Jovens negras em contextos universitários: como vivem, lutam e afrontam o mundo

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Silva, Maria do Rosario de Fatima Vieira da
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/48/48137/tde-21052025-092811/
Resumo: Esta tese teve como objetivo geral compreender como jovens negras vivenciaram a educação superior na cidade de Parnaíba (PI) a partir da identificação dos desafios e dos suportes mobilizados por elas no processo de ingresso e permanência, bem como analisar as inter-relações de raça, classe e gênero em suas experiências. Para tanto, foram realizadas entrevistas compreensivas com doze estudantes de cursos variados da Universidade Federal do Delta do Parnaíba (UFDPar), Universidade Estadual do Piauí (UESPI) e Centro Universitário Mauricio de Nassau (UNINASSAU). De acordo com os dados empíricos, identificou-se que as condições históricas e materiais das moças são marcadas por assimetrias, levando-as a enfrentarem muitos desafios no processo de ingresso e permanência na universidade, a exemplo da não oferta do ensino superior em seus municípios de origem, dificuldades de afiliação, vulnerabilidade socioeconômica, mobilidade, residirem longe dos familiares, dificuldade de conciliar trabalho e estudo, entre outros. Contudo, isso não as circunscreveram, elas desejavam ir mais longe e a educação superior sempre foi vista como um caminho provável para umas e improvável para outras, mas desejado por todas. Dentro das possibilidades de cada uma, se colocaram em ação, desenvolveram estratégias, mobilizaram suportes para acessarem e permanecerem na universidade. As entrevistas também revelaram que situações de racismo e preconceito fizeram parte de seus cotidianos, mesmo que de maneira subliminar ou velada. Elas expressaram estar vivendo um processo de compreensão do seu pertencimento racial não só do ponto de vista dos traços fenotípicos, mas um entendimento político do que é ser negro/negra no Brasil. Além disso, sinalizaram ter ciência de suas opressões, todavia, procuraram revertê-las a partir das ações resultantes dos aprendizados que adquiriram em outros contextos por onde transitavam, isto é, subverteram a lógica do que é esperado para a maioria das mulheres negras, que é ocupar espaços sociais tidos como subalternos.
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De acordo com os dados empíricos, identificou-se que as condições históricas e materiais das moças são marcadas por assimetrias, levando-as a enfrentarem muitos desafios no processo de ingresso e permanência na universidade, a exemplo da não oferta do ensino superior em seus municípios de origem, dificuldades de afiliação, vulnerabilidade socioeconômica, mobilidade, residirem longe dos familiares, dificuldade de conciliar trabalho e estudo, entre outros. Contudo, isso não as circunscreveram, elas desejavam ir mais longe e a educação superior sempre foi vista como um caminho provável para umas e improvável para outras, mas desejado por todas. Dentro das possibilidades de cada uma, se colocaram em ação, desenvolveram estratégias, mobilizaram suportes para acessarem e permanecerem na universidade. As entrevistas também revelaram que situações de racismo e preconceito fizeram parte de seus cotidianos, mesmo que de maneira subliminar ou velada. Elas expressaram estar vivendo um processo de compreensão do seu pertencimento racial não só do ponto de vista dos traços fenotípicos, mas um entendimento político do que é ser negro/negra no Brasil. Além disso, sinalizaram ter ciência de suas opressões, todavia, procuraram revertê-las a partir das ações resultantes dos aprendizados que adquiriram em outros contextos por onde transitavam, isto é, subverteram a lógica do que é esperado para a maioria das mulheres negras, que é ocupar espaços sociais tidos como subalternos.This thesis has as its main goal to comprehend how young black women went through their undergraduate courses in the city of Parnaíba (state of Piauí) through the identification of the challenges and the support mobilized by them in the university entrance process and their permanency, as well as analyzing the race interrelations, social class, and gender in their experiences. To do so, comprehensive interviews were conducted with twelve students of a variety of undergraduate courses from Universidade Federal do Delta do Parnaíba (UFDPar), Universidade Estadual do Piauí (UESPI) and Centro Universitário Mauricio de Nassau (UNINASSAU). According to the empirical data, it was identified that these ladies historical conditions and materials were marked by asymmetries, making them face many challenges in the entrance process and permanency in the university, for instance, the non-offer of undergraduate courses in their towns of origin, affiliation difficulties, social-economical vulnerability, mobility, residency far from relatives, struggles to conciliate work and study, among others. However, it did not circumscribe them, they wished to go further, and higher education was always seen as a most likely path to some and an unlikely path to others, but desired by all. Within their possibilities, they put themselves into action, developed strategies, and mobilized support to access and stay in university. The interviews also revealed that the racism and prejudice situations were part of their daily lives, even in a subliminal or veiled way. They expressed they are living a comprehension process of their racial belonging, not only from their phenotypical traces point of view but a political understanding of what it is to be black in Brazil. Besides that, they signaled awareness of their oppressions, nevertheless, they sought to reverse them based on actions resulting from learning that they acquired in other contexts they transited, that is, subvert the logic of what is expected for most black women, which is occupying social spaces that are considered subordinate.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPEsposito, Marilia PontesSilva, Maria do Rosario de Fatima Vieira da2025-03-14info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/48/48137/tde-21052025-092811/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-07-16T17:05:02Zoai:teses.usp.br:tde-21052025-092811Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-07-16T17:05:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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