Práticas discriminatórias contra as religiões de matrizes africanas no Brasil
| Ano de defesa: | 2024 |
|---|---|
| Autor(a) principal: | |
| Orientador(a): | |
| Banca de defesa: | |
| Tipo de documento: | Dissertação |
| Tipo de acesso: | Acesso aberto |
| Idioma: | por |
| Instituição de defesa: |
Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
|
| Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
|
| Departamento: |
Não Informado pela instituição
|
| País: |
Não Informado pela instituição
|
| Palavras-chave em Português: | |
| Link de acesso: | https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8161/tde-28012025-103501/ |
Resumo: | O presente estudo tem como objetivo, por meio de uma abordagem interdisciplinar que congrega áreas do conhecimento como direito, educação e antropologia, analisar as práticas discriminatórias contra religiões de matrizes africanas no Brasil. Esta Dissertação procurou demonstrar, através dos levantamentos qualitativos, bem como dos quantitativos, que foram coletados através de um questionário destinado a pessoas iniciadas no candomblé ainda na infância ou na adolescência, o quanto o racismo religioso permeia as dinâmicas sociais e educacionais. Embora a legislação brasileira garanta aos cidadãos o direito de culto, diuturnamente somos surpreendidos pelos noticiários de ataques às casas de cultos de matrizes africanas. Se somos um Estado laico, a ordem jurídica com relação aos direitos e garantias constitucionais deveria ser colocada em prática nos casos concretos de racismo religioso. Pensamos em preservar a ordem jurídica com relação aos direitos e garantias constitucionais que já foram alcançados e ao mesmo tempo sinalizar com políticas que valorizem o plural religioso e cultural dos povos tradicionais. Apesar de todos os avanços legislativos, as religiões de matrizes africanas, entre as quais o candomblé e a umbanda, são aviltadas e atacadas constantemente. Os direitos humanos têm como essência a importância da própria pessoa humana e com ele o direito de culto, que é personalidade inerente aos seres humanos. No entanto, no Brasil a sociedade tem uma visão deturpada da natureza dos direitos humanos e o reconhece como sendo um direito limitado e restrito às questões do direito penal. O culto aos deuses africanos já acontecia na África antes de os negros serem trazidos para o Brasil, e ao chegar ao Brasil, com a associação das várias etnias dos negros e fatores ambientais e sociais, nasceu o candomblé como o conhecemos na atualidade, adquirindo características próprias. A umbanda, por sua vez, é uma mistura de diversas religiões cultuadas no Brasil, como o catolicismo, o espiritismo e as religiosidades africanas, indianas e indígenas. A Constituição Federal consagra como direito fundamental a liberdade de religião, prescrevendo que o Brasil é um país laico. Com essa afirmação se observa que, consoante a vigente Constituição Federal, o Estado deve se preocupar em proporcionar a seus cidadãos um clima de perfeita compreensão religiosa, proscrevendo a intolerância e o fanatismo. Deve existir uma divisão muito demarcada entre o Estado e a Igreja (religiões em geral), não podendo existir nenhuma religião oficial, devendo, porém, o Estado prestar proteção e garantia ao livre exercício de todas as religiões |
| id |
USP_ba73461be708bd3f0960e6f01cf0f4ff |
|---|---|
| oai_identifier_str |
oai:teses.usp.br:tde-28012025-103501 |
| network_acronym_str |
USP |
| network_name_str |
Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP |
| repository_id_str |
|
| spelling |
Práticas discriminatórias contra as religiões de matrizes africanas no BrasilDiscriminatory practices against African-based religions In BrazilAfricaÁfricaDireitos humanosHuman rightsInterdisciplinaridadeInterdisciplinarityRacismRacismoReligiãoReligionO presente estudo tem como objetivo, por meio de uma abordagem interdisciplinar que congrega áreas do conhecimento como direito, educação e antropologia, analisar as práticas discriminatórias contra religiões de matrizes africanas no Brasil. Esta Dissertação procurou demonstrar, através dos levantamentos qualitativos, bem como dos quantitativos, que foram coletados através de um questionário destinado a pessoas iniciadas no candomblé ainda na infância ou na adolescência, o quanto o racismo religioso permeia as dinâmicas sociais e educacionais. Embora a legislação brasileira garanta aos cidadãos o direito de culto, diuturnamente somos surpreendidos pelos noticiários de ataques às casas de cultos de matrizes africanas. Se somos um Estado laico, a ordem jurídica com relação aos direitos e garantias constitucionais deveria ser colocada em prática nos casos concretos de racismo religioso. Pensamos em preservar a ordem jurídica com relação aos direitos e garantias constitucionais que já foram alcançados e ao mesmo tempo sinalizar com políticas que valorizem o plural religioso e cultural dos povos tradicionais. Apesar de todos os avanços legislativos, as religiões de matrizes africanas, entre as quais o candomblé