Adolescências, diagnósticos, psicofármacos e escola: quando o problema e a solução habitam a mesma cápsula

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Siqueira, Débora Lima
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/47/47131/tde-23102025-111914/
Resumo: Nesta pesquisa, analisamos as relações, dificuldades e potências/resistências que podem surgir no caminho de estudantes diagnosticados(as) com transtorno mental na fase da infância/adolescência em seu cotidiano escolar no Ensino Médio Integrado de uma Instituição Federal de Educação Profissional e Tecnológica do Estado de Sergipe no município de Lagarto. A partir das peculiaridades e afetações que envolvem a experiência de habitar o território de pesquisa concomitantemente enquanto psicóloga escolar e pesquisadora buscamos compreender as razões que levaram ao aumento da procura estudantil por atendimentos relativos às questões de saúde mental e por acompanhamento no serviço de Psicologia escolar do Campus Lagarto nos últimos anos. Buscamos analisar como aconteceu, para estes(as) estudantes, o processo de permanência e conclusão dos estudos paralelamente a um tratamento de transtorno mental. Investigamos a relação entre esses estudantes e a instituição escolar considerando o recorte social ao qual pertencem. Focamos os encaminhamentos relativos ao tratamento, os estigmas que enfrentam e o acesso à rede de saúde pública. O estudo se deu a partir da análise de relatos colhidos em rodas de conversa com grupos com alunos(as) e encontros-entrevistas individuais com ex-alunos(as) que haviam encerrado os estudos há pouco tempo na instituição. Encontramos nos dados produzidos em campo alguns elementos que nos ajudam a pensar a experiência de estudar em um IF sendo um(a) adolescente diagnosticado(a) com transtorno mental e, em alguns casos, utilizando psicofármacos. Nos relatos, chamou-nos a atenção as sensações de incompreensão que esses(as) jovens têm no cotidiano escolar em relação aos seus marcadores sociais de classe, raça e gênero e de assujeitamento a um pensamento meritocrático dominante na instituição. Durante a pesquisa, a conexão entre juventude, internet e escola também ganhou relevo, assim como a sensação de inadequação às expectativas pessoais e institucionais sobre seus desempenhos acadêmicos que culminam em sofrimentos psíquicos intensos. Os diagnósticos e o uso de psicofármacos no meio estudantil não têm seus sentidos determinados a priori: ou como impedimento da possibilidade de futuro na vida de estudantes em eminente estado de vício ou a única maneira possível de sobrevivência e tratamento. Afirmar essa indeterminação tornou-se posição fundamental neste trabalho e justificou a necessidade de criação de espaços para participação e discussão com os(as) estudantes sobre essas temáticas. Espaços que possibilitaram aos(às) envolvidos(as) na pesquisa disputa de sentidos e profundas reflexões acerca das experiências estudantis relatadas durante o próprio processo.
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A partir das peculiaridades e afetações que envolvem a experiência de habitar o território de pesquisa concomitantemente enquanto psicóloga escolar e pesquisadora buscamos compreender as razões que levaram ao aumento da procura estudantil por atendimentos relativos às questões de saúde mental e por acompanhamento no serviço de Psicologia escolar do Campus Lagarto nos últimos anos. Buscamos analisar como aconteceu, para estes(as) estudantes, o processo de permanência e conclusão dos estudos paralelamente a um tratamento de transtorno mental. Investigamos a relação entre esses estudantes e a instituição escolar considerando o recorte social ao qual pertencem. Focamos os encaminhamentos relativos ao tratamento, os estigmas que enfrentam e o acesso à rede de saúde pública. O estudo se deu a partir da análise de relatos colhidos em rodas de conversa com grupos com alunos(as) e encontros-entrevistas individuais com ex-alunos(as) que haviam encerrado os estudos há pouco tempo na instituição. Encontramos nos dados produzidos em campo alguns elementos que nos ajudam a pensar a experiência de estudar em um IF sendo um(a) adolescente diagnosticado(a) com transtorno mental e, em alguns casos, utilizando psicofármacos. Nos relatos, chamou-nos a atenção as sensações de incompreensão que esses(as) jovens têm no cotidiano escolar em relação aos seus marcadores sociais de classe, raça e gênero e de assujeitamento a um pensamento meritocrático dominante na instituição. Durante a pesquisa, a conexão entre juventude, internet e escola também ganhou relevo, assim como a sensação de inadequação às expectativas pessoais e institucionais sobre seus desempenhos acadêmicos que culminam em sofrimentos psíquicos intensos. Os diagnósticos e o uso de psicofármacos no meio estudantil não têm seus sentidos determinados a priori: ou como impedimento da possibilidade de futuro na vida de estudantes em eminente estado de vício ou a única maneira possível de sobrevivência e tratamento. Afirmar essa indeterminação tornou-se posição fundamental neste trabalho e justificou a necessidade de criação de espaços para participação e discussão com os(as) estudantes sobre essas temáticas. Espaços que possibilitaram aos(às) envolvidos(as) na pesquisa disputa de sentidos e profundas reflexões acerca das experiências estudantis relatadas durante o próprio processo.In this research we analyze the relationships, difficulties and strengths/resistance that cross the lives of students diagnosed with a mental disorder in childhood/adolescence in their daily school life in high school of Instituto Federal de Sergipe, Lagarto´s City Campus. Based on the peculiarities and affects that involve the experience of inhabiting the research territory simultaneously as a school psychologist and researcher, we seek to understand the reasons that led to the increase in student demand for care related to mental health issues and for monitoring in school psychology service of the Lagarto Campus in recent years. We sought to analyze how the process of staying and completing studies happened for these students in parallel with treatment for a mental disorder. We investigated the relationship between these students and the school institution based on the social groups to which they belong, the referrals related to treatment, stigmas they face, access to the public health network, etc. The study was based on the analysis of reports collected in meetings with students and individual interviews with former students who had recently left the institution. We were able to find in the data we produced in the field, clues that speak about the collective experience of studying as a teenager diagnosed with a mental disorder and in some cases using psychotropic drugs. In the reports, our attention was drawn to the sensations of incomprehension that these young people feel in everyday school life in relation to their social markers of class, race and gender and of being subjected to a dominant meritocratic thinking in the institution. During the research, the connection between youth, the internet and school was an importante discovery, as well as the feeling of inadequacy to personal and institutional expectations regarding their academic performance, which culminates in intense psychological suffering. Diagnoses and the use of psychotropic drugs among students do not have their meanings determined a priori: either as an impediment to the possibility of a future in an imminent state of addiction or as the only possible way of survival and treatment. Affirming this indeterminacy became a fundamental position in this work and justified the need to create spaces for participation and discussion with students on these themes. Spaces that allowed those involved in the research to dispute meanings and deeply reflect on the student experiences reported during the process itself.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPMachado, Adriana MarcondesSiqueira, Débora Lima2025-03-12info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/47/47131/tde-23102025-111914/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-10-29T20:15:02Zoai:teses.usp.br:tde-23102025-111914Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-10-29T20:15:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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