Desfechos de síndrome respiratória aguda grave no lúpus eritematoso sistêmico em 7 anos (2015-2021): um estudo nacional
| Ano de defesa: | 2024 |
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Resumo: | Introdução: A Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) está associada principalmente a infecção e tem alta taxa de letalidade em pacientes com Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES). Alguns estudos sugerem que a SRAG em pacientes com LES deve ser considerada um subgrupo com pior evolução, diferente da SRAG na população em geral. Por este motivo, avaliamos as taxas evolutivas de mortalidade e outros desfechos graves, assim como possíveis fatores de risco associados a estes desfechos em pacientes com LES internados por SRAG no Brasil durante o período de 2015 a 2021. Métodos: Este é um estudo transversal, nacional, de pacientes com SRAG, notificados no Sistema de Informação de Vigilância Epidemiológica do Brasil. Foram incluídos todos os pacientes com SRAG e LES, maiores de 18 anos, notificados entre 2015 e 2021. Para cada paciente com LES, incluímos 5 pacientes sem LES pareados por sexo, idade e região geográfica (1:5). Foram calculadas as taxas evolutivas de mortalidade, internações em unidades de terapia intensiva (UTI) e taxas de necessidade de ventilação mecânica. Além disso, foram avaliadas manifestações clínicas na SRAG, as frequências de comorbidades associadas, vacinação prévia contra influenza e tempo de internação. Resultados: Foram incluídos 2.615 pacientes com LES e 13.075 pacientes sem LES pareados (1:5). Pacientes com LES tiveram maior mortalidade [728 (28%) vs. 2.339 (18%), p<0,0001] e maior frequência de internações em UTI [1.023 (39%) vs. 4.094 (31%), p<0,0001] no período de 2015 a 2021. A taxa de mortalidade ajustada por idade permaneceu estável de 2015 a 2019 (p=0,323) no grupo com LES, com aumento significativo de 2020 a 2021 (24,3% vs. 29,8% p=0,007). Não houve diferenças significativas na taxa ajustada de internação em UTI no período de 2015 a 2021 entre os pacientes com LES (p>0,05). Em relação à necessidade de ventilação mecânica, houve uma redução significativa na taxa de ventilação mecânica ajustada após 2019 nos grupos com LES e sem LES (p<0,001). Observamos, entre os pacientes com LES, um menor risco de morte entre aqueles com idade <49 anos (OR=0,42; IC95% 0,26-0,70; p=0,001), entre os caucasianos (OR=0,58; IC95% 0,35-0,94; p=0,027) e os vacinados contra influenza (OR=0,51; IC 95% 0,28-0,90; p=0,02) enquanto a necessidade de UTI associou-se, a um maior risco de óbito (OR=4,18; IC 95% 2,44-7,13; p<0,0001). Conclusões: A taxa de mortalidade por SARS ajustada por idade permaneceu estável em pacientes com LES no período pré-pandemia (2015 a 2019), com aumento significativo de 2020 a 2021. Pacientes com LES apresentaram maior risco de morte por SRAG do que o grupo sem LES em um período de 7 anos no Brasil (2015-2021), principalmente entre aqueles com idade avançada, não caucasianos, com internação em UTI e não vacinados contra influenza |
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Desfechos de síndrome respiratória aguda grave no lúpus eritematoso sistêmico em 7 anos (2015-2021): um estudo nacionalOutcomes of severe acute respiratory syndrome in systemic lupus erythematosus in 7 years (2015-2021): a national studyAcute respiratory distress syndromeCOVID-19COVID-19InfluenzaInfluenzaLúpus eritematoso sistêmicoSARS-Cov-2SARS-Cov-2Severe acute respiratory syndromeSíndrome do desconforto respiratório agudoSíndrome respiratória aguda graveSystemic lupus erythematosusIntrodução: A Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) está associada principalmente a infecção e tem alta taxa de letalidade em pacientes com Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES). Alguns estudos sugerem que a SRAG em pacientes com LES deve ser considerada um subgrupo com pior evolução, diferente da SRAG na população em geral. Por este motivo, avaliamos as taxas evolutivas de mortalidade e outros desfechos graves, assim como possíveis fatores de risco associados a estes desfechos em pacientes com LES internados por SRAG no Brasil durante o período de 