e a umbanda, são aviltadas e atacadas constantemente. Os direitos humanos têm como essência a importância da própria pessoa humana e com ele o direito de culto, que é personalidade inerente aos seres humanos. No entanto, no Brasil a sociedade tem uma visão deturpada da natureza dos direitos humanos e o reconhece como sendo um direito limitado e restrito às questões do direito penal. O culto aos deuses africanos já acontecia na África antes de os negros serem trazidos para o Brasil, e ao chegar ao Brasil, com a associação das várias etnias dos negros e fatores ambientais e sociais, nasceu o candomblé como o conhecemos na atualidade, adquirindo características próprias. A umbanda, por sua vez, é uma mistura de diversas religiões cultuadas no Brasil, como o catolicismo, o espiritismo e as religiosidades africanas, indianas e indígenas. A Constituição Federal consagra como direito fundamental a liberdade de religião, prescrevendo que o Brasil é um país laico. Com essa afirmação se observa que, consoante a vigente Constituição Federal, o Estado deve se preocupar em proporcionar a seus cidadãos um clima de perfeita compreensão religiosa, proscrevendo a intolerância e o fanatismo. Deve existir uma divisão muito demarcada entre o Estado e a Igreja (religiões em geral), não podendo existir nenhuma religião oficial, devendo, porém, o Estado prestar proteção e garantia ao livre exercício de todas as religiõesThe present study aims, through an interdisciplinary approach, to analyze discriminatory practices against African-derived religions in Brazil. This thesis sought to demonstrate, through both qualitative and quantitative surveys collected via a questionnaire targeted at individuals initiated into Candomblé in childhood or adolescence, the extent to which religious racism permeates social and educational dynamics. Despite Brazilian legislation guaranteeing citizens the right to worship, news reports constantly surprise us with attacks on African-derived religious temples. Considering that our country is a secular state, the legal order regarding constitutional rights and guarantees should be put into practice in concrete cases of religious racism. We aim to preserve the legal order concerning the constitutional rights and guarantees that have already been achieved while simultaneously signaling policies that value the religious and cultural pluralism of traditional peoples. Despite all legislative advances, African-derived religions, including Candomblé and Umbanda, are constantly debased and attacked. Human rights have at their core the importance of the human person and with it the right to worship, which is an inherent aspect of human beings. However, Brazilian society has a distorted view of the nature of human rights and sees it as a limited right restricted to criminal law issues. Worship of African deities was already happening in Africa before Africans were brought to Brazil, and upon arrival in Brazil, with the amalgamation of various African ethnicities and environmental and social factors, Candomblé was born as we know it today, acquiring its own characteristics. Umbanda, on the other hand, is a mixture of various religions practiced in Brazil, such as Catholicism, Spiritism, and African, Indian, and indigenous religious traditions. The Federal Constitution enshrines freedom of religion as a fundamental right, stating that Brazil is a secular country. With this statement, it is observed that, according to the current Federal Constitution, the State must ensure to its citizens an atmosphere of perfect religious understanding, outlawing intolerance and fanaticism. There must be a clear division between the State and the Church (religions in general), with no official religion allowed, yet the State must provide protection and guarantee the free exercise of all religionsBiblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPFarah, Paulo Daniel EliasMontesano, Elisabete da Silva2024-06-07info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8161/tde-28012025-103501/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-01-28T12:57:02Zoai:teses.usp.br:tde-28012025-103501Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-01-28T12:57:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false |
| dc.title.none.fl_str_mv |
Práticas discriminatórias contra as religiões de matrizes africanas no Brasil Discriminatory practices against African-based religions In Brazil |
| title |
Práticas discriminatórias contra as religiões de matrizes africanas no Brasil |
| spellingShingle |
Práticas discriminatórias contra as religiões de matrizes africanas no Brasil Montesano, Elisabete da Silva Africa África Direitos humanos Human rights Interdisciplinaridade Interdisciplinarity Racism Racismo Religião Religion |
| title_short |
Práticas discriminatórias contra as religiões de matrizes africanas no Brasil |
| title_full |
Práticas discriminatórias contra as religiões de matrizes africanas no Brasil |
| title_fullStr |
Práticas discriminatórias contra as religiões de matrizes africanas no Brasil |
