Investigação das barreiras à prática de obstetras que atuam pela humanização da assistência ao parto nas maternidades brasileiras

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Veiga, Luisa Jacques de Brito
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/6/6143/tde-17112025-152014/
Resumo: As últimas décadas têm sido marcadas por alguns avanços na assistência obstétrica brasileira sem, no entanto, superar as elevadas taxas de intervenções desnecessárias no parto, de cesarianas e de mortalidade materna. Se há, contudo, um contingente de obstetras atuantes pela humanização do parto no país, nos cabe compreender mais a fundo o modo como diferentes mecanismos institucionais têm operado na perpetuação de uma cultura obstétrica fortemente medicalizadora e intervencionista e a forma como essa cultura tem impactado a trajetória destes profissionais. É precisamente a investigação dessas barreiras institucionais e os seus impactos o objeto de investigação do presente estudo. Foi utilizada para tal uma metodologia mista, sendo a primeira etapa quantitativa, baseada em um questionário online com perguntas essencialmente fechadas, que envolveu a participação de 256 obstetras brasileiros, e a segunda etapa qualitativa, conduzida por meio de entrevistas semiestruturadas com onze participantes. A amostra contemplou todas as regiões do país, com predominância do sudeste e das capitais, e foi composta em sua maioria por obstetras mulheres, brancas, com término da formação em ginecologia e obstetrícia há menos de dez anos. A quase totalidade dos participantes enfrentaram ao menos uma dentre as cinco barreiras investigadas na etapa quantitativa, e houve um elevado percentual de participantes que enfrentaram algum impacto em suas trajetórias, desde adoecimento psíquico à interrupção da prática obstétrica. Na etapa qualitativa, foram identificados quatro eixos temáticos principais: 1) Barreiras à prática profissional de obstetras atuantes pela humanização da assistência ao parto; 2) Impactos na prática profissional e nas trajetórias de vida; 3) Estratégias sociais de resistência e enfrentamento; 4) Facilitadores institucionais da prática obstétrica humanizada. Os resultados permitem concluir que as barreiras enfrentadas por estes profissionais configuram um fenômeno social importante no Brasil, que opera por meio de um conjunto de práticas institucionais pautadas por uma lógica mecanicista de gestão e fortemente baseadas em um sistema de gênero.
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É precisamente a investigação dessas barreiras institucionais e os seus impactos o objeto de investigação do presente estudo. Foi utilizada para tal uma metodologia mista, sendo a primeira etapa quantitativa, baseada em um questionário online com perguntas essencialmente fechadas, que envolveu a participação de 256 obstetras brasileiros, e a segunda etapa qualitativa, conduzida por meio de entrevistas semiestruturadas com onze participantes. A amostra contemplou todas as regiões do país, com predominância do sudeste e das capitais, e foi composta em sua maioria por obstetras mulheres, brancas, com término da formação em ginecologia e obstetrícia há menos de dez anos. A quase totalidade dos participantes enfrentaram ao menos uma dentre as cinco barreiras investigadas na etapa quantitativa, e houve um elevado percentual de participantes que enfrentaram algum impacto em suas trajetórias, desde adoecimento psíquico à interrupção da prática obstétrica. Na etapa qualitativa, foram identificados quatro eixos temáticos principais: 1) Barreiras à prática profissional de obstetras atuantes pela humanização da assistência ao parto; 2) Impactos na prática profissional e nas trajetórias de vida; 3) Estratégias sociais de resistência e enfrentamento; 4) Facilitadores institucionais da prática obstétrica humanizada. Os resultados permitem concluir que as barreiras enfrentadas por estes profissionais configuram um fenômeno social importante no Brasil, que opera por meio de um conjunto de práticas institucionais pautadas por uma lógica mecanicista de gestão e fortemente baseadas em um sistema de gênero.The last few decades have been marked by some advances in Brazilian obstetric care, without, however, overcoming the high rates of unnecessary interventions during childbirth, cesarean sections and maternal mortality. But if there is a contingent of obstetricians working towards the humanization of childbirth in the country, it is up to us to understand in greater depth how different institutional mechanisms have contributed to the perpetuation of a strongly medicalising and interventionist obstetric culture and how this culture has impacted the trajectory of these professionals. It is precisely the investigation of these institutional barriers and their impacts that is the object of the inquiry of this study. A mixed-methodology approach was employed, comprising two stages: the first quantitative stage, which involved an online questionnaire with essentially closed-ended questions and included 256 Brazilian obstetricians, and the second qualitative stage, conducted through semi-structured interviews with 11 participants. The sample included all regions of the country, with a predominance in the southeast and capitals, and was primarily composed of white female obstetricians who had completed their training in obstetrics and gynaecology within the last ten years. Almost all participants faced at least one of the five barriers investigated in the quantitative stage, and there was a high percentage of participants who faced some impact on their trajectories, ranging from mental illness to the interruption of obstetric practice. In the qualitative stage, we identified four principal thematic axes: 1) Barriers to the professional practice of obstetricians working for the humanization of childbirth care; 2) Impacts on professional practice and life trajectories; 3) Social strategies of resistance and coping; 4) Institutional facilitators of humanised obstetric practice. The results enable us to conclude that the barriers faced by these professionals constitute a significant social phenomenon in Brazil, which operates through a set of institutional practices guided by a mechanistic management logic and firmly rooted in a gender system.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPVieira, Elisabeth MeloniVeiga, Luisa Jacques de Brito2025-08-29info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/6/6143/tde-17112025-152014/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-11-17T17:30:02Zoai:teses.usp.br:tde-17112025-152014Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-11-17T17:30:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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