Entre fronteiras: repercussões da migração internacional no cuidado e desenvolvimento infantil
| Ano de defesa: | 2025 |
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Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
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| Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
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| Palavras-chave em Português: | |
| Link de acesso: | https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/22/22133/tde-17032026-153855/ |
Resumo: | Introdução: Os desafios vivenciados por famílias migrantes internacionais e ou refugiadas, como a pluralidade religiosa e étnica, a burocratização da situação documental, as situações de vivências de preconceito, as lacunas na rede de apoio e proteção social, e as dificuldades com o idioma, podem aumentar a exposição da criança a situações de vulnerabilidade. Crianças que crescem em ambientes estressores e pouco estimulantes são mais propensas a desenvolver mecanismos de enfrentamento não saudáveis que prejudicam sua saúde e desenvolvimento. Tais aspectos estão alinhados aos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS 3 - Boa Saúde, ODS 4 - Educação de Qualidade, ODS 5 - Igualdade de Gênero, ODS 10 - Redução de Desigualdades, e ODS 16 - Paz, Justiça e Instituições Eficazes). Objetivo: Analisar elementos do contexto migratório no cuidado, na saúde e no desenvolvimento da criança, na perspectiva de cuidadores parentais, educadores e profissionais da saúde. Método: Estudo misto (QUAL + QUAN), com a etapa quantitativa guiada pela Escala de Crenças Parentais e Práticas de Cuidado na primeira infância, a Escala de Estresse Parental, e a ferramenta de vigilância do desenvolvimento infantil utilizada na Caderneta da Criança; e a etapa qualitativa por meio de entrevistas em profundidade, genograma, mapeando relações e dinâmicas familiares ao longo de gerações, e ecomapa, identificando apoios e fontes de estresse em sua rede social mais ampla. A abordagem transformativa concomitante utilizou a perspectiva teórica do desenvolvimento humano para integrar os dados quantitativos, a partir da análise descritiva e analítica das escalas, aos elementos qualitativos, derivados de análise temática indutiva. A pesquisa foi realizada no município de Foz do Iguaçú-Paraná, Brasil, região de tríplice fronteira (Brasil-Argentina-Paraguai), com população estimada em 257.971 pessoas, sendo 16.603 migrantes internacionais registrados, provenientes dos países: Argentina, Paraguai, Venezuela, Líbano, Egito, Guiana, Peru, Chile, Colômbia, Síria, Estados Unidos da América e Uruguai. Os critérios de inclusão foram: (i) cuidadores parentais maiores de 18 anos de idade (pais, mães, irmãos, avós e ou tios) que viviam no mesmo domicílio das crianças e foram reportados como figuras de referência ao cuidado delas; (ii) crianças com idade até seis anos; (iii) tempo de residência no município de Foz do Iguaçu maior que três meses; (iv) enfermeiras(os) de unidades de saúde básicas e de saúde da família adstritas ao domicílio da criança, com pelo menos quatro meses de atuação profissional no local; (v) professoras(es) de CMEI frequentado pelas crianças selecionadas, com pelo menos quatro meses de atuação profissional na instituição. Os critérios de exclusão foram: (i) cuidadores parentais com diagnósticos de saúde mental e ou de alguma necessidade especial de saúde, em privação de liberdade e ou hospitalizados; (ii) familiares que não falavam inglês, português ou espanhol; (iii) crianças com diagnóstico de alguma necessidade especial de saúde. Participaram do estudo quantitativo 70 cuidadores parentais de famílias migrantes internacionais e/ou refugiadas de crianças menores de seis anos de idade. Um subgrupo de 21 cuidadores, juntamente com 13 professoras(es) de Centros Municipais de Educação Infantil e 12 enfermeiras(os) da Atenção Primária à Saúde, participaram do estudo qualitativo. O projeto de pesquisa obteve aprovação do Comitê de Ética com CAAE 67120323.0.0000.5393. Resultados: A análise quantitativa indicou que, embora os cuidadores reconheçam a importância de se envolverem em atividades com seus filhos, a maioria não realiza essas práticas de forma consistente. Ainda que os cuidados básicos, o