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Contribuição do desnudamento do glicocálix endotelial na disfunção da barreira hematoencefálica e no dano neuronal após traumatismo cranioencefálico

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Almeida, Marcela Curci Vieira de
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertacoes da USP
Universidade de São Paulo
Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/17/17138/tde-11032026-165858/
Resumo: Introdução: O traumatismo cranioencefálico (TCE) é uma das principais causas de mortalidade em adultos jovens, envolve lesões primárias e secundárias, sendo o edema cerebral um dos principais componentes da lesão secundária. Evidências crescentes sugerem que o glicocálix endotelial (eGC) é um importante constituinte da barreira hematoencefálica, e que a sua degradação leva ao extravasamento de proteínas e fluidos para o extravascular contribuindo para a formação do edema cerebral. O eGC é uma estrutura gelatinosa que reveste a superfície interna de todos os vasos sanguíneos, composta por proteoglicanos e glicosaminoglicanos. Objetivo: Avaliar a ocorrência do desnudamento do glicocálix endotelial no TCE e sua participação na instalação no dano neuronal e na alteração da permeabilidade vascular e desencadeamento de edema cerebral nesse cenário. Metodologia: Estudo unicêntrico, observacional, transversal e prospectivo que incluiu indivíduos maiores de 18 anos com diagnóstico de TCE nas primeiras 24 horas após o trauma. Foram coletadas amostras de sangue e urina para dosagem dos biomarcadores de lesão do glicocálix endotelial sindecano-1 (SDC-1), CD44s, hialuronano (HA) e glicosaminoglicanos sulfatados (GAGs), de lesão da célula endotelial trombomodulina (TBML), da atividade inflamatória interleucina-6 (IL-6) e da permeabilidade vascular (microalbuminúria corrigida pela creatinina urinária). O dano neuronal foi avaliado através da dosagem da enolase neurônio-específica (NSE), considerou-se maior comprometimento neuronal aqueles com nível de NSE >= ao percentil 50. A espessura do glicocálix endotelial também foi estimada por meio videocapilaroscopia sublingual (sistema GlycoCheck) e da perfused boundary region (PBR), um parâmetro inversamente proporcional a espessura do glicocálix endotelial. Todas as tomografias de crânios foram avaliadas por médico radiologista para determinação de sinais indiretos de edema cerebral como colabamento do terceiro ventrículo, ventrículos laterais e cisternas e apagamento dos sulcos. O prognóstico neurológico foi avaliado pela escala de Rankin modificada (mRS) na alta hospitalar e após três meses. Considerou-se um mRS>=4 como um desfecho neurológico desfavorável. Por motivos de comparação foram incluídos 20 indivíduos saudáveis. Resultados: No período de 1º de abril de 2021 e 31 de dezembro de 2022 foram incluídos 55 pacientes com TCE (idade média de 38±14 anos, 89% do gênero masculino). Os pacientes com TCE apresentaram níveis estatisticamente mais elevados de SDC-1 1894 ng/ml (IQ 745-12000) vs. 1074 ng/ml (IQ 352-1431); p=0,03, CD44s 916 &rho;g/ml (IQR 645-1223) vs. 519 &rho;g/ml (IQ 317-634); p< 0,0001, GAGs 0,20 &rho;g/mg (IQ 0,09-0,31) vs. 0,05&rho;g/mg (IQ 0,02-0,13); p=0,0007, de TBML 701&rho;g/ml (IQ 580-1175) vs. 220&rho;g/ml (IQ 63-677); p<0,0001, de IL-6 117&rho;g/ml (IQ 37-297) vs. 53,50&rho;g/ml (IQ 10,50-127,30); p=0,04 em comparação aos controles. Também se observou níveis mais elevados de microalbuminúria no TCE 19,01 mg/g (IQ 8,95-95,78) vs. 2,08 mg/g (IQ 1,05-4,06); p< 0,0001. Corroborando com a lesão do glicocálix endotelial, os pacientes com TCE apresentaram um valor estatisticamente maior para o PBR ajustado 1,57 &micro;m (IQ 1,41-1,79) vs. 1,32 &micro;m (IQ 1,18-1,44); p=0,0002 em comparação aos controles. Pacientes com maior dano neuronal avaliado através da NSE apresentaram níveis mais elevados de SDC-1 30140 ng/ml (IQ 1094-170834) vs. 1597 ng/ml (IQ 564-4529);p=0,040; CD44s 1109 &rho;g/ml (IQ 824-1776) vs. 733 &rho;g/ml (IQ 621-949);p=0,001, de TBML 1037 &rho;g/ml (IQ 695-1534) vs. 583 &rho;g/ml (IQ 490-744); p=0,0001, de IL-6 211 &rho;g/ml (IQ 111-423) vs. 50 &rho;g/ml (IQ21-135);p=0,0005), de microalbuminúria 45,69 mg/g (IQ 12,36-159,30) vs. 15,00 mg/g (IQ 5,84 -29,71); p = 0,022. Comparando os pacientes com desfecho neurológico desfavorável aos 3 meses, somente os níveis de microalbuminúria foram mais elevados neste grupo 72,48 mg/g (IQ 33,49 -156,50) vs. 17,08 mg/g (IQ 7,17-52,88)); p0,009 em comparação àqueles com bom prognóstico neurológico. Em relação aos achados tomográficos de edema cerebral somente a microalbuminúria foi estatisticamente mais elevada nos pacientes com colabamento das cisternas 83,05 mg/g (IQ 39,60-168,54) vs. 17,24 mg/g (IQ 7,36-52,32)); p0,017. Conclusão: Ocorre desnudamento agudo do glicocálix endotelial no TCE que está diretamente relacionado ao dano neuronal e a alteração de permeabilidade vascular contribuindo para a disfunção da barreira hematoencefálica nesse cenário.
