Telemedicina e consentimento : a informação como dever de resultado na relação médico-paciente

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2023
Autor(a) principal: Cascaes, Amanda Celli
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/2/2131/tde-14032024-090726/
Resumo: A telemedicina prestação de serviços médicos à distância, mediante uso da tecnologia e de ferramentas de telecomunicação tornou-se uma nova realidade a partir da pandemia de COVID-19. As diversas modalidades de telemedicina beneficiaram pacientes durante o período de isolamento, mas também demonstraram como ampliar o acesso à saúde por meio da tecnologia pode ser uma alternativa para reduzir custos, promover acesso a especialistas e ajudar a esvaziar os sobrecarregados hospitais. Contudo, pouco se discute sobre os desafios da telemedicina e a necessária regulamentação da prática. Nesse contexto, a presente tese tem por escopo fornecer um panorama da telemedicina, em seus contextos macro e micro, mediante análise do histórico das normas regulatórias e da legislação descentralizada aplicável, para propor os pontos que deveriam ser endereçados em legislação própria. Do ponto de vista de tratamento de dados pessoais inerente à telemedicina foram avaliados os requisitos do consentimento e a necessidade de proteção dos dados pessoais de saúde dos pacientes, em especial diante da formação dos grandes bancos de dados e dos riscos de ofensa a direitos da personalidade. Além da necessária implementação de ferramentas que garantam a segurança das informações, é preciso que tanto médicos quanto pacientes sejam inseridos e educados para o contexto digital, na condição de usuários e de cidadãos. No que tange à relação médico- paciente, a confiança e a pessoalidade são elementos centrais, que podem ser impactados pela telemedicina. É preciso não somente garantir o sigilo das informações médicas, mas também assegurar que o paciente exercerá a sua autonomia e expressará validamente o seu consentimento informado. Analisa-se o tema à luz dos direitos da personalidade e da sua irrenunciabilidade, transpondo a discussão para o âmbito da recusa terapêutica e do direito de consentir. A tese aborda, ainda, os possíveis danos decorrentes da prática médica e o regime de responsabilidade civil aplicável. Examina-se como a falha no dever de informar pode representar um dano autônomo, mediante análise da teoria geral de responsabilidade civil e de outros elementos estimados pelo ordenamento jurídico, como o incentivo à precaução e a valorização da pessoa humana.
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Nesse contexto, a presente tese tem por escopo fornecer um panorama da telemedicina, em seus contextos macro e micro, mediante análise do histórico das normas regulatórias e da legislação descentralizada aplicável, para propor os pontos que deveriam ser endereçados em legislação própria. Do ponto de vista de tratamento de dados pessoais inerente à telemedicina foram avaliados os requisitos do consentimento e a necessidade de proteção dos dados pessoais de saúde dos pacientes, em especial diante da formação dos grandes bancos de dados e dos riscos de ofensa a direitos da personalidade. Além da necessária implementação de ferramentas que garantam a segurança das informações, é preciso que tanto médicos quanto pacientes sejam inseridos e educados para o contexto digital, na condição de usuários e de cidadãos. No que tange à relação médico- paciente, a confiança e a pessoalidade são elementos centrais, que podem ser impactados pela telemedicina. É preciso não somente garantir o sigilo das informações médicas, mas também assegurar que o paciente exercerá a sua autonomia e expressará validamente o seu consentimento informado. Analisa-se o tema à luz dos direitos da personalidade e da sua irrenunciabilidade, transpondo a discussão para o âmbito da recusa terapêutica e do direito de consentir. A tese aborda, ainda, os possíveis danos decorrentes da prática médica e o regime de responsabilidade civil aplicável. Examina-se como a falha no dever de informar pode representar um dano autônomo, mediante análise da teoria geral de responsabilidade civil e de outros elementos estimados pelo ordenamento jurídico, como o incentivo à precaução e a valorização da pessoa humana.Telemedicine the provision of medical services at a distance, using technology and telecommunication tools has become a new reality since the COVID-19 pandemic. The various telemedicine modalities benefited patients during the isolation period, but also demonstrated how expanding access to health through technology can be an alternative to reduce costs, promote access to specialists and help to empty overloaded hospitals. However, little is discussed about the challenges of telemedicine and the necessary regulation of the practice. In this context, the scope of this thesis is to provide an overview of telemedicine, in its macro and micro contexts, by analyzing the history of regulatory norms and applicable decentralized legislation, to propose the points that should be addressed in specific legislation. From the point of view of processing personal data inherent to telemedicine the requirements for consent and the need to protect patients\' personal health data were evaluated, especially in view of the formation of large databases and the risks of offending personality rights. In addition to the necessary implementation of tools that guarantee information security, both doctors and patients need to be inserted and educated for the digital context, as users and citizens. Regarding the doctor-patient relationship, trust and personality are central elements that can be impacted by telemedicine. It is necessary not only to guarantee the confidentiality of medical information, but also to ensure that the patient will exercise his autonomy and validly express his informed consent. The theme is analyzed in the light of personality rights and their non-waiver, transposing the discussion to the scope of therapeutic and consenting refusal. The thesis also addresses possible damages resulting from medical practice and the applicable liability regime. It examines how the failure in the duty to inform can represent an autonomous damage, through the analysis of the general theory of civil responsibility and other elements estimated by the legal system, such as the incentive to precaution and the valuation of the human person.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPLopez, Teresa AnconaCascaes, Amanda Celli2023-07-28info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/2/2131/tde-14032024-090726/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPReter o conteúdo por motivos de patente, publicação e/ou direitos autoriais.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2024-09-25T14:40:02Zoai:teses.usp.br:tde-14032024-090726Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212024-09-25T14:40:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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