contato físico e as interações face a face tenham se mostrado positivos entre cuidador-criança, as atividades interacionais que estimulam o desenvolvimento infantil ficaram abaixo do recomendado. Em relação ao estresse decorrente da parentalidade, os cuidadores relataram sentir-se satisfeitos em seus papéis parentais, mas apontaram que ter filhos deixa pouco tempo e flexibilidade em suas vidas, tornando difícil balancear diferentes responsabilidades. Na vigilância do desenvolvimento infantil, quase metade das crianças não atingiu os marcos do desenvolvimento esperados para a idade. A análise qualitativa mostrou que os desafios vivenciados durante a migração internacional, especialmente relacionados ao idioma, à discriminação, ao baixo nível socioeconômico e à ausência de redes de apoio, foram os principais obstáculos para a adaptação ao novo território, intensificando o estresse e reduzindo o tempo e a qualidade da interação cuidador-criança, o que levou a práticas negativas de cuidado e afetou a saúde e o desenvolvimento infantil. Dificuldades financeiras e insegurança alimentar motivaram a migração em busca de melhores condições, mas crianças em trânsito permaneceram especialmente vulneráveis a violações de direitos. Como produto derivado deste estudo, uma síntese dos achados e de suas implicações para políticas públicas foi publicada no Nexo Políticas Públicas, disponível em: https://pp.nexojornal.com.br/academico/2025/11/25/cuidado-e-desenvolvimento-infantil-em contexto-migratorio. Conclusões: A adoção de métodos mistos permitiu compreender em profundidade como os desafios vivenciados por famílias migrantes internacionais repercutem no cuidado e no desenvolvimento infantil. O estudo evidenciou que vulnerabilidade socioeconômica, barreiras relacionadas ao idioma e à documentação, preconceito, discriminação e ausência de suporte social resultam em insegurança, estresse e práticas negativas de cuidado. Apesar disso, em comparação com a situação encontrada nos países de origem, o Brasil permitiu o acesso a cuidados básicos, como saúde, educação, seguridade social e oportunidades de trabalho, contribuindo para certa redução das vulnerabilidades presentes no contexto migratório. Os achados reforçam a necessidade de integrar serviços de proteção social, saúde e educação de maneira culturalmente sensível, com planejamento político-administrativo e apoio de organismos internacionais, de modo a garantir condições mais favoráveis ao exercício da parentalidade e ao pleno desenvolvimento infantil. Como impacto social, o estudo gera evidências que podem subsidiar políticas públicas voltadas à primeira infância em contextos migratórios, especialmente em regiões de fronteira. Quanto às limitações, a falta de informações sobre a localização das famílias migrantes internacionais dificultou o recrutamento dos participantes. Ademais, como as entrevistas foram realizadas em português e a maioria dos participantes tinham como língua materna o espanhol, diferenças linguísticas e culturais podem ter influenciado a compreensão e a expressão dos relatos. Por fim, famílias em situação de vulnerabilidade podem ter hesitado em compartilhar determinadas informações, resultando na possível perda de dados relevantes. Sugere-se que futuras investigações ampliem o mapeamento territorial das famílias migrantes e explorem longitudinalmente os efeitos da migração internacional sobre a saúde e o desenvolvimento infantil. |
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Entre fronteiras: repercussões da migração internacional no cuidado e desenvolvimento infantilBetween borders: implications of international migration on childcare and child developmentAcculturationChild developmentChild healthDesenvolvimento infantilDeterminantes sociais da saúdeInternational migrationMigração internacionalSaúde da criançaSocial determinants of healthTransculturaçãoIntrodução: Os desafios vivenciados por famílias migrantes internacionais e ou refugiadas, como a pluralidade religiosa e étnica, a burocratização da situação documental, as situações de vivências de preconceito, as lacunas na rede de apoio e proteção social, e as dificuldades com o idioma, podem aumentar a exposição da criança a situações de vulnerabilidade. Crianças que crescem em ambientes