Estudos sobre a β-galactosidase e os sistemas de transporte de glicose, galactose e lactose em Kluyveromyces fragilis

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 1993
Autor(a) principal: Bacci Júnior, Maurício
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/17/17131/tde-05092024-105402/
Resumo: A levedura Kluyveromyces fragilis pode utilizar glicose, galactose ou lactose como única fonte de carbono. Estes açúcares em leveduras são captados através de transportadores de membrana. Lactose é clivada em glicose e galactose, reação cataliasada pela β-galactosidase; glicose é convertida em glicose 6-fosfato, pela glicoquinase ou hexoquineses; galactose segue a via de Leloir, envolvendo galactoquinese, trensferase e epimerase, resultando em glicose-1-fosfato. Em Kluyveromyces fragilis, determinou-se que a hierarquia de preferência é: glicose, lactose, seguida de galactose. Mesmo em células pré-cultivadas em galactose, este açúcar é preterido em função dos demais. Além disso, nestas células, a presença de lactose provoca uma inibição transitória (de até 12 horas) do crescimento e do consumo de açúcares (Bacci Jr., 1989; Ueta, 1990). Células pré-cultivadas em outras fontes de carbono não apresentam esta inibição por lactose. Neste trabalho apresentamos estudos sobre as atividades de β-galactosidase e dos sistemas de transporte de glicose, galactose e lactose em Kluyveromyces fragilis. Estes estudos vêm colaborar pera o esclarecimento dos mecanismos envolvidos nos fenômenos de inibição e de consumo sequencial de açúcares. A atividade de β-galactosidase é exclusivamente intracelular, estando presente em níveis basais durante o crescimento em acetato, sendo induzida por galactose ou lactose e reprimida por glicose. Uma vez induzida, a atividade de β-galactosidase permaneceu estável, mesmo na ausência do indutor ou na presença de baixas concentracões de glicose (até 0,5 mg/100 ml). Durante o efeito inibitório da lactose, houve redução da atividade de β-galactosidase e o transporte de lactose estava também presente, resultando em acúmulo de glicose no meio de cultivo. Estes resultados, aliados à presença da atividade de galactoquinase e à inativação da epimerase (Antoniazi, 1992), indicam que a inibição pode ser provocada pelo acúmulo de intermediários fosforilados da galactose, que são tóxicos. Também foi caracterizado que o transporte de glicose, provavelmente uma difusão facilitada, apresenta dois componentes com afinidades distintas: um específico e aparentemente resistente à repressão por glicose e outro inespecífico, provavelmente um cotransporte glicose/galactose, regulado por desrepressão e reprimido por glicose. O transporte de galactose sempre ocorreu através de um sistema de alta afinidade, que era inespecífico, regulado por desrepressão e reprimido por glicose. O transporte de alta afinidade por lactose comportou-se de maneira semelhante, mas havia um segundo sistema específico induzido por lactose. Além destes sistemas, foram também caracterizados dois cotransportes: um de glicose e lactose e outro de galactose e lactose. Os sistemas de transporte de galactose e de lactose de células cultivadas em galactose ou de fase estacionária de crescimento em lactose estiveram relacionados à captação de prótons e são provavelmente cotransportes H+/açúcar. O controle da seleção da fonte de carbono preferencial envolve também os sistemas de transporte. Células crescendo em galactose ou lactose transportavam os três açúcares, mas, durante o crescimento em glicose, foram incapazes de transportar efetivamente galactose ou lactose. Nestas condições glicose era transportada por um sistema específico. Lactose induziu um sistema específico de transporte de lactose, com Ks de 0,66 mM e Vm de 864 mmol.g-1.h-1, que era inativado e reprimido por glicose. Durante o crescimento em galactose, o cotransporte H+/galactose apresentou Ks de 0,12 mM e Vm de 507 mmol.g-1.h-1. Este transporte foi competitivamente inibido e inativado tanto por glicose como por lactose. No entanto, galactose pôde ser transportada por um outro sistema não acoplado a prótons em células crescendo em lactose, com Ks de 0,08 mM e Vm de 507 mmol.g-1.h-1. Portanto, pode-se concluir que a prioridade de consumo de glicose ocorre devido à inativação e à repressão catabólica das vias de metabolismo de lactose e galactose. A preferência do consumo de lactose em relação à galactose está correlacionada à desconecção entre os transportes de galactose e prótons, provocada por lactose e que causaria uma incapacidade das células de concentrarem intracelularneote galactose. Além disso, há uma maior velocidade de transporte de lactose e a hidrólise deste açúcar contribuiria para um aumento da concentração intracelular de galactose. Os resultados obtidos neste trabalho conduziram a uma melhor caracterizacão do metabolismo de glicose, galactose e lactose em Kluyveromyus fragilis.
