Os hormônios tireoidianos regulam diferencialmente a expressão de genes e função das mitocôndrias em tireoide e fígado de ratos

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2024
Autor(a) principal: Moreno, Ana Caroline Rippi
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/42/42137/tde-03102025-112540/
Resumo: Os hormônios tireoidianos (HTs: T3 e T4) são essenciais para o crescimento, desenvolvimento e metabolismo, e seus receptores são expressos em todos os tecidos, incluindo a tireoide. Contudo, pouco se sabe sobre as ações autócrinas do T3. Realizamos a análise do transcriptoma de células tireoidianas PCCL3 mantidas na ausência e presença de T3, por meio de sequenciamento de nova geração (RNASeq), a qual revelou inúmeros genes diferencialmente expressos, dos quais selecionamos os envolvidos com a função mitocondrial. São eles: Mpc1, Ndufv2, Usmg5, Atp5h e Atp5i. A seleção desses genes se baseou no seu importante papel funcional e em estudos prévios realizados no fígado de ratos que demonstraram ser a mitocôndria um alvo dos HTs. O objetivo do presente estudo foi validar os dados obtidos no RNASeq e avaliar num modelo in vivo, se os mesmos resultados são reproduzidos na tireoide e se esses genes também seriam alvo dos HTs no fígado. Ainda pretendeu-se investigar as possíveis repercussões sobre a expressão das proteínas codificadas por esses genes e a função mitocondrial nesses dois tecidos. A caracterização da funcionalidade das células foi verificada com experimentos em células PCCL3 mantidas em condições de (1) Starving: 96 horas em meio sem TSH ou 72h em meio sem TSH + 24h com TSH; e (2) Iodo: 24 horas em meio HAMF12 ou 24 horas em meio HAMF12+Iodo10-3M. Células PCCL3 receberam meio no qual o SFB havia sido depletado de HTs, procedimento realizado por meio da passagem do soro em uma resina especifica (AG-501-X8-Resin), permanecendo nesse meio por 24h. Após 24h as células foram subdivididas em dois grupos: um deles foi submetido ao tratamento com T3 na concentração de 10-7 M por mais 24h (grupo T3), enquanto o outro foi mantido no meio com soro depletado de HTs (grupo Hipo), por mais 24h (totalizando 48h). Na sequência foi realizada a extração do mRNA e quantificação da sua expressão por RT-qPCR. Em paralelo, ratos Wistar com ±250g foram divididos aleatoriamente nos grupos: (1) Controle; (2) Hipotireoideo (Hipo), que recebeu Metimazol (MMI), 0,03%, dissolvido na água de beber e (3) Tireotoxicose (T3), que recebeu injeções ip de T3 na dose de 1,5 µg/100g de PC. Após duas semanas, os animais foram eutanasiados e foram coletados o sangue, para obtenção do soro, a tireoide, hipófise e fígado os quais foram armazenados em freezer a -80ºC. Foram avaliadas a concentração sérica de TSH (MILLIplex) e a expressão gênica (RT-qPCR) de Gh e bTsh na hipófise. Na tireoide e fígado foi realizada a análise da expressão dos genes diferencialmente expressos no RNAseq (RT-qPCR) e das proteínas que eles codificam (Western Blotting). Em ambos os tecidos foram analisados a atividade enzimática da citrato sintase (Espectrofotômetro Epoch), respiração mitocondrial (Oroboros) e conteúdo de outras proteínas da cadeia respiratória (NDUFV8, SDHB, CORE2, MTC01, ATP5A e CYCSC). Na tireoide o comprimento da cauda Poli-A dos genes identificados por RNASeq foram avaliados, assim como o conteúdo proteico de FAM103, envolvida na introdução do CAP na porção 5 do mRNA. No fígado, outras proteínas de função, fissão e fusão mitocondrial foram analisadas (UCP2, SOD1, NRF2, PINK1, OPA1, MFN1, MFN2 e DRP1). Confirmamos a funcionalidade das células PCCL3 identificando aumento da expressão gênica de Nis após o estimulo com TSH, além de redução de Nis e Tpo após adição de