Jurisvivência : o encontro do Direito com a escrevivência de Conceição Evaristo
| Ano de defesa: | 2024 |
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| Tipo de documento: | Tese |
| Tipo de acesso: | Acesso aberto |
| Idioma: | por |
| Instituição de defesa: |
Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
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| Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
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| Departamento: |
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| País: |
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| Palavras-chave em Português: | |
| Link de acesso: | https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/2/2139/tde-05112024-153326/ |
Resumo: | Esta tese explora como o conceito de escrevivência, cunhado por Conceição Evaristo no campo da ficção, pode dialogar com o Direito, contribuindo para um fazer jurídico mais apto à realização do justo e do bem-viver. Entre os objetivos da pesquisa, busco: i) compreender o conceito de escrevivência tal como pensado por Conceição Evaristo; ii) investigar como essa técnica de escrita vem se desenvolvendo em outros campos para além da literatura; iii) explorar como a escrevivência pode ser utilizada para ampliar a imaginação jurídica e contribuir para o Direito desenvolva uma perspectiva sensível à justiça racial e de gênero. A escrevivência tem sua origem no ato de escuta e de escrita das mulheres negras, surgindo como forma de resistência e insubordinação ao lugar atribuído a essas mulheres em uma ordem política e social marcada pelo racismo e pelo patriarcado. A forma particular da escrita escrevivente de Conceição Evaristo distingue-se de outros gêneros semelhantes por conferir maior centralidade às vozes de mulheres negras, permitindo imaginar outras possibilidades para a vida dessas personagens a partir de narrativas que desafiam o discurso hegemônico racista e patriarcal. Trata-se de pesquisa interdisciplinar e qualitativa, que tem suas bases teóricas nos feminismos negro, decolonial e afro-latino-americano, a partir das reflexões trazidas por autoras desses campos, como Lélia Gonzalez, Sueli Carneiro, bell hooks e Patrícia Hill Collins. O corpus da pesquisa é composto pela obra ficcional de Conceição Evaristo, cujas personagens principais são mulheres negras, utilizando-se, ainda, de outras autoras negras que tem como característica a escrita escrevivente. A pesquisa dialoga, também, com a teoria da fabulação crítica, de Saidiya Hartman, e com o projeto de reescrita de decisões judiciais, que, no Brasil, é coordenado por Fabiana Cristina Severi. A justificativa desse trabalho reside na necessidade de se ampliar a imaginação jurídica sobre as experiências vividas por corpos negros, sobretudo por mulheres negras, a fim de que suas vozes-vivências possam ser incorporadas ao fazer jurídico, combatendo a injustiça epistêmica e ampliando o rol de intérpretes da Constituição. Como contribuições resultantes desta pesquisa, proponho o exercício dialético de imaginação escrevivente e apresento o conceito de jurisvivência, uma espécie de escrevivência qualificada, produzida por mulheres negras que experimentam a condição de forasteiras de dentro (outsider within) quando integram o sistema de justiça. |
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Jurisvivência : o encontro do Direito com a escrevivência de Conceição EvaristoJurisvivência : the meeting of Law and escrevivência by Conceição EvaristoBlack feminismConceição EvaristoConceição EvaristoEscrevivênciaEscrevivênciaFeminismo negroJurisvivênciaJurisvivênciaRacismRacismoEsta tese explora como o conceito de escrevivência, cunhado por Conceição Evaristo no campo da ficção, pode dialogar com o Direito, contribuindo para um fazer jurídico mais apto à realização do justo e do bem-viver. Entre os objetivos da pesquisa, busco: i) compreender o conceito de escrevivência tal como pensado por Conceição Evaristo; ii) investigar como essa técnica de escrita vem se desenvolvendo em outros campos para além da literatura; iii) explorar como a escrevivência pode ser utilizada para ampliar a imaginação jurídica e contribuir para o Direito desenvolva uma perspectiva sensível à justiça racial e de gênero. A escrevivência tem sua origem no ato de escuta e de escrita das mulheres negras, surgindo como forma de resistência e insubordinação ao lugar atribuído a essas mulheres em uma ordem política e social marcada pelo racismo e pelo patriarcado. A forma particular da escrita escrevivente de Conceição Evaristo distingue-se de outros gêneros semelhantes por conferir maior centralidade às vozes de mulheres negras, permitindo imaginar outras possibilidades para a vida dessas personagens a partir de narrativas que desafiam o discurso hegemônico racista e patriarcal. Trata-se de pesquisa interdisciplinar e qualitativa, que tem suas bases teóricas nos feminismos negro, decolonial e afro-latino-americano, a partir das reflexões trazidas por autoras desses campos, como Lélia Gonzalez, Sueli Carneiro, bell hooks e Patrícia Hill Collins. O corpus da pesquisa é composto pela obra ficcional de Conceição Evaristo, cujas personagens principais são mulheres negras, utilizando-se, ainda, de outras autoras negras que tem como característica a escrita escrevivente. A pesquisa dialoga, também, com a teoria da fabulação crítica, de Saidiya Hartman, e com o projeto de reescrita de decisões judiciais, que, no Brasil, é coordenado por Fabiana Cristina Severi. A justificativa desse trabalho reside na necessidade de se ampliar a imaginação jurídica sobre as experiências vividas por corpos negros, sobretudo por mulheres negras, a fim de que suas vozes-vivências possam ser incorporadas ao fazer jurídico, combatendo a injustiça epistêmica e ampliando o rol de intérpretes da Constituição. Como contribuições resultantes desta pesquisa, proponho o exercício