Da particularidade dos costumes à universalidade da moral em Jean-Jacques Rousseau

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Spira, Luis Fabio Guerra
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertacoes da USP
Universidade de São Paulo
Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8133/tde-29042026-102200/
Resumo: Trata-se de apresentar uma via possível e coerente para se pensar, na obra de Rousseau, a articulação entre o imperativo político de se particularizarem os costumes e aquele, moral, de se humanizar o cidadão. Essa articulação pressupõe a costura entre a epistemologia e a antropologia de Rousseau: para ele, a formação das ideias morais não se explica, apenas, pela reunião de ideias simples em complexas, como quiseram Locke e Condillac, mas exige, em vez de uma mecânica das ideias, em vez de um progresso apenas formal do entendimento, que se recorra, também, ao registro dos afetos e dos costumes. No caso dos empiristas, fala-se em ideias arquetípicas de modos mistos, faz-se abstração do que é o homem em sua totalidade e se redunda em morais abstratas, transcendentes; no de Rousseau, chega-se a uma moral imanente à particularidade situada: moral, pois, convenientemente ordenada à natureza das coisas - no que se percebe, também, a influência de Montesquieu no pensamento de Rousseau. Fazendo uso à sua maneira dessas influências, Rousseau pensa a gênese da justiça a partir de um par conceitual formado pelas noções de progresso ordenado e alteração, de modo que ou a gênese das ideias gerais se constrói sem prejuízo do registro do sentimento, e se chega pela art perfectionné a um universal imanente e conveniente ao particular bem-ordenado ou, pelo contrário, se chega a um universal transcendente e abstrato, que a art commencé enseja ao colocar o homem em contradição consigo mesmo. Dadas as analogias estruturais entre o pensamento de Rousseau sobre a política e seu pensamento sobre a moral, dado, ademais, que a experiência política moraliza o cidadão e que a experiência da humanidade inclina o homem a suas obrigações para com a sociedade, o esforço de particularizar os costumes de um povo, que incumbe ao legislador, permite que se postule que a desnaturação do homem em cidadão redunda, também, em se fazer o patriota convir com sua humanidade, o que se consuma mediante um progresso ordenado. Isso posto, não há uma contradição entre o particular e o universal em Rousseau, salvo quando esse universal se consubstancia como transcendência: aí, sim, precipita-se o homem na contradição, na alteração de que o Discurso sobre a desigualdade forneceu talvez a melhor representação
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No caso dos empiristas, fala-se em ideias arquetípicas de modos mistos, faz-se abstração do que é o homem em sua totalidade e se redunda em morais abstratas, transcendentes; no de Rousseau, chega-se a uma moral imanente à particularidade situada: moral, pois, convenientemente ordenada à natureza das coisas - no que se percebe, também, a influência de Montesquieu no pensamento de Rousseau. Fazendo uso à sua maneira dessas influências, Rousseau pensa a gênese da justiça a partir de um par conceitual formado pelas noções de progresso ordenado e alteração, de modo que ou a gênese das ideias gerais se constrói sem prejuízo do registro do sentimento, e se chega pela art perfectionné a um universal imanente e conveniente ao particular bem-ordenado ou, pelo contrário, se chega a um universal transcendente e abstrato, que a art commencé enseja ao colocar o homem em contradição consigo mesmo. Dadas as analogias estruturais entre o pensamento de Rousseau sobre a política e seu pensamento sobre a moral, dado, ademais, que a experiência política moraliza o cidadão e que a experiência da humanidade inclina o homem a suas obrigações para com a sociedade, o esforço de particularizar os costumes de um povo, que incumbe ao legislador, permite que se postule que a desnaturação do homem em cidadão redunda, também, em se fazer o patriota convir com sua humanidade, o que se consuma mediante um progresso ordenado. Isso posto, não há uma contradição entre o particular e o universal em Rousseau, salvo quando esse universal se consubstancia como transcendência: aí, sim, precipita-se o homem na contradição, na alteração de que o Discurso sobre a desigualdade forneceu talvez a melhor representaçãoThe aim is to present a possible and coherent way of thinking, in Rousseau\'s work, about the articulation between the political imperative of particularizing customs and the moral imperative of humanizing the citizen. This articulation presupposes the connection between Rousseau\'s epistemology and anthropology: for him, the formation of moral ideas cannot be explained simply by the gathering of simple ideas into complex ones, as Locke and Condillac would have it, but requires, instead of a mechanics of ideas, instead of a merely formal progress of understanding, that we also resort to the sphere of affections and customs. In that case, we speak of archetypal ideas of mixed modes, we abstract from what man is in his totality, and it results in abstract, transcendental morals; in the latter, we arrive at a morality immanent to the situated particularity: morality, therefore, conveniently ordered to the nature of the thing - and these concepts reveal the influence of Montesquieu on Rousseau\'s thought. Using these influences in his own way, Rousseau thinks about the genesis of justice based on a conceptual pair formed by the notions of progrès ordonné and altération, so that either the genesis of general ideas is constructed without prejudice to the scope of sentiment, and one arrives through an art perfectionné at an immanent universal convenient to the well-ordered particular or, on the contrary, one arrives at a transcendental and abstract universal, which an art commencé gives rise to by placing man in contradiction with himself. Given the structural analogies between Rousseau\'s thought on politics and his thought on morality, given, furthermore, that political experience moralizes the citizen and that the experience of humanity inclines man to his obligations towards society, the effort to particularize the customs of a people, which is the responsibility of the legislator, allows us to postulate that the denaturation of man into a citizen also results in making the patriot more convenient for his humanity, which is accomplished through a progrès ordonné. That said, there is no contradiction between the particular and the universal in Rousseau, except when this universal is embodied as transcendence: then, yes, man is precipitated into contradiction, into the altération of which the Discourse on Inequality perhaps provided the best representationBiblioteca Digitais de Teses e Dissertacoes da USPUniversidade de São PauloFaculdade de Filosofia, Letras e Ciências HumanasNascimento, Milton Meira doSpira, Luis Fabio Guerra2025-11-262026-04-29info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8133/tde-29042026-102200/doi:10.11606/T.8.2025.tde-29042026-102200Liberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccessporreponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USP2026-04-29T14:42:02Zoai:teses.usp.br:tde-29042026-102200Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212026-04-29T14:42:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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