Iodo. Na validação do RNASeq, todos os genes investigados apresentaram redução significativa da sua expressão (p<0.05), seguindo o padrão do RNASeq (redução no grupo Hipo vs T3). Não observamos alteração na expressão de nenhum dos genes diferencialmente expressos em RNASeq, após o tratamento com TSH. Em ratos, identificamos aumento da concentração sérica de TSH e da expressão gênica de bTsh em hipófise nos animais Hipo, assim como redução dos mesmos no grupo T3, confirmando a eficácia da intervenção. Notamos redução do consumo de ração, ganho de peso e da expressão gênica de Gh no grupo Hipo (vs Controle e T3), o que era esperado pela reconhecida taxa metabólica reduzida nessa condição. Na tireoide, todos os genes apresentaram conteúdo similar ao padrão do RNASeq, com redução na condição de hipotireoidismo, não detectando diferença estatística apenas o gene Atp5i. No entanto, a análise do conteúdo proteico revelou no grupo Hipo, aumento de ATP5I (vs T3) e ATP5H (vs T3 e Controle), sem correspondência com a redução detectada no mRNA dos respectivos genes, sugerindo na tireoide possíveis ações pós-transcricionais de modo a garantir a síntese dessas importantes proteínas dentro da normalidade. Não foi observado diferença na respiração mitocondrial na tireoide, porém detectamos redução da atividade da citrato sintase no grupo T3 (vs Controle e Hipo). Investigando ações pós transcricionais na tireoide, não detectamos diferença no comprimento da cauda poliA dos genes investigados, porém observamos aumento do conteúdo proteico de FAM103A1 no grupo Hipo em comparação aos demais, sugerindo aumento da estabilidade do mRNA pela adição do Cap na sua extremidade 5. No tecido hepático, observou-se redução apenas da expressão gênica de Mpc1 em animais Hipo (vs Controle e T3) e nos animais T3 (vs Controle), e de Ndufv2 nos animais Hipo (vs Controle). A expressão proteica seguiu o padrão da expressão gênica, ou seja, houve redução de NDUFV2 nos animais Hipo (vs T3). Foi observado também aumento da proteína ATP5I no grupo T3 (vs Controle e Hipo), sem alterações nas demais. No consumo de oxigênio, como esperado, observamos nos hepatócitos do grupo T3 aumento do estado 2 (vs Hipo), 3 (vs Hipo e Controle) e 4 (vs Hipo), com aumento na atividade da enzima citrato sintase (vs Controle e Hipo). No grupo Hipo, notamos redução do conteúdo proteico de CYCS (vs T3), e aumento do NRF2 (vs Controle e T3) e PINK1 (vs T3), sugerindo um efeito protetor do tecido nessa condição, visto que sob condições de estresse oxidativo, o NRF2 regula positivamente PINK1, que atua promovendo a mitofagia e revertendo os fenótipos de degeneração celular. As demais proteínas avaliadas não apresentaram diferença estatística. Nossos dados apontam para uma ação diferencial dos HTs nas mitocôndrias da tireoide em relação às do tecido hepático. Concluindo, o tratamento com T3, mesmo em doses 10 vezes menores que as habitualmente utilizadas para induzir tireotoxicose, promove aumento da massa mitocondrial, da termogênese e da síntese de ATP nos hepatócitos. Curiosamente, no grupo Hipo há um aumento na via de sinalização NRF2-PINK1, sugerindo uma estratégia adaptativa para a sobrevivência celular. Na tireoide, apesar do grupo Hipo apresentar redução da expressão dos genes de interesse, o conteúdo proteico dos mesmos encontra se elevado/similar ao controle, assim como o consumo de O2. Sugere-se um controle pós transcricional na condição de Hipo, possivelmente com a participação da proteína FAM103A1, que aumenta a t1/2 dos mRNAs de interesse, mantendo a taxa respiratória (pelo menos em curto prazo), o que seria desejável considerando a importância desta glândula para a fisiologia dos órgãos e sistemas.