dialético de imaginação escrevivente e apresento o conceito de jurisvivência, uma espécie de escrevivência qualificada, produzida por mulheres negras que experimentam a condição de forasteiras de dentro (outsider within) quando integram o sistema de justiça.This thesis explores how the concept of escrevivência, forged by Conceição Evaristo in the field of fiction, can dialogue with Law, contributing to a legal practice that is more capable of achieving fairness and welfare. Amongst the research objectives, I seek to: i) understand the concept of escrevivência as thought by Conceição Evaristo; ii) investigate how this writing technique has been developed in other fields besides literature; iii) explore how escrevivência can be used to broaden the legal imagination and can contribute to the Law to develop a sensible perspective to racial and gender justice. Escrevivência has its origin in the act of listening and writing by black women, emerging as a way of resistance and insubordination to the place attributed to these women in a political and social order marked by racism and patriarchy. The peculiar Conceição Evaristo\'s escrevivente writing distinguishes itself from other similar genres by giving greater centrality to the voices of black women, allowing other possibilities for these characters lives to be imagined, based on narratives that challenge the hegemonic racist and patriarchal discourse. This is an interdisciplinary and qualitative research, which has its theoretical bases in black, decolonial and Afro-Latin American feminisms, based on reflections brought by authors of these fields, such as Lélia Gonzalez, Sueli Carneiro, bell hooks and Patrícia Hill Collins. The research corpus is composed by the fictional work of Conceição Evaristo, whose main characters are black women, also using other black female authors whose characteristic is escrevivente writing. The research also dialogues with the theory of critical fabulation, by Saidiya Hartman, and with the project of rewriting judicial decisions, which, in Brazil, is coordinated by Fabiana Cristina Severi. The justificative for this work lies in the need to expand juridical imagination about the experiences lived by black bodies, especially by black women, so that their voices-experiences can be incorporated into legal practice, facing epistemic injustice, and expanding the list of interpreters of the Constitution. As contributions resulting from this research, I propose the dialectical exercise of escrevivente imagination and I present the concept of jurisvivência, a type of qualified escrevivência, produced by black women who experience the condition of outsiders within when they are part of the justice system.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPQueiroz, Rafael Mafei RabeloCarvalho, Flávia Martins de2024-08-13info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/2/2139/tde-05112024-153326/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPReter o conteúdo por motivos de patente, publicação e/ou direitos autoriais.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-03-17T17:15:51Zoai:teses.usp.br:tde-05112024-153326Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-03-17T17:15:51Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false |
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Esta tese explora como o conceito de escrevivência, cunhado por Conceição Evaristo no campo da ficção, pode dialogar com o Direito, contribuindo para um fazer jurídico mais apto à realização do justo e do bem-viver. Entre os objetivos da pesquisa, busco: i) compreender o conceito de escrevivência tal como pensado por Conceição Evaristo; ii) investigar como essa técnica de escrita vem se desenvolvendo em outros campos para além da literatura; iii) explorar como a escrevivência pode ser utilizada para ampliar a imaginação jurídica e contribuir para o Direito desenvolva uma perspectiva sensível à justiça racial e de gênero. A escrevivência tem sua origem no ato de escuta e de escrita das mulheres negras, surgindo como forma de resistência e insubordinação ao lugar atribuído a essas mulheres em uma ordem política e social marcada pelo racismo e pelo patriarcado. A forma particular da escrita escrevivente de Conceição Evaristo distingue-se de outros gêneros semelhantes por conferir maior centralidade às vozes de mulheres negras, permitindo imaginar outras possibilidades para a vida dessas personagens a partir de narrativas que desafiam o discurso hegemônico racista e patriarcal. Trata-se de pesquisa interdisciplinar e qualitativa, que tem suas bases teóricas nos feminismos negro, decolonial e afro-latino-americano, a partir das reflexões trazidas por autoras desses campos, como Lélia Gonzalez, Sueli Carneiro, bell hooks e Patrícia Hill Collins. O corpus da pesquisa é composto pela obra ficcional de Conceição Evaristo, cujas personagens principais são mulheres negras, utilizando-se, ainda, de outras autoras negras que tem como característica a escrita escrevivente. A pesquisa dialoga, também, com a teoria da fabulação crítica, de Saidiya Hartman, e com o projeto de reescrita de decisões judiciais, que, no Brasil, é coordenado por Fabiana Cristina Severi. A justificativa desse trabalho reside na necessidade de se ampliar a imaginação jurídica sobre as experiências vividas por corpos negros, sobretudo por mulheres negras, a fim de que suas vozes-vivências possam ser incorporadas ao fazer jurídico, combatendo a injustiça epistêmica e ampliando o rol de intérpretes da Constituição. Como contribuições resultantes desta pesquisa, proponho o exercício dialético de imaginação escrevivente e apresento o conceito de jurisvivência, uma espécie de escrevivência qualificada, produzida por mulheres negras que experimentam a condição de forasteiras de dentro (outsider within) quando integram o sistema de justiça. |
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