Impacto do treinamento de força sobre a doença hepática esteatótica associada à disfunção metabólica em camundongos fêmeas

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Santos, Jessica Denielle Matos dos
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/17/17134/tde-27022026-084224/
Resumo: A redução da produção de hormônios sexuais em mulheres na transição para a menopausa tem sido identificada como fator de risco para o desenvolvimento de alterações cardiometabólicas, impactando diretamente o metabolismo energético e favorecendo o surgimento da síndrome metabólica. Esses processos estabelecem uma base para o desenvolvimento da Doença Hepática Esteatótica Associada à Disfunção Metabólica (MASLD) e sua progressão está associada a complicações como inflamação, balonização hepatocelular, podendo evoluir para fibrose e estabelecimento da Esteato-hepatite não alcóolica (MASH). A prática regular de exercícios é reconhecida como uma das intervenções não farmacológicas mais eficazes para a promoção da saúde. Entre eles, o treinamento de força (TF) promove importantes adaptações fisiológicas e metabólicas, sobretudo em populações especiais, como mulheres na menopausa, contribuindo para o aumento da força muscular e a melhora da resposta metabólica. O objetivo do presente trabalho foi avaliar os efeitos do treinamento de força na prevenção de alterações metabólicas hepáticas e musculares associadas à MASLD em modelos experimentais de menopausa. Foram utilizados camundongos fêmeas C57BL/6J e ApoE knockout (KO), com 8 semanas de idade, submetidos à ovariectomia ou cirurgia simulada e posteriormente avaliados quanto à progressão da MASLD. Os camundongos C57BL/6J foram distribuídos em quatro grupos: cirurgia falsa sedentária (SHAM), cirurgia falsa treinada (SHAM-EXE), ovariectomia sedentária (OVX) e ovariectomia treinada (OVX-EXE), todos alimentados com dieta hiperlipídica (HFD, 45%). Já os camundongos ApoE KO foram divididos em dois grupos: ovariectomia sedentária (OVX) e ovariectomia treinada (OVX-EXE), alimentados com dieta do tipo Western diet (WD 40%). O protocolo experimental incluiu a ovariectomia às 8 semanas de idade, seguida de um programa de TF realizado 3 vezes por semana durante 8 semanas. Durante o período experimental, foram monitorados peso corporal, ingestão alimentar, e composição corporal por ressonância magnética. Também foram conduzidos testes de tolerância à glicose, clamp euglicêmico-hiperinsulinêmico, análises bioquímicas de triglicerídeos hepáticos e musculares, expressão gênica e proteica, estresse oxidativo e avaliações histológicas hepáticas e musculares. Os resultados demonstraram que, nos modelos de esteatose hepática, o treinamento de força preveniu alterações decorrentes da menopausa, reduzindo peso corporal e percentual de gordura, aumentando massa magra, melhorando o perfil glicêmico e a sensibilidade à insulina sistêmica, além de reduzir o acúmulo de gordura ectópica. Observou-se, ainda, inibição da via de resistência à insulina e da lipogênese de novo (SREBP1c), ativação da via AMPK hepática e prevenção do estresse oxidativo. No músculo esquelético, o TF promoveu aumento da força e resistência, elevação da massa magra, estímulo da síntese proteica e hipertrofia. Nos modelos de MASH, o TF reduziu peso e gordura corporal, diminuiu o acúmulo ectópico de lipídeos hepáticos e musculares, além de prevenir estresse oxidativo, inflamação e fibrose. Em conjunto, nossos achados evidenciam que o treinamento de força protege o músculo esquelético contra atrofia e disfunção metabólica, ao mesmo tempo em que preserva a homeostase hepática, prevenindo a progressão das disfunções hepáticas. Esses resultados possuem relevância translacional, sugerindo que programas de treinamento de força podem representar uma estratégia acessível, segura e eficaz para a prevenção e o manejo de complicações metabólicas associadas à menopausa.