| title_full_unstemmed |
Práticas discriminatórias contra as religiões de matrizes africanas no Brasil |
| title_sort |
Práticas discriminatórias contra as religiões de matrizes africanas no Brasil |
| author |
Montesano, Elisabete da Silva |
| author_facet |
Montesano, Elisabete da Silva |
| author_role |
author |
| dc.contributor.none.fl_str_mv |
Farah, Paulo Daniel Elias |
| dc.contributor.author.fl_str_mv |
Montesano, Elisabete da Silva |
| dc.subject.por.fl_str_mv |
Africa África Direitos humanos Human rights Interdisciplinaridade Interdisciplinarity Racism Racismo Religião Religion |
| topic |
Africa África Direitos humanos Human rights Interdisciplinaridade Interdisciplinarity Racism Racismo Religião Religion |
| description |
O presente estudo tem como objetivo, por meio de uma abordagem interdisciplinar que congrega áreas do conhecimento como direito, educação e antropologia, analisar as práticas discriminatórias contra religiões de matrizes africanas no Brasil. Esta Dissertação procurou demonstrar, através dos levantamentos qualitativos, bem como dos quantitativos, que foram coletados através de um questionário destinado a pessoas iniciadas no candomblé ainda na infância ou na adolescência, o quanto o racismo religioso permeia as dinâmicas sociais e educacionais. Embora a legislação brasileira garanta aos cidadãos o direito de culto, diuturnamente somos surpreendidos pelos noticiários de ataques às casas de cultos de matrizes africanas. Se somos um Estado laico, a ordem jurídica com relação aos direitos e garantias constitucionais deveria ser colocada em prática nos casos concretos de racismo religioso. Pensamos em preservar a ordem jurídica com relação aos direitos e garantias constitucionais que já foram alcançados e ao mesmo tempo sinalizar com políticas que valorizem o plural religioso e cultural dos povos tradicionais. Apesar de todos os avanços legislativos, as religiões de matrizes africanas, entre as quais o candomblé e a umbanda, são aviltadas e atacadas constantemente. Os direitos humanos têm como essência a importância da própria pessoa humana e com ele o direito de culto, que é personalidade inerente aos seres humanos. No entanto, no Brasil a sociedade tem uma visão deturpada da natureza dos direitos humanos e o reconhece como sendo um direito limitado e restrito às questões do direito penal. O culto aos deuses africanos já acontecia na África antes de os negros serem trazidos para o Brasil, e ao chegar ao Brasil, com a associação das várias etnias dos negros e fatores ambientais e sociais, nasceu o candomblé como o conhecemos na atualidade, adquirindo características próprias. A umbanda, por sua vez, é uma mistura de diversas religiões cultuadas no Brasil, como o catolicismo, o espiritismo e as religiosidades africanas, indianas e indígenas. A Constituição Federal consagra como direito fundamental a liberdade de religião, prescrevendo que o Brasil é um país laico. Com essa afirmação se observa que, consoante a vigente Constituição Federal, o Estado deve se preocupar em proporcionar a seus cidadãos um clima de perfeita compreensão religiosa, proscrevendo a intolerância e o fanatismo. Deve existir uma divisão muito demarcada entre o Estado e a Igreja (religiões em geral), não podendo existir nenhuma religião oficial, devendo, porém, o Estado prestar proteção e garantia ao livre exercício de todas as religiões |
| publishDate |
2024 |
| dc.date.none.fl_str_mv |
2024-06-07 |
| dc.type.status.fl_str_mv |
info:eu-repo/semantics/publishedVersion |
| dc.type.driver.fl_str_mv |
info:eu-repo/semantics/masterThesis |
| format |
masterThesis |
| status_str |
publishedVersion |
| dc.identifier.uri.fl_str_mv |
https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8161/tde-28012025-103501/ |
| url |
https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8161/tde-28012025-103501/ |
| dc.language.iso.fl_str_mv |
por |
| language |
por |
| dc.relation.none.fl_str_mv |
|
| dc.rights.driver.fl_str_mv |
Liberar o conteúdo para acesso público. info:eu-repo/semantics/openAccess |
| rights_invalid_str_mv |
Liberar o conteúdo para acesso público. |
| eu_rights_str_mv |
openAccess |
| dc.format.none.fl_str_mv |
application/pdf |
| dc.coverage.none.fl_str_mv |
|
| dc.publisher.none.fl_str_mv |
Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP |
| publisher.none.fl_str_mv |
Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP |
| dc.source.none.fl_str_mv |
reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP instname:Universidade de São Paulo (USP) instacron:USP |
| instname_str |
Universidade de São Paulo (USP) |
| instacron_str |
USP |
| institution |
USP |
| reponame_str |
Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP |
| collection |
Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP |
| repository.name.fl_str_mv |
Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP) |
| repository.mail.fl_str_mv |
virginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.br |
| _version_ |
1865492260967153664 |