estressores e pouco estimulantes são mais propensas a desenvolver mecanismos de enfrentamento não saudáveis que prejudicam sua saúde e desenvolvimento. Tais aspectos estão alinhados aos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS 3 - Boa Saúde, ODS 4 - Educação de Qualidade, ODS 5 - Igualdade de Gênero, ODS 10 - Redução de Desigualdades, e ODS 16 - Paz, Justiça e Instituições Eficazes). Objetivo: Analisar elementos do contexto migratório no cuidado, na saúde e no desenvolvimento da criança, na perspectiva de cuidadores parentais, educadores e profissionais da saúde. Método: Estudo misto (QUAL + QUAN), com a etapa quantitativa guiada pela Escala de Crenças Parentais e Práticas de Cuidado na primeira infância, a Escala de Estresse Parental, e a ferramenta de vigilância do desenvolvimento infantil utilizada na Caderneta da Criança; e a etapa qualitativa por meio de entrevistas em profundidade, genograma, mapeando relações e dinâmicas familiares ao longo de gerações, e ecomapa, identificando apoios e fontes de estresse em sua rede social mais ampla. A abordagem transformativa concomitante utilizou a perspectiva teórica do desenvolvimento humano para integrar os dados quantitativos, a partir da análise descritiva e analítica das escalas, aos elementos qualitativos, derivados de análise temática indutiva. A pesquisa foi realizada no município de Foz do Iguaçú-Paraná, Brasil, região de tríplice fronteira (Brasil-Argentina-Paraguai), com população estimada em 257.971 pessoas, sendo 16.603 migrantes internacionais registrados, provenientes dos países: Argentina, Paraguai, Venezuela, Líbano, Egito, Guiana, Peru, Chile, Colômbia, Síria, Estados Unidos da América e Uruguai. Os critérios de inclusão foram: (i) cuidadores parentais maiores de 18 anos de idade (pais, mães, irmãos, avós e ou tios) que viviam no mesmo domicílio das crianças e foram reportados como figuras de referência ao cuidado delas; (ii) crianças com idade até seis anos; (iii) tempo de residência no município de Foz do Iguaçu maior que três meses; (iv) enfermeiras(os) de unidades de saúde básicas e de saúde da família adstritas ao domicílio da criança, com pelo menos quatro meses de atuação profissional no local; (v) professoras(es) de CMEI frequentado pelas crianças selecionadas, com pelo menos quatro meses de atuação profissional na instituição. Os critérios de exclusão foram: (i) cuidadores parentais com diagnósticos de saúde mental e ou de alguma necessidade especial de saúde, em privação de liberdade e ou hospitalizados; (ii) familiares que não falavam inglês, português ou espanhol; (iii) crianças com diagnóstico de alguma necessidade especial de saúde. Participaram do estudo quantitativo 70 cuidadores parentais de famílias migrantes internacionais e/ou refugiadas de crianças menores de seis anos de idade. Um subgrupo de 21 cuidadores, juntamente com 13 professoras(es) de Centros Municipais de Educação Infantil e 12 enfermeiras(os) da Atenção Primária à Saúde, participaram do estudo qualitativo. O projeto de pesquisa obteve aprovação do Comitê de Ética com CAAE 67120323.0.0000.5393. Resultados: A análise quantitativa indicou que, embora os cuidadores reconheçam a importância de se envolverem em atividades com seus filhos, a maioria não realiza essas práticas de forma consistente. Ainda que os cuidados básicos, o contato físico e as interações face a face tenham se mostrado positivos entre cuidador-criança, as atividades interacionais que estimulam o desenvolvimento infantil ficaram abaixo do recomendado. Em relação ao estresse decorrente da parentalidade, os cuidadores relataram sentir-se satisfeitos em seus papéis parentais, mas apontaram que ter filhos deixa pouco tempo e flexibilidade em suas vidas, tornando difícil balancear diferentes responsabilidades. Na vigilância do desenvolvimento infantil, quase metade das crianças não atingiu os marcos do desenvolvimento esperados para a idade. A análise qualitativa mostrou que os desafios vivenciados durante a migração internacional, especialmente relacionados ao idioma, à discriminação, ao baixo nível socioeconômico e à ausência de redes de apoio, foram os principais obstáculos para a adaptação ao novo território, intensificando o estresse e reduzindo o tempo e a qualidade da interação