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spelling Os hormônios tireoidianos regulam diferencialmente a expressão de genes e função das mitocôndrias em tireoide e fígado de ratosThyroid hormones differentially regulate gene expression and mitochondria function in rat thyroid and liverAutocrineAutócrinoFígadoHipotireoidismoHypothyroidismLiverMitochondriaMitocôndriaThyroidThyrotoxicosisTireoideTireotoxicoseOs hormônios tireoidianos (HTs: T3 e T4) são essenciais para o crescimento, desenvolvimento e metabolismo, e seus receptores são expressos em todos os tecidos, incluindo a tireoide. Contudo, pouco se sabe sobre as ações autócrinas do T3. Realizamos a análise do transcriptoma de células tireoidianas PCCL3 mantidas na ausência e presença de T3, por meio de sequenciamento de nova geração (RNASeq), a qual revelou inúmeros genes diferencialmente expressos, dos quais selecionamos os envolvidos com a função mitocondrial. São eles: Mpc1, Ndufv2, Usmg5, Atp5h e Atp5i. A seleção desses genes se baseou no seu importante papel funcional e em estudos prévios realizados no fígado de ratos que demonstraram ser a mitocôndria um alvo dos HTs. O objetivo do presente estudo foi validar os dados obtidos no RNASeq e avaliar num modelo in vivo, se os mesmos resultados são reproduzidos na tireoide e se esses genes também seriam alvo dos HTs no fígado. Ainda pretendeu-se investigar as possíveis repercussões sobre a expressão das proteínas codificadas por esses genes e a função mitocondrial nesses dois tecidos. A caracterização da funcionalidade das células foi verificada com experimentos em células PCCL3 mantidas em condições de (1) Starving: 96 horas em meio sem TSH ou 72h em meio sem TSH + 24h com TSH; e (2) Iodo: 24 horas em meio HAMF12 ou 24 horas em meio HAMF12+Iodo10-3M. Células PCCL3 receberam meio no qual o SFB havia sido depletado de HTs, procedimento realizado por meio da passagem do soro em uma resina especifica (AG-501-X8-Resin), permanecendo nesse meio por 24h. Após 24h as células foram subdivididas em dois grupos: um deles foi submetido ao tratamento com T3 na concentração de 10-7 M por mais 24h (grupo T3), enquanto o outro foi mantido no meio com soro depletado de HTs (grupo Hipo), por mais 24h (totalizando 48h). Na sequência foi realizada a extração do mRNA e quantificação da sua expressão por RT-qPCR. Em paralelo, ratos Wistar com ±250g foram divididos aleatoriamente nos grupos: (1) Controle; (2) Hipotireoideo (Hipo), que recebeu Metimazol (MMI), 0,03%, dissolvido na água de beber e (3) Tireotoxicose (T3), que recebeu injeções ip de T3 na dose de 1,5 µg/100g de PC. Após duas semanas, os animais foram eutanasiados e foram coletados o sangue, para obtenção do soro, a tireoide, hipófise e fígado os quais foram armazenados em freezer a -80ºC. Foram avaliadas a concentração sérica de TSH (MILLIplex) e a expressão gênica (RT-qPCR) de Gh e bTsh na hipófise. Na tireoide e fígado foi realizada a análise da expressão dos genes diferencialmente expressos no RNAseq (RT-qPCR) e das proteínas que eles codificam (Western Blotting). Em ambos os tecidos foram analisados a atividade enzimática da citrato sintase (Espectrofotômetro Epoch), respiração mitocondrial (Oroboros) e conteúdo de outras proteínas da cadeia respiratória (NDUFV8, SDHB, CORE2, MTC01, ATP5A e CYCSC). Na tireoide o comprimento da cauda Poli-A dos genes identificados por RNASeq foram avaliados, assim como o conteúdo proteico de FAM103, envolvida na introdução do CAP na porção 5 do mRNA. No fígado, outras proteínas de função, fissão e fusão mitocondrial foram analisadas (UCP2, SOD1, NRF2, PINK1, OPA1, MFN1, MFN2 e DRP1). Confirmamos a funcionalidade das células PCCL3 identificando aumento da expressão gênica de Nis após o estimulo com