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Além disso, nestas células, a presença de lactose provoca uma inibição transitória (de até 12 horas) do crescimento e do consumo de açúcares (Bacci Jr., 1989; Ueta, 1990). Células pré-cultivadas em outras fontes de carbono não apresentam esta inibição por lactose. Neste trabalho apresentamos estudos sobre as atividades de β-galactosidase e dos sistemas de transporte de glicose, galactose e lactose em Kluyveromyces fragilis. Estes estudos vêm colaborar pera o esclarecimento dos mecanismos envolvidos nos fenômenos de inibição e de consumo sequencial de açúcares. A atividade de β-galactosidase é exclusivamente intracelular, estando presente em níveis basais durante o crescimento em acetato, sendo induzida por galactose ou lactose e reprimida por glicose. Uma vez induzida, a atividade de β-galactosidase permaneceu estável, mesmo na ausência do indutor ou na presença de baixas concentracões de glicose (até 0,5 mg/100 ml). Durante o efeito inibitório da lactose, houve redução da atividade de β-galactosidase e o transporte de lactose estava também presente, resultando em acúmulo de glicose no meio de cultivo. Estes resultados, aliados à presença da atividade de galactoquinase e à inativação da epimerase (Antoniazi, 1992), indicam que a inibição pode ser provocada pelo acúmulo de intermediários fosforilados da galactose, que são tóxicos. Também foi caracterizado que o transporte de glicose, provavelmente uma difusão facilitada, apresenta dois componentes com afinidades distintas: um específico e aparentemente resistente à repressão por glicose e outro inespecífico, provavelmente um cotransporte glicose/galactose, regulado por desrepressão e reprimido por glicose. O transporte de galactose sempre ocorreu através de um sistema de alta afinidade, que era inespecífico, regulado por desrepressão e reprimido por glicose. O transporte de alta afinidade por lactose comportou-se de maneira semelhante, mas havia um segundo sistema específico induzido por lactose. Além destes sistemas, foram também caracterizados dois cotransportes: um de glicose e lactose e outro de galactose e lactose. Os sistemas de transporte de galactose e de lactose de células cultivadas em galactose ou de fase estacionária de crescimento em lactose estiveram relacionados à captação de prótons e são provavelmente cotransportes H+/açúcar. O controle da seleção da fonte de carbono preferencial envolve também os sistemas de transporte. Células crescendo em galactose ou lactose transportavam os três açúcares, mas, durante o crescimento em glicose, foram incapazes de transportar efetivamente galactose ou lactose. Nestas condições glicose era transportada por um sistema específico. Lactose induziu um sistema específico de transporte de lactose, com Ks de 0,66 mM e Vm de 864 mmol.g-1.h-1, que era inativado e reprimido por glicose. Durante o crescimento em galactose, o cotransporte H+/galactose apresentou Ks de 0,12 mM e Vm de 507 mmol.g-1.h-1. Este transporte foi competitivamente inibido e inativado tanto por glicose como por lactose. No entanto, galactose pôde ser transportada por um outro sistema não acoplado a prótons em células crescendo em lactose, com Ks de 0,08 mM e Vm de 507 mmol.g-1.h-1. Portanto, pode-se concluir que a prioridade de consumo de glicose ocorre devido à inativação e à repressão catabólica das vias de metabolismo de lactose e galactose. A preferência do consumo de lactose em relação à galactose está correlacionada à desconecção entre os transportes de galactose e prótons, provocada por lactose e que causaria uma incapacidade das células de concentrarem intracelularneote galactose. Além disso, há uma maior velocidade de transporte de lactose e a hidrólise deste açúcar contribuiria para um aumento da concentração intracelular de galactose. Os resultados obtidos neste trabalho conduziram a uma melhor caracterizacão do metabolismo de glicose, galactose e lactose em Kluyveromyus fragilis.The yeast Kluyveromyces fragilis can grow on lactose, galactose or glucose as its sole carbon source. ln yeasts these sugars are transported by membrane carriers. Lactose is cleaved to glucose and galactose by the catalytic action of β-galactosidase, glucose is phosphorylated to glucose-6-phosphate by gluco or hexokinase, while galactose goes through the Leloir