cuidador-criança, o que levou a práticas negativas de cuidado e afetou a saúde e o desenvolvimento infantil. Dificuldades financeiras e insegurança alimentar motivaram a migração em busca de melhores condições, mas crianças em trânsito permaneceram especialmente vulneráveis a violações de direitos. Como produto derivado deste estudo, uma síntese dos achados e de suas implicações para políticas públicas foi publicada no Nexo Políticas Públicas, disponível em: https://pp.nexojornal.com.br/academico/2025/11/25/cuidado-e-desenvolvimento-infantil-em contexto-migratorio. Conclusões: A adoção de métodos mistos permitiu compreender em profundidade como os desafios vivenciados por famílias migrantes internacionais repercutem no cuidado e no desenvolvimento infantil. O estudo evidenciou que vulnerabilidade socioeconômica, barreiras relacionadas ao idioma e à documentação, preconceito, discriminação e ausência de suporte social resultam em insegurança, estresse e práticas negativas de cuidado. Apesar disso, em comparação com a situação encontrada nos países de origem, o Brasil permitiu o acesso a cuidados básicos, como saúde, educação, seguridade social e oportunidades de trabalho, contribuindo para certa redução das vulnerabilidades presentes no contexto migratório. Os achados reforçam a necessidade de integrar serviços de proteção social, saúde e educação de maneira culturalmente sensível, com planejamento político-administrativo e apoio de organismos internacionais, de modo a garantir condições mais favoráveis ao exercício da parentalidade e ao pleno desenvolvimento infantil. Como impacto social, o estudo gera evidências que podem subsidiar políticas públicas voltadas à primeira infância em contextos migratórios, especialmente em regiões de fronteira. Quanto às limitações, a falta de informações sobre a localização das famílias migrantes internacionais dificultou o recrutamento dos participantes. Ademais, como as entrevistas foram realizadas em português e a maioria dos participantes tinham como língua materna o espanhol, diferenças linguísticas e culturais podem ter influenciado a compreensão e a expressão dos relatos. Por fim, famílias em situação de vulnerabilidade podem ter hesitado em compartilhar determinadas informações, resultando na possível perda de dados relevantes. Sugere-se que futuras investigações ampliem o mapeamento territorial das famílias migrantes e explorem longitudinalmente os efeitos da migração internacional sobre a saúde e o desenvolvimento infantil.Introduction: The challenges experienced by international migrant and/or refugee families, such as religious and ethnic plurality, bureaucratization of documentation status, experiences of prejudice, gaps in social support and protection networks, and language difficulties, can increase children\'s exposure to situations of vulnerability. Children who grow up in stressful and poorly stimulating environments are more likely to develop unhealthy coping mechanisms that harm their health and development. These aspects are aligned with the Sustainable Development Goals (SDG 3 - Good Health, SDG 4 - Quality Education, SDG 5 - Gender Equality, SDG 10 - Reduced Inequalities, and SDG 16 - Peace, Justice and Strong Institutions). Objective: To analyze elements of the migratory context in child care, health, and development, from the perspective of parental caregivers, educators, and health professionals. Method: Mixed-methods study (QUAL + QUAN), with the quantitative phase guided by the Parental Beliefs and Care Practices Scale in early childhood, the Parental Stress Scale, and the child development surveillance tool used in the Child Health Booklet; and the qualitative phase through in-depth interviews, genogram, mapping family relationships and dynamics across generations, and ecomap, identifying supports and sources of stress in their broader social network. The concurrent transformative approach used the theoretical perspective of human development to integrate quantitative data, from descriptive and analytical analysis of the scales, with qualitative elements, derived from inductive thematic analysis. The research was conducted in the municipality of Foz do Iguaçu-Paraná, Brazil, a triple border region (Brazil Argentina-Paraguay), with an estimated population