2015 a 2021. Métodos: Este é um estudo transversal, nacional, de pacientes com SRAG, notificados no Sistema de Informação de Vigilância Epidemiológica do Brasil. Foram incluídos todos os pacientes com SRAG e LES, maiores de 18 anos, notificados entre 2015 e 2021. Para cada paciente com LES, incluímos 5 pacientes sem LES pareados por sexo, idade e região geográfica (1:5). Foram calculadas as taxas evolutivas de mortalidade, internações em unidades de terapia intensiva (UTI) e taxas de necessidade de ventilação mecânica. Além disso, foram avaliadas manifestações clínicas na SRAG, as frequências de comorbidades associadas, vacinação prévia contra influenza e tempo de internação. Resultados: Foram incluídos 2.615 pacientes com LES e 13.075 pacientes sem LES pareados (1:5). Pacientes com LES tiveram maior mortalidade [728 (28%) vs. 2.339 (18%), p<0,0001] e maior frequência de internações em UTI [1.023 (39%) vs. 4.094 (31%), p<0,0001] no período de 2015 a 2021. A taxa de mortalidade ajustada por idade permaneceu estável de 2015 a 2019 (p=0,323) no grupo com LES, com aumento significativo de 2020 a 2021 (24,3% vs. 29,8% p=0,007). Não houve diferenças significativas na taxa ajustada de internação em UTI no período de 2015 a 2021 entre os pacientes com LES (p>0,05). Em relação à necessidade de ventilação mecânica, houve uma redução significativa na taxa de ventilação mecânica ajustada após 2019 nos grupos com LES e sem LES (p<0,001). Observamos, entre os pacientes com LES, um menor risco de morte entre aqueles com idade <49 anos (OR=0,42; IC95% 0,26-0,70; p=0,001), entre os caucasianos (OR=0,58; IC95% 0,35-0,94; p=0,027) e os vacinados contra influenza (OR=0,51; IC 95% 0,28-0,90; p=0,02) enquanto a necessidade de UTI associou-se, a um maior risco de óbito (OR=4,18; IC 95% 2,44-7,13; p<0,0001). Conclusões: A taxa de mortalidade por SARS ajustada por idade permaneceu estável em pacientes com LES no período pré-pandemia (2015 a 2019), com aumento significativo de 2020 a 2021. Pacientes com LES apresentaram maior risco de morte por SRAG do que o grupo sem LES em um período de 7 anos no Brasil (2015-2021), principalmente entre aqueles com idade avançada, não caucasianos, com internação em UTI e não vacinados contra influenzaIntroduction: Severe acute respiratory syndrome (SARS) is mainly associated with infection with a high case fatality rate in patients with Systemic Lupus Erythematosus (SLE), and some few studies suggest that SARS in SLE patients should be considered a subgroup with worse evolution, different from SARS in the general population. For this reason, we aimed to evaluate the evolutionary mortality rates of SARS, poor outcomes and possible risk factors associated with these outcomes in patients with SLE during the period from 2015 to 2021 in Brazil. Methods: This is a nationwide cross-sectional study of patients with SARS nested in the Brazilian Epidemiological Surveillance Information System. We included all SARS patients registered between 2015 to 2021 with SLE, who were older than 18 years of age. For each SLE patient, we included 5 patients without LES (non- LES) matched by gender, age and geographic region (1:5). Mortality rates, intensive care unit (ICU) admissions and need for mechanical ventilation rates were calculated. Furthermore, clinical manifestations in SARS, the frequencies of associated comorbidities, previous vaccination against influenza and length of hospital stay were evaluated. Results: 2,615 SLE patients and 13,075 matched non-SLE patients (1:5) were included in this study. SLE patients had higher mortality [728 (28%) vs. 2,339 (18%), p<0.0001]) and higher frequency of ICU admissions [1,023 (39%) vs. 4,094 (31%), p<0.0001] during the period from 2015 to 2021. Age-adjusted mortality rate (AMR) remained stable from 2015 to 2019 (p=0.323) in the SLE group, with a significant increase from 2020 to 2021 (24.3% vs. 29.8% p=0.007). There were no significant differences in the adjusted ICU admission rate over the period of 2015 to 2021 in SLE patients (p<0.05). Regarding the need for mechanical ventilation, adjusted mechanical ventilation rate (MVR) had a significant reduction after 2019 