TSH, além de redução de Nis e Tpo após adição de Iodo. Na validação do RNASeq, todos os genes investigados apresentaram redução significativa da sua expressão (p<0.05), seguindo o padrão do RNASeq (redução no grupo Hipo vs T3). Não observamos alteração na expressão de nenhum dos genes diferencialmente expressos em RNASeq, após o tratamento com TSH. Em ratos, identificamos aumento da concentração sérica de TSH e da expressão gênica de bTsh em hipófise nos animais Hipo, assim como redução dos mesmos no grupo T3, confirmando a eficácia da intervenção. Notamos redução do consumo de ração, ganho de peso e da expressão gênica de Gh no grupo Hipo (vs Controle e T3), o que era esperado pela reconhecida taxa metabólica reduzida nessa condição. Na tireoide, todos os genes apresentaram conteúdo similar ao padrão do RNASeq, com redução na condição de hipotireoidismo, não detectando diferença estatística apenas o gene Atp5i. No entanto, a análise do conteúdo proteico revelou no grupo Hipo, aumento de ATP5I (vs T3) e ATP5H (vs T3 e Controle), sem correspondência com a redução detectada no mRNA dos respectivos genes, sugerindo na tireoide possíveis ações pós-transcricionais de modo a garantir a síntese dessas importantes proteínas dentro da normalidade. Não foi observado diferença na respiração mitocondrial na tireoide, porém detectamos redução da atividade da citrato sintase no grupo T3 (vs Controle e Hipo). Investigando ações pós transcricionais na tireoide, não detectamos diferença no comprimento da cauda poliA dos genes investigados, porém observamos aumento do conteúdo proteico de FAM103A1 no grupo Hipo em comparação aos demais, sugerindo aumento da estabilidade do mRNA pela adição do Cap na sua extremidade 5. No tecido hepático, observou-se redução apenas da expressão gênica de Mpc1 em animais Hipo (vs Controle e T3) e nos animais T3 (vs Controle), e de Ndufv2 nos animais Hipo (vs Controle). A expressão proteica seguiu o padrão da expressão gênica, ou seja, houve redução de NDUFV2 nos animais Hipo (vs T3). Foi observado também aumento da proteína ATP5I no grupo T3 (vs Controle e Hipo), sem alterações nas demais. No consumo de oxigênio, como esperado, observamos nos hepatócitos do grupo T3 aumento do estado 2 (vs Hipo), 3 (vs Hipo e Controle) e 4 (vs Hipo), com aumento na atividade da enzima citrato sintase (vs Controle e Hipo). No grupo Hipo, notamos redução do conteúdo proteico de CYCS (vs T3), e aumento do NRF2 (vs Controle e T3) e PINK1 (vs T3), sugerindo um efeito protetor do tecido nessa condição, visto que sob condições de estresse oxidativo, o NRF2 regula positivamente PINK1, que atua promovendo a mitofagia e revertendo os fenótipos de degeneração celular. As demais proteínas avaliadas não apresentaram diferença estatística. Nossos dados apontam para uma ação diferencial dos HTs nas mitocôndrias da tireoide em relação às do tecido hepático. Concluindo, o tratamento com T3, mesmo em doses 10 vezes menores que as habitualmente utilizadas para induzir tireotoxicose, promove aumento da massa mitocondrial, da termogênese e da síntese de ATP nos hepatócitos. Curiosamente, no grupo Hipo há um aumento na via de sinalização NRF2-PINK1, sugerindo uma estratégia adaptativa para a sobrevivência celular. Na tireoide, apesar do grupo Hipo apresentar redução da expressão dos genes de interesse, o conteúdo proteico dos mesmos encontra se elevado/similar ao controle, assim como o consumo de O2. Sugere-se um controle pós transcricional na condição de Hipo, possivelmente com a participação da proteína FAM103A1, que aumenta a t1/2 dos mRNAs de interesse, mantendo a taxa respiratória (pelo menos em curto prazo), o que seria desejável considerando a importância desta glândula para a fisiologia dos órgãos e