pathway ending as glucose-1-phosphate. We have determined in Kluyveromyces fragilis the hierarchy of preference to be glucose, lactose then followed by galactose. Even in cells previously grown in galactose its consumption occurs by last. Furthermore, the addition of lactose in those cells triggers a transitory inhibition of growth and sugar consumption (Bacci Jr, 1989; Ueta ,1990). Cells previously grown in other sugars do not present this inhibition by lactose. ln this work we are presenting studies on the β-galactosidase activity as well as on the glucose, galactose, end lactose transport systems in Kluyveromyces fragilis. Those studies have contributed to the comprehension of the mechanisms involved in the lactose-induced inhibition and in the sugars sequential consumption phenomena. The β-galactosidase is shown to be exclusively intracelluler, presenting activity at basal levels during growth on acetate, being induced by galactose and lactose and repressed by glucose. Once induced the enzymatic activity remained stable even in the absence of the inducer or in glucose concentrations at least up to 0,5 mg/100 ml. During the lactose inhibitory effect it has been noticed reduction in β-galactosidase activity but lactose transport activity was still present, resulting in glucose accumulation in culture media. These results, the presence of galactokinase activity and the drastic inactivation of epimerase (Antoniazi, 1992) indicated the inhibition can be due to galactose phosphorylated intermediates accumulation, known to be toxic to the cells. The glucose transport was also characterized as a probable facilitated diffusion, presenting two componentes with different affinities: the first one specific and apparently resistent to glucose triggered catabolic inactivation and the other unespecific, regulated by depression and repressed by glucose. Galactose transport always occurred through a high-affinity system, unespecific, regulated by derepression and repressed by glucose. The high-affinity lactose transport has behaved in similar manner, but lactose could be uptaken by a second low-affinity and apparently constitutive system. Besides, it was also cheracterized a glucose/lactose and a galactose/lactose symport systems. The galactose and lactose transport systems of derepressed cells cultured on galactose or stationary phase lactose-grown cells were related to proton uptake and are probably H+/sugar symporters. The control of the preferential carbon source selection involves the transport systems. Cells growing in galactose or lactose have transported the three sugars, but glucose-growing cells were unable to effectivelly transport galactose or lactose, and have a specific glucose transport system. Lactose induces a lactose-specific transport system with a Ks of 0,66 mM and Vm of 864 µmol.g-1.h-1, but it is inactivated and repressed by glucose. During growth on galactose the H+/galactose symport presents Ks of 0,12 mM and Vm of 507 µmol.g-1.h-1. This transport was competitively inhibited by both glucose or lactose. However in lactose-growing cells galactose could yet be uptaken by a H+/uncoupled system, with a Ks of 0,08 mM and Vm of 507 µmol g-1.h-1. Then, we have concluded the priority of glucose consumption occurs due to the catabolite inactivation and repression of the lactose and galactose metabolic pathway. The preference of lactose over galactose consumption is correlated to the disconnection between galactose and proton transports, triggered by lactose, and probably causing a hindrance in uphill galactose transport. Besides the greater lactose uptake rate, followed by hydrolysis, probably rises up intracellular galactose concentration. The results of this work have attempted to a better characterization of glucose, galactose and lactose metabolism in Kluyveromyces fragilis.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPLodi, Wilson Roberto NavegaBacci Júnior, Maurício1993-11-16info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/17/17131/tde-05092024-105402/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2024-09-05T15:42:02Zoai:teses.usp.br:tde-05092024-105402Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212024-09-05T15:42:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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