Ritmos e rupturas da vida nas águas: dos povoados às <i>comunidades tradicionais</i> e seus conflitos no Lago Grande de Monte Alegre
| Ano de defesa: | 2026 |
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| Orientador(a): | |
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| Tipo de documento: | Tese |
| Tipo de acesso: | Acesso aberto |
| Idioma: | por |
| Instituição de defesa: |
Biblioteca Digitais de Teses e Dissertacoes da USP
Universidade de São Paulo Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas |
| Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
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| Departamento: |
Não Informado pela instituição
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| País: |
Não Informado pela instituição
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| Palavras-chave em Português: | |
| Link de acesso: | https://teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8136/tde-07052026-183641/ |
Resumo: | A tese propõe tratar da ordem de conflitos envolvidos na reprodução das comunidades do Lago Grande de Monte Alegre, situadas em faixas de transição entre a várzea e a terra firme do baixo Amazonas, no oeste do Pará. A constituição das comunidades, como particularidade territorial e objeto da política, revela minúcias sobre o uso da terra e a representação coletiva, abordados a partir da conjugação de fatores sociais e ambientais historicamente desdobrados. Assim, os ritmos fluviais e formas determinadas da ocupação fundiária, replicação de redes de afinidade, mobilização do trabalho, dominação, organização sociopolítica e institucionalização do Estado na produção de mercadorias aparecem modificados segundo um processo de formação e crise das categorias modernas de mediação social. De início, são exibidos os arranjos pelos quais a apropriação sazonal de recursos em agregações residenciais espraiadas na orla dos rios está atrelada a tramas que garantem tanto a manutenção da terra no seio da família quanto a submissão do trabalho a grupos que estipulam a distribuição fundiária e mediam os vínculos mercantis. Tais relações figuram progressivamente interpostas pelo planejamento de um Estado nacional em centralização e pela difusão do dinheiro, com fomento à expansão pecuária e da pesca comercial, provocando maior pressão sobre terras e águas. Em parceria com a Igreja, as aglomerações residenciais vão se entrosando em comunidades que buscam estabelecer regras sobre o acesso aos meios prévios à produção, cuja unidade representativa é cruzada por interesses familiares e externos díspares e por tensões quanto às formas de reposição das condições produtivas. Desde os anos 1980, certa disposição à execução de medidas colaborativas entre governo e comunidades tradicionais se configura via projetos de conservação ambiental, regulação fundiária, incentivo organizacional e benefícios financeiros, ao passo que perseveram conflagrações pesqueiras e quanto à criação. Tal situação permite enfatizar, além da avaliação da efetividade do planejamento, fundamentos duma reprodução comunitária mantida na terra, mas criticamente mais monetarizada e mediada por programas de Estado |
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Ritmos e rupturas da vida nas águas: dos povoados às <i>comunidades tradicionais</i> e seus conflitos no Lago Grande de Monte AlegreRhythms and ruptures of the life on the waters: from the <i>villages</i> to the <i>traditional communities</i> and their conflicts in Lago Grande de Monte AlegreBaixo AmazonasComunidades tradicionaisConflitos por terraLago Grande de Monte AlegrePopulações tradicionaisTraditional communitiesLower AmazonLand conflictsLago Grande de Monte AlegreTraditional peopleA tese propõe tratar da ordem de conflitos envolvidos na reprodução das comunidades do Lago Grande de Monte Alegre, situadas em faixas de transição entre a várzea e a terra firme do baixo Amazonas, no oeste do Pará. A constituição das comunidades, como particularidade territorial e objeto da política, revela minúcias sobre o uso da terra e a representação coletiva, abordados a partir da conjugação de fatores sociais e ambientais historicamente desdobrados. Assim, os ritmos fluviais e formas determinadas da ocupação fundiária, replicação de redes de afinidade, mobilização do trabalho, dominação, organização sociopolítica e institucionalização do Estado na produção de mercadorias aparecem modificados segundo um processo de formação e crise das categorias modernas de mediação social. De início, são exibidos os arranjos pelos quais a apropriação sazonal de recursos em agregações residenciais espraiadas na orla dos rios está atrelada a tramas que garantem tanto a manutenção da terra no seio da família quanto a submissão do trabalho a grupos que estipulam a distribuição fundiária e mediam os vínculos mercantis. Tais relações figuram progressivamente interpostas pelo planejamento de um Estado nacional em centralização e pela difusão do dinheiro, com fomento à expansão pecuária e da pesca comercial, provocando maior pressão sobre terras e águas. Em parceria com a Igreja, as aglomerações residenciais vão se entrosando em comunidades que buscam estabelecer regras sobre o acesso aos meios prévios à produção, cuja unidade representativa é cruzada por interesses familiares e externos díspares e por tensões quanto às formas de reposição das condições produtivas. Desde os anos 1980, certa disposição à execução de medidas colaborativas entre governo e comunidades tradicionais se configura via