sistemas.Thyroid hormones (THs: T3 and T4) are essential for growth, development and metabolism. Their receptors are expressed in every tissue, including thyroid itself, but little is known about the autocrine actions of T3. Transcriptome analysis of PCCL3 thyroid cells maintained in presence and absence of T3 using next generation sequencing (RNASeq) was performed and revealed numerous differentially expressed genes, from which we selected those involved with mitochondrial function (Mpc1, Ndufv2, Usmg5, Atp5h and Atp5i). These gene selection was based on their important functional role and on previous studies carried out in rat liver that demonstrated that the mitochondria is a TH-target structure. The objective of the present study was to validate the data obtained from RNASeq and evaluate, in vivo, whether the same results are reproduced in the thyroid and if these genes would also be targeted by THs in the liver. We also sought to investigate the possible repercussions on the expression of proteins encoded by these genes and the mitochondrial function in these two tissues. The characterization of cell functionality was verified with experiments on PCCL3 cells maintained under starving conditions: (1) 96h in TSH-depleted medium or (2) 72h in TSH-depleted medium + 24h with TSH-added medium, and (3) maintained in HAMF12 or HAMF12 + iodine 10-3M medium for 24h. PCCL3 cells received a TH depleted BSA medium - a procedure carried out by passing the serum through a specific resin (AG-501-X8-Resin) - and stayed in it for 24h. After this time period, the cells were subdivided into two groups: one submitted to T3 treatment at a concentration of 10-7M for another 24h (T3 group), while the other was maintained in the TH-depleted medium (Hypo group) for another 24h (total of 48h). Next, mRNA was extracted and its expression quantified by RT-qPCR. In parallel, Wistar rats weighing ±250g were randomly divided into the following groups: (1) Control; (2) hypothyroid (Hypo), who received Methimazole (MMI) 0.03% dissolved in drinking water; and (3) thyrotoxicosis (T3), who received ip. injections of T3 at the dose of 1.5 µg/100g of body weight. After two weeks, the animals were euthanized and blood collected for serum obtention. The thyroid, liver, and pituitary gland were also collected and stored at -80ºC. Serum TSH concentration (MILLIplex) and gene expression (RT-qPCR) of Gh and bTsh in the pituitary gland were evaluated. In the thyroid and liver, analysis of the genes differentially expressed in RNAseq and the proteins they encode were performed through RT qPCR and western blotting techniques, respectively. In both tissues, the enzymatic activity of citrate synthase (Epoch Spectrophotometer), mitochondrial respiration (Oroboros) and content of other respiratory chain proteins (NDUFV8, SDHB, CORE2, MTC01, ATP5A and CYCSC) were analyzed. In the thyroid, the length of the Poly-A tail of the genes identified by RNASeq were evaluated, as well as the protein content of FAM103, involved in the introduction of cap into the 5\' portion end of the mRNA. In the liver, other mitochondrial function, fission and fusion proteins were analyzed (UCP2, SOD1, NRF2, PINK1, OPA1, MFN1, MFN2 and DRP1). We confirmed the functionality of PCCL3 cells by identifying an increase in Nis gene expression after stimulation with TSH, in addition to a reduction in Nis and Tpo after the addition of iodine. In RNASeq validation, all genes investigated showed a significant reduction in their expression (p<0.05), following the RNASeq pattern (reduction in the Hypo vs. T3 group). We did not observe alterations in the expression of these genes after TSH treatment. In rats, we identified an increase in serum TSH concentration and bTsh gene