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A prática regular de exercícios é reconhecida como uma das intervenções não farmacológicas mais eficazes para a promoção da saúde. Entre eles, o treinamento de força (TF) promove importantes adaptações fisiológicas e metabólicas, sobretudo em populações especiais, como mulheres na menopausa, contribuindo para o aumento da força muscular e a melhora da resposta metabólica. O objetivo do presente trabalho foi avaliar os efeitos do treinamento de força na prevenção de alterações metabólicas hepáticas e musculares associadas à MASLD em modelos experimentais de menopausa. Foram utilizados camundongos fêmeas C57BL/6J e ApoE knockout (KO), com 8 semanas de idade, submetidos à ovariectomia ou cirurgia simulada e posteriormente avaliados quanto à progressão da MASLD. Os camundongos C57BL/6J foram distribuídos em quatro grupos: cirurgia falsa sedentária (SHAM), cirurgia falsa treinada (SHAM-EXE), ovariectomia sedentária (OVX) e ovariectomia treinada (OVX-EXE), todos alimentados com dieta hiperlipídica (HFD, 45%). Já os camundongos ApoE KO foram divididos em dois grupos: ovariectomia sedentária (OVX) e ovariectomia treinada (OVX-EXE), alimentados com dieta do tipo Western diet (WD 40%). O protocolo experimental incluiu a ovariectomia às 8 semanas de idade, seguida de um programa de TF realizado 3 vezes por semana durante 8 semanas. Durante o período experimental, foram monitorados peso corporal, ingestão alimentar, e composição corporal por ressonância magnética. Também foram conduzidos testes de tolerância à glicose, clamp euglicêmico-hiperinsulinêmico, análises bioquímicas de triglicerídeos hepáticos e musculares, expressão gênica e proteica, estresse oxidativo e avaliações histológicas hepáticas e musculares. Os resultados demonstraram que, nos modelos de esteatose hepática, o treinamento de força preveniu alterações decorrentes da menopausa, reduzindo peso corporal e percentual de gordura, aumentando massa magra, melhorando o perfil glicêmico e a sensibilidade à insulina sistêmica, além de reduzir o acúmulo de gordura ectópica. Observou-se, ainda, inibição da via de resistência à insulina e da lipogênese de novo (SREBP1c), ativação da via AMPK hepática e prevenção do estresse oxidativo. No músculo esquelético, o TF promoveu aumento da força e resistência, elevação da massa magra, estímulo da síntese proteica e hipertrofia. Nos modelos de MASH, o TF reduziu peso e gordura corporal, diminuiu o acúmulo ectópico de lipídeos hepáticos e musculares, além de prevenir estresse oxidativo, inflamação e fibrose. Em conjunto, nossos achados evidenciam que o treinamento de força protege o músculo esquelético contra atrofia e disfunção metabólica, ao mesmo tempo em que preserva a homeostase hepática, prevenindo a progressão das disfunções hepáticas. Esses resultados possuem relevância translacional, sugerindo que programas de treinamento de força podem representar uma estratégia acessível, segura e eficaz para a prevenção e o manejo de complicações metabólicas associadas à menopausa.The reduction in the production of sex hormones in women transitioning to menopause has been identified as a risk factor for the development of cardiometabolic changes, directly impacting energy metabolism and promoting the onset of metabolic syndrome. These processes establish a basis for the development of Metabolically Dysfunctional-Associated Steatohepatitis (MASLD), and its progression is associated with complications such as inflammation and hepatocellular ballooning, which can evolve into fibrosis and the establishment of non-alcoholic steatohepatitis (MASH). Regular exercise is recognized as one of the most effective non-pharmacological interventions for promoting health. Among them, strength training (ST) promotes important physiological and metabolic adaptations, especially in special populations, such as menopausal women, contributing to increased muscle strength and improved metabolic response. The objective of this study was to evaluate the effects of strength training in preventing metabolic changes in the liver and muscles associated with MASLD in experimental models of menopause. Eight-week-old female C57BL/6J and ApoE knockout (KO) Mice were subjected to ovariectomy or sham surgery and subsequently evaluated for MASLD progression. The C57BL/6J mice were divided into four groups: sham surgery sedentary (SHAM), sham surgery trained (SHAM-EXE), ovariectomy sedentary (OVX), and ovariectomy trained (OVX-EXE), all fed a high-fat diet (HFD, 45%). The ApoE KO mice were divided into two groups: sedentary ovariectomized (OVX) and trained ovariectomy (OVX-EXE), fed a Western-type diet (WD 40%). The experimental protocol included ovariectomy at 8 weeks of age, followed by an ET program performed 3 times a week for 8 weeks. During the experimental period, body weight, food intake, and body composition were monitored by magnetic resonance imaging. Glucose tolerance tests, euglycemic hyperinsulinemic clamp tests, biochemical analyses of hepatic and muscle triglycerides, gene and protein expression, oxidative stress, and hepatic and muscle histological evaluations were also conducted. The results showed that, in the hepatic steatosis models, The results showed that, in models of hepatic steatosis, strength training prevented changes resulting from menopause, reducing body weight and fat percentage, increasing lean mass, improving the glycemic profile and systemic insulin sensitivity, and reducing the accumulation of ectopic fat. Inhibition of the insulin resistance pathway and de novo lipogenesis (SREBP1c), activation of the hepatic AMPK pathway, and prevention of oxidative stress were also observed. In skeletal muscle, ST promoted increased strength and endurance, increased lean mass, stimulated protein synthesis, and hypertrophy. In MASH models, ST reduced body weight and fat, decreased ectopic accumulation of hepatic and muscle lipids, and prevented oxidative stress, inflammation, and fibrosis. Together, our findings show that strength training protects skeletal muscle against atrophy and metabolic dysfunction, while preserving hepatic homeostasis and preventing the progression of hepatic dysfunction. These results have translational relevance, suggesting that strength training programs may represent an accessible, safe, and effective strategy for the prevention and management of metabolic complications associated with menopause.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPCamporez, João Paulo GabrielSantos, Jessica Denielle Matos dos2025-10-15info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/17/17134/tde-27022026-084224/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2026-03-02T13:29:02Zoai:teses.usp.br:tde-27022026-084224Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212026-03-02T13:29:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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