of 257,971 people, including 16,603 registered international migrants from the following countries: Argentina, Paraguay, Venezuela, Lebanon, Egypt, Guyana, Peru, Chile, Colombia, Syria, United States of America, and Uruguay. The inclusion criteria were: (i) parental caregivers over 18 years of age (parents, siblings, grandparents and/or uncles/aunts) who lived in the same household as the children and were reported as reference figures for their care; (ii) children up to six years of age; (iii) residence time in the municipality of Foz do Iguaçu greater than three months; (iv) nurses from basic health units and family health units assigned to the child\'s household, with at least four months of professional experience at the location; (v) teachers from CMEI (Municipal Early Childhood Education Centers) attended by the selected children, with at least four months of professional experience at the institution. The exclusion criteria were: (i) parental caregivers with mental health diagnoses and/or any special health needs, deprived of liberty and/or hospitalized; (ii) family members who did not speak English, Portuguese, or Spanish; (iii) children diagnosed with any special health needs. Seventy parental caregivers from international migrant and/or refugee families with children under six years of age participated in the quantitative study. A subgroup of 21 caregivers, along with 13 teachers from Municipal Early Childhood Education Centers and 12 nurses from Primary Health Care, participated in the qualitative study. The research project obtained approval from the Ethics Committee with CAAE 67120323.0.0000.5393. Results: The quantitative analysis indicated that, although caregivers recognize the importance of engaging in activities with their children, most do not perform these practices consistently. Although basic care, physical contact, and face-to-face interactions were positive between caregiver and child, interactional activities that stimulate child development were below recommended levels. Regarding stress arising from parenting, caregivers reported feeling satisfied in their parental roles but pointed out that having children leaves little time and flexibility in their lives, making it difficult to balance different responsibilities. In child development surveillance, almost half of the children did not reach the developmental milestones expected for their age. The qualitative analysis showed that the challenges experienced during international migration, especially related to language, discrimination, low socioeconomic status, and absence of support networks, were the main obstacles to adaptation to the new territory, intensifying stress and reducing the time and quality of caregiver-child interaction, which led to negative care practices and affected child health and development. Financial difficulties and food insecurity motivated migration in search of better conditions, but children in transit remained especially vulnerable to rights violations. As a product derived from this study, a synthesis of the findings and their implications for public policies was published in Nexo Public Policies, available at: https://pp.nexojornal.com.br/academico/2025/11/25/cuidado-e-desenvolvimento-infantil-em contexto-migratorio. Conclusions: The adoption of mixed methods allowed for an in-depth understanding of how the challenges experienced by international migrant families affect child care and development. The study showed that socioeconomic vulnerability, language and documentation barriers, prejudice, discrimination, and absence of social support result in insecurity, stress, and negative care practices. Despite this, compared to the situation found in countries of origin, Brazil allowed access to basic care, such as health, education, social security, and work opportunities, contributing to some reduction of vulnerabilities present in the migratory context. The findings reinforce the need to integrate social protection, health, and education services in a culturally sensitive manner, with political-administrative planning and support from international organizations, to ensure more favorable conditions for the exercise of parenting and full child development. As a social impact, the study generates