in both SLE and non-SLE groups (p<0.001). Younger age (<49 years) (OR=0.42; 95%CI 0.26-0.70; p=0.001), Caucasian race (OR=0.58; 95%CI 0.35- 0.94; p=0.027) and influenza vaccination (OR=0.51; 95%CI 0.28-0.90; p=0.02) were independently associated with a significantly lower risk of death in SLE patients while the need for ICU was associated with a higher risk of death (OR=4.18; 95% CI 2.44- 7.13; p<0.0001). Conclusions: The age-adjusted SARS mortality rate remained stable in SLE patients in the pre-pandemic period (2015 to 2019), with a significant increase from 2020 to 2021. SLE patients hospitalized with SARS in Brazil had higher risk for death than non-SLE patients over 7 years (2015-2021), especially in those with older age, non-Caucasian, admitted in ICU and not vaccinated against influenzaBiblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPAikawa, Nádia EmiValim, Juliana Miranda de Lucena2024-12-11info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5140/tde-07072025-122841/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-07-29T15:19:02Zoai:teses.usp.br:tde-07072025-122841Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-07-29T15:19:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false |
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Introdução: A Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) está associada principalmente a infecção e tem alta taxa de letalidade em pacientes com Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES). Alguns estudos sugerem que a SRAG em pacientes com LES deve ser considerada um subgrupo com pior evolução, diferente da SRAG na população em geral. Por este motivo, avaliamos as taxas evolutivas de mortalidade e outros desfechos graves, assim como possíveis fatores de risco associados a estes desfechos em pacientes com LES internados por SRAG no Brasil durante o período de 2015 a 2021. Métodos: Este é um estudo transversal, nacional, de pacientes com SRAG, notificados no Sistema de Informação de Vigilância Epidemiológica do Brasil. Foram incluídos todos os pacientes com SRAG e LES, maiores de 18 anos, notificados entre 2015 e 2021. Para cada paciente com LES, incluímos 5 pacientes sem LES pareados por sexo, idade e região geográfica (1:5). Foram calculadas as taxas evolutivas de mortalidade, internações em unidades de terapia intensiva (UTI) e taxas de necessidade de ventilação mecânica. Além disso, foram avaliadas manifestações clínicas na SRAG, as frequências de comorbidades associadas, vacinação prévia contra influenza e tempo de internação. Resultados: Foram incluídos 2.615 pacientes com LES e 13.075 pacientes sem LES pareados (1:5). Pacientes com LES tiveram maior mortalidade [728 (28%) vs. 2.339 (18%), p<0,0001] e maior frequência de internações em UTI [1.023 (39%) vs. 4.094 (31%), p<0,0001] no período de 2015 a 2021. A taxa de mortalidade ajustada por idade permaneceu estável de 2015 a 2019 (p=0,323) no grupo com LES, com aumento significativo de 2020 a 2021 (24,3% vs. 29,8% p=0,007). Não houve diferenças significativas na taxa ajustada de internação em UTI no período de 2015 a 2021 entre os pacientes com LES (p>0,05). Em relação à necessidade de ventilação mecânica, houve uma redução significativa na taxa de ventilação mecânica ajustada após 2019 nos grupos com LES e sem LES (p<0,001). Observamos, entre os pacientes com LES, um menor risco de morte entre aqueles com idade <49 anos (OR=0,42; IC95% 0,26-0,70; p=0,001), entre os caucasianos (OR=0,58; IC95% 0,35-0,94; p=0,027) e os vacinados contra influenza (OR=0,51; IC 95% 0,28-0,90; p=0,02) enquanto a necessidade de UTI associou-se, a um maior risco de óbito (OR=4,18; IC 95% 2,44-7,13; p<0,0001). Conclusões: A taxa de mortalidade por SARS ajustada por idade permaneceu estável em pacientes com LES no período pré-pandemia (2015 a 2019), com aumento significativo de 2020 a 2021. Pacientes com LES apresentaram maior risco de morte por SRAG do que o grupo sem LES em um período de 7 anos no Brasil (2015-2021), principalmente entre aqueles com idade avançada, não caucasianos, com internação em UTI e não vacinados contra influenza |
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