Participação do inflamassoma de NLRP3 nas respostas ao estresse in vivo e in vitro: possíveis efeitos modulatórios do canabidiol

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Sato, Yurie
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
CBD
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/17/17133/tde-13012026-164522/
Resumo: As limitações dos tratamentos atuais para os transtornos mentais relacionados ao estresse destacam a necessidade de compreender melhor os mecanismos patofisiológicos envolvidos, dando subsídio para a busca de novas terapias. Um alvo promissor nesse contexto é o inflamassoma de NLRP3, cuja ativação tem sido associada a diversos distúrbios neuropsiquiátricos. Nesse cenário, o canabidiol (CBD) é destacado devido a sua atividade neuroprotetora e anti-inflamatória, incluindo a modulação da ativação microglial e indução de autofagia, mecanismos potencialmente relacionados ao inflamassoma de NLRP3. Assim, usando modelos in silico, in vitro e in vivo, foi criada a hipótese que os efeitos do CBD em situações de estresse são, pelo menos em partes, mediados pela modulação da sinalização do inflamassoma de NLRP3. Nos experimentos in silico, por meio de docagem molecular, observou-se que o CBD apresenta alta afinidade de interação com as proteínas TLR4 e ASC. Nos experimentos in vivo, foi investigado se o estresse de choques inescapáveis nas patas (2 dias; 12 choques; 0,8 mA de intensidade; 10 segundos de duração; 10 segundos de intervalo) induziria alterações da expressão gênica de componentes do inflamassoma de NLRP3 por real time quantitative polymerase chain reaction (RT-qPCR) de forma tempo-dependente em camundongos machos C57BL6. Além disso, investigou-se se o CBD (10 e 30 mg/kg, administrado imediatamente após cada uma das quatro reexposições ao contexto do estresse) atenuaria as consequências comportamentais tardias induzidas pelo estresse. Como resultados, o estresse aumentou a expressão gênica de ASC no córtex pré-frontal e P2X7 no hipocampo, 3 horas e 24 horas após o estressor, respectativamente. Comportamentalmente, o estresse induziu hipolocomoção pelo teste de campo aberto e formação de memória de medo que foi parcialmente extinta ao longo das reexposições. No entanto, a aplicação de um choque reminder (1 choque; 0,4 mA de intensidade; 2 segundos de duração) não reativou a memória aversiva, e o tratamento com CBD não promoveu alterações comportamentais. Nos experimentos in vitro, avaliou-se a viabilidade celular pelo método colorimétrico de 3-(4,5-dimetiltiazol-2-il) 2,5-difenil brometo de tetrazoilium (MTT), a expressão proteica de iNOS, componentes do inflamassoma de NLRP3 e autofagia por western blotting (WB), formação de puncta da ASC por imunofluorescência, níveis de TNFα e IL1β por enzyme-linked immunosorbent assay (ELISA) e atividade da caspase-1 por kit enzimático em células BV-2. Dessa forma, investigou-se a capacidade do tratamento com corticosterona (CORT; 50, 500 e 1000 nM; 24 horas) ou lipopolissacarídeo (LPS; 100 ng/mL; 4 horas) e adenosina trifosfato (ATP; 1 mM; 1 hora) de induzirem resposta inflamatória, e do tratamento CBD (0,1, 1 e 10 µM; 4 horas) realizado antes, entre e após os estímulos com LPS e ATP em prevenir ou atenuar esses efeitos. Os resultados mostraram que a CORT não modulou o inflamassoma de NLRP3, no entanto o tratamento com LPS e ATP aumentou TNFα, iNOS, NLRP3 e pró-IL1β, de forma que o pré-tratamento com CBD (10 µM) previniu o aumento de NLRP3 e pró-IL1β. Com isso, foi investigado se o pré-tratamento com CBD preveniria a formação de puncta da ASC induzido pelo LPS e ATP, no entanto todos os grupos experimentais apresentaram formação de puncta da ASC. Para investigar a participação da autofagia, o pré-tratamento com rapamicina (RAP; 50 nM; 4 horas) foi utilizado como controle positivo, além dos inibidores da da autofagia 3-metiladenina (3-MA; 5 mM; 1 hora) e bafilomicina (BAF; 100 nM; 1 hora) que foram utilizados antes do tratamento com CBD. Os resultados mostraram que a RAP mimetizou parcialmente o efeito antiinflamatório do CBD, reduzindo NLRP3 e pró-IL1β. No entanto, os efeitos do CBD foram mantidos mesmo na presença dos inibidores de autofagia sugerindo que sua ação não depende desse processo. Embora não tenham sido observadas mudanças comportamentais significativas nos modelos in vivo, os achados in vitro e in silico reforçam o potencial do CBD como modulador da neuroinflamação associada ao estresse.