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spelling Contribuição do desnudamento do glicocálix endotelial na disfunção da barreira hematoencefálica e no dano neuronal após traumatismo cranioencefálicoContribution of endothelial glycocalyx shedding to blood-brain barrier dysfunction and neuronal damage after traumatic brain injuryTraumatismo cranioencefálicoPrognóstico neurológicoMicrocirculaçãoMicroalbuminúriaGlicocálix endotelialEdema cerebralEndothelial glycocalyxMicrocirculationNeurological prognosisCerebral edemaTraumatic brain injuryBiomarkersIntrodução: O traumatismo cranioencefálico (TCE) é uma das principais causas de mortalidade em adultos jovens, envolve lesões primárias e secundárias, sendo o edema cerebral um dos principais componentes da lesão secundária. Evidências crescentes sugerem que o glicocálix endotelial (eGC) é um importante constituinte da barreira hematoencefálica, e que a sua degradação leva ao extravasamento de proteínas e fluidos para o extravascular contribuindo para a formação do edema cerebral. O eGC é uma estrutura gelatinosa que reveste a superfície interna de todos os vasos sanguíneos, composta por proteoglicanos e glicosaminoglicanos. Objetivo: Avaliar a ocorrência do desnudamento do glicocálix endotelial no TCE e sua participação na instalação no dano neuronal e na alteração da permeabilidade vascular e desencadeamento de edema cerebral nesse cenário. Metodologia: Estudo unicêntrico, observacional, transversal e prospectivo que incluiu indivíduos maiores de 18 anos com diagnóstico de TCE nas primeiras 24 horas após o trauma. Foram coletadas amostras de sangue e urina para dosagem dos biomarcadores de lesão do glicocálix endotelial sindecano-1 (SDC-1), CD44s, hialuronano (HA) e glicosaminoglicanos sulfatados (GAGs), de lesão da célula endotelial trombomodulina (TBML), da atividade inflamatória interleucina-6 (IL-6) e da permeabilidade vascular (microalbuminúria corrigida pela creatinina urinária). O dano neuronal foi avaliado através da dosagem da enolase neurônio-específica (NSE), considerou-se maior comprometimento neuronal aqueles com nível de NSE >= ao percentil 50. A espessura do glicocálix endotelial também foi estimada por meio videocapilaroscopia sublingual (sistema GlycoCheck) e da perfused boundary region (PBR), um parâmetro inversamente proporcional a espessura do glicocálix endotelial. Todas as tomografias de crânios foram avaliadas por médico radiologista para determinação de sinais indiretos de edema cerebral como colabamento do terceiro ventrículo, ventrículos laterais e cisternas e apagamento dos sulcos. O prognóstico neurológico foi avaliado pela escala de Rankin modificada (mRS) na alta hospitalar e após três meses. Considerou-se um mRS>=4 como um desfecho neurológico desfavorável. Por motivos de comparação foram incluídos 20 indivíduos saudáveis. Resultados: No período de 1º de abril de 2021 e 31 de dezembro de 2022 foram incluídos 55 pacientes com TCE (idade média de 38±14 anos, 89% do gênero masculino). Os pacientes com TCE apresentaram níveis estatisticamente mais elevados de SDC-1 1894 ng/ml (IQ 745-12000) vs. 1074 ng/ml (IQ 352-1431); p=0,03, CD44s 916 &rho;g/ml (IQR 645-1223) vs. 519 &rho;g/ml (IQ 317-634); p< 0,0001, GAGs 0,20 &rho;g/mg (IQ 0,09-0,31) vs. 0,05&rho;g/mg (IQ 0,02-0,13); p=0,0007, de TBML 701&rho;g/ml (IQ 580-1175) vs. 220&rho;g/ml (IQ 63-677); p<0,0001, de IL-6 117&rho;g/ml (IQ 37-297) vs. 53,50&rho;g/ml (IQ 10,50-127,30); p=0,04 em comparação aos controles. Também se observou níveis mais elevados de microalbuminúria no TCE 19,01 mg/g (IQ 8,95-95,78) vs. 2,08 mg/g (IQ 1,05-4,06); p< 0,0001. Corroborando