evidence that can support public policies aimed at early childhood in migratory contexts, especially in border regions. Regarding limitations, the lack of information about the location of international migrant families made it difficult to recruit participants. Furthermore, as the interviews were conducted in Portuguese and most participants had Spanish as their mother tongue, linguistic and cultural differences may have influenced the understanding and expression of the reports. Finally, families in situations of vulnerability may have hesitated to share certain information, resulting in the possible loss of relevant data. It is suggested that future investigations expand the territorial mapping of migrant families and longitudinally explore the effects of international migration on child health and development.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPMello, Débora Falleiros deCasacio, Gabriela Dominicci de Melo2025-10-31info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/22/22133/tde-17032026-153855/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2026-04-02T18:18:02Zoai:teses.usp.br:tde-17032026-153855Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212026-04-02T18:18:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false |
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Introdução: Os desafios vivenciados por famílias migrantes internacionais e ou refugiadas, como a pluralidade religiosa e étnica, a burocratização da situação documental, as situações de vivências de preconceito, as lacunas na rede de apoio e proteção social, e as dificuldades com o idioma, podem aumentar a exposição da criança a situações de vulnerabilidade. Crianças que crescem em ambientes estressores e pouco estimulantes são mais propensas a desenvolver mecanismos de enfrentamento não saudáveis que prejudicam sua saúde e desenvolvimento. Tais aspectos estão alinhados aos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS 3 - Boa Saúde, ODS 4 - Educação de Qualidade, ODS 5 - Igualdade de Gênero, ODS 10 - Redução de Desigualdades, e ODS 16 - Paz, Justiça e Instituições Eficazes). Objetivo: Analisar elementos do contexto migratório no cuidado, na saúde e no desenvolvimento da criança, na perspectiva de cuidadores parentais, educadores e profissionais da saúde. Método: Estudo misto (QUAL + QUAN), com a etapa quantitativa guiada pela Escala de Crenças Parentais e Práticas de Cuidado na primeira infância, a Escala de Estresse Parental, e a ferramenta de vigilância do desenvolvimento infantil utilizada na Caderneta da Criança; e a etapa qualitativa por meio de entrevistas em profundidade, genograma, mapeando relações e dinâmicas familiares ao longo de gerações, e ecomapa, identificando apoios e fontes de estresse em sua rede social mais ampla. A abordagem transformativa concomitante utilizou a perspectiva teórica do desenvolvimento humano para integrar os dados quantitativos, a partir da análise descritiva e analítica das escalas, aos elementos qualitativos, derivados de análise temática indutiva. A pesquisa foi realizada no município de Foz do Iguaçú-Paraná, Brasil, região de tríplice fronteira (Brasil-Argentina-Paraguai), com população estimada em 257.971 pessoas, sendo 16.603 migrantes internacionais registrados, provenientes dos países: Argentina, Paraguai, Venezuela, Líbano, Egito, Guiana, Peru, Chile, Colômbia, Síria, Estados Unidos da América e Uruguai. Os critérios de inclusão foram: (i) cuidadores parentais maiores de 18 anos de idade (pais, mães, irmãos, avós e ou tios) que viviam no mesmo domicílio das crianças e foram reportados como figuras de referência ao cuidado delas; (ii) crianças com idade até seis anos; (iii) tempo de residência no município de Foz do Iguaçu maior que três meses; (iv) enfermeiras(os) de unidades de saúde básicas e de saúde da família adstritas ao domicílio da criança, com pelo menos quatro meses de atuação profissional no local; (v) professoras(es) de CMEI frequentado pelas crianças selecionadas, com pelo menos quatro meses de atuação profissional na instituição. Os critérios de exclusão foram: (i) cuidadores parentais com diagnósticos de saúde mental e ou de alguma necessidade especial de saúde, em privação de liberdade e ou hospitalizados; (ii) familiares que não