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Assim, usando modelos in silico, in vitro e in vivo, foi criada a hipótese que os efeitos do CBD em situações de estresse são, pelo menos em partes, mediados pela modulação da sinalização do inflamassoma de NLRP3. Nos experimentos in silico, por meio de docagem molecular, observou-se que o CBD apresenta alta afinidade de interação com as proteínas TLR4 e ASC. Nos experimentos in vivo, foi investigado se o estresse de choques inescapáveis nas patas (2 dias; 12 choques; 0,8 mA de intensidade; 10 segundos de duração; 10 segundos de intervalo) induziria alterações da expressão gênica de componentes do inflamassoma de NLRP3 por real time quantitative polymerase chain reaction (RT-qPCR) de forma tempo-dependente em camundongos machos C57BL6. Além disso, investigou-se se o CBD (10 e 30 mg/kg, administrado imediatamente após cada uma das quatro reexposições ao contexto do estresse) atenuaria as consequências comportamentais tardias induzidas pelo estresse. 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Dessa forma, investigou-se a capacidade do tratamento com corticosterona (CORT; 50, 500 e 1000 nM; 24 horas) ou lipopolissacarídeo (LPS; 100 ng/mL; 4 horas) e adenosina trifosfato (ATP; 1 mM; 1 hora) de induzirem resposta inflamatória, e do tratamento CBD (0,1, 1 e 10 µM; 4 horas) realizado antes, entre e após os estímulos com LPS e ATP em prevenir ou atenuar esses efeitos. Os resultados mostraram que a CORT não modulou o inflamassoma de NLRP3, no entanto o tratamento com LPS e ATP aumentou TNFα, iNOS, NLRP3 e pró-IL1β, de forma que o pré-tratamento com CBD (10 µM) previniu o aumento de NLRP3 e pró-IL1β. Com isso, foi investigado se o pré-tratamento com CBD preveniria a formação de puncta da ASC induzido pelo LPS e ATP, no entanto todos os grupos experimentais apresentaram formação de puncta da ASC. Para investigar a participação da autofagia, o pré-tratamento com rapamicina (RAP; 50 nM; 4 horas) foi utilizado como controle positivo, além dos inibidores da da autofagia 3-metiladenina (3-MA; 5 mM; 1 hora) e bafilomicina (BAF; 100 nM; 1 hora) que foram utilizados antes do tratamento com CBD. Os resultados mostraram que a RAP mimetizou parcialmente o efeito antiinflamatório do CBD, reduzindo NLRP3 e pró-IL1β. No entanto, os efeitos do CBD foram mantidos mesmo na presença dos inibidores de autofagia sugerindo que sua ação não depende desse processo. Embora não tenham sido observadas mudanças comportamentais significativas nos modelos in vivo, os achados in vitro e in silico reforçam o potencial do CBD como modulador da neuroinflamação associada ao estresse.The limitations of current treatments for stress-related mental disorders highlight the need to better understand the pathophysiological mechanisms involved, providing support for the search for new therapies. A promising target in this context is the NLRP3 inflammasome, whose activation has been associated with several neuropsychiatric disorders. In this scenario, cannabidiol (CBD) is highlighted due to its neuroprotective and anti-inflammatory activity, including the reduction of pro-inflammatory cytokines, modulation of microglial activation and induction of autophagy, mechanisms potentially related to the NLRP3 inflammasome. Thus, using in silico, in vitro and in vivo models, it was hypothesized that the effects of CBD in stressful situations are, at least in part, mediated by the modulation of NLRP3 inflammasome signaling. In in silico experiments, through molecular docking, it was observed