com a lesão do glicocálix endotelial, os pacientes com TCE apresentaram um valor estatisticamente maior para o PBR ajustado 1,57 &micro;m (IQ 1,41-1,79) vs. 1,32 &micro;m (IQ 1,18-1,44); p=0,0002 em comparação aos controles. Pacientes com maior dano neuronal avaliado através da NSE apresentaram níveis mais elevados de SDC-1 30140 ng/ml (IQ 1094-170834) vs. 1597 ng/ml (IQ 564-4529);p=0,040; CD44s 1109 &rho;g/ml (IQ 824-1776) vs. 733 &rho;g/ml (IQ 621-949);p=0,001, de TBML 1037 &rho;g/ml (IQ 695-1534) vs. 583 &rho;g/ml (IQ 490-744); p=0,0001, de IL-6 211 &rho;g/ml (IQ 111-423) vs. 50 &rho;g/ml (IQ21-135);p=0,0005), de microalbuminúria 45,69 mg/g (IQ 12,36-159,30) vs. 15,00 mg/g (IQ 5,84 -29,71); p = 0,022. Comparando os pacientes com desfecho neurológico desfavorável aos 3 meses, somente os níveis de microalbuminúria foram mais elevados neste grupo 72,48 mg/g (IQ 33,49 -156,50) vs. 17,08 mg/g (IQ 7,17-52,88)); p0,009 em comparação àqueles com bom prognóstico neurológico. Em relação aos achados tomográficos de edema cerebral somente a microalbuminúria foi estatisticamente mais elevada nos pacientes com colabamento das cisternas 83,05 mg/g (IQ 39,60-168,54) vs. 17,24 mg/g (IQ 7,36-52,32)); p0,017. Conclusão: Ocorre desnudamento agudo do glicocálix endotelial no TCE que está diretamente relacionado ao dano neuronal e a alteração de permeabilidade vascular contribuindo para a disfunção da barreira hematoencefálica nesse cenário.Introduction: Traumatic brain injury (TBI) is one of the leading causes of mortality among young adults and involves both primary and secondary injuries, with cerebral edema being a major component of the secondary damage. Increasing evidence suggests that the endothelial glycocalyx (eGC) is a key component of the blood-brain barrier, and its degradation leads to the extravasation of proteins and fluids into the extravascular space, contributing to the development of cerebral edema. The eGC is a gel-like structure that lines the inner surface of all blood vessels and is composed of proteoglycans and glycosaminoglycans. Objective: To evaluate the occurrence of endothelial glycocalyx shedding in TBI and its role in neuronal damage, altered vascular permeability, and the development of cerebral edema in this context. Methods: This was a single-center, observational, cross-sectional, and prospective study that included individuals over 18 years old with a diagnosis of TBI within the first 24 hours after trauma. Blood and urine samples were collected to measure biomarkers of endothelial glycocalyx injury: syndecan-1 (SDC-1), CD44s, hyaluronan (HA), and sulfated glycosaminoglycans (GAGs); endothelial cell injury marker thrombomodulin (TBML); inflammatory marker interleukin-6 (IL-6); and vascular permeability through microalbuminuria corrected by urinary creatinine. Neuronal damage was assessed by measuring neuron-specific enolase (NSE), with greater neuronal injury defined as NSE levels &ge;the 50th percentile. Endothelial glycocalyx thickness was also estimated by sublingual video-capillaroscopy using the GlycoCheck system, through the perfused boundary region (PBR), a parameter inversely proportional to glycocalyx thickness. All cranial CT scans were assessed by an experienced radiologist to identify indirect signs of cerebral edema such as collapse of the third ventricle, lateral ventricles, cisterns, and sulcal effacement. Neurological outcome was assessed using the modified Rankin Scale (mRS) at hospital discharge and after three months. An mRS &ge;4 was considered an unfavorable neurological outcome. For comparison purposes, 20 healthy individuals were included. Results: Between April 1, 2021, and December 31, 2022, a total of 55 patients with TBI were included (mean age 38 ± 14 years, 89% male). Compared to controls, TBI patients presented significantly higher levels of SDC-1: 1894 ng/mL (IQR 745-12000) vs. 1074 ng/mL (IQR 352-1431); p = 0.03; CD44s: 916 pg/mL (IQR 645-1223) vs. 519 pg/mL (IQR 317-634); p < 0.0001; GAGs: 0.20 &micro;g/mg (IQR 0.09-0.31) vs. 0.05 &micro;g/mg (IQR 0.02-0.13); p = 0.0007; TBML: 701 pg/mL (IQR 580-1175) vs. 220 pg/mL (IQR 63-677); p < 0.0001; IL-6: 117 pg/mL (IQR 37-297) vs. 53.5 pg/mL (IQR 10.5-127.3); p = 0.04. Microalbuminuria was also higher in TBI patients: 19.01 mg/g (IQR 8.95-95.78) vs. 2.08 mg/g (IQR 1.05-4.06); p < 0.0001. Supporting glycocalyx injury, TBI patients showed significantly higher adjusted PBR values: 1.57 &micro;m (IQR 1.41-1.79) vs. 1.32 &micro;m (IQR 1.18-1.44); p = 0.0002. Patients with greater neuronal injury, as assessed by NSE, had higher levels of SDC-1: 30140 ng/mL (IQR 1094-170834) vs. 1597 ng/mL (IQR 564-4529); p = 0.040; CD44s: 1109 pg/mL (IQR 824-1776) vs. 733 pg/mL (IQR 621-949); p = 0.001; TBML: 1037 pg/mL (IQR 695-1534) vs. 583 pg/mL (IQR 490-744); p = 0.0001; IL-6: 211 pg/mL (IQR 111-423) vs. 50 pg/mL (IQR 21-135); p = 0.0005; and microalbuminuria: 45.69 mg/g (IQR 12.36-159.30) vs. 15.00 mg/g (IQR 5.84-29.71); p = 0.022. When comparing patients with unfavorable neurological outcomes at 3 months, only microalbuminuria levels were significantly higher in this group: 72.48 mg/g (IQR 33.49-156.50) vs. 17.08 mg/g (IQR 7.17-52.88); p = 0.009. Regarding CT findings suggestive of cerebral edema, only microalbuminuria was significantly higher in patients with collapsed cisterns: 83.05 mg/g (IQR 39.60-168.54) vs. 17.24 mg/g (IQR 7.36-52.32); p = 0.017. Conclusion: Acute shedding of the endothelial glycocalyx occurs in TBI and is directly associated with neuronal injury and altered vascular permeability, contributing to the dysfunction of the blood-brain barrier in this context.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertacoes da USPUniversidade de São PauloFaculdade de Medicina de Ribeirão PretoMiranda, Carlos HenriqueAlmeida, Marcela Curci Vieira de2025-11-142026-04-14info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/17/17138/tde-11032026-165858/doi:10.11606/T.17.2025.tde-11032026-165858Liberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccessporreponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USP2026-04-14T17:46:03Zoai:teses.usp.br:tde-11032026-165858Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212026-04-14T17:46:03Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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description Introdução: O traumatismo cranioencefálico (TCE) é uma das principais causas de mortalidade em adultos jovens, envolve lesões primárias e secundárias, sendo o edema cerebral um dos principais componentes da lesão secundária. Evidências crescentes sugerem que o glicocálix endotelial (eGC) é um importante constituinte da barreira hematoencefálica, e que a sua degradação leva ao extravasamento de proteínas e fluidos para o extravascular contribuindo para a formação do edema cerebral. O eGC é uma estrutura gelatinosa que reveste a superfície interna de todos os vasos sanguíneos, composta por proteoglicanos e glicosaminoglicanos. Objetivo: Avaliar a ocorrência do desnudamento do glicocálix endotelial no TCE e sua participação na instalação no dano neuronal e na alteração da permeabilidade vascular e desencadeamento de edema cerebral nesse cenário. Metodologia: Estudo unicêntrico, observacional, transversal e prospectivo que