Histórias de um futebol em <i>transição</i>: sociabilidades transcentradas, disputas por reconhecimento e ocupação de espaços públicos

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Pinto, Mauricio Rodrigues
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertacoes da USP
Universidade de São Paulo
Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8134/tde-30042026-172256/
Resumo: Esta tese de doutorado trata das disputas em torno do acesso de pessoas trans às práticas esportivas, particularmente no contexto do futebol. Com enfoque nas histórias de times e futebolistas trans amadores e profissionais, esta tese se propõe a descrever e analisar o que chamo de um futebol em transição, noção que ajuda a entender como pessoas trans estão interpelando e desafiando a cisgeneridade e a binariedade que ainda marcam este esporte, fazendo do jogo de futebol e do pertencimento a um time importantes dispositivos de afirmação identitária e política e de ocupação de espaços públicos. A etnografia se fundamenta em uma extensa pesquisa de campo que abrangeu diferentes recortes empíricos. Um deles é o dos times de futebol formados por pessoas trans, com destaque para o Instituto Meninos Bons de Bola (IMBB), time de futsal amador da cidade de São Paulo (SP) criado em agosto de 2016. Considerado o primeiro time de futebol formado por pessoas trans do Brasil, o IMBB surgiu como um time exclusivo para homens trans e pessoas transmasculinas, mas atualmente o coletivo conta também com atletas não-bináries, travestis, mulheres trans, transfemininas e pessoas com outras identidades trans, constituindo-se em um espaço de sociabilidade transcentrada. Outro time envolvido nesta pesquisa foi o Transviver F.C, da cidade do Recife (PE), primeiro time trans formado na região Nordeste, em 2018, por uma iniciativa do Instituto Transviver, como forma de atrair homens trans e pessoas transmasculinas para as suas atividades. A crescente ocupação de praças esportivas e a reivindicação do direito à aparição por meio do futebol acontecem em um contexto nacional e internacional de ofensiva aos direitos conquistados por pessoas trans. Por essa razão, a pesquisa analisa a controvérsia pública em torno da proliferação de propostas legislativas que visam restringir o acesso de pessoas trans ao esporte e seu direito à participação em competições oficiais em consonância com a sua identidade de gênero. Diante da disseminação de pânicos morais que apelam a imaginários estigmatizantes e de perigo associados às pessoas trans - em especial, às mulheres trans e travestis -, atletas, ativistas e lideranças políticas trans também se articularam para construir alianças e produzir contra narrativas com o propósito de barrar esses projetos e fortalecer a luta por maior reconhecimento de seu direito ao esporte. Uma última etapa do trabalho de campo foi realizada em Buenos Aires, Argentina, entrevistando e acompanhando as trajetórias de mulheres trans que ascenderam ao futebol feminino profissional, como Mara Gómez e Jezabel Carranza. Destaca-se a influência de movimentos feministas locais e da Lei de Identidade de Gênero no reconhecimento legal e na aceitação dessas atletas no futebol feminino, assim, desconstruindo estigmas e imaginários pejorativos acerca de mulheres trans e travestis. Por meio desse complexo conjunto de histórias, esta tese oferece como contribuição aos estudos trans e à antropologia das práticas esportivas um estudo sobre disputas políticas e apropriações do futebol que transformam as possibilidades de presente e de futuro para as pessoas trans
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Com enfoque nas histórias de times e futebolistas trans amadores e profissionais, esta tese se propõe a descrever e analisar o que chamo de um futebol em transição, noção que ajuda a entender como pessoas trans estão interpelando e desafiando a cisgeneridade e a binariedade que ainda marcam este esporte, fazendo do jogo de futebol e do pertencimento a um time importantes dispositivos de afirmação identitária e política e de ocupação de espaços públicos. A etnografia se fundamenta em uma extensa pesquisa de campo que abrangeu diferentes recortes empíricos. Um deles é o dos times de futebol formados por pessoas trans, com destaque para o Instituto Meninos Bons de Bola (IMBB), time de futsal amador da cidade de São Paulo (SP) criado em agosto de 2016. Considerado o primeiro time de futebol formado por pessoas trans do Brasil, o IMBB surgiu como um time exclusivo para homens trans e pessoas transmasculinas, mas atualmente o coletivo conta também com atletas não-bináries, travestis, mulheres trans, transfemininas e pessoas com outras identidades trans, constituindo-se em um espaço de sociabilidade transcentrada. Outro time envolvido nesta pesquisa foi o Transviver F.C, da cidade do Recife (PE), primeiro time trans formado na região Nordeste, em 2018, por uma iniciativa do Instituto Transviver, como forma de atrair homens trans e pessoas transmasculinas para as suas atividades. A crescente ocupação de praças esportivas e a reivindicação do direito à aparição por meio do futebol acontecem em um contexto nacional e internacional de ofensiva aos direitos conquistados por pessoas