context. Objective - To identify the challenges, initiatives and innovations of PHC in response to COVID-19 in remote rural areas and propose recommendations for future crises. Methods - An international scoping review, based on theoretical and bibliographic references that include initiatives - systemic, organizational, collective and individual - and PHC innovations to face the COVID-19 pandemic in remote rural areas. This is a qualitative, exploratory, descriptive and multi-method study whose locus of analysis is 16 remote rural Brazilian municipalities, using semi-structured interviews. The 34 subjects were Primary Care Coordinators, Health Surveillance Coordinators and Family Health Strategy-FHS professionals. The collected material was interpreted using thematic analysis. Results - The 54 studies selected in the scoping review presented initiatives related to access, the role of Community Health Workers-CHW, Health Surveillance, as well as placing and valuing human resources, crossed by equity, interculturality, vulnerability and geographical distances. The main innovations are telehealth and customized communication. The thematic analysis of the interviews confirms these findings, as well as the plasticity of PHC in coping with the pandemic, with reinforcement of community attributes, reinvention in the organization of services and care practices. Technological and communication innovations have been adapted, such as remote and peridomiciliary monitoring, although with significant structural barriers, reflected in the use of their own cell phones and the difficulty of transfers to the local-regional healthcare network. The role of CHW in social and intercultural innovations, overcoming barriers and connecting users to the new flows established, also stands out. They also highlight the difficulties in defining plans for health crises, which were overcome by social participation in committees and social and intersectoral support. Conclusion - In remote rural areas, where the concept of rurality is imprecise and health policies are fragile, PHC becomes crucial in combating inequities. The scoping review offered a global understanding of the strategies developed in the pandemic context in remote rural regions. Interviewees in the Brazilian locations reported that coping with the pandemic required a great deal of creativity and integration between teams and sectors. Proposed recommendations include: planning for future health crises, sustainable integration between professionals and intersectoral actions, expanding the scope of CHW and FHS actions, the articulation between different government levels, the availability of diagnostic and therapeutic services and health transportation, together with the implementation of telehealth and electronic medical records.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPBousquat, Aylene Emilia MoraesSiqueira, Renata Elisie Barbalho de2024-10-14info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/6/6143/tde-23012025-141725/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-01-23T16:23:03Zoai:teses.usp.br:tde-23012025-141725Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-01-23T16:23:03Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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