expression in the pituitary gland in Hypo animals, as well as a reduction of these parameters in T3 group, confirming the effectiveness of the intervention. We noticed a reduction in feed consumption, weight gain and Gh gene expression in the Hypo group (vs. Control and T3), which was expected due to the recognized reduced metabolic rate in this condition. In the thyroid, all genes presented content similar to the RNASeq standard with a reduction in hypothyroidism with no statistical difference detected, except for the Atp5i gene. Although the analysis of protein content in the Hypo group revealed an increase in ATP5I (vs. T3) and ATP5H (vs. T3 and Control), these results did not corresponded with the reduction detected in the mRNA expression of these proteins respective encoding-genes, suggesting possible post-transcriptional modifications in the thyroid in order to guarantee the synthesis of these important proteins within normal levels. No difference was found in mitochondrial respiration in the thyroid. However, we detected a reduction in citrate synthase activity in the T3 group (vs. Control and Hypo). Concerning post-transcriptional actions in the thyroid, we did not detect a difference in the length of the poly-A tail of the investigated genes, but we observed an increase in the protein content of FAM103A1 in the Hypo group compared to the others, suggesting an increase in mRNA stability due to the addition of the 5\' cap. In liver tissue, there was a reduction in gene expression of Mpc1 in Hypo (vs. Control and T3) and T3 (vs. Control) animals, and of Ndufv2 in Hypo animals (vs. Control). Protein expression followed the pattern of gene expression, which means there was a reduction in NDUFV2 in Hypo animals (vs. T3). An increase in ATP5I protein content was also observed in the T3 group (vs. Control and Hypo), with no changes in the other ones. In oxygen consumption, as expected, we observed in hepatocytes of the T3 group an increase in states 2 (vs. Hypo), 3 (vs. Hypo and Control) and 4 (vs. Hypo), with an increase in the activity of the citrate synthase enzyme (vs. Control and Hypo). In Hypo group, we noticed a reduction in the protein content of CYCS (vs. T3), and an increase in NRF2 (vs. Control and T3) and PINK1 (vs. T3) suggesting a protective effect of the tissue in this condition since, under conditions of oxidative stress, NRF2 positively regulates PINK1 which acts to promote mitophagy and reverse cell degeneration phenotypes. The other proteins evaluated did not show any statistical difference. Our data point to a different action of THs on thyroid mitochondria compared to the liver. In conclusion, T3 treatment (even at doses 10 times lower than those usually used to induce thyrotoxicosis) promotes an increase in mitochondrial mass, thermogenesis and ATP synthesis in hepatocytes. Interestingly, in the Hypo group there is an increase in the NRF2 PINK1 signaling pathway, suggesting an adaptive strategy for cell survival. In the thyroid, despite the Hypo group showing reduced expression of the genes of interest, their protein content were similar/higher than the control, as was O2 consumption. A post-transcriptional control in the Hypo condition is suggested, possibly with the participation of the FAM103A1 protein, which increases the t1/2 of the mRNAs of interest maintaining the respiratory rate, at least in short term, which would be desirable considering the importance of this gland for organs and systems physiology.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPNunes, Maria TerezaMoreno, Ana Caroline Rippi2024-02-07info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/42/42137/tde-03102025-112540/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPReter o conteúdo por motivos de patente, publicação e/ou direitos autoriais.