trans. Por essa razão, a pesquisa analisa a controvérsia pública em torno da proliferação de propostas legislativas que visam restringir o acesso de pessoas trans ao esporte e seu direito à participação em competições oficiais em consonância com a sua identidade de gênero. Diante da disseminação de pânicos morais que apelam a imaginários estigmatizantes e de perigo associados às pessoas trans - em especial, às mulheres trans e travestis -, atletas, ativistas e lideranças políticas trans também se articularam para construir alianças e produzir contra narrativas com o propósito de barrar esses projetos e fortalecer a luta por maior reconhecimento de seu direito ao esporte. Uma última etapa do trabalho de campo foi realizada em Buenos Aires, Argentina, entrevistando e acompanhando as trajetórias de mulheres trans que ascenderam ao futebol feminino profissional, como Mara Gómez e Jezabel Carranza. Destaca-se a influência de movimentos feministas locais e da Lei de Identidade de Gênero no reconhecimento legal e na aceitação dessas atletas no futebol feminino, assim, desconstruindo estigmas e imaginários pejorativos acerca de mulheres trans e travestis. Por meio desse complexo conjunto de histórias, esta tese oferece como contribuição aos estudos trans e à antropologia das práticas esportivas um estudo sobre disputas políticas e apropriações do futebol que transformam as possibilidades de presente e de futuro para as pessoas transThis PhD dissertation deals with struggles in the context of transgender people\'s access to sports, particularly in the context of football (soccer). Focusing on histories of amateur and professional transgender teams and players, this thesis aims to describe and analyze what I call \"football in transition\", a concept that helps to understand how transgender people are questioning and challenging the cisgender and binary nature that still characterizes this sport, when football and belonging to a team turn into important tools for identity and political affirmation and for occupying public spaces. The ethnography is based on extensive field research covering different empirical areas. One is a football team formed by trans people, with a focus on the Instituto Meninos Bons de Bola (IMBB), an amateur futsal team in the city of São Paulo (SP) created in August 2016. Considered the first football team formed by transgender people in Brazil, IMBB emerged as exclusively for transgender men and transmasculine people, but currently the collective also includes non-binary athletes, travestis, transgender women, transfeminine people, and people with other transgender identities, constituting a space for trans-centred sociability. Another team involved is Transviver F.C, from the city of Recife (PE), the first trans team formed in the Northeast region in 2018, through an initiative by the Transviver Institute, as a way of attracting trans men and transmasculine people to its activities. The growing occupation of sports venues and the demand for the right to appear through football take place in a national and international context of attacks on the rights secured by trans people. For this reason, the research analyses the public controversy surrounding the proliferation of legislative proposals that aim to restrict trans people\'s access to sport and their right to participate in official competitions in accordance with their gender identity. Faced with the spread of moral panic that appeals to stigmatising and dangerous stereotypes associated with transgender people - especially transgender women and travestis - transgender athletes, activists and political leaders have also come together to build alliances and produce counter-narratives with the aim of blocking these projects and strengthening the fight for greater recognition of their right to sport. A final stage of fieldwork was carried out in Buenos Aires, Argentina, interviewing and following the trajectories of trans women who ascended to professional women\'s football, such as Mara Gómez and Jezabel Carranza. The influence of local feminist movements and the Gender Identity Law on the legal recognition and acceptance of these athletes in women\'s football stands out, thus deconstructing stigmas and pejorative imaginaries about trans women and transvestites. Through this complex set of stories, this thesis contributes to trans studies and the anthropology of sports practices with a study on political disputes and appropriations of football that transform the present and future possibilities for trans peopleBiblioteca Digitais de Teses e Dissertacoes da USPUniversidade de São PauloFaculdade de Filosofia, Letras e Ciências HumanasAlmeida, Heloisa Buarque dePinto, Mauricio Rodrigues2025-10-202026-04-30info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8134/tde-30042026-172256/doi:10.11606/T.8.2025.tde-30042026-172256Liberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccessporreponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USP2026-05-01T09:00:10Zoai:teses.usp.br:tde-30042026-172256Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212026-05-01T09:00:10Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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