O túmulo especular em Pompas fúnebres (1947), de Jean Genet

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Gois, Walmir Lacerda
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8151/tde-08122025-150648/
Resumo: Este trabalho propõe uma leitura do romance Pompas fúnebres (1947), de Jean Genet, investigando as particularidades do túmulo enquanto imagem literária especular. Como reação à morte do amante, o narrador Jean Genet declara ser o túmulo de Jean Decarnin, revelando um trabalho de luto ambivalente: ora busca incorporar o amante, prolongando a relação amorosa, ora deseja traí-lo e destruí-lo. O túmulo emerge, assim, como imagem crítica que perpassa toda a narrativa em suas múltiplas dimensões: seja como túmulo de Decarnin, seja como signo da morte em consonância com o tempo fúnebre da guerra. O tema da morte do amor colide com a recriação do horror dos últimos meses da Ocupação nazista na França, transformando o romance em um ritual de decomposição lírico e político. Assim, inicialmente anunciado como homenagem a Decarnin, o texto desvia de seu propósito declarado e convertese em um empreendimento político, que eroticiza e ridiculariza o exército alemão, a milícia francesa e o próprio Hitler. Diante do caráter paradoxal do túmulo, este trabalho analisa as atitudes do narrador perante o corpo morto do amante, bem como a constelação de imagens que orbitam o túmulo, todas voltadas à contenção e à dissolução do cadáver
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spelling O túmulo especular em Pompas fúnebres (1947), de Jean GenetThe specular tomb in Funeral rites (1947), by Jean GenetDeathFuneral ritesImagem literáriaJean GenetJean GenetLiterary imageLutoMorteMourningPompas fúnebresTombTúmuloEste trabalho propõe uma leitura do romance Pompas fúnebres (1947), de Jean Genet, investigando as particularidades do túmulo enquanto imagem literária especular. Como reação à morte do amante, o narrador Jean Genet declara ser o túmulo de Jean Decarnin, revelando um trabalho de luto ambivalente: ora busca incorporar o amante, prolongando a relação amorosa, ora deseja traí-lo e destruí-lo. O túmulo emerge, assim, como imagem crítica que perpassa toda a narrativa em suas múltiplas dimensões: seja como túmulo de Decarnin, seja como signo da morte em consonância com o tempo fúnebre da guerra. O tema da morte do amor colide com a recriação do horror dos últimos meses da Ocupação nazista na França, transformando o romance em um ritual de decomposição lírico e político. Assim, inicialmente anunciado como homenagem a Decarnin, o texto desvia de seu propósito declarado e convertese em um empreendimento político, que eroticiza e ridiculariza o exército alemão, a milícia francesa e o próprio Hitler. Diante do caráter paradoxal do túmulo, este trabalho analisa as atitudes do narrador perante o corpo morto do amante, bem como a constelação de imagens que orbitam o túmulo, todas voltadas à contenção e à dissolução do cadáverThis work proposes a reading of the novel Funeral Rites (1947) by Jean Genet, investigating the particularities of the tomb as a specular literary image. In reaction to the death of his lover, the narrator Jean Genet declares himself to be Jean Decarnin\'s tomb, revealing an ambivalent work of mourning: at times seeking to incorporate the lover, prolonging the amorous relationship, at others desiring to betray and destroy him. The tomb thus emerges as a critical image that runs through the entire narrative in its multiple dimensions, whether as Decarnin\'s tomb or as a sign of death in harmony with the funereal time of war. The theme of the death of love collides with the recreation of the horror of the final months of the Nazi Occupation in France, transforming the novel into a lyrical and political ritual of decomposition. Initially announced as a tribute to Decarnin, the text deviates from its declared purpose and converts itself into a political enterprise, one that eroticizes and ridicules the German army, the French militia, and Hitler himself. Faced with the paradoxical nature of the tomb, this work analyzes the narrator\'s attitudes toward the dead body of his lover, as well as the constellation of images that orbit the tomb, all of them oriented toward the containment and dissolution of the corpseBiblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPVasconcellos, Cláudia Maria deGois, Walmir Lacerda2025-09-08info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8151/tde-08122025-150648/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-12-08T17:15:02Zoai:teses.usp.br:tde-08122025-150648Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-12-08T17:15:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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