falavam inglês, português ou espanhol; (iii) crianças com diagnóstico de alguma necessidade especial de saúde. Participaram do estudo quantitativo 70 cuidadores parentais de famílias migrantes internacionais e/ou refugiadas de crianças menores de seis anos de idade. Um subgrupo de 21 cuidadores, juntamente com 13 professoras(es) de Centros Municipais de Educação Infantil e 12 enfermeiras(os) da Atenção Primária à Saúde, participaram do estudo qualitativo. O projeto de pesquisa obteve aprovação do Comitê de Ética com CAAE 67120323.0.0000.5393. Resultados: A análise quantitativa indicou que, embora os cuidadores reconheçam a importância de se envolverem em atividades com seus filhos, a maioria não realiza essas práticas de forma consistente. Ainda que os cuidados básicos, o contato físico e as interações face a face tenham se mostrado positivos entre cuidador-criança, as atividades interacionais que estimulam o desenvolvimento infantil ficaram abaixo do recomendado. Em relação ao estresse decorrente da parentalidade, os cuidadores relataram sentir-se satisfeitos em seus papéis parentais, mas apontaram que ter filhos deixa pouco tempo e flexibilidade em suas vidas, tornando difícil balancear diferentes responsabilidades. Na vigilância do desenvolvimento infantil, quase metade das crianças não atingiu os marcos do desenvolvimento esperados para a idade. A análise qualitativa mostrou que os desafios vivenciados durante a migração internacional, especialmente relacionados ao idioma, à discriminação, ao baixo nível socioeconômico e à ausência de redes de apoio, foram os principais obstáculos para a adaptação ao novo território, intensificando o estresse e reduzindo o tempo e a qualidade da interação cuidador-criança, o que levou a práticas negativas de cuidado e afetou a saúde e o desenvolvimento infantil. Dificuldades financeiras e insegurança alimentar motivaram a migração em busca de melhores condições, mas crianças em trânsito permaneceram especialmente vulneráveis a violações de direitos. Como produto derivado deste estudo, uma síntese dos achados e de suas implicações para políticas públicas foi publicada no Nexo Políticas Públicas, disponível em: https://pp.nexojornal.com.br/academico/2025/11/25/cuidado-e-desenvolvimento-infantil-em contexto-migratorio. Conclusões: A adoção de métodos mistos permitiu compreender em profundidade como os desafios vivenciados por famílias migrantes internacionais repercutem no cuidado e no desenvolvimento infantil. O estudo evidenciou que vulnerabilidade socioeconômica, barreiras relacionadas ao idioma e à documentação, preconceito, discriminação e ausência de suporte social resultam em insegurança, estresse e práticas negativas de cuidado. Apesar disso, em comparação com a situação encontrada nos países de origem, o Brasil permitiu o acesso a cuidados básicos, como saúde, educação, seguridade social e oportunidades de trabalho, contribuindo para certa redução das vulnerabilidades presentes no contexto migratório. Os achados reforçam a necessidade de integrar serviços de proteção social, saúde e educação de maneira culturalmente sensível, com planejamento político-administrativo e apoio de organismos internacionais, de modo a garantir condições mais favoráveis ao exercício da parentalidade e ao pleno desenvolvimento infantil. Como impacto social, o estudo gera evidências que podem subsidiar políticas públicas voltadas à primeira infância em contextos migratórios, especialmente em regiões de fronteira. Quanto às limitações, a falta de informações sobre a localização das famílias migrantes internacionais dificultou o recrutamento dos participantes. Ademais, como as entrevistas foram realizadas em português e a maioria dos participantes tinham como língua materna o espanhol, diferenças linguísticas e culturais podem ter influenciado a compreensão e a expressão dos relatos. Por fim, famílias em situação de vulnerabilidade podem ter hesitado em compartilhar determinadas informações, resultando na possível perda de dados relevantes. Sugere-se que futuras investigações ampliem o mapeamento territorial das famílias migrantes e explorem longitudinalmente os efeitos da migração internacional sobre a saúde e o desenvolvimento infantil. |
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