Repercussões da violência sexual na infância sobre a função sexual e saúde mental da mulher

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2020
Autor(a) principal: Silva, Thiago Dornela Apolinario da
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/17/17145/tde-03112020-123603/
Resumo: Introdução: A violência sexual na infância (VSI - abuso sexual e estupro) é um fenômeno frequente, e mulheres que apresentam este histórico têm maior chance de apresentar disfunções sexuais (DS). Transtornos psiquiátricos como depressão, transtorno de ansiedade generalizada (TAG) e transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) frequentemente estão associados à VSI. Objetivos: Avaliar o risco de DS em mulheres com história de VSI e o risco para depressão, TAG e TEPT nestas mulheres; verificar os fatores associados ao risco de DS e os fatores associados à crença de que a VSI influenciou a vida sexual destas mulheres. Método: Estudo de coorte retrospectiva, para o qual foram convidadas mulheres com idade entre 18 e 35 anos com histórico de VSI atendidas no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (HCFMRP). O recrutamento das mulheres foi feito a partir dos seus prontuários médicos. Também participaram do estudo mulheres recrutadas da comunidade através da internet. As variáveis analisadas foram a função sexual, o risco para episódio depressivo maior (EDM), TAG, TEPT e o antecedente de VSI, através dos instrumentos IFSF, PHQ-9, GAD-7, PCL-5 e ETISR-SF, padronizados e validados para a língua portuguesa brasileira, respectivamente. A variável independente foi o risco de DS nessas mulheres. As participantes também foram avaliadas, por meio de questões semiestruturadas, quanto a se perceberem como vítimas de abuso sexual, a identidade do agressor e a crença de que o abuso sexual teve influência em sua vida sexual. Resultados: Participaram do estudo 77 mulheres. O risco para DS na população estudada foi de 68,8%. Os riscos para EDM, TAG e TEPT foram de 71,4%, 70,1% e 56,6%, respectivamente. Sessenta e duas (80,5%) mulheres referiram experiência sexual não consentida antes dos 18 anos, 64 (84,2%) se consideravam vítimas de abuso sexual na infância e destas, 37 (56%) relataram ter sido vitimizadas por um membro da família e 41 (64,1%) acreditavam que isso influenciou sua vida sexual de algum jeito. Houve associação entre o risco de DS e não estar em um relacionamento estável (p<0,01), apresentar risco para EDM (p<0,01), TAG (p<0,01), TEPT (p<0,01) e histórico de evento sexual traumático antes dos 18 anos (p=0,04). Os fatores associados para a crença de que o abuso sexual influenciou a vida sexual de algum jeito são agressão sexual por membro da família (p=0.01) e possuir risco para EDM (p=0,04), TAG (p=0,001) e TEPT (p=0,02). Pela análise multivariada, não estar em um relacionamento estável associou-se com o risco de disfunção sexual (OR=6,8 [1,54 - 30]) e a crença de influência do abuso sexual na vida sexual teve, como fatores de risco, a presença de risco para TAG (OR = 5,88 [1,3-27,03]) e VSI por um membro da família (OR = 5,78 [1,57-21,28]). Conclusão: Mulheres com histórico de VSI apresentam alta prevalência de disfunção sexual e de comorbidades psiquiátricas. Isso evidencia a importância de se avaliar a função sexual dessas mulheres durante as consultas ginecológicas de rotina, e a utilidade clínica de questões que permitam à paciente se expressar sobre o histórico de VSI e suas repercussões na vida sexual.
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spelling Repercussões da violência sexual na infância sobre a função sexual e saúde mental da mulherRepercussions of child sexual violence on women´s sexual function and mental healthAbuso sexualAnsiedadeAnxietyChild sexual abuseDepressãoDepressionDisfunção sexualEstuproPosttraumatic stress disorderRapeSexual dysfunctionSexual violenceTranstorno de estresse pós traumáticoViolência sexualIntrodução: A violência sexual na infância (VSI - abuso sexual e estupro) é um fenômeno frequente, e mulheres que apresentam este histórico têm maior chance de apresentar disfunções sexuais (DS). Transtornos psiquiátricos como depressão, transtorno de ansiedade generalizada (TAG) e transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) frequentemente estão associados à VSI. Objetivos: Avaliar o risco de DS em mulheres com história de VSI e o risco para depressão, TAG e TEPT nestas mulheres; verificar os fatores associados ao risco de DS e os fatores associados à crença de que a VSI influenciou a vida sexual destas mulheres. Método: Estudo de coorte retrospectiva, para o qual foram convidadas mulheres com idade entre 18 e 35 anos com histórico de VSI atendidas no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (HCFMRP). O recrutamento das mulheres foi feito a partir dos seus prontuários médicos. Também participaram do estudo mulheres recrutadas da comunidade através da internet. As variáveis analisadas foram a função sexual, o risco para episódio depressivo maior (EDM), TAG, TEPT e o antecedente de VSI, através dos instrumentos IFSF, PHQ-9, GAD-7, PCL-5 e ETISR-SF, padronizados e validados para a língua portuguesa brasileira, respectivamente. A variável independente foi o risco de DS nessas mulheres. As participantes