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-10-06T13:50:02Zoai:teses.usp.br:tde-03102025-112540Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-10-06T13:50:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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description Os hormônios tireoidianos (HTs: T3 e T4) são essenciais para o crescimento, desenvolvimento e metabolismo, e seus receptores são expressos em todos os tecidos, incluindo a tireoide. Contudo, pouco se sabe sobre as ações autócrinas do T3. Realizamos a análise do transcriptoma de células tireoidianas PCCL3 mantidas na ausência e presença de T3, por meio de sequenciamento de nova geração (RNASeq), a qual revelou inúmeros genes diferencialmente expressos, dos quais selecionamos os envolvidos com a função mitocondrial. São eles: Mpc1, Ndufv2, Usmg5, Atp5h e Atp5i. A seleção desses genes se baseou no seu importante papel funcional e em estudos prévios realizados no fígado de ratos que demonstraram ser a mitocôndria um alvo dos HTs. O objetivo do presente estudo foi validar os dados obtidos no RNASeq e avaliar num modelo in vivo, se os mesmos resultados são reproduzidos na tireoide e se esses genes também seriam alvo dos HTs no fígado. Ainda pretendeu-se investigar as possíveis repercussões sobre a expressão das proteínas codificadas por esses genes e a função mitocondrial nesses dois tecidos. A caracterização da funcionalidade das células foi verificada com experimentos em células PCCL3 mantidas em condições de (1) Starving: 96 horas em meio sem TSH ou 72h em meio sem TSH + 24h com TSH; e (2) Iodo: 24 horas em meio HAMF12 ou 24 horas em meio HAMF12+Iodo10-3M. Células PCCL3 receberam meio no qual o SFB havia sido depletado de HTs, procedimento realizado por meio da passagem do soro em uma resina especifica (AG-501-X8-Resin), permanecendo nesse meio por 24h. Após 24h as células foram subdivididas em dois grupos: um deles foi submetido ao tratamento com T3 na concentração de 10-7 M por mais 24h (grupo T3), enquanto o outro foi mantido no meio com soro depletado de HTs (grupo Hipo), por mais 24h (totalizando 48h). Na sequência foi realizada a extração do mRNA e quantificação da sua expressão por RT-qPCR. Em paralelo, ratos Wistar com ±250g foram divididos aleatoriamente nos grupos: (1) Controle; (2) Hipotireoideo (Hipo), que recebeu Metimazol (MMI), 0,03%, dissolvido na água de beber e (3) Tireotoxicose (T3), que recebeu injeções ip de T3 na dose de 1,5 µg/100g de PC. Após duas semanas, os animais foram eutanasiados e foram coletados o sangue, para obtenção do soro, a tireoide, hipófise e fígado os quais foram armazenados em freezer a -80ºC. Foram avaliadas a concentração sérica de TSH (MILLIplex) e a expressão gênica (RT-qPCR) de Gh e bTsh na hipófise. Na tireoide e fígado foi realizada a análise da expressão dos genes diferencialmente expressos no RNAseq (RT-qPCR) e das proteínas que eles codificam (Western Blotting). Em ambos os tecidos foram analisados a atividade enzimática da citrato sintase (Espectrofotômetro Epoch), respiração mitocondrial (Oroboros) e conteúdo de outras proteínas da cadeia respiratória (NDUFV8, SDHB, CORE2, MTC01, ATP5A e CYCSC). Na tireoide o comprimento da cauda Poli-A dos genes identificados por RNASeq foram avaliados, assim como o conteúdo proteico de FAM103, envolvida na introdução do CAP na porção 5 do mRNA. No fígado, outras proteínas de função, fissão e fusão mitocondrial foram analisadas (UCP2, SOD1, NRF2, PINK1, OPA1, MFN1, MFN2 e DRP1). Confirmamos a funcionalidade das células PCCL3 identificando aumento da expressão gênica de Nis após o estimulo com TSH, além de redução de Nis e Tpo após adição de Iodo. Na