Corporeidade, escuta sensível e vitalização na clínica psicanalítica

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Albiero, Débora Gaino
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/47/47133/tde-07082025-094647/
Resumo: Esta dissertação tem como tema central discutir a vitalização na clínica psicanalítica diante da anestesia da afetividade em sujeitos traumatizados, com foco na implicação do psiquismo do analista e na dimensão da corporeidade do setting, analisando como o trauma e a clivagem afetam a subjetividade, levando a estados de amortecimento, anedonia e ruptura da percepção de si. A pesquisa tem a hipótese de que a desvitalização se manifesta na clivagem do corpo, dos sentires e dos sentidos e que a escuta do analista deve ir além da representação verbal, incorporando uma escuta sensorial, estética e sensível. O trabalho se desenvolve a partir de uma abordagem teórico-clínica, articulando a revisão bibliográfica em psicanálise sobre trauma e vitalização, com a reflexão sobre a prática clínica e o papel do analista, especialmente na perspectiva transmatricial que integra as matrizes freudo-kleiniana e ferencziana, esta última sendo a base teórica de onde parte a pesquisa. Diante dos desafios apresentados pelos adoecimentos psíquicos relacionados a traumas precoces e à passividade dos processos de defesa, torna-se fundamental repensar a prática clínica psicanalítica para além do primado das representações, valorizando o trabalho dos afetos, a escuta sensível, polimórfica e polifônica e a presença do analista como elementos essenciais para a simbolização e a vitalização do sujeito. Esse modo de compreensão da posição do analista, que se assenta sobre a corporeidade do setting e sobre uma escuta sensorial e estética, amplia o cuidado em psicanálise, promovendo a retomada da criatividade, da capacidade de sonhar e da transformação subjetiva, elementos cruciais para que cada sujeito se aproprie de seus afetos e do sentido de sua experiência na vida. Por fim, são discutidas estratégias vitalizantes na clínica, que envolvem a utilização da percepção e da sensibilidade do analista, sem a pretensão de ser um manual de instruções, mas com o objetivo de oferecer recursos clínicos que favoreçam a vitalização de maneira singular, ética e sensível. Desta perspectiva, a vitalização em análise transcende a técnica tradicional, exigindo do analista uma presença ativa, criativa, engajada e também a escuta de seu próprio corpo e inconsciente ao escutar o analisando, especialmente neste tipo de sofrimento no campo da desvitalização, promovendo, em análise um encontro expressivo, capaz de restaurar a capacidade de sonhar e promover a (re)generação do sujeito.
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O trabalho se desenvolve a partir de uma abordagem teórico-clínica, articulando a revisão bibliográfica em psicanálise sobre trauma e vitalização, com a reflexão sobre a prática clínica e o papel do analista, especialmente na perspectiva transmatricial que integra as matrizes freudo-kleiniana e ferencziana, esta última sendo a base teórica de onde parte a pesquisa. Diante dos desafios apresentados pelos adoecimentos psíquicos relacionados a traumas precoces e à passividade dos processos de defesa, torna-se fundamental repensar a prática clínica psicanalítica para além do primado das representações, valorizando o trabalho dos afetos, a escuta sensível, polimórfica e polifônica e a presença do analista como elementos essenciais para a simbolização e a vitalização do sujeito. Esse modo de compreensão da posição do analista, que se assenta sobre a corporeidade do setting e sobre uma escuta sensorial e estética, amplia o cuidado em psicanálise, promovendo a retomada da criatividade, da capacidade de sonhar e da transformação subjetiva, elementos cruciais para que cada sujeito se aproprie de seus afetos e do sentido de sua experiência na vida. Por fim, são discutidas estratégias vitalizantes na clínica, que envolvem a utilização da percepção e da sensibilidade do analista, sem a pretensão de ser um manual de instruções, mas com o objetivo de oferecer recursos clínicos que favoreçam a vitalização de maneira singular, ética e sensível. Desta perspectiva, a vitalização em análise transcende a técnica tradicional, exigindo do analista uma presença ativa, criativa, engajada e também a escuta de seu próprio corpo e inconsciente ao escutar o analisando, especialmente neste tipo de sofrimento no campo da desvitalização, promovendo, em análise um encontro expressivo, capaz de restaurar a capacidade de sonhar e promover a (re)generação do sujeito.This dissertation\'s central theme is to discuss vitalization in psychoanalytic practice in the face of affective anesthesia in traumatized subjects, focusing on the implications for the analyst\'s psyche and the dimension of corporeality within the setting. It analyzes how trauma and splitting affect subjectivity, leading to states of numbness, anhedonia, and a rupture in self-perception. The research hypothesizes that desvitalization manifests through splitting of the body, senses, and meanings, and that the analyst\'s listening should go beyond verbal representation, incorporating sensory, aesthetic, and sensitive listening. The work develops from a theoretical-clinical approach, combining a bibliographic review of psychoanalysis on trauma and vitalization with reflections on clinical practice and the role of the analystespecially from a trans-matrix perspective that integrates Freudian-Kleinian and Ferenczian matrices, the latter serving as the theoretical foundation for the research. Given the challenges posed by psychic illnesses related to early traumas and passive defense processes, it becomes essential to rethink psychoanalytic clinical practice beyond the primacy of representations, valuing the work of affects, sensitive, polymorphic, and polyphonic listening, and the presence of the analyst as fundamental elements for symbolization and subject vitalization. This understanding of the analyst\'s position, grounded in the corporeality of the setting and in sensory and aesthetic listening, broadens psychoanalytic care by promoting the resurgence of creativity, the capacity to dream, and subjective transformationcrucial elements for each individual to take ownership of their affects and the meaning of their life experiences. Finally, strategies for vitalization in clinical practice are discussed, involving the use of the analyst\'s perception and sensitivitynot as a manual of instructions but as clinical resources that foster vitalization in a unique, ethical, and sensitive manner. From this perspective, vitalization in analysis transcends traditional technique, requiring the analyst to be actively present, creative, engaged, and attentive to their own body and unconscious while listening to the analysandespecially in cases of suffering related to desvitalizationthus promoting an expressive encounter capable of restoring the capacity to dream and fostering (re)generation of the subject.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPKupermann, DanielAlbiero, Débora Gaino2025-06-06info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/47/47133/tde-07082025-094647/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-08-22T16:34:02Zoai:teses.usp.br:tde-07082025-094647Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-08-22T16:34:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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