Entre rotativas e cinematógrafos: identidade nacional e língua no discurso sobre o cinema argentino em periódicos portenhos (1933-1936)
| Ano de defesa: | 2025 |
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| Tipo de documento: | Dissertação |
| Tipo de acesso: | Acesso aberto |
| Idioma: | por |
| Instituição de defesa: |
Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
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| Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
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| Departamento: |
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| País: |
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| Palavras-chave em Português: | |
| Link de acesso: | https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8145/tde-03112025-125253/ |
Resumo: | Neste trabalho, analisamos, em publicações periódicas da imprensa portenha, aspectos do discurso sobre o cinema produzido em Buenos Aires na década de 1930, mais precisamente no início de um período que España (2000) denomina cine clásico industrial (1933-1957). Compõem nosso material de análise fragmentos de críticas cinematográficas de três filmes argentinos - Los tres berretines (1933), Riachuelo (1934) e El conventillo de la Paloma (1936) - publicadas em seções sobre o cinema de dois jornais de grande circulação - La Nación e El Mundo - e em duas revistas inteiramente dedicadas a esse tema - Heraldo del Cinematografista e Cinegraf. Assumindo a perspectiva teórica da Análise do discurso materialista, neste estudo, nos dedicamos a refletir sobre as tensões presentes no discurso de sujeitos - críticos cinematográficos - que não só assistiram, mas tentaram intervir nos rumos e nos sentidos do \"cine nacional\" que, naquele momento, tomava forma. Também buscamos compreender, no interior desse discurso, os sentidos atribuídos à língua falada nos filmes, aspecto bastante significativo se considerarmos o contexto em que essas obras foram realizadas: quando o som, os diálogos (e as canções) foram definitivamente incorporados à composição das produções cinematográficas. O cinema e o discurso sobre ele são pensados, em nossa pesquisa, no interior de um processo complexo de modernização - fortemente vinculado ao intenso fluxo de imigrantes europeus que chegou à Argentina na virada do século XIX para o XX - cujos efeitos se observaram sobretudo nos centros urbanos. Para a análise desse discurso, mostrou-se crucial remetê-lo às suas condições de produção, atravessadas pelo funcionamento de uma região da memória discursiva relacionada a um conjunto de formas de espetáculo bastante populares (e questionadas pelas elites) no período que recortamos. Nesse sentido, focalizamos, em especial, a tensão, presente nos textos críticos, sobre o cinema e um gênero teatral específico, o sainete. Nas peças desse gênero, os personagens e espaços representavam particularmente os setores populares e levaram para os palcos e, posteriormente - com as adaptações cinematográficas -, para as salas de exibição cenários, personagens e formas de língua que entravam em tensão com projeções sobre a identidade linguística e, em vista disso, da identidade nacional. Na análise do discurso sobre o cinema uma operação discursiva se mostrou bastante regular: a negação de uma relação de continuidade entre a prática cinematográfica e a teatral |
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Entre rotativas e cinematógrafos: identidade nacional e língua no discurso sobre o cinema argentino em periódicos portenhos (1933-1936)Between rotary presses and cinematographs: national identity and language in the discourse on Argentine cinema in Buenos Aires periodicals (1933-1936)ArgentinaArgentinaCinema sonoroDiscourseDiscourse about the languageDiscursoDiscurso sobre a línguaIdentidade nacionalNational identitySound cinemaNeste trabalho, analisamos, em publicações periódicas da imprensa portenha, aspectos do discurso sobre o cinema produzido em Buenos Aires na década de 1930, mais precisamente no início de um período que España (2000) denomina cine clásico industrial (1933-1957). Compõem nosso material de análise fragmentos de críticas cinematográficas de três filmes argentinos - Los tres berretines (1933), Riachuelo (1934) e El conventillo de la Paloma (1936) - publicadas em seções sobre o cinema de dois jornais de grande circulação - La Nación e El Mundo - e em duas revistas inteiramente dedicadas a esse tema - Heraldo del Cinematografista e Cinegraf. Assumindo a perspectiva teórica da Análise do discurso materialista, neste estudo, nos dedicamos a refletir sobre as tensões presentes no discurso de sujeitos - críticos cinematográficos - que não só assistiram, mas tentaram intervir nos rumos e nos sentidos do \"cine nacional\" que, naquele momento, tomava forma. Também buscamos compreender, no interior desse discurso, os sentidos atribuídos à língua falada nos filmes, aspecto bastante significativo se considerarmos o contexto em que essas obras foram realizadas: quando o som, os diálogos (e as canções) foram definitivamente incorporados à composição das produções cinematográficas. O cinema e o discurso sobre ele são pensados, em nossa pesquisa, no interior de um processo complexo de modernização - fortemente vinculado ao intenso fluxo de imigrantes europeus que chegou à Argentina na virada do século XIX para o XX - cujos efeitos se observaram sobretudo nos centros urbanos. Para a análise desse discurso, mostrou-se crucial remetê-lo às suas condições de produção, atravessadas pelo funcionamento de uma região da memória discursiva relacionada a um conjunto de formas de espetáculo bastante populares (e questionadas pelas elites) no período que recortamos. Nesse sentido, focalizamos, em especial, a tensão, presente nos textos críticos, sobre o cinema e um gênero teatral específico, o sainete. Nas peças desse gênero, os personagens e espaços representavam particularmente os setores populares e levaram para os palcos e, posteriormente - com as adaptações cinematográficas -, para as salas de exibição cenários, personagens e formas de língua que entravam em tensão com projeções sobre a identidade linguística e, em vista disso, da identidade nacional. Na análise do discurso sobre o cinema uma operação discursiva se mostrou bastante regular: a negação de uma relação de continuidade entre a prática cinematográfica e a teatralIn this study, we analyze aspects of the discourse on cinema produced in Buenos Aires during the 1930s, as found in periodical publications of the Porteño press, focusing more precisely on the early years of the period that España (2000) defines as classical industrial cinema (1933-1957). Our analysis material is composed of excerpts from film reviews of three Argentine films -- Los Tres Berretines (1933), Riachuelo (1934), and El Conventillo de La Paloma (1936) -- published in the cinema sections of two widely circulated newspapers (La Nación and El Mundo) and in two magazines entirely dedicated to cinema (Heraldo del Cinematografista and Cinegraf). Grounded on the theoretical framework of materialist Discourse Analysis, this study seeks to reflect on the tensions present in the discourse of certain subjects -- film critics -- who not only watched the films but also attempted to intervene in the directions and meanings of the emerging \"cine nacional\" (national cinema). We also aim to understand, within this discourse, the meanings attributed to the spoken language in the films -- an especially significant aspect when considering the context in which these works were produced: a moment when sound, dialogue, and songs had definitively been incorporated into cinematic productions. In our research, cinema and the discourse surrounding it are examined as part of a broader and complex process of modernization -- one closely tied to the intense wave of European immigration to Argentina at the turn of the twentieth century -- whose effects were particularly evident in urban centers. For the analysis of this discourse, it proved crucial to refer it back to its conditions of production, which were shaped by the functioning of a region of discursive memory related to a set of popular forms of entertainment (often questioned by the elites) during the period under consideration. In this sense, we focus, particularly, on the tension, present in the critical texts, between cinema and a specific theatrical genre: the sainete. In the plays of this genre, characters and settings notably represented the popular classes, bringing to the stage -- and later, through film adaptations, to the movie theaters -- scenes, characters, and forms of language that clashed with dominant projections of linguistic identity and, consequently, national identity. In the analysis of discourse on cinema, one discursive operation appeared with striking regularity: the denial of any continuity between cinematic and theatrical practicesBiblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPCelada, Maria TeresaSilva, Silas Luiz Alves2025-08-11info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8145/tde-03112025-125253/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-11-03T14:59:02Zoai:teses.usp.br:tde-03112025-125253Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-11-03T14:59:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false |
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Neste trabalho, analisamos, em publicações periódicas da imprensa portenha, aspectos do discurso sobre o cinema produzido em Buenos Aires na década de 1930, mais precisamente no início de um período que España (2000) denomina cine clásico industrial (1933-1957). Compõem nosso material de análise fragmentos de críticas cinematográficas de três filmes argentinos - Los tres berretines (1933), Riachuelo (1934) e El conventillo de la Paloma (1936) - publicadas em seções sobre o cinema de dois jornais de grande circulação - La Nación e El Mundo - e em duas revistas inteiramente dedicadas a esse tema - Heraldo del Cinematografista e Cinegraf. Assumindo a perspectiva teórica da Análise do discurso materialista, neste estudo, nos dedicamos a refletir sobre as tensões presentes no discurso de sujeitos - críticos cinematográficos - que não só assistiram, mas tentaram intervir nos rumos e nos sentidos do \"cine nacional\" que, naquele momento, tomava forma. Também buscamos compreender, no interior desse discurso, os sentidos atribuídos à língua falada nos filmes, aspecto bastante significativo se considerarmos o contexto em que essas obras foram realizadas: quando o som, os diálogos (e as canções) foram definitivamente incorporados à composição das produções cinematográficas. O cinema e o discurso sobre ele são pensados, em nossa pesquisa, no interior de um processo complexo de modernização - fortemente vinculado ao intenso fluxo de imigrantes europeus que chegou à Argentina na virada do século XIX para o XX - cujos efeitos se observaram sobretudo nos centros urbanos. Para a análise desse discurso, mostrou-se crucial remetê-lo às suas condições de produção, atravessadas pelo funcionamento de uma região da memória discursiva relacionada a um conjunto de formas de espetáculo bastante populares (e questionadas pelas elites) no período que recortamos. Nesse sentido, focalizamos, em especial, a tensão, presente nos textos críticos, sobre o cinema e um gênero teatral específico, o sainete. Nas peças desse gênero, os personagens e espaços representavam particularmente os setores populares e levaram para os palcos e, posteriormente - com as adaptações cinematográficas -, para as salas de exibição cenários, personagens e formas de língua que entravam em tensão com projeções sobre a identidade linguística e, em vista disso, da identidade nacional. Na análise do discurso sobre o cinema uma operação discursiva se mostrou bastante regular: a negação de uma relação de continuidade entre a prática cinematográfica e a teatral |
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