validação do RNASeq, todos os genes investigados apresentaram redução significativa da sua expressão (p<0.05), seguindo o padrão do RNASeq (redução no grupo Hipo vs T3). Não observamos alteração na expressão de nenhum dos genes diferencialmente expressos em RNASeq, após o tratamento com TSH. Em ratos, identificamos aumento da concentração sérica de TSH e da expressão gênica de bTsh em hipófise nos animais Hipo, assim como redução dos mesmos no grupo T3, confirmando a eficácia da intervenção. Notamos redução do consumo de ração, ganho de peso e da expressão gênica de Gh no grupo Hipo (vs Controle e T3), o que era esperado pela reconhecida taxa metabólica reduzida nessa condição. Na tireoide, todos os genes apresentaram conteúdo similar ao padrão do RNASeq, com redução na condição de hipotireoidismo, não detectando diferença estatística apenas o gene Atp5i. No entanto, a análise do conteúdo proteico revelou no grupo Hipo, aumento de ATP5I (vs T3) e ATP5H (vs T3 e Controle), sem correspondência com a redução detectada no mRNA dos respectivos genes, sugerindo na tireoide possíveis ações pós-transcricionais de modo a garantir a síntese dessas importantes proteínas dentro da normalidade. Não foi observado diferença na respiração mitocondrial na tireoide, porém detectamos redução da atividade da citrato sintase no grupo T3 (vs Controle e Hipo). Investigando ações pós transcricionais na tireoide, não detectamos diferença no comprimento da cauda poliA dos genes investigados, porém observamos aumento do conteúdo proteico de FAM103A1 no grupo Hipo em comparação aos demais, sugerindo aumento da estabilidade do mRNA pela adição do Cap na sua extremidade 5. No tecido hepático, observou-se redução apenas da expressão gênica de Mpc1 em animais Hipo (vs Controle e T3) e nos animais T3 (vs Controle), e de Ndufv2 nos animais Hipo (vs Controle). A expressão proteica seguiu o padrão da expressão gênica, ou seja, houve redução de NDUFV2 nos animais Hipo (vs T3). Foi observado também aumento da proteína ATP5I no grupo T3 (vs Controle e Hipo), sem alterações nas demais. No consumo de oxigênio, como esperado, observamos nos hepatócitos do grupo T3 aumento do estado 2 (vs Hipo), 3 (vs Hipo e Controle) e 4 (vs Hipo), com aumento na atividade da enzima citrato sintase (vs Controle e Hipo). No grupo Hipo, notamos redução do conteúdo proteico de CYCS (vs T3), e aumento do NRF2 (vs Controle e T3) e PINK1 (vs T3), sugerindo um efeito protetor do tecido nessa condição, visto que sob condições de estresse oxidativo, o NRF2 regula positivamente PINK1, que atua promovendo a mitofagia e revertendo os fenótipos de degeneração celular. As demais proteínas avaliadas não apresentaram diferença estatística. Nossos dados apontam para uma ação diferencial dos HTs nas mitocôndrias da tireoide em relação às do tecido hepático. Concluindo, o tratamento com T3, mesmo em doses 10 vezes menores que as habitualmente utilizadas para induzir tireotoxicose, promove aumento da massa mitocondrial, da termogênese e da síntese de ATP nos hepatócitos. Curiosamente, no grupo Hipo há um aumento na via de sinalização NRF2-PINK1, sugerindo uma estratégia adaptativa para a sobrevivência celular. Na tireoide, apesar do grupo Hipo apresentar redução da expressão dos genes de interesse, o conteúdo proteico dos mesmos encontra se elevado/similar ao controle, assim como o consumo de O2. Sugere-se um controle pós transcricional na condição de Hipo, possivelmente com a participação da proteína FAM103A1, que aumenta a t1/2 dos mRNAs de interesse, mantendo a taxa respiratória (pelo menos em curto prazo), o que seria desejável considerando a importância desta glândula para a fisiologia dos órgãos e sistemas.
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