Escrita das sensações: marcas do excesso no roteiro cinematográfico

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Santos, Éri Ramos Sarmet dos
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/27/27161/tde-10122025-161718/
Resumo: Esta tese investiga a escrita cinematográfica por meio de uma abordagem histórica, teórica e crítica que a compreende como prática e discurso (MARAS, 2009). Para isso, traço uma genealogia da forma do roteiro de longa-metragem de ficção, examinando as transformações culturais, econômicas e sociais que contribuíram para sua constituição, das práticas de leitura e escrita na Europa moderna e na América inglesa colonial até a poética normativa contemporânea, institucionalizada por manuais de roteiro e disseminada por seus \"gurus\". Argumento que a rigidez imposta por essas convenções reduz a potencialidade artística do roteiro, ao esvaziar justamente os elementos que o vinculam à linguagem audiovisual. Em contraste com a concepção do roteiro como instrumento funcional, proponho entendê-lo como um espaço de antecipação da mise-en-scène, capaz de construir atmosferas e suscitar afetos. Minha hipótese é que o roteiro pode envolver seus leitores com palavras que desejam se tornar imagens, sons, movimentos, sensações, um modo de escrita que denomino \"escrita das sensações\" ou \"escrita sensorial\". Essa escrita tensiona a ortodoxia dos manuais e mobiliza leitores/espectadores através de estratégias narrativas, estilísticas e discursivas de apelo ao corpo, às emoções e aos sentidos por meio de procedimentos que envolvem sons, mise-en-scène, expressões de interioridade e comportamentos não-verbais. Nesse sentido, argumento que a escrita sensorial fundamenta-se em uma poética do excesso, categoria estética e analítica fundamental para esta tese. A partir da análise de roteiros dos filmes O Animal Cordial (2017) e A Sombra do Pai (2018), ambos de Gabriela Amaral Almeida, Retrato de uma Jovem em Chamas (2019, Céline Sciamma) e Moonlight (2016, Barry Jenkins), demonstro como roteiristas de diferentes contextos desestabilizam os paradigmas normativos da escrita cinematográfica. A investigação concentra-se no texto de cena, com ênfase no chamado modo comentário (STERNBERG, 1997). Ao explorar a interação entre o corpo e uma linguagem que é simultaneamente literária e fílmica, esta pesquisa não apenas revisita o roteiro como um espaço de experimentação estética, mas também propõe outras formas de pensar, fazer e ensinar a escrita audiovisual.
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Em contraste com a concepção do roteiro como instrumento funcional, proponho entendê-lo como um espaço de antecipação da mise-en-scène, capaz de construir atmosferas e suscitar afetos. Minha hipótese é que o roteiro pode envolver seus leitores com palavras que desejam se tornar imagens, sons, movimentos, sensações, um modo de escrita que denomino \"escrita das sensações\" ou \"escrita sensorial\". Essa escrita tensiona a ortodoxia dos manuais e mobiliza leitores/espectadores através de estratégias narrativas, estilísticas e discursivas de apelo ao corpo, às emoções e aos sentidos por meio de procedimentos que envolvem sons, mise-en-scène, expressões de interioridade e comportamentos não-verbais. Nesse sentido, argumento que a escrita sensorial fundamenta-se em uma poética do excesso, categoria estética e analítica fundamental para esta tese. A partir da análise de roteiros dos filmes O Animal Cordial (2017) e A Sombra do Pai (2018), ambos de Gabriela Amaral Almeida, Retrato de uma Jovem em Chamas (2019, Céline Sciamma) e Moonlight (2016, Barry Jenkins), demonstro como roteiristas de diferentes contextos desestabilizam os paradigmas normativos da escrita cinematográfica. A investigação concentra-se no texto de cena, com ênfase no chamado modo comentário (STERNBERG, 1997). Ao explorar a interação entre o corpo e uma linguagem que é simultaneamente literária e fílmica, esta pesquisa não apenas revisita o roteiro como um espaço de experimentação estética, mas também propõe outras formas de pensar, fazer e ensinar a escrita audiovisual.This dissertation investigates screenwriting through a historical, theoretical, and critical approach that understands it as both practice and discourse (MARAS, 2009). To this end, I trace a genealogy of the feature-length fiction screenplay form, examining the cultural, economic, and social transformations that contributed to its constitution - from reading and writing practices in modern Europe and colonial English America to the contemporary normative poetics institutionalized by screenwriting manuals and disseminated by their \"gurus.\" I argue that the rigidity imposed by these conventions significantly reduces the artistic potential of the screenplay by stripping away precisely the elements that link it to audiovisual language. In contrast to the notion of the screenplay as a functional tool, I propose understanding it as a space for the anticipation of mise-en-scène, capable of constructing atmospheres and evoking affects. My hypothesis is that the screenplay can engage its readers through words that long to become images, sounds, movements, sensations - a mode of writing I call \"sensory screenwriting\" or \"screenwriting of sensations.\" This type of writing challenges the orthodoxy of the manuals and mobilizes readers/viewers through narrative, stylistic, and discursive strategies that appeal to the body, especially to emotions and the senses, primarily through procedures involving sound, mise-en-scène, expressions of interiority, and non-verbal behavior. Accordingly, I argue that sensory screenwriting is grounded in a poetics of excess, an aesthetic and analytical category that is central to this dissertation. Through analyses of the screenplays for Friendly Beast (2017) and The Father\'s Shadow (2018), by Gabriela Amaral Almeida; Portrait of a Lady on Fire (2019), by Céline Sciamma; and Moonlight (2016), by Barry Jenkins, I demonstrate how writers from different production contexts destabilize the normative paradigms of screenwriting. The investigation focuses on the scene text, with emphasis on the so-called commentary mode (STERNBERG, 1997). By exploring the interaction between the body and a language that is simultaneously literary and filmic, this research not only repositions the screenplay as a space of aesthetic experimentation but also proposes new ways of thinking, practicing, and teaching screenwriting.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPHamburger, Esther ImperioSantos, Éri Ramos Sarmet dos2025-06-30info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/27/27161/tde-10122025-161718/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-12-11T12:37:02Zoai:teses.usp.br:tde-10122025-161718Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-12-11T12:37:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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