projetos de conservação ambiental, regulação fundiária, incentivo organizacional e benefícios financeiros, ao passo que perseveram conflagrações pesqueiras e quanto à criação. Tal situação permite enfatizar, além da avaliação da efetividade do planejamento, fundamentos duma reprodução comunitária mantida na terra, mas criticamente mais monetarizada e mediada por programas de EstadoThis thesis proposes to address the order of conflicts involved in the reproduction of the communities of Lago Grande de Monte Alegre, located in transition zones between the floodplain and the uplands of the lower Amazon, in western Pará. The constitution of the communities, as a territorial particularity and object of politics, reveals details about land use and collective representation, approached from the combination of historically unfolded social and environmental factors. Thus, the fluvial rhythms and determined forms of land occupation, replication of affinity networks, labor mobilization, domination, sociopolitical organization, and institutionalization of the State in the production of commodities appear modified according to a process of formation and crisis of the modern categories of social mediation. Initially, the arrangements by which the seasonal appropriation of resources in residential aggregations spread along the riverbanks is linked to networks that guarantee both the maintenance of land within the family and the submission of labor to groups that stipulate land distribution and mediate mercantile ties. These relationships are increasingly interposed by the planning of a centralizing nation-State and the diffusion of money, fostering the expansion of livestock farming and commercial fishing, causing greater pressure on land and water. In partnership with the Church, residential agglomerations are becoming intertwined in communities that seek to establish rules on access to the means prior to production, whose representative unity is crossed by disparate family and external interests and by tensions regarding ways of replenishing productive conditions. Since the 1980s, a certain willingness to implement collaborative measures between the government and traditional communities has emerged through environmental conservation projects, land regulation, organizational incentives, and financial benefits, while fishing and livestock farming conflicts keep on. This situation allows us to emphasize, in addition to evaluating the effectiveness of planning, foundations of a community-based reproduction maintained on the land, but critically more monetized and mediated by State programsBiblioteca Digitais de Teses e Dissertacoes da USPUniversidade de São PauloFaculdade de Filosofia, Letras e Ciências HumanasHeidemann, Heinz DieterLeal, Daniel Nunes2026-03-202026-05-07info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8136/tde-07052026-183641/doi:10.11606/T.8.2026.tde-07052026-183641Liberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccessporreponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USP2026-05-08T09:03:02Zoai:teses.usp.br:tde-07052026-183641Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212026-05-08T09:03:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false |
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A tese propõe tratar da ordem de conflitos envolvidos na reprodução das comunidades do Lago Grande de Monte Alegre, situadas em faixas de transição entre a várzea e a terra firme do baixo Amazonas, no oeste do Pará. A constituição das comunidades, como particularidade territorial e objeto da política, revela minúcias sobre o uso da terra e a representação coletiva, abordados a partir da conjugação de fatores sociais e ambientais historicamente desdobrados. Assim, os ritmos fluviais e formas determinadas da ocupação fundiária, replicação de redes de afinidade, mobilização do trabalho, dominação, organização sociopolítica e institucionalização do Estado na produção de mercadorias aparecem modificados segundo um processo de formação e crise das categorias modernas de mediação social. De início, são exibidos os arranjos pelos quais a apropriação sazonal de recursos em agregações residenciais espraiadas na orla dos rios está atrelada a tramas que garantem tanto a manutenção da terra no seio da família quanto a submissão do trabalho a grupos que estipulam a distribuição fundiária e mediam os vínculos mercantis. Tais relações figuram progressivamente interpostas pelo planejamento de um Estado nacional em centralização e pela difusão do dinheiro, com fomento à expansão pecuária e da pesca comercial, provocando maior pressão sobre terras e águas. Em parceria com a Igreja, as aglomerações residenciais vão se entrosando em comunidades que buscam estabelecer regras sobre o acesso aos meios prévios à produção, cuja unidade representativa é cruzada por interesses familiares e externos díspares e por tensões quanto às formas de reposição das condições produtivas. Desde os anos 1980, certa disposição à execução de medidas colaborativas entre governo e comunidades tradicionais se configura via projetos de conservação ambiental, regulação fundiária, incentivo organizacional e benefícios financeiros, ao passo que perseveram conflagrações pesqueiras e quanto à criação. Tal situação permite enfatizar, além da avaliação da efetividade do planejamento, fundamentos duma reprodução comunitária mantida na terra, mas criticamente mais monetarizada e mediada por programas de Estado |
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