that CBD has high affinity for interaction with TLR4 and ASC proteins. In vivo experiments, we investigated whether inescapable footshock stress (2 days; 12 shocks; 0.8 mA intensity; 10 s duration; 10 s interval) would induce changes in gene expression of NLRP3 inflammasome components by real-time quantitative polymerase chain reaction (RT-qPCR) in a time-dependent manner in male C57BL6 mice. Furthermore, we investigated whether CBD (10 and 30 mg/kg, administered immediately after each of the four re-exposures to the stress context) would attenuate the delayed behavioral consequences induced by stress. As results, stress increased the gene expression of ASC in the prefrontal cortex and P2X7 in the hippocampus, 3 h and 24 h after the stressor, respectively. Behaviorally, stress induced hypolocomotion by the open field test and fear memory formation that was partially extinguished throughout the re-exposures. However, the application of a reminder shock (1 shock; 0.4 mA intensity; 2 s duration) did not reactivate the aversive memory, and CBD treatment did not promote behavioral changes. In the in vitro experiments, cell viability was evaluated by the colorimetric method of 3-(4,5-dimethylthiazol-2-yl) 2,5-diphenyl tetrazolylium bromide (MTT), protein expression of iNOS, NLRP3 inflammasome components and autophagy by western blotting (WB), ASC puncta formation by immunofluorescence, TNFα and IL1β levels by enzyme-linked immunosorbent assay (ELISA) and caspase-1 activity by enzymatic kit in BV-2 cells. Thus, we investigated the ability of treatment with corticosterone (CORT; 50, 500 and 1000 nM; 24 hours) or lipopolysaccharide (LPS; 100 ng/mL; 4 hours) and adenosine triphosphate (ATP; 1 mM; 1 hour) to induce an inflammatory response, and of CBD treatment (0.1, 1 and 10 µM; 4 hours) performed before, between and after stimulation with LPS and ATP to prevent or attenuate these effects. The results showed that CORT did not modulate the NLRP3 inflammasome, however, treatment with LPS and ATP increased TNFα, iNOS, NLRP3 and pro-IL1β, so that pretreatment with CBD (10 µM) prevented the increase in NLRP3 and pro-IL1β. Thus, we investigated whether pretreatment with CBD would prevent the formation of ASC puncta induced by LPS and ATP; however, all experimental groups showed ASC puncta formation. To investigate the participation of autophagy, pretreatment with rapamycin (RAP; 50 nM; 4 hours) was used as a positive control, in addition to the autophagy inhibitors 3-methyladenine (3-MA; 5 mM; 1 hour) and bafilomycin (BAF; 100 nM; 1 hour) that were used before CBD treatment. The results showed that RAP partially mimicked the anti-inflammatory effect of CBD, reducing NLRP3 and pro-IL1β. However, the effects of CBD were maintained even in the presence of autophagy inhibitors, suggesting that its action does not depend on this process. Although no significant behavioral changes were observed in the in vivo models, the in vitro and in silico findings reinforce the potential of CBD as a modulator of stress-associated neuroinflammation.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPLisboa, Sabrina Francesca de SouzaSato, Yurie2025-09-19info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/17/17133/tde-13012026-164522/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2026-02-26T14:35:02Zoai:teses.usp.br:tde-13012026-164522Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212026-02-26T14:35:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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