incluiu indivíduos maiores de 18 anos com diagnóstico de TCE nas primeiras 24 horas após o trauma. Foram coletadas amostras de sangue e urina para dosagem dos biomarcadores de lesão do glicocálix endotelial sindecano-1 (SDC-1), CD44s, hialuronano (HA) e glicosaminoglicanos sulfatados (GAGs), de lesão da célula endotelial trombomodulina (TBML), da atividade inflamatória interleucina-6 (IL-6) e da permeabilidade vascular (microalbuminúria corrigida pela creatinina urinária). O dano neuronal foi avaliado através da dosagem da enolase neurônio-específica (NSE), considerou-se maior comprometimento neuronal aqueles com nível de NSE >= ao percentil 50. A espessura do glicocálix endotelial também foi estimada por meio videocapilaroscopia sublingual (sistema GlycoCheck) e da perfused boundary region (PBR), um parâmetro inversamente proporcional a espessura do glicocálix endotelial. Todas as tomografias de crânios foram avaliadas por médico radiologista para determinação de sinais indiretos de edema cerebral como colabamento do terceiro ventrículo, ventrículos laterais e cisternas e apagamento dos sulcos. O prognóstico neurológico foi avaliado pela escala de Rankin modificada (mRS) na alta hospitalar e após três meses. Considerou-se um mRS>=4 como um desfecho neurológico desfavorável. Por motivos de comparação foram incluídos 20 indivíduos saudáveis. Resultados: No período de 1º de abril de 2021 e 31 de dezembro de 2022 foram incluídos 55 pacientes com TCE (idade média de 38±14 anos, 89% do gênero masculino). Os pacientes com TCE apresentaram níveis estatisticamente mais elevados de SDC-1 1894 ng/ml (IQ 745-12000) vs. 1074 ng/ml (IQ 352-1431); p=0,03, CD44s 916 &rho;g/ml (IQR 645-1223) vs. 519 &rho;g/ml (IQ 317-634); p< 0,0001, GAGs 0,20 &rho;g/mg (IQ 0,09-0,31) vs. 0,05&rho;g/mg (IQ 0,02-0,13); p=0,0007, de TBML 701&rho;g/ml (IQ 580-1175) vs. 220&rho;g/ml (IQ 63-677); p<0,0001, de IL-6 117&rho;g/ml (IQ 37-297) vs. 53,50&rho;g/ml (IQ 10,50-127,30); p=0,04 em comparação aos controles. Também se observou níveis mais elevados de microalbuminúria no TCE 19,01 mg/g (IQ 8,95-95,78) vs. 2,08 mg/g (IQ 1,05-4,06); p< 0,0001. Corroborando com a lesão do glicocálix endotelial, os pacientes com TCE apresentaram um valor estatisticamente maior para o PBR ajustado 1,57 &micro;m (IQ 1,41-1,79) vs. 1,32 &micro;m (IQ 1,18-1,44); p=0,0002 em comparação aos controles. Pacientes com maior dano neuronal avaliado através da NSE apresentaram níveis mais elevados de SDC-1 30140 ng/ml (IQ 1094-170834) vs. 1597 ng/ml (IQ 564-4529);p=0,040; CD44s 1109 &rho;g/ml (IQ 824-1776) vs. 733 &rho;g/ml (IQ 621-949);p=0,001, de TBML 1037 &rho;g/ml (IQ 695-1534) vs. 583 &rho;g/ml (IQ 490-744); p=0,0001, de IL-6 211 &rho;g/ml (IQ 111-423) vs. 50 &rho;g/ml (IQ21-135);p=0,0005), de microalbuminúria 45,69 mg/g (IQ 12,36-159,30) vs. 15,00 mg/g (IQ 5,84 -29,71); p = 0,022. Comparando os pacientes com desfecho neurológico desfavorável aos 3 meses, somente os níveis de microalbuminúria foram mais elevados neste grupo 72,48 mg/g (IQ 33,49 -156,50) vs. 17,08 mg/g (IQ 7,17-52,88)); p0,009 em comparação àqueles com bom prognóstico neurológico. Em relação aos achados tomográficos de edema cerebral somente a microalbuminúria foi estatisticamente mais elevada nos pacientes com colabamento das cisternas 83,05 mg/g (IQ 39,60-168,54) vs. 17,24 mg/g (IQ 7,36-52,32)); p0,017. Conclusão: Ocorre desnudamento agudo do glicocálix endotelial no TCE que está diretamente relacionado ao dano neuronal e a alteração de permeabilidade vascular contribuindo para a disfunção da barreira hematoencefálica nesse cenário.
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