também foram avaliadas, por meio de questões semiestruturadas, quanto a se perceberem como vítimas de abuso sexual, a identidade do agressor e a crença de que o abuso sexual teve influência em sua vida sexual. Resultados: Participaram do estudo 77 mulheres. O risco para DS na população estudada foi de 68,8%. Os riscos para EDM, TAG e TEPT foram de 71,4%, 70,1% e 56,6%, respectivamente. Sessenta e duas (80,5%) mulheres referiram experiência sexual não consentida antes dos 18 anos, 64 (84,2%) se consideravam vítimas de abuso sexual na infância e destas, 37 (56%) relataram ter sido vitimizadas por um membro da família e 41 (64,1%) acreditavam que isso influenciou sua vida sexual de algum jeito. Houve associação entre o risco de DS e não estar em um relacionamento estável (p<0,01), apresentar risco para EDM (p<0,01), TAG (p<0,01), TEPT (p<0,01) e histórico de evento sexual traumático antes dos 18 anos (p=0,04). Os fatores associados para a crença de que o abuso sexual influenciou a vida sexual de algum jeito são agressão sexual por membro da família (p=0.01) e possuir risco para EDM (p=0,04), TAG (p=0,001) e TEPT (p=0,02). Pela análise multivariada, não estar em um relacionamento estável associou-se com o risco de disfunção sexual (OR=6,8 [1,54 - 30]) e a crença de influência do abuso sexual na vida sexual teve, como fatores de risco, a presença de risco para TAG (OR = 5,88 [1,3-27,03]) e VSI por um membro da família (OR = 5,78 [1,57-21,28]). Conclusão: Mulheres com histórico de VSI apresentam alta prevalência de disfunção sexual e de comorbidades psiquiátricas. Isso evidencia a importância de se avaliar a função sexual dessas mulheres durante as consultas ginecológicas de rotina, e a utilidade clínica de questões que permitam à paciente se expressar sobre o histórico de VSI e suas repercussões na vida sexual.Child sexual abuse (CSA) is a frequent phenomenon, and women reporting CSA are at high risk of sexual dysfunction (SD). Psychiatric comorbidities such as depression, generalized anxiety disorder (GAD), and posttraumatic stress disorder (PTSD) are often related to sexual abuse history. Objectives: To evaluate the prevalence of sexual dysfunction in women who reported child sexual violence (CSA or rape), to evaluate psychiatric symptomatology (depressive, anxiety, and PTSD symptoms), and also, to verify risk factors associated to sexual dysfunction in these women. Methods: This is a retrospective cohort study carried out between June 2018 and July 2019. All women between 18 and 35 years who were admitted in a University Hospital due to sexual victimization before age of 18 were invited. History of sexual abuse, sexual function, risk for major depressive episode (MDE), GAD and PTSD were assessed by ETISR-SF, FSFI, PHQ-9, GAD-7 e PCL-5, respectively. All instruments were validated to Brazilian Portuguese version. Sexual dysfunction was the independent variable. The participants were also evaluated, through semi-structured questions, regarding their perception of themselves as victims of sexual abuse, the identity of the aggressor, and the belief that CSA had some influence on their sexual life. Results: Of the 579 eligible women from the cohort, 77 women participated in the study (66 from the cohort and 11 from internet). The risk for SD in the studied population was 68.8%. The risks for MDE, GAD and PTSD were 71.4%, 70.1% and 56.6%, respectively. Sixty-two (80.5%) women reported nonconsensual sexual experience before age 18, 64 (84.2%) considered themselves as victims of CSA, 37 (56%) reported having been victimized by a member of the family and 41 (64.1%) believed that this influenced their sex life in some way. There was an association between risk of SD and not being in a stable relationship (p <0.01), has a risk for MDE (p <0.01), GAD (p <0.01), PTSD (p <0.01) and history of traumatic sexual event before age of 18 (p = 0.04). The factors associated with the belief that sexual abuse influenced the sexual life were CSA by a family member (p = 0.01) and being at risk for MDE (p = 0.04), GAD (p = 0.001) and PTSD (p = 0.02). Multivariate analysis has shown that not being in a relationship is a risk factor for SD (OR=6,8 [1,54 - 30]) and the risk factors for the perception that CSA influenced sexual life were the presence of risk for GAD (OR=5.88[1.3-27.03]) and CSA by a family member (OR=5.78[1.57-21.28]). Conclusion: Women with a history of CSA have a high prevalence of sexual dysfunction and psychiatric comorbidities. This highlights the importance of assessing the sexual function of these women during routine gynecological consultations, and the clinical usefulness of questions that allow the patient to express herself about the history of CSA and its repercussions on sexual life.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPLara, Lucia Alves da SilvaSilva, Thiago Dornela Apolinario da2020-08-31info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/17/17145/tde-03112020-123603/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2021-01-29T18:40:02Zoai:teses.usp.br:tde-03112020-123603Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212021-01-29T18:40:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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